ONU julgará perseguição a Lula perto da decisão do TRF4

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A mídia antipetista está alardeando que o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, ao qual o ex-presidente Lula recorreu dizendo que está sendo vítima de perseguição pelo Poder Judiciário Brasil, não irá julgar o caso dele neste ano.

O caso passou a ser examinado pela ONU em outubro do ano passado.

A assessoria de imprensa do Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos confirmou que a próxima reunião do Comitê das Nações Unidas, a ser iniciada na segunda-feira, 16, não incluirá o caso de Lula na pauta.

O Comitê vive um acúmulo inédito de casos, com mais de 500 queixas em apreciação e uma capacidade de tratar apenas 30 delas a cada reunião dos peritos. Apenas casos que se mostrem emergenciais – como uma pena de morte – são autorizados a driblar a longa fila.

A decisão sobre o ex-presidente deve ficar para 2018, já que o próximo encontro dos peritos do colegiado está marcado para março do ano que vem, pouco antes do início da campanha eleitoral e da decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região sobre o recurso interposto por Lula contra condenação que lhe foi imposta por Sergio Moro no caso do tríplex.

A mídia anti-Lula, tentando minimizar o caso, diz que a ONU “não vai avaliar o conteúdo da queixa” do ex-presidente, mas, “somente”, se cabe à mesma ONU “examinar o caso” e “fazer as suas recomendações”.

A mídia tenta fazer o público de trouxa. Os advogados de Lula vêm informando à ONU todo tipo de abuso que ele vem sofrendo, como a invasão da casa de um de seus filhos pela polícia sob alegações falsas de “tráfico de drogas” e COM autorização judicial.

Como diz um dos maiores antipetistas da mídia antipetista, o colunista do UOL Josias de Souza, a invasão da casa do filho de Lula dá a ele “a matéria-prima de que ele precisa para construir sua pose de vítima“…

Pose? Como assim, pose? Até essa manifestação serve de prova à ONU.

E as fotos do juiz que o está condenando sem piscar e por antecipação confraternizando com seus adversários políticos?

A própria mídia informa que, para que a investigação contra o Brasil seja aceita, a entidade em Genebra precisaria concluir que o sistema judicial brasileiro não tem a capacidade ou garantias suficientes de independência para julgar Lula.

Dali em diante, o tribunal internacional analisará a culpa de Lula paralelamente ao Brasil. Dez entre dez juristas respeitados dizem que a condenação de Lula por Moro no caso do triplex seria sumariamente rejeitada.

A razão? Não há nem sombra de provas.

Ou seja: se a ONU aceitar o caso proposto pela defesa internacional de Lula, a entidade passará ao mundo o recado de que o sistema de Justiça brasileiro não é isento.

Não é por outra razão que o advogado australiano Geoffrey Robertson, que representa Lula na ONU, julga que a aceitação do processo contra o Brasil pela entidade é virtualmente inevitável.

Para o Brasil, será um dos maiores vexames internacionais da história. E até comercialmente o país perderá. Quem quer fazer negócios com um país em que o sistema de  Justiça manipula decisões sob interesses políticos?

Para o caso de Lula ser aceito terá que ser analisado por 18 peritos independentes do Comitê de Direitos Humanos, que se reúnem três vezes por ano.

Tudo isso ocorrerá muito mais perto da eleição de 2018, o que será muito melhor para Lula eleitoralmente se a ONU aceitar o caso dele porque lhe dará o argumento de que “até a ONU sabe” que está sendo perseguido.

Nas não é só isso.

Se o caso fosse julgado na próxima semana e a Justiça brasileira fosse considerada tendenciosa e inconfiável, até que o TRF4 julgasse Lula em segunda instância transcorreria quase um ano, tempo suficiente para todos esquecesseem o ocorrido. Com essa mudança de calendário, tudo muda.

A ONU vai julgar as denúncias contra o Brasil paralelamente ao julgamento da primeira condenação de Lula em segunda instância pelo TRF4. A Corte brasileira saberá que sua decisão estará sendo acompanhada pelo mundo.

O adiamento do julgamento do Brasil pelo Alto Comissariado da Organização das Nações Uunidas para os Direitos Humanos é, sem dúvida, a melhor notícia que o ex-presidente recebeu em muito tempo, pois pode mudar sua história.

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Confira, abaixo, o programa da TV Cidadania sobre o assunto