Doutrina Serra, a reprise

Opinião do blog

Na história recente, um governante de um grande país fez acusações sem provas a outro país e, com base nelas, tomou medidas que posteriormente se mostraram desastrosas.  Esse tipo de conduta de um chefe de Estado pode afundar uma nação, como se verá a seguir.

O governante em questão foi George Walker Bush, que acusou o Iraque de possuir “armas de destruição em massa” e, com base no que não podia provar, declarou guerra ao país, invadiu-o, assassinou centenas de milhares de inocentes e, de quebra, ainda afundou a economia americana e fez os Estados Unidos perderem o respeito do mundo.

Disse bem Dilma Rousseff, sobre a acusação que seu adversário José Serra fez ao governo Evo Morales de que este permitiria o tráfico de “cocaína” para o Brasil: “Estadista não faz acusação sem provas a outro país”.

Após Serra posar todo orgulhoso para fotos ao lado do “exterminador do futuro”, o dublê de ator e atual governador republicano da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, pode-se ter uma idéia do tipo de relações internacionais que seriam construídas por um eventual governo tucano.

Mas que não se pense que os recentes ataques de Serra ao Mercosul, à Bolívia, à Venezuela e ao Irã são produto de suas convicções. Na verdade, o tucano busca agradar aos países ricos, sobretudo aos Estados Unidos, que, como se sabe, estão amplamente incomodados com o protagonismo brasileiro na cena internacional.

Ao fazer esse agrado às potências do norte – chamar Evo Morales de traficante soa como música à poderosa direita americana –, o candidato tucano calcula que terá o apoio delas para se eleger presidente. Mas resta saber quantos votos os governos do mundo rico têm por aqui…

Não, Serra não é louco, não. Ele sabe que ser o candidato do Primeiro Mundo pode lhe abrir financiamentos ilimitados de campanha, via laranjas dos estrangeiros aqui no Brasil, e que pode produzir um noticiário internacional francamente favorável à sua candidatura, gerando pressão nos agentes econômicos internos.

Ainda assim, em situação análoga a esta que o tucano tenta criar, ele perdeu as eleições de 2002 para Lula mesmo com o megaespeculador internacional George Soros dizendo a famosa frase “Serra ou o caos”, dando a entender que o mundo rico afundaria o Brasil se Lula ganhasse a eleição.

Tenho reportado cenas do script encenado em 2002 e em 2006 que estão sendo reprisadas em 2010, tais como fraude em pesquisas, processos do PSDB contra o instituto Sensus, a velha história de que Serra seria “mais preparado” do que o adversário etc. O tucano tentar se vender ao mundo rico como seu candidato a lhe entregar o Brasil, é só mais uma.

Ao fim do processo eleitoral deste ano, porém, tenho a mais absoluta certeza de que não teremos uma nova doutrina Bush versão Terceiro Mundo convulsionando a América Latina, com Serra comprando brigas com nossos vizinhos e entregando nossa economia aos ianques.

A doutrina Serra, que o próprio encena para as potências sedentas de saquearem o Brasil, é um filme velho e sem audiência. O Brasil está mais maduro, esperto e bem satisfeito com o rumo que tomou há oito anos. Não cairá mais nas vigarices renitentes do PSDB.