A submissão étnica no Brasil

Opinião do blog

A imagem acima simboliza uma afronta que é feita diariamente à maioria do povo brasileiro, maioria essa que o IBGE, a partir do Censo de 2010, diz que passou a ser composta por afrodescendentes.

O censo revelou que o contingente de pessoas que se declaram negras e pardas superou o das que se declaram brancas. 91 milhões se dizem brancas (47,7%), 15 milhões se dizem pretas (7,6%), 82 milhões se dizem pardas (43,1%), 2 milhões se dizem amarelas (1,1%) e 817 mil se dizem indígenas (0,4%). Negros e pardos, portanto, somam 97 milhões.

O pior é que grande parte dos que se dizem brancos, não é. Tem pele morena mais clara, mas com evidentes traços negros. Por que isso? Simplesmente porque uma carteira de identidade que diga que o indivíduo é negro ou pardo equivale a uma condenação.

Corte para uma cena típica neste país. A casa é a de uma família negra – homem, mulher e uma filha. É fim de tarde e a jovem de quinze anos se acomoda ansiosamente no sofá, diante da televisão. “Vai começar Malhação”, diz à mãe.

A cena chama atenção e perturba porque um pensamento vem à mente: será que a garota não se sente incomodada por não se ver representada na novela das cinco, das seis, das sete ou das oito, dia após dia?

Dirão que sempre há um negro e até um mestiço nas novelas, ainda que na propaganda isso seja muito mais raro. Mas como é possível que essa maioria da população não se incomode ao ver que nessas novelas é praticamente todo mundo branco?

Vejamos, abaixo, outro exemplo de novela com elenco “nórdico”, a das seis, também da Globo, uma tal de “A vida da gente”. Dê uma boa olhada no perfil étnico do elenco, leitor, e reflita se é mesmo a vida “da gente” que está na telinha.

Antes de prosseguir, há que constatar que essa situação não vige só na Globo, mas em todas as concessões públicas de televisão, no teatro, no cinema… A menos que seja uma trama de mocinhos e bandidos. Aí os negros aparecem mais, mas não como mocinhos…

Em alguma parte do país existe um povo como o dessa ou o de qualquer outra novela? Nem no sul há população tão branca. Pior ainda onde as emissoras ambientam a maioria de suas novelas, ou seja, no Rio ou em São Paulo.

E se isso ocorresse só nas novelas, não seria nada. Cristiane Costa, leitora do blog, envia comentário que mostra como o racismo paira sobre esta sociedade majoritariamente afrodescendente.

Há, sim, bonecas negras. Mas não é fácil achar. E a maioria é de brancas e loiras.  Meninas negras brincam com bonecas brancas assim como meninos negros brincam com bonecos brancos de super-heróis, por exemplo.

É só? Claro que não. A publicidade é ainda mais racista. É raro ver uma propaganda com uma família negra. Pode ser de banco, de plano de saúde, de loja de departamentos, de supermercados…

Pode-se dizer, no entanto, que quem movimenta a economia é a massa, aquela massa que o IBGE diz que é majoritariamente negra. Depois vêm outras etnias. Essa etnia que aparece nas novelas, na publicidade ou em brinquedos não deve chegar nem a 10% da população.

Por que, então, uma população tão discriminada não boicota o supermercado, o banco ou o plano de saúde que retratam este povo como se fosse norueguês ou sueco e escondem o verdadeiro povo brasileiro?

Apenas porque essa maioria étnica aprendeu a se submeter a coisa muito pior. Submete-se a ganhar menos e até a não poder freqüentar determinados ambientes, tais como casas noturnas e, sobretudo, clubes.

Um amigo está entre os raríssimos negros de classe média alta. Mora em um dos bairros mais elegantes de São Paulo, um bairro quase totalmente branco em que, apesar de residir ali há quase vinte anos, quase não tem amigos.

O amigo negro tentou várias vezes associar a família a um clube e jamais conseguiu. Dizem-lhe que não há títulos disponíveis para venda apesar de ele saber que é mentira porque antes de se apresentar pessoalmente pede informação por telefone e lhe dizem o oposto.

Ao ser perguntado sobre por que não denuncia isso, baixa os olhos e deixa escapar, de forma quase inaudível, que “seria pior”. E muda de assunto.

A pergunta, então, torna-se recorrente: se, como diz o IBGE, a maioria do povo brasileiro é negra ou descendente de negros, por que essa maioria não se revolta com uma situação tão absurda de legítima discriminação racial?

Não há estudos sobre isso apesar de que todos sabem a razão da submissão étnica que flagela a maioria dos brasileiros: trata-se de uma herança histórica, de uma história de submissão negra ao senhor branco.

Daí as pessoas negras vibrando com novelas brancas e que continuam dando dinheiro a empresas que as discriminam nas propagandas. Até porque, não há alternativas de entretenimento ou consumo que não passem pelo cordial racismo brasileiro.

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A auto-imagem do negro em sociedades racistas


183 comments

  • Violência Contra Mulher – O Papel da Mídia

    http://casatolerancia.blogspot.com/2011/11/violencia-contra-mulher-o-papel-da.html

    Hoje, 25 de novembro, é o Dia Internacional da Luta Contra a Violência à Mulher. Esta campanha me remeteu a alguns questionamentos que fiz ao refletir sobre as ações afirmativas para negros e sobre a campanha da Gisele Bundchen para a Hope. Eram eles:

    Continua… >> http://casatolerancia.blogspot.com/2011/11/violencia-contra-mulher-o-papel-da.html

  • Eduardo, ouça o conselho dos mais velhos: se você não tiver
    algo relevante para dizer, fique calado.
    “Em boca fechada não entra mosca”, já dizia o sábio.
    A sensação que me dá é que você quer fazer afirmações
    facilmente contestáveis, sei lá com que intuito.
    Sai dessa !!!

  • E a submissão racial que predomina, a pior de todas, é a submissão cultural.
    E ainda me aparece aquele camarada da Globo que escreveu um livro para dizer que não há racismo no Brasil.

    • Lembro-me que a pouco tempo (há algumas décadas) o povo norte-americano era o retrato do racismo. Nessas poucas décadas eles evoluíram mais do que o Brasil em 500 anos!! … Basta ver o cinema norte americano para ver o papel do negro nessa oitava arte, uma das principais fontes de renda dos Estados Unidos no mundo e a hegemonia de anos-luz na frente do restante do cinema no planeta. É notável também a participação do negro afro-americano no esporte: uma participação maciça por competência. Nas universidades é também muito intensa a participação do negro norte-americano como intelectuais importantes na história cultural dos Estados Unidos de hoje. Isso é sinal de inteligência do povo norte-americano, brancos e negros, e de capacidade de resolver os seu próprios problemas internos.

      A qui no Brasil a Rede Globo não consegue nem copiar o padrão dos Estados Unidos de tão obtusos que são os produtores intelectuais da programação da emissora, principalmente porque se deixam doutrinar por uma mentalidade tão retrógrada. Essa emissora só faz vitrine propagandista do mercado de modas e produtos dirigidos quase que exclusivamente para a classe de maior poder aquisitivo, que tem por força do racismo o favorecimento esmagador de pessoas brancas, selecionadas por sistema perverso para as melhores oportunidades de trabalho, estudos, condições de moradia e favorecimento em todos os sentidos.

      O problema maior é que a discussão sobre temas que colocam na berlinda o racismo no Brasil é discutido com muita má vontade por pessoas que se consideram não negras, e também por políticos que não querem envolver com uma questão tão espinhosa como essa que não gera votos. A cota para negros ingressarem nas universidades é recebida pela população brasileira com muita desconfiança, isto porque exacerba e expõe mais às claras o racismo velado que existe no Brasil. Quando se faz alguma ação pública para diminuir a desigualdade cada vez mais crescente de oportunidades entre brancos e negros no Brasil, dizem políticos importantes que torna-se perigoso a “racialização”. Creio que o problema é “explicitação” do racismo já existente e incutido na mentalidade o brasileiro. O racismo brasileiros é questão de querer se autoafirmar como País de terceiro mundo e ai permanecer.

      Para haver avanço nas discussões sobre racismo no Brasil tem que debater sim. O problema só se resolve, ao menos em parte, se houver disposição para discutir o problema e dialogar de modo construtivo. Essa é uma realidade social, pois mexe profundamente com classes sociais estagnadas pela discriminação ativa e eficaz. É preciso desarmar o sistema operativo que promove as diferenças sociais de modo discriminador, através de leis que progridam no sentido de esclarecer e garantir que o ato preconceituoso não cabe mais na sociedade brasileira, e que o exercício de democratização legítima é um direito constitucional que não deve ser mascarado por interpretações capciosas, intolerantes e hipócritas.

  • Eduardo Guimarães, parabéns pelo excelente artigo. Claro, verdadeiro e conciso.
    Não devemos nos importar com os trolls. Seres inoportunos, preconceituosos, idiotas e desprovidos de humanidade.
    Seu trabalho incansável por uma sociedade melhor, deve ser respeitado e dignificado.

    Adriano Almeida
    Recife-PE

  • Sua amiga está equivocada. Há Barbies negras no mercado. Aliás, quando eu era criança, há bastante tempo, havia bonecas negras. Eu tive uma. O que não há são bonecas indias e japonesas. Na minha visão de quem já lidou com várias crianças, essa criança, independente da cor da sua pele, deve escolher qual boneca quer ganhar e não ser influenciada pela família.

  • Edu, o que a Globo faz, indiretamente, pois ela não admitirá isso jamais, é concretizar o racismo existente no país. O ambiente onde se passa suas produções são geralmente nos bairros chiques do Rio, onde o branquismo impera, onde não há inclusão, onde as políticas de cotas são combatidas com arrogância e intransigência, onde se mantém os ditames da Casa Grande. Eduardo, as novelas e as produções globais são como ela e seus dirigentes: preconceituosos. Nada tem com afronte a realidade, tem a ver com hipocresia mesmo, das mais “brabas”!

    • Esse “Brasil Branco e Rico” da Zona Sul do Rio de Janeiro e dos Jardins de São Paulo que a Globo quer impor a 200 milhões de brasileiros através de suas imbecilóides novelas é uma farsa que alimenta a ideologia doentia da direita brasileira.

      Infelizmente, eles ainda têm muitos adeptos na parcela da população excluída desse mundo “global” mas que, devido a uma atávica submissão cultural, se deixa dominar por esse lixo televisivo.

      • Nem nos Jardins ou na Zona Sul do Rio há uma composição étnica como a que se vê nessas novelas ou na propaganda. A realidade brasileira, que é altamente excludente, consegue ser menos racista que as novelas e a propaganda

        • Edu, só considero composição étnica (falando em convivência social) quando há igualdade de condições. A Globo somente transmite a “realidade” dela, fabricada pelos meios publicitários (está mudando, muito lentamente, mas tá) que, como disse o Pedro acima, é consumido pelos próprios excluídos como sendo verdade!

        • Edu, a novela exagera, mas é fato que nessas áreas nobres do país, a miaoria é branca. O negro geralmente é serviçal. Passei mniha infância toda na zona sul do Rio. Essa é a realidade, infelizmente.
          Então o argumento da Globo é que ela atem-se ao que existe no vida real. Só que ela vai além. Ela sustenta esse “racismo cordial” escondido atrás da tal democracia racial que está no livro do Ali Kamel.
          Ao negar a tensão Casa Grande X Senzala, e ao mesmo tempo combater as cotas, ela quer manter tudo como está. Tudo na base do fingimento.
          Não creio que a questão seja contabilizar o número de negros nos programas da Globo. É sim desmontar a estratégia ideológica com que ela tenta manter o status quo. Seja na questão racial, mas também na social. O que sabemos que se mistura.

          • Mesmo que fosse assim, Juliano – e não é, porque SP tem mais brancos que no Rio e nem assim há tantos brancos “puros” mesmo na elite -, todas as novelas têm o mesmo elenco quase inteiramente branco, seja qual for a realidade que a trama retrata. Ou seja: até entre a classe média baixa, são todos negros, nas novelas. Não existe uma só justificativa para TODAS as novelas terem essa proporção étnica. Nem quando retratam ricos.

          • É verdade Edu, não tinha olhado com atenção as fotos. E como não vejo novela, essa “discrepância” étnica me passa despercebido.
            A maioria é realmente de aparência caucasiana, quase ariana. Parece um grupo de anglo-saxões com uma “pitada” de latinos.
            O Anselmo Buning não vê ou não quer ver, que isso faz parte de uma estratégia de dominação. A imposição de um padrão étnico como modelo para uma população que não se enquadra nela, coloca-a numa posiçãode de inferioridade. Não serve de nada ficar dizendo que tem um empregado negro como compadre.
            De qualquer forma Edu, o que eu queria dizer é que mesmo que a Globo “encha’ uma novela de negros, não resolve nada, pois ela vende essa idéia do Brasil como uma democracia racial.
            Conflito racial só na novela “Escrava Isaura”. Mesmo assim a protagonista embora escrava fosse a branquíssima Lucélia Santos

        • O blogueiro “esqueceu” que na penultima e antepenultima novela da Globo os atores principais eram negros.

          Dos nove empregados na minha papelaria, três são negros e nunca os vi circunstancializar sua condição de negros, seja na atividade profissional seja na vida privada (sou compadre de um deles ). Isto de dizer que ser afrodescendente é um estigma só na cabeça de quem coloca a cor da pele como fator preponderante na praxis social.

          Não pecarei por ingenuidade em não reconhecer que racismo existe e, algumas vezes, se manifesta de maneira contundente. Contudo, sem querer minimizar este preconceito, vivemos em sociedade e portanto, sujeitos a coexistir ( esporádicamente) com homofóbicos, machistas, paranóicos, esquizofrênicos e quejandos.
          Resumindo; o blogueiro foi além das sandálias.

          • A questão é a composição étnica de TODAS as novelas. E não só das novelas. A propaganda é ainda pior. E de que adianta uma novela ter um protagonista negro como Lázaro ramos – que nem era bem o protagonista – que encarnou o que gente como você chama de “negro de alma branca” em meio a um elenco em que 90% é de brancos de ascendência européia? E o que é pior: seja qual for a novela, desde que novelas existem na TV, que TODAS têm esse povo que, no Brasil, não existe com essa composição étnica. O que você tenta vender com essa frase ridícula sobre “sandálias”? Que as novelas não são racistas? Aí estão os elencos para mostrar o contrário. Varia a novela, mas a composição é sempre a mesma. Porque a mídia brasileira é racista, como provam as imagens deste post.

    • eu sou a favor das COTAS SOCIAIS e radicalmente contra as RACIAIS

      Embora reconheça a preocupação de BOA PARTE dos grupos que as defende – mas nem todos, as raciais ..infelizmente não posso deixar de dizer que se bem comparadas, as cotas RACISTAS carregam consigo princípios e germes nazistas como o da segregação, eugenismo, reparação histórica feita por inocentes vivos por pecados de culpados mortos

      absurdo dirão alguns, aqui a COTA RACISTA veio pro bem ..sei sei, lá na ALEMANHA, quando eles culparam todo um povo por seus males, eles tb pensavam assim ..lá, na Australia quando colocaam de lado a “subespécie” aborígene ..na Africa do Sul etc

      FORA ainda que aqui se falarmos em negros, falamos em POBRES ..então, então bem que poderíamos ter dado do exemplo, ou seja, termos estabelecido cotas SOCIAIS que resgatariam o POBRE (de qq cor, sexo, origem) aonde automaticamente estariam contidos a IMENSA maioria de negros ainda excluídos

      ..mas fazer o que? a turma de MKT preferiu trabalhar com a tese do atrito, do nós contra eles, dos olhos azuis contra os olhos castanhos, neste dualismo que sempre escolhe dum inimigo ??!!

      ..cotas sociais, acima de tudo uma questão de caráter, consciência, respeito indistinto ao CIDADÂO

      abrá

      • Muito bem, o senhor faz parte de uma parcela que prega a igualdade para os desiguais.
        Você deve andar lendo a obra prima do Kamel, “Não somos racistas”.

      • Pode ser contra a vontade, Romamala. Enquanto você e o Décio defendem sua tese como sendo a “inteligente”, na prática os negros vão tendo acesso à universidade. Quando cansarem de discutir teoricamente o assunto, o páis já será mais racial e socialmente justo.

  • Edu,
    Essa novela tem o Rio Grande do Sul como lócus, estado com maioria branca. Mesmo assim, a representação de negros, indígenas ou pardos é menor que a proporção na vida real. Como em novelas, a publicidade também usa como padrão o branco.
    Somos, sim, ainda racistas, apesar do Censo de 2010 pela primeira vez atestar que há mais pardos que brancos no Brasil.

        • Está no limite da infantilidade. Quem discorda do post é racista.

          Na sua resposta a um comentário meu você escreveu; “gente como você chama de “negro de alma branca” ”
          Acusação sem fundamento e desprovida de lógica.

          A “história ridícula sobre sandálias” estava referindo-se a Apeles pintor grego que, vendo-se em dificuldades para pintar o calçado de um guerreiro, chamou um sapateiro para opinar. Depois de aconselhar sobre o calçado o sapateiro quis dar pitaco na vestimenta da figura, ao que o pintor respondeu;

          Ne sutor ultra crepidam – sapateiro, não vá além da sandália.

          Resumindo; você é um ótimo vendedor de auto peças mas um péssimo sociologo.

  • Eduardo, se não houver uma reserva de cotas para os afros descendentes nas novelas, nas câmaras legislativas do Brasil, em empregos bem remunerados,etc… pode estar certo que não vai melhorar. Só as reservas nas universidades não adianta. Se deixar como eles querem a ascensão do Negro não se dará no s próximos milênios.

    • BENNY ..desculpe, mas vc simplifica

      Como falar da colonização italiana com atores negros ?

      E o que dizer dos concursos públicos ? Por acaso vc conhece algum caso aonde o negro foi proibido de concorrer ? ..aqui tem que continuar valendo do mérito e de condições igualitárias ..mas são outros temas que tocam o mesmo assunto

      Sobre a inciativa privada ..vc pode colocar anuncio de economista, medico, dentista e advogado da OAB, repare, a imensa maioria é de brancos ..aqui não há preconceito, o que falta são profissionais negros nestas áreas

      enfim ..educa, educar e educar ..sempre tendo como foco o CIDADÃO como fim (cidadão, bom lembrar, NÃO tem cor, sexo, religião, cartão ..tem isonomia, direitos e deveres iguais)

      abrá

  • Há um filme antigo com John Travolta, chamado “A Cor da Fúria”. O objetivo do filme é chamar a atenção para este absurdo que é o racismo. A película mostra uma realidade alternativa. A etnia negra é dominante, embora seja minoritária numericamente.

    A família de Travolta é branca e – como quase todos os brancos – pobre. A única diversão é assistir televisão. Na tv, as propagandas só mostram pessoas negras. As bonecas da filha do casal são negras. Nos programas de tv, a mesma coisa.

    As mulheres brancas vão aos cabeleireiros para encrespar os cabelos e, assim, parecerem menos brancas.

    Ele é demitido do trabalho por causa de um mal-entendido – causado, aliás, pelo fato dele ser branco – e, desesperado, sequestra um ricaço – negro, claro – complicando ainda mais sua vida.

    O filme é interessante no sentido de jogar na cara da sociedade o racismo que ela finge não existir.

      • Assista ao documentário produzido por um cineasta negros Joelzito Araújo que se chama a Negação do Brasil, ele faz um histórico do negro na telenovela, descrevfe os estereótipos e discute quais os problemas enfrentados pelos atores negros. Assita tb o longa metragem Filhas do tempo, com maioria do elenco negro, feito por esse cineasta.
        Abraços

    • é interessante mas não esgota o tema ..fora que aqui NÃO tem nada a ver com aquela realidade ..lá existiam leis que autorizavam o ato hediondo ..aqui, de há muito, exitem leis que tentam combatê-lo

      Me diga, HOJE, lá, quem tem peito de ir contra a Oprah ..grana ..grana ..pUder

      abrá

  • Eduardo, parabéns pela matéria.
    A imagem, de fato, revela em boa parte essa violência.
    Junto com afros, eu, como amarelo, nem existo para essa emissora, apesar dos 103 anos de comunidade nipo-brasieira. E quando somos representados, geralmente somos estereotipados.
    Poxa, 1% da população de nipo-brasileiros equivale a quase 2 milhões de pessoas!
    No Japão há cerca de 300 mil nipo-brasileiros trabalhadores.
    Será pouco?
    E a inexistência de indígenas representados?
    E outros sul-americanos…?
    Nem se fale…
    Ah, gostaria de acrescentar outra injustiça pouco ou nada refletida:
    o sotaque nesses programas parece predominantemente de bairros cariocas de elite…
    Outros sotaques regionais aparecem estereotipados tb…
    Sempre notei q estado de SP tinha dezenas de sotaques e expressões regionais
    (sem falar no Brasil como um todo!).
    Sumiram e foram homogeneizados em tão poucos anos…

  • Sou negra e concordo com tudo que disse. sinto-me no entanto de mãos atadas pois qdo certa vez pensei em dar a uma minha sobrinha uma boneca negra , tive que ouvir de meu marido (branco) que eu estava provocando, já que a família do marido(branco) de minha irmã já havia feito de tudo para que seu casamento não desse certo. Para não passar por provocadora preferimos agir com parcimônia, daí a atitude de seu amigo.

  • A direita divide e desorganiza, para governar, sem ninguem a reivindicar, toda e qualquer sociedade alcançada por suas sujas patas. A midia do mundo(falido pela própria) é da direita. Tal qual a globo.O mundo todo esta mudando para muito melhor. O capitalismo implode e explode mais e mais, todos os dias. As pessoas, dado essa mudança radical do mundo, precisam tomar consciencia de sua importancia. Os pobres, os negros, os nordestinos sempre foram defenestrados, chutados, mal tratados por essa IMUNDA MIDIA. Cada um, individualmente, tem que BOICOTAR ESSA DIREITA MIDIATICA. E, socialmente(para os familiares, para os amigos do dia-a-dia) mostrar(mandando e-meius e outras formas de comunicação) para todos. Tal qual este artigo. Não é dificil. É facil. POLITIZAR É PRECISO. ESCLARECER É PRIMORDIAL. LUTAR É NECESSÁRIO. Forte abraço a todos.

  • Vi num blog,Não lembro agora,a entrevista com um angolano que vive há vários anos no Brasil.Ele disse que a primeira impressão do racismo velado que existe na sociedade brasileira.é que em alguns lugares que entrou as pessoas primeiro ficaram surpresas e depois notaram que ele era um estrangeiro,segundo que notou que muitos brasileiros negros,pardos,tinham uma postura, também em determinados lugares e situações,submissa,não tinham a altivez,demonstrando como o o “massacre” cultural,social e étnico fez estragos na auto estima destas pessoas.Tivemos a ascensão de um enorme contingente para a classe média,sendo a maioria de negros,pardos,mestiços,e nem assim com essa massa de consumidores,nem pelo foco econômico-comercial eles não mudam.O Brazil das telenovelas,dos comerciais,dos brinquedos não reflete em nada o Brasil real.Eita elitizinha “colonizada” ,do DNA até a alma,por isso estão perdendo o bonde da história.

  • Sou branca (cruza de filha de índio com portuguesa, pai árabe)?
    Mas o texto é absolutamente verdadeiro. Negros em TV geralmente são empregados, marginais, “mulatas” gostosas. Ou alcançam o sucesso casando com brancos.
    Quando o Brasil vai assumir o racismo explícito da mídia?
    Quando os brasileiros (nem tão) brancos vão combater a discriminação racial?
    Não adiantam as propagandas institucionais. Ainda hoje, em nosso país, tem gente achando que cotas são privilégios, e que negros deveriam ter mais “força de vontade”.
    Triste, mas verdadeiro.
    Se levarmos em conta que em cada 10 brasileiros na linha da pobreza, sete são negros, que em cada quatro adolescentes mortos pela polícia três são negros, e que mulheres negras são as que recebem os salários mais baixos e tem os empregos mais precarizados, vamos entender que o racismo existe sim, apesar de ser negado. Visite um shopping center em Salvador, cidade com maior concentração de negros e negras, e procure trabalhadores negros. Eles raramente são balconistas, gerentes, atendentes. Em sua maioria estão no asseio, conservação, nas cozinhas escondidas, nos estoques.
    Quem nega o recismo no Brasil, ou não conhece a realidade de nosso país, ou é muito preconceituoso!

      • PERFEITO!

        Querer negar o racismo mais do que evidente no Brasil, se ainda fosse só nas novelas e propagandas, mas o pior é que as novelas e propagandas refletem a sujeição da imensa população negra por uma história de escravidão sórdida e violenta de 300 anos que tivemos nessa país.

        A própria população negra se sujeita a essa condição. De muitas formas o racismo “cordial” – que só é cordial para quem não o sente na pele – é pior e mais nefasto do que o racismo aberto de países como os EUA, porque dá margem a canalhas dizerem sem nem ficar vermelhos que “não existe racismo no Brasil”.

        Como eu disse ontem no twitter: O Breivik se sentiria extasiado vendo nossas novelas e propagandas, só brancos e loiros.

        Querem outro exemplo? Vigias de bancos e lojas de shoppings negros e mulatos desconfiam sempre de outros negros e mulatos. A PM quando vê um branco/loiro num carrão de 300 mil nem pensa em parar, se for um negro já vai ser checado.

        Enfim, esse país ainda tem um longo caminho até a civilização. E não sei se chega lá.

    • entenda ..falamos de sociedade, certo ? de obra inspirada na realidade

      até me dizerem que os ambientes e realidades, que os TEMAS tratados nas novelas visam nos mostrar parte d a sociedade, a classe média alta (o pobre gosta de LUXO, lembra ?) ..tudo bem, não há como ser diferente, a maioria tem que ser branca mesmo ou soaria como artificial

      Já sobre vc dizer que o pobre quando aparece, aparece em cargos menores ..UAI, e como é a nossa realidade ..as nossas favelas só tem paquitas ? ..se assim, ao menos estarão retratando o nosso cotidiano de forma fidedigna

      ou seja, a uma outra pergunta a ser feita ..até que ponto estas obras retratam a nossa REALIDADE ou a “delles” ? ..independente de racismo ..mas sim de mundico mesmo

      triste mesmo seria vermos uma doméstica protagonizada por Beatriz Segal, não ?

      e olha, quer saber, o melhor é NÃo assistir a estas “obras” ..elas, os BBBs, fazenda e Casas dos Artistas, os programas de auditório ..destes que a grande mídia intelectual critica, mas que NÃO para de noticiar e faturar sobre eles

        • me “entregou” ..em que sentido? ..é o que eu digo, não bastasse a visão e a limitação que TODOS vez ou outra temos e encontramos ..a boa vontade que muitas vezes falta pra se um debate de nível ..não bastasse a raridade em vermos pessoas desapegadas de bandeiras, partidos e ideologias ..quase sempre somos obrigados ainda a encontrar gente que é capaz de tirar a mais PURA IMUNDICE de um comentário que ele assim quis interpretar, fora de sentido e nexo ..e depois gente assim vem falar de porão, ditadura ..eu hein ?!

          Vem cá colega, vc me conhece? sabe da minha educação? do ambiente em que fui criado? se tive ama de leite ? se sou adotado ?..pq vc se atreveu a tentar me qualificar pro uma frase pinçada ? ..será que pelo meu sobrenome ..por acaso sabe se ele é verdadeiro, se da parte de pai ou de mãe ?

          …vou explicar, imaginando que vc não teve a intenção de ofender ..quis dizer que não sou hipócrita nem cego em negar, ou fingir que não vejo a realidade que nos cerca ..que os negros e pardos estão nos extratos mais baixos da nossa sociedade

          Beatriz Segal pra quem não sabe …tem olhos azuis, pele branca, sotaque burguês ..tentei dizer que seria praticamente impossível (forçação de barra) ter que fazer dela uma pessoa humilde, doméstica (ela não serviria nem pra ser a escrava Isaura cumpadi) ..fora ainda que em 99%, pras regiões sudeste, norte e nordeste das domésticas são formadas por negras e/ou pardas, se é que não sabe

          http://www.google.com.br/search?rlz=1C1SKPL_enBR450BR452&gcx=w&q=beatriz+segal&um=1&ie=UTF-8&hl=pt-BR&tbm=isch&source=og&sa=N&tab=wi&biw=1280&bih=906&sei=vA_WTu6SCMiHgwed_dGyAQ

          • Não preciso saber onde você mamou pra notar que você naturaliza e aceita o preconceito racial como coisa comum, que não te incomoda nem um pouco.

            Pelo contrário, você se lixa tanto pro assunto que imagina que uma mulher branca como Beatriz Segall não poderia nem em sonho fazer de pobre ou empregado doméstico porque isso é coisa de preto na sua cabeça.

            Não tirei frase nenhuma do contexto, até porque o contexto todo está logo acima pra quem quiser ler e tirar suas próprias conclusões.

          • Pedindo vênia ao blogueiro, todas as proposições do post são forçação de barra, Sr. Romanelli. Não se combate racismo com mais racismo. Estou certo que no dia que o número de atores/modelos publicitários negros for maior que os brancos, é óbvio que serão eles os mais utilizados. E digo mais: se os negros se sentissem tão incomodados, as tais novelas e as peças publicitárias aqui mencionadas não seriam sucesso de público, já que o público é majoritariamente negro.

          • caro ..teu problema talvez esteja em se ser um analfabeto funcional ..Lê, mas não entende ..se quiser suba lá e releia novamente o que eu disse desde o início ..aonde parte eu re-edito a seguir:

            “entenda ..falamos de sociedade, CERTO ? de obra INSPIRADA na REALIDADE

            até me dizerem que os ambientes e REALIDADES, que os TEMAS tratados nas novelas visam nos mostrar parte da sociedade, a classe MÉDIA ALTA (o pobre gosta de LUXO, lembra ?) ..tudo bem, NÃO há como ser diferente, a maioria tem que ser branca mesmo ou SOARIA como artificial..”

            vc sabe a diferença entre ficção e realidade? entre o ideal e o real ? ..a pauta tenta nos alertar para o preconceito implícito em se ter ou não mais atores negros nas novelas ..como se fosse uma coisa planejada, esquecendo, talvez, de outras vertentes, como o TEMA por exemplo ..e aqui tentei demonstrar um outro lado do problema, sem contudo entrar no mérito se certo, errado

            não disse se isso é bom ou ruim ..vi que se observarmos que a maioria dos títulos da GLOBO tratam dum mundico pequeno, carioca, (de glamour, iates e aviões, Vieira Soto etc), que é isso mesmo ..que ali a realidade retratada, de classe média alta branca e pobre prestador de serviço, que é isso mesmo ..e a culpa não é minha pelo povo gostar disso (aliás, sequer novela eu assisto)

            se me perguntasse se eu gostaria de um outro mundo ..evidente que diria que sim, inclusive proponho como umas das etapas que adotássemos as COTAS SOCIAIS pra ingresso em nossas faculdades ..estas que julgo que seriam mais limpas e eficientes pra nossa sociedade (não nos deixariam marcas nem fantasmas)

            e sobre biotipo, desculpe, mas mesmo em nome dum politicamente correto não dá pra forçar ..Beatriz Segal falando pobRema, fRanela ou DEvogado em novela carioca das 8 ?..nem morta, não combina

            Aliás, vc me fez lembrar da turma americana que escolheu Elizabeth Taylor pra fazer Cleópatra ..ou do rei Tutti da séria Batman ..lembra ? ..francamente

            tendeu ? ..não? ..se não, então já sei qual é o teu problema ..deixa pra lá

            http://www.youtube.com/watch?v=R5SK6lGneb0

          • Um post que mostra e prova o racismo na televisão e o tal Romanelli passa o dia postando comentários longos, mal escritos e que nada têm que ver com o assunto. Blogueiro sofre

          • É o Romamalla. E ele reproduziu exatamente a desculpa que eu disse que a Globo dá. De que ela apenas retrata a realidade.
            E tenta também separar a questão social da questão racial. Num país em que a escravidão é que definiu a estratificação social!
            Casa Grande & Senzala não diz nada para ele?

          • Romanelli, responder aqui porque não tem espaço no post abaixo.

            Não precisa ficar tão bravinho e perder a pose de pacato cidadão só porque eu mostrei o que você na verdade pensa.

            O assunto do post do Edu NÃO é a realidade – ÓBVIA – de que pobre exerce função subalterna – SEJA ELE BRANCO, AZUL OU AMARELO, mas sim que num país em que a maioria é negra ou parda temos na TV um elenco que acho que nem na escandinávia deve ser tão clarinho, loirinho e branquinho.

            O fato de VOCÊ achar que uma mulher branca não pode fazer papel de empregada,(e pra você pobre e empregada e preto que na sua cabeça são tudo a mesma coisa) também é analfabeto e fala errado só confirma o que eu disse antes.

          • A Beatriz Segall é tucana. Interessante não? Talvez se ela fosse menos tucana conseguisse interpretar uma doméstica
            A Audrey Hepburn não fêz papel de mendiga e dondoca no mesmo filme? Esqueci o nome

  • Essas pessoas não se revoltam contra essa barbaridade porque estão com a dominação e a submissão escravocratas dentro de suas mentes. Não por fraqueza, covardia ou maucaratismo, mas como o resultado de um processo histórico de três séculos de opressão e violência, que internalizaram a submissão em suas mentes num processo bárbaro, o qual causaria os mesmo estragos e distorções em qualquer etnia a ele submetido. AS TELENOVELAS, O CINEMA E A PUBLICIDADE BRASILEIRAS SÃO UM CRIME, CONSTITUEM-SE EM EPÍTETOS RASCISTAS QUE DESTROEM QUALQUER POSSIBILIDADE DE CONSTRUÇÃO DE IDENTIDADE EM NOSSO POVO. DA MESMA FORMA QUE CONSTITUEM TAIS EPÍTETOS A DISSEMINAÇÃO DE ESTEREÓTIPOS E REDUCIONISMOS IDIOTAS SOBRE A COMPOSIÇÃO DOS BRASILEIROS, QUE PROCURAM NEGAR OU “AMENIZAR” ALGO QUE NOS DEVERIA ENCHER DE ORGULHO, QUAL SEJA A CONSTATAÇÃO DE QUE EM TODO O TERRITÓRIO NACIONAL(VOU REPETIR : EM TODO O TERRITÓRIO NACIONAL), EXCETUANDO-SE UMA OU DUAS DEZENAS DE CIDADEZINHAS INTERIORANAS, DE GUETOS, FORMADOS POR IMIGRANTES E COM POPULAÇÃO MENOR DO QUE UM BAIRRO DE QUALQUER CIDADE MÉDIA DO BRASIL, OU SEJA, UM CONTINGENTE ESTATISTICAMENTE DESPREZÍVEL; A POPULAÇÃO BRASILEIRA É MAJORITARIAMENTE NEGRA. POR SINAL BEM MAIS MAJORITÁRIA DO QUE NOS REVELAM OS DADOS DO IBGE, DEVIDO A AINDA GRANDE QUANTIDADE DE PESSOAS NEGRAS E MESTIÇAS QUE NÃO ADMITEM A PRÓPRIA COR(O QUE IRONICAMENTE TAMBÉM TORNA NOSSA “CLASSE DOMINANTE” BRANCA, NÃO TÃO BRANCA ASSIM). AINDA, DENTRO DAQUELE CONTINGENTE QUE COMPÕE A MINORIA BRANCA, A NEGRITUDE MOSTRA-SE FORTE, SENÃO NA GENÉTICA, MAS EM ALGO MUITO MAIS IMPORTANTE, NA IDENTIDADE, NAS CARACTERÍSTICAS SÓCIO-CULTURAIS QUE FAZEM QUALQUER BRASILEIRO, POR MAIS CAUCASIANO QUE SEJAM SEUS TRAÇOS FÍSICOS, IDENTIFICAR-SE BEM MAIS COM O MODO DE VIDA E O TEMPERAMENTO DAS NAÇÕES AFRICANAS DO QUE COM O DAS EUROPEIAS. POR SINAL, OUTRA PERVERSÃO, MAIS SUBLIMINAR, MAS IGUALMENTE GRAVE; DE NOSSA MÍDIA RACISTA E COLONIZADA : ALÉM DE MOSTRAR UM PAÍS IRREAL, COMPOSTO POR EUROPEUS, MOSTRA ESSAS PESSOAS AGINDO E COMPORTANDO-SE DE MANEIRA COMPLETAMENTE OPOSTA AOS NOSSOS TRAÇOS CULTURAIS. ASSIM, NOSSO POVO, ALÉM DE SER OBRIGADO A VER UM BANDO DE BRANCOS QUE NÃO TÊM A SUA CARA, AINDA OS VÊ AGINDO DE FORMA FRIA, DISTANTE, CEREBRAL, ARTIFICIAL, MECÂNICA; ALGO COMPLETAMENTE OPOSTO AO PADRÃO COMPORTAMENTAL ALEGRE, EXPANSIVO, CRIATIVO, ACELERADO, OUSADO, QUE CARACTERIZA NOSSO POVO. Reagirmos a esse processo de humilhação e alienação é mais uma das tarefas que se impõem aos que lutam pela democratização das comunicações; e que como ela precisa ser embasada por um arcabouço legal onde sejam explicitadas as defesas da democracia e da dignidade de nossa população; tarefa que só poderá ocorrer se conseguirmos engajar nela aqueles que hoje são vitimados diariamente pela ideologia preconceituosa e colonizada dos que falam isoladamente por terem o poder de calar quem deles diverge; engajamento que para ocorrer necessita da conscietização dessas pessoas, feita através da ação da sociedade civil organizada, a qual mostrará o horror praticado contra eles e possibilitará a eles a libertação dos grilhões existentes em suas cabeças e a todos nós a recuperação de nossa identidade como brasileiros, a qual tanto nos é negada, mostrando aos que construíram essa estrutura de opressão que eles são a única coisa que este país precisa repudiar.

  • Eduardo, gostaria imensamente que você me explicasse algo que, talvez devido a uma ignorância atroz da minha parte, eu não consigo entender. Segundo o censo, “82 milhões se dizem pardas” (43,1%). Então “pardo” é sinônimo de negro? Pardo = Afrodescendente? Não gosto desse termo “pardo”. Acho-o de muito mau gosto; prefiro “mestiço”. Mas acredito que a demoninação “parda” se refira aos mestiços. Volto a perguntar: mestiço é sinônimo de negro? Logo abordarei a questão sob outra perspectiva, mas primeiro vou tratar da forma mais comum.
    Se alguém é “mestiço” isso significa que ele é a comunhão de duas etnias, pra não usar o termo raça, que aprendi que é incorreto. Peguemos o caso de Barack Obama: sua mãe era branca, de origem irlandesa. Seu pai, africano. A cor da pele dele aproxima-se mais da cor da pele do pai, por isso ele é identificado como negro. Outro exemplo, Bob Marley, filho de pai branco e mãe negra. Sua cor da pele, negra. Ambos são mestiços, são frutos da mistura de pais brancos e negros, mas, por terem a cor da sua pele negra, são chamados de negros, não de mestiços.
    Agora em relação ao contrário? Explico. Não utilizarei um exemplo de algum famoso, mas uma exemplificação pessoal: meu pai. Filho de pai negro e mãe branca, loira, nasceu branco. Forçosamente, a despeito da cor de sua pele, ele deve considerar-se negro?
    Alexandre Dumas, o autor dos clássicos 3 Mosqueteiros, Conde de Monte Cristo dentre outros, era neto de uma escrava africana. Todas as suas outras ligações parentais eram da etnia europeia, a sua cor era branca, mas ele, forçosamente, por ter uma avó africana, deveria identificar-se como negro ou, neste caso em particular, mestiço?
    Assim sendo, não seria se Barack Obama reinvidicasse a sua herança genética irlandesa para proclamar-se branco. Mas isso é uma discussão besta, eu acho. A cor da pele, pra mim, é só isso, a cor da pele.

    Mas relevante, acredito, seja discutir o seguinte: por que forçosamente ser pardo significa ser negro, ou afro-descendente? O que fizeram com o caboclo brasileiro? Na escola aprendi que da união do branco com o índio nascia o caboclo. E o Nordeste brasileiro está repleto de caboclos, caboclos frutos da mestiçagem de várias gerações de outros caboclos. Na falta de uma definição melhor, convém chamá-los de mestiços, ou a expressão que não gosto, pardos, porque a cor de sua pele é morena, mas não negra, “morena”.

    E no Norte do país pra onde ocorreram no final do século XIX e início do século XX dezenas de milhares de caboclos nordestinos a influência indigina na formação étnica da população é ainda maior, bem como também em áreas do sertão de Goiás, Minas Gerais e mesmo no estado de São Paulo. Mas sobretudo no Norte.

    Então, acredito que em meio a esses 82 milhões de pardos um número significativo seja composto por caboclos, por descendentes de caboclos. Eles são negros? São afrodescendentes?

    Aprendi que o Brasil é um pais miscigenado. Pra que haja mistura é condição sine qua non que existam individuos diferentes. Não concordo, portanto, que branco + negro seja igual a negro. Pode ser, se assim a pessoa em questão preferir, se ela assim se reconhecer, como, por exemplo, o Obama ou o Bob Marley.

    Mas acho errado reduzrir uma questão tão complexa a essa fórmula binária: brancos x negros. Os mestiços são o que eles são, mestiços, e devem ser reconhecidos como mestiços. E os caboclos e sua imensa participação na formação étnica do povo brasileiro não deve ser apagada. Os caboclos não são negros, eles são mestiços, são brasileiros.

    • Ser afrodescendente (ter ascendente negro) é um estigma mesmo se a pessoa for mestiça. O pardo, no Brasil, significa mistura de negro e branco. O que pesa é a parte negra, ainda que possa se dizer que a pessoa é, também, descendente de branco. Só que ninguém é discriminado por ter ascendência branca, mas por ter traços físicos de negro (cabelos, nariz, lábios, cor da pele). E mesmo o descendente de negro não tendo traços de negro mais pronunciados, ser filho de uma família negra ou afrodescendente já significa ter nascido na pobreza. Mas se puxar o lado branco, ao menos não sofrerá discriminação de quem não conhece a sua origem.

      • Permita-me discordar de você. Ser pardo não significa ser descendente de brancos e negros. Ser pardo significa não ter a cor da pele branca, e milhões e milhões de brasileiros são descendentes de elementos indigenas, se não numa ligação direta, mas numa ligação indireta, descendentes, como já disse, de gerações de brasileiros caboclos. Percorra o sertão do Nordeste brasileiro, Edu, e o Norte, e você encontrará uma porcentagem imensa de pessoas que, sim, não são brancas, são caboclas. Por outra, deixando a questão da supressão do elemento caboclo da discussão, quase ao final do seu texto você diz “(…)se, como diz o IBGE, a maioria do povo brasileiro é negra ou descendente de negros(…)” Ora, se são mestiços, são obrigatoriamente descendentes de negros e de brancos. Por que o elemento negro da mistura é obrigatoriamente mais relevante? Veja só, o que estou dizendo é que cada um tem o direito de se identificar como quiser. Se um mestiço se sente mais negro que branco, ótimo, e se o contrário ocorrer, se ele se identificar mais como branco que como negro, qual o problema com isso? Sim, o racismo no Brasil é gritante, é escandaloso, mais ainda por ser velado, por ser escamoteado, mas isto não é motivo pra reduzirmos a formação étnica do povo brasileiro a pretos e brancos. Veja bem, não me refiro a questão do racismo, da discriminação racial, que existe e é forte. Estou me referindo unicamente a tratar tudo assim, “se não é branco, então é negro”. Isso, ao meu ver, não existe. Braco, preto, isso é apenas uma questão de mais ou menos melanina. A identidade étnica do povo brasileiro é algo muito mais complexo. Então, pra concluir, é ótimo e fundamental discutir a discriminação racial no Brasil, mas levando em conta, sempre, todas as suas variáveis. O Brasil não é a África do Sul ou o Mississipi.

        • Então, no conceito do IBGE o pardo é mestiço de branco com negro; os indígenas, mesmo mestiços, têm uma classificação separada. Os pardos aos quais o IBGE se refere são mestiços entre branco e negro. Por fim, mesmo que fosse do jeito que você diz, a população indígena é quase um traço estatístico, do que se depreende que os mestiços indígenas (mamelucos) também constituem um percentual desprezível da população

          • ja trabalhei em dois censo do ibge , o que mais me incomodava era seguir a regra que dizia que,mesmo a pessoa sendo negra e dizer ser branca , eu tinha que colocar no formulario que ela era branca , achava e acho um absurdo , nao sei se ja mudaram isso , mas em muitos questionarios eu colocava a cor correta das pessoas.

          • Eduardo, agradeceria imensamente se você disponibilizasse uma fonte oficial do IBGE que afirme que o quesito “pardo” presente no questionário se refira estritamente a miscegenação branca e negra. Procurei no google, mas achei apenas uma informação no wikipedia que corrobora com a minha visão, mas lá é apenas citado que seria este o modo de entendimento do IBGE, não havendo o link para fonte, e como o Wikipedia não é confiável… Procurei no próprio site do IBGE, em Caracteristicas Étnico Raciais da População, mas não encontrei uma definição.
            Então, se você puder fornecer o link com a fonte de onde tirou essa informação eu ficaria grato.

            Abraços.

          • Não tenho link, João. Esse entendimento vem de conversas que já tive com gente que entende do traçado. Mas note que os indígenas são um percentual desprezível da população. Os mestiços indígenas certamente são um percentual igualmente pequeno. O que me disseram foi que pardo é usado para classificar mistura de negro e branco. Há caboclo para mistura de indio com negro, cafuzo para preto com mulato e mameluco para branco com índio. De qualquer forma, se você não aceitar isso, fiquemos na questão central: a maioria dos brasileiros é de não-brancos que não aparecem na mídia. Você destacou uma questão que não importa muito, porque preconceito pode ser contra qualquer um que difira da etnia contemplada, e o mero senso comum mostra que o mestiço descendente de negros é o mais comum.

          • Oi Eduardo, ótimo o artigo, porém compartilho com o João a ressalva quanto a considerar os ‘pardos’ como afrodescendentes (não questionando aqui essa última nomenclatura, mas sim a definição da categoria ‘pardo’).
            Na verdade tenho certeza sobre isso, sou geógrafo e já fiz um trabalho relativo à estas classificações de cor no Censo do IBGE. A definição de PARDO é: “- Parda – para a pessoa que se declarou parda, mulata, cabocla, cafuza,
            mameluca ou mestiça”.
            E afirmar que pelo número de indígenas ser ‘desprezível’ (sim estatisticamente bem pequeno, mas desprezível acho demais…) o número de mestiços indígenas também o seriam não é factível. E isso está fartamente descrito por nossos historiadores, sociólogos e antropólogos…
            O link para as definições do IBGE é: http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/censo2000/metodologia/metodologiacenso2000.pdf
            E o citado está no item ‘6.3.5 Família e pessoa’.
            Quanto ao preconceito sobre as as características étnico-raciais existentes na nossa sociedade acho que você discorreu muito bem, é isso aí, temos que ter algum contraponto às idiotices do Ali Kamel!!

          • Sim, então não podemos considerar os PARDOS como afrodescendentes, que são em realidade uma parte deste contingente…

          • Estudos do DNA da população brasileira realizados por uma Universidade de Minas índica que os genes presentes em 60% de nossa população são de matriz indígena.
            Negro não é sinônimo de preto, negro é termo que designa a CONDIÇÃO DE ESCRAVO de indíviduo de qualquer etnia. Palavra que vem do grego NEKROS que significa morte,cadáver,necrofilia e adotada pelos escravagistas para indicar pertecimento de uma etnia ao que é inferior. Tanto que Marques do Pombal no Diretorio do Índio de 1755, proibiu que ela fosse usada para referir-se ao índios e dizendo que o termo NEGRO deveria ser usado apenas para referir-se aos PRETOS trazidos da costa da África.
            O chamado movimento negro é tão racista quanto os nazistas o são, pois que negam a MESTIÇAGEM.
            VIVA O BRASIL MESTIÇO.

          • Mapaemento genético produzido por Universidade de Minas detectou que o gene preponderante no DNA da população brasileira é índigena com 60%. Isto é ciência, não é chute.

          • Prezado Eduardo Guimarães,

            Observo na discussão que as questões relativas à terminologia utilizada estão associadas a significados reais: o que designa a palavra “pardo”, ou “mestiço”, “moreno”? Há dificuldade até no entendimento uniforme sobre o que é “pardo”, termo usado amplamente pelo IBGE para todo aquele que não é classificado como branco. O uso dessas expressões pode estar associada a preconceito, exclusão ou não.

            Caro Eduardo Guimarães, escrevi no espaço do Windows Live Messenger sobre minhas dificuldades com relação a esses termos, sem em nenhum momento pretender minorar ou escamotear o conteúdo de seu artigo com o qual concordo. Os dados da realidade numericamente estabelecidos pelo IBGE e exemplos, tão claros como os de seu artigo, são abundantes.

            Entretanto, no Windows Live Messenger você teve um entendimento de minhas palavras que te permitiu reagir com o texto que transcrevo:

            “Não consigo pensar em nada mais torpe, mais covarde, mais estúpido do que alguém se preocupar em ter “direitos” para caracterizar pessoas por suas características físicas. Enquanto você mergulha nesse poço de ignorânc…ia e preconceito, mais de um século após a libertação dos escravos a maioria dos descendentes da Senzala ainda vive em condições análogas àquelas em que vivia quando os negros foram postos “em liberdade” sem terem para onde ir, sem reparação, sem qualquer política pública para lhes dar condição de se inserirem na sociedade. Pessoas como você me fazem ter vergonha da espécie humana”

            Então, caríssimo Eduardo Guimarães, gostaria que você reconsiderasse suas palavras carregadas muito mais de sentido agressivo do que disposição para o debate aberto que seu espaço proporciona. Quando você diz ” enquanto você mergulha nesse poço de ignorância e preconceito” não posso aceitar que você esteja se referindo a mim. Ou de outra parte, estou totalmente perdido no debate, inconsciente do que se passa, de sorte que seria mais correto buscar maior conhecimento em outro lugar antes de poder me expressar aqui.

            Ao ler você escrevendo que “pessoas como você me fazem ter vergonha da espécie humana” sai cambaleando….

            Gostaria que você justificasse se a lateralidade de questões terminológicas ou semânticas que de maneira nenhuma contradizem ou pretendem escamotear a essência da existência do preconceito com todas suas consequências claramente observadas, justificam o uso de tamanha violência verbal de sua parte.

          • Wolney, é assim: não consigo lembrar do contexto. Posso ter me equivocado. De certo devo ter exagerado. Essa questão me emociona muito. Peço desculpas.

          • OK Eduardo. Percebi o quanto você se emociona no artigo que escreveu sobre sua participação em Juiz de Fora. Eu também me emocionei ao ler o seu texto e o invejei por ter tido a possibilidade de vivenciar aquele contexto em MG. A inveja vem do desejo de poder transformar as idéias e convicções em militância.
            Abraço
            Wolney

        • Edu, dizer que a população de descendência indígena seja “percentual pequeno da população [brasileira]” me leva supor que não conhece este país como deveria. No subúrbio de São Paulo em todos os lugares por onde andar vai encontrar nordestinos caboclos, de traços evidentemente indígenas. A população indígena foi tão massacrada na história deste país que acredito que as pessoas já perderam por completo a noção sobre qual seriam os traços de um indígena. No norte do país é possível viajar por quilômetros e quilômetros e não encontrar uma única pessoa branca, nem negra. Os traços são tipicamente indígenas, com misturas entre brancos e negros mas a predominância é indígena. O nordeste brasileiro também possui estas mesmas características, mas falando de uma população resultado de multiplas miscigenações. E sim, a população mestiça estã espalhada por todas as regiões do país, na maioria delas em predominância.

          E como diz o sociólogo Florêncio Vaz

          “Ora, o neto do branco é branco, o neto do negro é negro, mas o neto do índio é apenas “descendente”. As outras raças se reproduzem, se perpetuam, mas a nossa raça indígena degenera e logo desaparece. Destino ingrato que querem nos impor.”

          http://www.direitos.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=926&Itemid=2

  • Caro Edu, gostaria de sugerir aos participantes do blog assistirem um documentário: “Olhos Azuis” vão se surpreender como uma mulher nos EUA tratou a questão do racismo, é magnifico. Um abraço fraternal das Gerais

  • A SHELL não consultou a urubóloga:

    Shell planeja investimento de US$ 2,5 bi no País- (29.11.2011)

    Com a meta de aumentar sua produção em 30 mil a 40 mil barris diários a partir de 2013, a Shell planeja no ano que vem fazer um investimento “multibilionário” no Parque das Conchas, área na Bacia de Campos (litoral norte do Rio e sul do Espírito Santo), onde já produz petróleo. A revelação foi feita hoje pelo presidente da companhia petrolífera no Brasil, André Araujo.

    Em junho deste ano, a média de produção de óleo e gás da Shell no País atingiu 93 mil barris diários. São quantidades menores do que as alcançadas em 2010, quando a produção foi de 104 mil barris por dia. A Shell é a segunda maior produtora de petróleo no Brasil, atrás apenas da Petrobrás. Tem sete blocos marítimos (offshore) e cinco onshore (em terra).

    De acordo com o executivo, o grupo anglo-holandês Shell aprovou em outubro a expansão do Parque das Conchas e já inicia “um processo de investimento” com o objetivo de aumentar a produção em até dois anos. O plano integra a fase Parque das Conchas 2, que prevê a perfuração de dez poços nos próximos 18 meses.

    Embora não revelado pela direção da companhia, o custo extraoficial do projeto é estimado por especialistas do setor em cerca de US$ 2,5 bilhões. A descoberta em 2010 de um novo reservatório de óleo e gás levou a Shell a já estruturar uma terceira fase de sua atuação no Parque das Conchas, que deverá ser implantada a partir de 2014.

  • Nossa, será uma longa caminhada para conseguir este espaço, Eduardo.

    A maneira como funciona no país é imensamente maquiada, mas a realidade não é,

    o negro continua dominando a violência, a falta de escolaridade, os baixos salários,

    as mulheres negras continuam sendo maioria como empregadas domésticas,

    suas moradias estão nos morros, não se vê garotas negras trabalhando em

    shopping, precisamente em lojas caras.

    Enfim, há um longo caminho a percorrer. Há um ranço na sociedade brasileira e

    destruir isto vai ter de continuar fazendo uso daquele provérbio:

    “água mole e pedra dura tanto bate até que fura”. Se não for assim não haverá

    mudanças.

  • E não há também nenhum asiático, indígena ou deficiente físico representado.
    Novela não é o reflexo da sociedade, é sim o reflexo dos sonhos dos telespectadores.
    E os telespectadores são a sociedade, que ignora as minorias, ou mesmo sendo maioria, como os negros, renega a própria origem.

          • Eduardo, acho que vc não entendeu o colega ..li pensando que ele nos colocou um tema pra pensarmos ..a “negação da sociedade por ela mesma” ..de a própria sociedade não gostar de como se vê no espelho

            e não acho que é racismo não ..acho que é alienação mesmo ..racismo se me mostrassem uma favela de brancos

          • Concordo com o Romanelli. A análise dos motivos que levam ao racismo inconsciente, ou mesmo consciente, da coletividade não implica em inferir que o analista seja racista.

      • Edu, o nosso amigo quis dizer que a novela representa a sociedade sonhada pelos tucanos paulistas e pela mídia colonizada e imposta aos milhões de Hommer Simpsons existentes no Brasil.

    • Concordo, em parte, mas concordo. São os Capitães do Mato, que ancho o saco dos leitores vez por outra escrevendo, que nem mesmo tem a decência de assumirem-se. Só acho que isso foi posto no inconsciente coletivo da população pobre, basicamente de pobres, negros e descendentes das misturas de etnias, pelo modelo publicitário branco. Vejo isso na minha casa: minha mãe, filha de branco com mãe “parda”, neta de negros, Edu, você tem que vê-la falando de cabelo ruim. Daí para cima é um festival de coisas que lhe foram impostas pela sociedade e que ficou enraigada no subconsciente que já desisti de argumentar.
      Ela só assite a Globo e sua novelas, não há argumento por mim fundamentado que a faça compreender. Sou considerado um chato imenso, por ela e meu pai. Eles “entram” na trama como se dela estivessem participando, vivem literalmente como se aquilo fosse a mais pura realidade.

      • Haroldo,

        Realmente existe essa “participação” inconsciente do telespectador nas situações imaginárias (surreais mesmo) transmitidas pelas telenovelas. Eles vivem os personagens, o que é péssimo, extremamente perigoso porque as pessoas tendem a repetir no seu cotidiano as situações ali apresentadas. Ocorre que a mensagem subliminar que esses programas transmitem são fortíssimas e o receptor, dado o atual estágio cultural (ou educacional) do brasileiro, não tem condições de filtrar. Por isso que é bastante relativa a máxima: “basta usar controle remoto”. Na prática, não é assim. A influência, o domínio mesmo, que a televisão, “de per si”, exerce sobre o telespectador, não permitem condições para escolha. Observemos, por exemplo, nos filmes estadunidenses. Normalmente, a não ser em situações limite envolvendo personagens sociopatas, não se vê empregados sendo humilhados ou vítimas de preconceito. Não deve ser por acaso porque, como se sabe, por lá, um trabalhador braçal tem o mesmo valor que um intelectual, o que, infelizmente, não ocorre no Brasil, país dos “bacharéis”.

        Só há uma solução para esse filtragem: Educação. Por isso mesmo, também não deve ser por acaso que a direita midiática tem atacado diuturnamente movimentos estudantis. Por que será? O debate, o ambiente de discussão, sob a desculpa de que “são antro de esquerdistas, comunistas, etc.”, não podem mais existir? Não querem que as pessoas questionem o sistema, o poder constituído há 500 anos? Os privilégios devem ser mantidos? Querem aniquiliar, já nas escolas e universidades, qualquer pensamento que seja contrário a seus interesses? Querem “matar o mal pela raiz”, será que é isso?

        A ver.

    • O negro “não renega” a própria origem. Ele é ensinado por essa sociedade podre e racista a se sentir inferior e concordar com isso desde criança.

      A toda uma construção social de sujeição não só sobre o negro, mas sobre o pobre também que visa a fazer com que essas pessoas aceitem e achem natural sua condição.

      Essas novelas e propagandas são parte desse esquema.

  • O DEM ajuizou ação no STF contra as cotas raciais nas universidades. Ou seja, o sinhôzinho não abre mão dos braços (e abraços) que a senzala lhe propicia a custo zero.

  • eu não me sinto representado pelas novelas e pelos brinquedos porque sou feio, careca, baixinho e gordo. quro programas de TV que so tenha pessoas como eu, isso e democracia!

    • Que tal um programa que não tenha “só” pessoas como você, mas que “também” tenha pessoas como você simplesmente porque pessoas “como você” existem na população? Viu como sua ironia é idiota?

  • o que eu gostaria de ver na tv é,um retrato fiel da nossa gente,vou dar só um ex,a ex dançarina do tchan Sheila mello,é loira de olhos claros,mas sua mãe é mulata,as irmãs Luma de Oliveira e Ísis de Oliveria são irmãs com os mesmos pais,mas uma é morena a outra é loira de olhos azuis,isso é Brasil,uma mistura linda,um tapa na cara do resto do mundo racista.Isso que eu gostaria de ver na tv. Família misturada,loiros e morenos e mulatos na mesma família,porque isso sim é realidade.

  • Sabe que existe uma forma de racismo que se tornou oficial e quase ninguém percebe ? São os substantivos “mulato e “mulata” .
    Pois a origem dos substantivos é a palavra mula , ou seja , no processo de miscigenação o europeu branco é considerado o cavalo , um animal nobre , enquanto que o negro é considerado o jumento , ou seja um animal inferior que só presta para o serviço bruto , do cruzamento do cavalo com o jumento nascem as mulas que são animais estéreis , já que são crias de especies diferentes .
    Aí eu me pergunto , se brancos e negros são de raças distintas , como é que os filhos resultados dessa união não são estéreis .
    Eu abomino o uso de tais qualificativo , pois minha familia é miscigenada , tendo inclusive o sangue indigêna .

    O triste é ver nas teves durante o carnaval a palavra mulata sendo usada sem constrangimesto , esses termos deveriam ser erradicados da lingua portuguesa .
    Oque distingue um homem do outro não é sua cor , riqueza ou posição social , más sim seu carater ,

    • Por que você não fica indignado com a palavra NEGRO que um termo criado e usado por escravagistas e eugenistas, para dar aos pretos uma conotação de pertencerem a uma etnia inferior? Negro meu caro vem do grego NEKROS que quer dizer sem luz, sem vida, morte. Negro não é sinônimo de preto.

  • Edu, lembrei de você ontem na ponte aérea Rio-SP: enquanto no avião só tinha esse povo “nórdico”, quando saí do Santos Dumont, caminhando até as barcas, passei por uma sede da aeronáutica onde um grupo de cadetes que estava se formando (mais ou menos em quantidade igual ao que tinha no avião) – o grupo de cadetes era composto de 90% de negros! Outros 5% de mulatos e no máximo 5% de brancos. Sou descendente de europeus, mas não por isso sou cego nem burro, e detesto situações onde a tal “gente bonita” (odeio essa expressão) predomina. Gosto de me misturar, gosto de heterogeneidade!

  • Edu,

    Eu acho que o marqueteiro de Hitler, reencarnou no diretor da Grobu e nos tucanos.
    Lendo esse seu excelente post e assistindo o programa de TV dos tucanos, notei a extrema semelhança de comportamento entre as “marquetadas” de Joseph Goebbels e as propagandas dos tucanos/Grobu.
    Deus tenha pena de nós, pois pessoas invejosas são capazes de tudo.

  • O ramo de Publicidade é um dos mais rentáveis em qualquer parte do mundo.Algumas empresas já perceberam a presença forte no mercado da nova classe média, que segundo dados, é majoritariamente composta de negros. Só falta os anunciante encontrarem uma empresa de publicidade especializada em dirigir-se a esse povo. Mas, como os nossos empresários são meio lerdinhos para ganhar dinheiro de uma forma não convencional(para êles).Êles estão trabalhando com dados e estatísticas defasados, isto é, do tempo em que o mercado de consumo era para aqueles 20.000.000 e pouco de pessoas da era que antecedeu o Lula. Será que a ficha cai algum dia?

  • As coisas não mudam da noite para o dia, mas, mudam.
    E o blogueiro é sordidamente especialista em estabelecer conflitos, dessa vez, conflito étnico, entre seus seguidores……além de, igual aos ricos, deixar a população branca com peso na consciência.
    E na novela anterior, por sinal, da Globo, odiada por aqui, o protagonista, galã, rico, inteligente, pegador das maiores gatas e mau caráter, porteriormente convertido, foi vivido pelo Lázaro Ramos, portanto……….

    • Está vendo Edu? Você fica inventando conflito social e racial num pais em que todos vivem em comunhão, ricos, pobres, negros, brancos, nordestinos, e do sul-maravilha, tal qual na novela da Globo.
      Aí o coitado do Décio fica com dor de consiciência. Faz isso não, cara.
      PS: Foi você que inventou a escravidão, Edu?

  • Edu, o preconceito no nosso país não é apenas social como você muito bem vem apontando, mas também racial. Estudos e depoimentos apontam, entre outras questões, que há um abismo, por exemplo, entre brancos e negros na periferia, no quesito condições, acesso a trabalhos, visão da sociedade, tratamento da polícia, etc, etc.

    Li algumas pesquisas da área da Pedagogia (indico o livro “Educação e Diferenças, os desafios a lei 10.639/03” ) que apontam que nos primeiros anos das séries escolares há um investimento menor (um processo quase inconsciente) dos professores nas crianças negras, a idéia seria de que para elas (as crianças negras) não valeria tanto investimento (e isso Edu, até em manifestações de afeto). Imagine esse processo ao longo de todos os anos escolares, imagina o reflexo disso ao final da formação do adolescente (levando-se em conta toda a discriminação que essa criança sofrerá também fora do ambiente escolar). Isso tudo pode implicar numa formação mais deficitária, por isso também a chamada política de cotas nas universidades, para esses que mesmo vindo das mesmas condições econômicas tiveram outros processos envolvidos que prejudicaram sua formação educacional. Mas, a política de cotas é temporária, sendo necessária mais medidas que visem diminuir o preconceito ainda presente na sociedade.

    Lembro do depoimento de uma aluna minha que trabalhava em uma instituição que cuidava de crianças abandonadas. Eles tinham um programa em que pessoas podiam apadrinhar algumas crianças com doações mensais. Ela me disse horrorizada que as crianças negras dificilmente eram escolhidas para serem apadrinhadas, mesmo quando as educadoras diziam que aquela criança branca já tinha padrinhos, que seria interessante ajudar outras; triste, muito triste.

    Podemos encontrar exceções nessa regra? Claro que sim Edu. Meu pai, por ex, foi um dos primeiros médicos do estado onde moro, conseguiu quebrar um ciclo, entretanto, sofria preconceitos constantes em todos os lugares que freqüentávamos, tinha uma auto-estima baixíssima, passando isso para os filhos também.

    Minha avó era negra, descendente de escravos. Odiava sua cor, seu cabelo, seus traços, e passou isso para os seus filhos, passou isso para os seus netos. Óbvio, em uma sociedade racista, que sempre pregou que tudo ligado a nossa cor era ruim, feio, sujo, criminoso, só poderia resultar nisso; o preconceito alcança a todos, ele é bem democrático.

    Eu também Edu odiava minha cor, meu cabelo, queria ser branca, ter cabelos lisos, achava que toda pessoa negra era feia, essa sempre foi a mensagem veiculada pela mídia, pela educação, livros, brinquedos, sociedade…..Foi preciso todo um processo longo de conhecer outras realidades, de conhecer a luta do movimento negro, para que eu pudesse perceber que negro também é lindo, e que eu poderia ser feliz derrubando o preconceito dentro de mim.

    Tem um documentário interessante chamado café com leite (água e azeite?) que explicita um pouco dessas questões.

    abs.

  • O problema do racismo só se resolve quando os negros deixarem de ser racistas. O piro racismo são dos negros contra os próprios negros. Textos como esse seu são excelente e esclarecedor e mostra a realidade invertida nas telas e que o brasileiro engole como se fosse uma coisa boa e aceitável.

    OBSERVAÇÃO: não exagera com o CIRICO, em certa dose ele tem razão. As novelas nunca foram uma representação da realidade e os responsáveis pelo conteúdo se aproveitam para impor o própria realidade em que vive , muitos desses que fazem a Globo mantem relações sociais em prédios, clubes, em viagens com pessoas de maioria branca e portanto, vão mostrar a realidade que vivem como a ideal e correta. Os que assistem, em muitos casos, olham para aquilo como um sonho que possa se tornar realidade e nem percebem que estão sendo manipulados a passam a pensarem como tal.

    Vou a repassar o seu texto e colocá-lo em meu blog (espero que não tenha nada contra).)

    Eu escrevi um texto fazendo uma comparação entre a liberdade dos negros e dos animais, neste endereço: http://carlos-geografia.blogspot.com/2011/07/soltando-os-negros-e-libertando-os.html

  • Edu, foi postado no Nassif um vídeo de Chico Buarque sobre essa questão, ele conta os constrangimentos que passa por conta da filha ter se casado com um negro, sua filha teve de vender um apartamento que tinha num condomínio na Barra da Tijuca. e ele diz textualmente: não existe branco puro no Brasil, basta ver os trazeiros das mulheres brasileiras que são o que são por causa do sangue negro nele diluído, mesmo nos brancos que voce destaca nas fotos pode se perceber nos lábios e nariz a ascendencia negra. Quando dou palestras para formandos da minha área chego cedo e sento no meio da platéia e ficou ouvindo as pessoas, mesmo sendo o único desconhecido ali as pessoas ficam perguntando: “Será que o palestrante vem? Ele se atrasou.” e por aí vai, adoro ver a cara da maioria quando me levanto, vou ao palco e anuncio meu nome e inicio a palestra. Sou pardo, me declaro negro, comecei minha carreira no Teatro na primeira metade da década de 70 como ator e logo percebi que meu futuro seria ser sempre o terceiro ou quarto papel e em tv ser o empregado ou o bandido, fiz testes para publicidade em que a câmera, embora eu estivesse atuando diante dela, estava desligada. Fiquei cinco anos nessa briga até que nasceu minha primeira filha e tive que partir pra outra ou não a sustentaria, virei Iluminador Cênico, é onde a maioria dos negros e mestiços estão nas artes cênicas, nas coxias. e se você perguntar 90% tem a mesma história que a minha.

  • Muitos não reconhecem mas essa é a triste realidade.

    Aliás, os negros não só são minoria, mas sempre são postos em papéis secundários, geralmente motoristas ou empregados. Mesmo quando ganham algum destaque, moram sempre em favelas, são bandidos ou malandros.

    As novelas são feitas na visão de mundo da elite brasileira. As pessoas não podem se deixar enganar.

    Aliás, não é só preconceito racial, mas social também. As novelas costumam ser centradas sempre em famílias de classe alta, moradores de mansões, donos de grandes empresas… enfim, não é o meu mundo.

    • Na verdade, já li e assisti a entrevistas de autores de novelas e eles dizem que pobre gosta de histórias sobre ricos, é o que eles acham. Por isso, 100% das novelas são sobre ricos, com tramas paralelas envolvendo pobres. Todavia, as novelas retratam um país de maioria esmagadora branca, um país que não existe. Veja os racistas que comentam aqui: dizem que o fato de a novela anterior das oito da Globo ter tido um personagem negro que tinha dinheiro e era bem sucedido, que isso elimina o racismo em todas as outras novelas, algumas no ar, sendo que mesmo nessa novela do negro rico ele é um dos raros negros e que, o que é pior, vive em um mundo de brancos. Quem, no exterior, vê novelas brasileiras ou mexicanas pensa que Brasil e México são países em que quase só há brancos descendentes de europeus. Aliás, é doloroso ficar discutindo esses detalhes das novelas porque a questão é muito mais ampla. Na propaganda, o problema é ainda mais grave. A tese do post é sobre a população negra aceitar se ver representa. da na mídia em ampla minoria, quase não sendo representada. É uma questão inegável e mesmo assim há quem tente desvirtuar o assunto prendendo-se a detalhes. É um racismo deliberado, planejado, cheio de artimanhas. Ainda irá demorar para mudar isso. Mas desistir não adianta. O jeito é ir conscientizando essa maioria da população de que ela é tratada como lixo, é escondida, insultada. Se tivéssemos um partido político com coragem, colocaríamos essa questão no horário eleitoral. Imagino o estarrecimento desta sociedade ao ser levada a refletir sobre o que vê todo dia e não nota. Infelizmente, mesmo os partidos de esquerda são covardes. Têm medo não sei do que e, por isso, não tocam nesse tipo de assunto.

  • Edu,

    Amo muito tudo isso!!
    Sou baiana, me considero morena filha de mãe branca e pai ( mulato, negro, moreno?/) rs,rs o pai do meu pai era negro e a minha avó morena então a cor da pele é a mais variada, do lado materno é uma mistura de branco com indio, a mistura é boa tenho sobrinha branca de cabelo muito crespo e prima negra de cabelo liso e por aí vai.
    Tenho uma sobrinha que quando criança não aceitava ser negra e ter os cabelos crespos, foi dificil fazer ela aceitar que ela era igual a muitos da propria familia, mãe, tios etc…
    Quanto as bonecas negras, elas ainda são minoria no mercado, aqui na Vila Madalena tem uma fabrica/loja de bonecas negras chama-se Preta Pretinha as donas são negras 3 irmãs vindas de Salvador e duas delas são negras de olhos verdes, eu acho lindo toda essa mistura… Mas que o racismo existe isso é fato!
    Uma vez conversando com uma senhora das Zelites eu disse que trabalhava e morava na região de pinheiros e logo ela me perguntou se eu morava no emprego e eu respondi que não era possivel morar em um escritorio e que ainda não tinham crido essa possibilidade e ela ficou toda sem graça e quis saber sobre o que eu fazia.
    Viva a mistura das raças e nosso Brasil!

  • Aproveitando o espaço, Eduardo, mas mudando de assunto… Fiquei horrorizado com as inserções politicas do psdb na programação das rádios e tvs ontem, dia 29 de novembro.
    Foi uma critica muito pesada, com aquelas cenas dos ratos como simbolismo da corrupção do PT!
    É lógico que isso já era pensado e preparado desde a derrubada do 1º ministro pela midia golpista t ucana! E AÍ PT? VAI DEIXAR ESSA BARATO ESSE CRIME QUE FOI ESSA NOJENTA PROPAGANDA TUCANA?

      • Não tenho essa certeza, Decio! A midia repercute, repercute, repercute, coloca os laranjas aparecendo no Jornal Nacional e as chances de defesa são mínimas. Tudo que vem dessa midia podre eu não acredito!

  • O blogueiro se quizesse escrever alguma coisa séria a respeito do tema, deveria ter pesquisado a participação dos negros em outras atividades, além das novelas da Globais. Utiliza-se de uma questão séria apenas para dar vazão ao próprio ranço que sente relação à Globo. Vamos lá, blogueiro, faça essa mesma pesquisa entre os agentes políticos do Congresso Nacional, das Assembléias Legislativas, das Câmaras Municipais e da Distrital; nas faculdades de ponta nas áreas de medicina, de engenharia, de direito, de odontologia; entre os magistrados, promotores, procuradores; entre auditores da receita, analistas do TCU, policiais rodoviários, agentes/delegados de polícia federal;entre os presidentes que já governaram o país , entre governadores, prefeitos. Pesquise a composição dos ministérios dos cinco governos pós-ditadura ( pra não dar muito trabalho) , incluindo os de Lula e Dilma, dos atuais secretariados estaduais e municipais. Caso o blogueiro resolva se dar ao trabalho de ampliar a pesquisa para além da telinha da Globo, provavelmente se decepcionará ao perceber que os negros/pardos brasileiros sentem-se mais representados nas novelas da Globo do que nas instituições e entre os agentes citados . Garanto que os negros estão mais preocupados por não estarem representados no poder público (entre os agentes políticos e os da burocracia bem remunerada) e no mercado de trabalho de melhores salários do que nas novelas da Globo.

  • A questão a saber é: quantos atores negros existem disponíveis no mercado em relação aos brancos? Será que são maioria também? Sim, porque pegar como contexto um país não dá a real dimensão da discriminação ocorrida no microcontexto que é a teledramaturgia.

  • A imaginação do blogueiro anda muito fértil !
    1º – Não há estado da federeção que faça constar a cor do indivíduo na cédula de identidade.;
    2º – Que estória de carochinha é essa do amigo negro que reage da forma ao ser impedido de associar-se a um clube? Esse negro simplesmente não existe . Um negro com algum esclarecimento nunca reagiria daquela forma, ainda mais sendo um cara de classe media alta. Ninguém fica várias vezes tentando entrar num lugar em que não é bem recebido, pode até entrar uma vez pra fazer valer a própria vontade, mas não vai querer ficar frequentando.
    Se esse negro realmente existe (coisa em que não acredito) e reagiu daquela forma, baixando a olhos e mumurando “seria pior”, deveria ter levado um cascudo do blogueiro!

  • Esse país(as instituições) é tão injusto e covarde com o seu Povo e, esse mesmo Povo alimenta essas barbáries diariamente, comprando e dando audiência a esses canais de TV e essa Mídia em geral, essa Mídia que testa pobre e negro (ainda Pior). Edu, nasci e morei no nordeste e trabalhava com o Método Paulo Freire, desde do governo de Miguel Arraes(2º mandato) não tinha coisa mais dolorosa que passar anos inteiros, convivendo, alfabetizado e politizado os indivíduos e, chegar nas eleições, esses mesmos indivíduos, eleger aquela CORJA que o escravizou durante décadas, até que um dia, depois de passar anos, desistir de tudo e deixei o Nordeste. Ao chegar em são paulo, eu é que passei a sofrer um certo/preconceito por conta do sotaque mas, venci. A Mídia, só é a Mídia por conta de nos mesmos, falta é acabar com Ranço de submissão que existe no povo brasileiro e isso só consegue com educação.

  • Edu, meu caro, e o que dizer do “especial” de natal da Rede Engodo? Olhe lá. Há dois ou três negros, numa inversão perversa de nossa sociedade real.

  • Infelizmente, o racismo é uma triste realidade, de graves consequências. A mídia (só para variar), tem imensa responsabilidade sobre isso.
    Sugestão para seu amigo do bairro elegante de São Paulo: entrar com uma denúncia de racismo contra o tal clube. Se precisar de apoio / assinaturas, tenho certeza que seus leitores o apoiarão.
    `As vezes, abrimos mão de uma batalha pela manutenção do nosso sossego e segurança, mas o problema sempre volta mais `a frente, em outros contextos. Não tem jeito,se quisermos uma sociedade mais justa e sem tantos problemas como a nossa sociedade ainda tem, temos que sair da nossa zona de conforto e encarar algumas batalhas.
    Obrigada, Edu, por sinalizar diariamente esse caminho. : )

  • Acho que já escrevi isto por aqui, mas lá vai:
    Desafio alguém com mais de 30 anos e que assiste novelas (de qqer emissora, horario, ou o que o valha) a me mostrar em qual delas a empregada negra não sorri o tempo todo enquanto os patrões almoçam ou jantam.
    Aí é que está o ponto crucial do post: a produção das novelas , seja por preferencia do autor, seja por determinação da emissora, seja por pressão do patrocinador, sempre leva a crer que o mundo é o que está sendo representado ali.
    Aí alguns disseram: ah , mas pobre gosta de história de rico, porque sonha ser um dia rico. É, e já vai treinando pra ser FDP que nem os patrões que aparecem na novela xingando a coitada da empregada, desfazendo do caseiro, do motorista, que se não são negros, são ‘morenos’, mestiços, pardos ou como queiram classificar. Já viram alguma novela com empregada loirinha, boazudinha? Se tem, é porque faz parte da trama o patrão ou o filho dele ‘papar’ a sujeitinha, e daí ia ficar mal colocar uma ‘feinha’ negrinha, né?
    E o Romanelli com aquela história de Beatriz Segal: “sobre biotipo, desculpe, mas mesmo em nome dum politicamente correto não dá pra forçar ..Beatriz Segal falando pobRema, fRanela ou DEvogado em novela carioca das 8 ?..nem morta, não combina”
    Sabe porque não combina? Porque ele já assistiu uma duzentas novelas em que a dita cuja é sempre a madame ( a Odete Roitmann de sempre) e ele se acostumou a isso, portanto vem com essa de que não combina. Caro Romanelli.: um bom artista aceita qqer papel, pois é ali que vai mostrar sua versatilidade.
    Duvido que já não a chamaram pra fazer outros papeis. Mas ela fez?
    Ontem á noite enquanto eu jantava minha esposa assistia á tal da Vida da Gente, que pelo que vi se ambienta em Porto Alegre (pelo menos as imagens são de lá). Todos os atores com sotaques de PAULISTANOS e cariocas, e de repente apareceu um cara falando como se estivesse atuando em Morte e Vida Severina…Tá bom, não dá pra exigir dos ‘atores’ que falem como gaúchos, mas não ouvi, em uns vinte minutos um único ‘bah’, ou ‘tchê’, ou ‘guria’, etc. Cadê a representação da vida real?
    Ah, deve ser porque os gaúchos ricos não usam as muletas da lingua, hehehe

  • Pois é, Romanelli e minoria, não adianta discutir essas coisas neste blog. É como dar murro em ponta de faca.
    Como já disse: A promoção da luta racial (bem como a de classe) é parte integrante e inseparável do núcleo da velha” cartilha”.
    E o duro que eles se acham donos da razão e qualquer discordância, por mínima que seja, do núcleo do “politiburgo” o discordante já é distratado com as piores ofensas… Se estivesse la na URSS no tempo do Stalin, além das ofensas ja teria ido tomar o devido corretivo no gulag…

  • A classificação “pardo” indica pessoas com ascendência multirracial – é uma categoria que representa, principalmente, o resultado da miscigenação entre as três grandes raças que formam a maioria do povo brasileiros: europeus mediterrânicos, pretos do oeste da africa e os diversos grupos ameríndios que aqui habitavam.

    A imensa maioria da população brasileira é o resultado de séculos de mestiçagem entre esses três principais grupos.

    Estipula-se que 80 % dos declarados “brancos” tenham pelo menos 10 % ou mais de herança africana, enquanto os declarados “negros ou pretos” tenham 50 % de herança europeia, principalmente por parte paterna.

    A maioria dos “brancos” brasileiros não são “puros” assim como praticamente todos os “pretos” brasileiros também não o são.

    Quanto a representação etnográfica das novelas da Globo é mais do que evidente o favorecimento ao “nordicismo” ( fenômeno comum em toda teledramatúrgia latino-americana) , a emissora não representa nem sequer os brancos brasileiros muito menos a população em geral.

    • A classificação do IBGE para cor/raça se dá por auto-identificação do entrevistado em cinco categorias: preto, pardo, branco, amarelo e indígena. Portanto, a classificação de cor/raça guarda relação principalmente com a percepção da aparência física, o fenótipo, pois a aparência física é no Brasil a forma principal mobilizada para discriminar racialmente. Nas análises sobre a desigualdade racial, que se expressa especialmente em vantagens para o grupo branco e desvantagens para pretos, pardos e indígenas, não só o IBGE, mas também a grande maioria dos pesquisadores da área, trabalha agregando pretos e pardos na categoria negro. Caso queiram um exemplo deste tipo de análise acessem a Síntese dos Indicadores Sociais (SIS) de 2010 do IBGE, disponível no site do IBGE http://www.ibge.gov.br . Para um trabalho bastante interessante de um pesquisador do IBGE, chamado José Luis Petruccelli, que descreve bem a pertinência desta classificação para compreender as relações raciais no Brasil ver PETRUCCELLI, J. L. A Cor Denominada. Estudos sobre a Classificação Étnico-Racial. Rio de Janeiro-RJ: DP&A Editora, 2007.

    • Minha cara Lorena:
      Não pense a casa-grande com patriarcalismo tão absoluto e o “sinhô”, tal qual u’a máquina de procriar: “os declarados “negros ou pretos” tenham 50 % de herança européia, principalmente por parte paterna”.
      As “sinhás”, muitas delas cristãs-novas, também se atiravam aos negros. E como….
      Escreveu Edu Lobo: “a casa lá na fazenda, a lua clareando a porta, um brilho claro nas pedras dos degraus. Cristal de lua!”
      À noite…
      As “entradas e bandeiras” ….
      Tive um médico de criança até meus vinte e poucos anos. Sobrenome quatrocentão que ele não levava muito a sério. Era comunista. Conversávamos pois tinha grande cultura e era prazeroso.
      Branco de olhos claros, disse-me diversas vezes que um dos irmãos “parecia um bugre”.
      Pensava eu, irônico (jamais tive coragem de dizer-lhe), a pseudo-aristocracia paulista a externar pudicícias em suas “marchinhas” pela moral e bons costumes; pela família tradição e propriedade etc. Todavia, “alguém pecou!”
      Salve a hipocrisia “quatrocentona”

  • Ué, cadê o post do Tomas, que disponibilizou um link do IBGE com a definição terminológica para “pardo”, que não é sinônimo de afro-descendente, mas sim de todo e qualquer mestiço?

  • Mais dois fatos importantes: primeiro, as políticas de branqueamento da população até a década de 50, desde o império, que tem reflexos até a data atual na mente das pessoas. Segundo, gostaria de saber se alguém já viu alguma propaganda para o público infantil (por si só já é uma aberração) de qualquer mídia, que tenha um negrinho, uma negrinha? Que eu me lembre, só de fraldas, mas criança não é o público-alvo.

  • O RACISMO ESTÃO NOS SEUS OLHOS! TÍPICO NEGRO INDIGNADO PELA VIDA, eu concordo em relação a fazer bonecos negros, mas não acho tão necessário fazer posts assim criticando brancos, e presença de brancos em novelas de brancos, NEGRO QUE É NEGRO, NÃO SE DIZ MULATO, MULTIRRACIAL, PARDO E ESSAS BABAQUICES, NEGRO QUE É NEGRO, DIZ: SOU NEGRO E ESTOU CONTENTE COM ISSO, se dizer mulato ou cores semelhantes aos brancos é um racismo negro praticamente!.
    BRANCO VAI CRIAR BONECO BRANCO É CLARO! A tendência é criar de acordo com a nossa cor, não é questão de racismo, avaaa, MESMA COISA QUE NAS NOVELAS, BRANCOS VÃO CRIAR NOVELAS BRANCAS OU NEGRAS, DEPENDE DO ORGULHO RACIAL, e colocar negros é claro, queremos incluir a sociedade, vocês que são tendenciosos, e acham que somos todos preconceituosos em tudo, só por sermos uma camada da sociedade mais rica de dinheiro é claro, e patrimônios, existem negros prestigiados, mas a maioria são brancos 80% são brancos, os mais ricos, de classe média, NÃO É QUESTÃO DE RACISMO, PESQUISEM CASO QUEIRAM.
    Se negro gosta de se declarar quase branco não é culpa nossa, vocês próprios já se discriminam, já que não vejo negros ganhando prêmios por inteligência, descobertas, claro isso também tende a ser por causa que negros geralmente são pobres, no Brasil por exemplo 80% dos pobres são negros, e tiveram poucas oportunidades nas suas vidas para viver, a grande maioria é pobre, e por isso tende a ser pobre culturalmente também, os que não buscam informação é claro!!!
    EU GOSTO DE MUITAS COISAS QUE OS NEGROS FIZERAM, APESAR DE MINHA FAMÍLIA SER PORTUGUESA, negros estão no segundo país mais negro, O BRASIL!!! TANTO DE CULTURA COMO DE VÁRIAS FORMAS, SÃO METADE DA POPULAÇÃO, e criaram a cultura brasileira, TENHAM ORGULHO PAREM DE FAZER ESSES TEXTOS, TENHAM ORGULHO DE SUAS RAÇAS, NÃO SEJAM TENDENCIOSOS, branco vai fazer branco mesmo, é a mesma coisa que pensar que um LÁPIS BRANCO VAI PINTAR PRETO, esqueçam isso, esqueçam os brancos, se concentrem na vida negra, vivam em seu meio, não procurem desenvolver, e esperar que os brancos mudem, mudem entre vocês e tenham orgulho, eu lembro de quando criança eu imitava o Virgil do SUPER-CHOQUE ERA MUITO LEGAL, ELE ERA UM PERSONAGEM NEGRO, e eu gostava muito de imitar ele, assistia direto, ótima série animada, do negro Dwayne McDuffie.
    Se desenvolvam, a fama que vocês tem de roubar , é fruto da pobreza social que essa camada foi exposta, pobre é malandro e rouba mesmo, pq não tem condições de desenvolvimento, os escravos brasileiros depois de libertos, foram jogados no meio da rua sem condição nenhuma, esqueçam isso, se desenvolvam, tenho certeza que com negros mais ricos e de classe média VOCÊS TRIUNFARÃO E MOSTRARÃO AOS BRANCOS QUE SÃO INTELIGENTES, VÁRIOS PRÊMIOS NOBEL, TRIUNFARÃO, E SEJAM ESPERTOS batam no peito e falem: SOU NEGRO!! COM MUITO ORGULHO, eu sei que a história de vocês é de escravos e de pessoas miseráveis, história brasileira claro, nelson mandela mostrou coragem aos negros, a fama de vocês é de serem ladrões, mas isso é pq são pobres, é igual um brasileiro falar que não tem orgulho do seu país, porquê outro país faz tudo de forma muito melhor e eficiente, é assim o negro, nega ser negro, porquê não se orgulha de sua fama e história e se apaixona pela valorização e presença da outra raça, como a presença dos EU no Brasil que é grande e abrangente em quase tudo.
    VAMOS LÁ ORGULHOOOOOOOOOO PESSOALLLLL PAREM DE FAZER TEXTOS ASSIM!!!

    • ”Mulato” é uma palavra que se refere a um mestiço de branco e negro, ”Multirracial” é uma palavra que se refere a um mestiço de três ou mais raças(exemplos:indígena-branco-negro/branco-negro-asiático/negro-asiático-indígena).

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