“Ley de Medios” tem forte apoio na Argentina

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Menos de 48 horas na Argentina me foram suficientes para chegar a duas conclusões importantes sobre a situação política no país: a “ley de médios” do governo de “La Mina” – como muitos chamam Cristina Fernández de Kirchner, em seu país – desfruta de grande apoio popular, e a presidente argentina deve se reeleger com facilidade, ano que vem.

Apesar da inflação em alta – o hotel cuja diária estava em 67 dólares, em novembro de 2009, agora está em 96 dólares – e dos demais problemas econômicos oriundos da crise econômica de 2001 que ainda flagelam o país, é inegável a satisfação popular com este governo.

A resposta que mais ouvi de alguns empresários com os quais me reuni, de motoristas de taxi, de garçons e até de garis à pergunta sobre o que achavam da “ley de medios” foi a de que o grupo Clarín é uma “máfia”.

Muito desse apoio de que desfruta a lei que está pondo fim à farra dos meios de comunicação que fizeram os argentinos caírem na conversa fiada de Carlos Menem – o ex-presidente argentino que, com seu câmbio fixo, desindustrializou o país e que se tornou uma espécie de Fernando Henrique Cardoso portenho – se deve a uma corajosa e eficiente campanha publicitária que pode ser conferida no vídeo logo abaixo.

Para quem já ouviu falar muito da “ley de medios” argentina e ainda não a entendeu, reproduzo um dos pontos do projeto de lei que acabou vingando e que mais eriçou a pelagem da fera midiática:

“Com o fim de impedir a formação de monopólios e oligopólios, o projeto de lei põe limites à concentração [de meios de comunicação], fixando limites à quantidade de licenças e por tipo de meio. Um mesmo concessionário só poderá ter uma licença de serviço de comunicação audiovisual (…) A nenhum operador será permitido oferecer conteúdo a mais de 35% da população do país (…) Quem tenha um canal de televisão aberta não poderá ser dono de uma empresa de tevê a cabo na mesma localidade e vice e versa (…)”

A campanha governamental para explicar os malefícios da concentração de propriedade de meios de comunicação foi facilmente assimilada e, além da percepção que tive, em um almoço com um cliente e um seu amigo jornalista me foi confirmada essa percepção de que a “ley de medios”, apesar do que diz o PIG argentino, é amplamente apoiada pela sociedade deste país.

Quem sabe outra mulher, a que governará o Brasil, também tenha “cojones” para acabar com um oligopólio cruel, ilegal e mafioso que continua fazendo em nosso país o que nenhuma nação civilizada permite mais que empresários de comunicação façam.

43 comments

  • Apois, muchaco. Quando chegar a cá pergunte para los garis o que eles acham daquele carinha que esbanja arrogância do alto do microfone (da Band) dele.

  • Rapaz, tomara que a Ley de Medios chegue aqui já no ano que vem, no primeiro ano da nova presidente Dilma, este exemplo da presidente Cristina Kirchner é animador!

  • Vamos aguardar uma Lei semelhante, pois o Brasil precisa urgentemente. Onde já se viu monopolizar informações e distorcer fatos descaradamente e ficar tudo como se nada tivesse acontecido? Sou a favor de jogo igual em qualquer circunstância. Pra mim, ganhar “roubando” não vale.

  • LI UM ARTIGO, QUE RESUME OS ACONTECIMENTOS ATUAIS.

    Laurindo Leal: Donos da mídia estão nervosos

    Jornalões e televisões ficaram nervosos ao perceberem que eles não são mais o único canal existente de contato entre os governantes e a sociedade.

    Às conquistas do governo Lula soma-se mais essa, importante e pouco percebida. E é ela que permite entender melhor o apoio inédito dado ao atual governo e, também, a vitória da candidata Dilma Roussef.

    Lula, como presidente da República, teve a percepção nítida de que se fosse contar apenas com a mídia tradicional para se dirigir à sociedade estaria perdido. A experiência de muitos anos de contato com esses meios, como líder sindical e depois político, deu a ele a possibilidade de entendê-los com muita clareza.

    Laurindo Leal: Donos da mídia estão nervosos

  • Caro Eduardo,te desejo bons negócios,vc merece!Quanto a Presidenta Cristina Kirchiner,meu desejo sincero é que ela tenha muita força,ela também merece,é um grande Mulher!Perdeu o seu amor,mas Graças a Deus,ela arregaçou as mangas e continuou a trabalhar!!!Aqui no Rio Grande do Sul,um jornal(não sei qual,peguei “o bonde andando”)escreveu que a Presidenta Cristina,é “louca”,aqui é assim,a imprensa dita quem é quem,o Presidente Lula,para uma ou duas emissôras de rádio manda matar,quem não o obedece!!Fico triste pois até mandei a gravação desta rádio(Pampa)cujo radialista,tem um ódio mortal do Presidente Lula,e esta criatura se chama gustavo victorino,para o Palácio do Planalto!.Não sei se esta gravação em fita cassete,caiu em mãos certas,mas o que eu posso fazer mais???

    • Sim corretamente

      o MST é uma agremiação não política que respeito e valoriza o ser humano, respeita a propriedade privada produtiva e nunca mas nunca mesmo usou empresas para obter recursos federais.

      O MST só não criou uma entidade com registro etc. por ainda não contar com a ajuda de um advogado que possa orientar seus líderes.

      • Comentar sem ler nao vale, e te deixa com cara de burro.

        “o MST é uma agremiação não política”:
        O link nao fala nada a respeito disso.

        “que respeito e valoriza o ser humano”:
        O link nao fala nada a respeito disso.

        “respeita a propriedade privada produtiva”:
        O link nao fala nada a respeito disso.

        “e nunca mas nunca mesmo usou empresas para obter recursos federais”:
        O link nao fala nada a respeito disso.

        “O MST só não criou uma entidade com registro etc. por ainda não contar com a ajuda de um advogado que possa orientar seus líderes”:
        O link nao fala nada a respeito disso.

      • Campineiro, não é para bater boca, mas veja o outro lado (quem se opõe ao MST):

        1 – Grande latifúndio improdutivo
        2 – Grileiros de terra (A Carta capital publicou dezenas de reportagens contra Katia Abreu)
        3 – Plantations (monocultura, grande propriedade e trabalho quase escravo – não lhe parece que voltamos 500 anos no passado?)

        Até países ultra-capitalistas já reformaram sua estrutura fundiária, se não reformarmos a nossa, NUNCA vamos nos desenvolver

        • Eu não sou nada disto que vc falou, mas me oponho veementemente contra o MST que é para mim uma agremiação ideológica com alto grau de ilegalidade e criminosa atuação, na tomada de terra.

          Nada, nada mesmo justifica este tipo de violência.

          Quanto a Katia Abreu:
          Se um, pelo um dos dirigentes do MST tivesse a postura, a fluência e a visão da Senadora o diálogo poderia certamente fluir mais facilmente.

          Mas toda cúpula do MST sempre se manifesta com ódio, frases de efeito e ataques a dignidade de qq pessoa.

          Em tempo

          Existem Latifúndios produtivos, atacados da mesma maneira

          Monoculturas são implícitas ao Agri-Business. Negar isto sim é voltar 500 anos.

          Não controlar, regimentar e dar diretrizes às atividade desenvolvidas pela iniciativa privada é função do estado. Se Lula não o fez, paciência, quem sabe a Dilma faça.

          Fomentar o ódio de classes, espancar agricultores funcionário de fazendas, derrubar suas moradias, derrubar plantações invadir campos experimentais são atividade de bárbaros sem noção e um absoluto desserviço ao estado e à nação.

          Defender este tipo de atitude é comungar com esta violência.

          Pode ser o seu caso, não o meu.

          Para violência não existe um lado ou outro lado. Estão todos errados.

  • Desta vez, Edu, vou mesmo é desejar que realize bons negócios. Afinal, saco vazio não se põe em pé, e você que tem dedicado tanto tempo (e trabalho) pela democracia brasileira, merece sucesso. Fica a torcida. E continue nos trazendo as impressões da latina américa, somos sedentos de informações de nossos irmãos da sulamérica.

  • concordo com todos, precisamos moralizar essa midia que fala o que quer e nao tem fiscalizacao, que distorce, que serve somente à oligarquia, que atrasa tanto nosso país a centenas de anos. A midia que temos é como uma ancora, que fica só atrapalhando os governantes e enganando a populacao, para que os poderosos saiam ganhando. até quando vamos suportar isso? O mundo inteiro fala bem do Brasil, menos nossa midia, que está sempre jogando contra. Nos nao merecemos e nao precisamos disso.

  • Por um milhao de razoes tinha que ser o Lula. A principal delas eh que a guerra da espionagem contra o governo nao teria essa razao especifica pra atacar Dilma e agora vai ter.

    Uma pena. Nao que Lula nao tenha feito muito, claro. Eh que esse soco tinha que ser dele.

  • Pois é Eduardo,os inocentes inúteis do Brasil que acreditam no PIG e no que ele divuga sobre essa lei da Argentina, acham que a Cristina é “censora” e persegue os mafiosos do El Clarin que pra eles são uns santos.

  • Vocês já viram a Band no seu “Jornal da Band” pedir a gritos a Ley de medios?
    Pois é, estão desesperados pois as teles já começam a vender TV a cabo.

    • Todo santo dia eles tocam no assunto.O engraçado é que só agora eles “descobriram” que as leis no Congresso Nacional demoram anos para serem regulamentadas.Ontem pra variar, ouviram um tucanóide que acha que TRES anos,isso mesmo,TRES anos para aprovação da lei que autoriza as teles a explorarem o sinal de TV a cabo,é “aprovação a toque de caixa”.Outra incoerência é o tucanoide e a bandeirantes pedir que haja “conferências e audiências públicas” para tratar do assunto.Quer dizer,quando no Governo Lula as discussões em conferências e audiências públicas,(que foi boicotada pelo PIG incluso aí a bandeirantes)-sobre a democratização da mídia não eram válidas, porque “o assunto deveria ser tratado pelos parlamentares”.Sei…

  • Edu,saindo totalmente do assunto:
    Pederia ao Sr Jobim que faça um favor ao Brasil:

    Peça demissão!Lula,por favor ,eu o amo,mas fica quieto !

  • A Presidente Dilma deve ter uma boa explicação para a manutenção do sr. Jobim no Min. da Defesa. Nada justifica a permanência dele no governo. É serrista, tucano. E fofoqueiro. Tudo o que houve no Planalto sai para contar ao embaixador dos EUA. Realmente, muito estranho.

  • Incrível, estou ouvindo o programa do Lasier Martins, RBS do RS, quando ele está entrevistando uma ex dirigente dos presídios do RIO, a época do Brizola e a mesma está de desmanchando em elogios a segurança pública de SAO pois após 16 anos no governo, de continuidade, investiu milhões na segurança, hoje modelo no Brasil, criticando as UPP’s e ainda tem a cara de pau em dizer que não é do PSDB, embora afirmem que sim, pois defende o governo Lula, mas não se cansa de elogiar os governos PSDB e criticar os projetos LULA. Me poupe senhora, a hipocresia tem limites, nada de comentar o acerto com o PCC???? Se ela é tão competente na área de presídios não fez nada com relação ao problema do Rio,. o que esperar…..

  • O que precisa estar contemplado na Ley de Medios brasileira é a implantação de Comites Populares (formado por representantes de ONGs, sindicatos, do Legislativo e do Judiciário) nas redações, para fiscalizar e orientar a ação dos veículos de imprensa.

  • Caro Eduardo, tudo bem?

    Aqui no Brasil, o magnífico Jobim é um membro dos EUA no governo da Presidenta Dilma: o wikileaks publicou uma série de e-mails de embaixadas norte-americanas pelo mundo, a de Brasilia considera “Jobim Leal e um amigo”

    Se este sujeito tiver um pingo de vergonha naquela cara feia, pede para sair e some

  • Edú, estou lançando a campanha: “JOBIM, PEDE PRÁ SAIR!”.
    Ou será que teremos dois embaixadores dos EUA no Brasil, em pleno governo Dilma?
    (Na verdade, três, já que o Fernando Henrique há muito é empregado da família Clinton, remunerado…)

  • Por mais apoio que esta lei possua, creio que dificilmente ela definirá a eleição do ano que vem!!!

    O que influencia mesmo o eleitor é a situação econômica do país!!!

    Inflação alta, ausência de crédito na praça, desemprego nas alturas, isso sim, define uma eleição!!!

    No mais torço para que a esquerda vença mais essa batalha!!!

  • Maravilhosa, estupenda a forma pela qual o Goevrno argentino explica à população o que significa a “Lei dos Medyos”, isto é, que regular a comunicação é garantir que a Sociedade controle os meios de comunicação, para que assim toda a Sociedade possa falar; do contrário, os meios de comunicação controlarão a Sociedade, e só eles(isto é, seus proprietários)falarão, enquanto todo o país ficará calado. Quando a propaganda lembra que a Lei de Comunicações é do tempo da ditadura e exemplifica o absurdo autoritário com a ideia de uma única televisão falando para todo o país, contrapondo-a à situação adequada de vários canais que, além de garantir pluralidade de opinião e pensamento, também gerará mais empregos para os argentinos, é essa a argumentação, a de garantir que todo o país fale, que está implícita. Espero que a “Lei dos Medyos”, cujo conteúdo detalhado ainda não conheço, fortaleça a comunicação pública(deve fazê-lo, já que a Argentina tem uma tradição em comunicação pública)como também o surgimento de outros canais de rádiodifusão que não sejam comerciais, mas pertençam a diferentes setores sociais organizados. Como também(e isso já ouvi dizer que faz parte da Lei)que obrigue qualquer meio de comunicação, privado ou não, a garantir o direito de expressão das diversas partes envolvidas em um determinado assunto, e a separar opinião de fato. Embora a Argentina, como a maioria dos países da América Latina, tenha um população bem mais politizada que a brasileira(e aqui não vai nenhum ideia depreciativa sobre nosso povo, mas uma constatação baseada em nossos diferentes processos de formação nacional. Todos os países da América Latina libertaram-se do colonizador europeu tornando-se Repúblicas, enquanto nós tivemos a tragédia de 67 anos de Monarquia, que deixaram sequelas terríveis em nosso imaginátrio coletivo); pois bem, apesar dessa ressalva, tenho certeza que uma boa campanha de esclarecimento, em liguagem clara e direta, conseguirá libertar a população das mentiras que os barões da comunicação propagarão contra a regulamentação das comunicações, campanha que mostrará aos brasileiros que, como qualquer outro setor social, as comunicações têm que ser reguladas pela Sociedade, não para calar ninguém, mas para garantir a essa Sociedade o direito de TODOS os seus membros falarem, e não apenas meia dúzia de cidadãos, proprietários do oligopólio de comunicações terem a exclusivaidade da expressão, sustentada pela censura ao restante dos brasileiros.

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