Todo mundo nu

Crônica

A recém-divulgada pesquisa Ibope sobre a aprovação popular ao governo Dilma Rousseff e à própria confirma, mais uma vez, o que os mal chamados “formadores de opinião” teimam em desconhecer: o mundo político guarda muito pouca conexão com o mundo real.

O mundo político é esse do livro sobre a privataria e das quedas sucessivas de ministros, e o mundo real é habitado por uma maioria que beira a unanimidade e que dá de ombros a denúncias, até porque não se interessa por política.

Essa massa despolitizada e de baixa cultura geral, porém, adotou um critério para exercer seu poder de eleger ou boicotar políticos que é muito mais racional do que o critério dos empolados “formadores de opinião”: prefere tomar suas decisões eleitorais com base na percepção sobre como quem governa está lhe afetando a vida, já que o que um político diz sobre o outro e o que a mídia diz sobre eles não pode ser levado a sério.

Desde que o livro sobre a privataria tucana estourou de vender nas livrarias que se sucedem relatos sobre vendedores perplexos com o interesse por ele entre o reduzidíssimo contingente de brasileiros que compra livros por mero prazer de ler e não por necessidade profissional ou educacional.  Isso mostra o quanto política é tema para poucos, no Brasil.

Aliás, sobre os formadores de opinião, vale dizer que há muito deixaram de ser apenas os colunistas e comentaristas dos grandes meios de comunicação, pois quase todos os que pegam um jornal para ler sobre política ou que não mudam de canal quando os telejornais abordam o assunto são pessoas de maior nível de instrução e cultura que há muito estão na internet e que, assim, acabam tomando conhecimento do contraponto que blogs, sites e redes sociais fazem ao grande noticiário.

Apesar de o público politizado estar muito mais exposto ao viés político dos grandes meios de comunicação, acaba buscando o outro lado na internet porque até os que concordam com tais meios ficam curiosos em saber o que suas fontes de informação pregressas não divulgam.

Em blogs como este e em tantos outros fica claro o interesse que o outro lado que a mídia esconde desperta até em quem concorda com ela por simples interesse político ou econômico ou até por acreditar sinceramente em suas opiniões.

Os resultados das três últimas eleições presidenciais e a perenidade da aprovação nas pesquisas ao grupo político ao qual a imprensa se opõe mostram que a maioria não dá mais crédito a suas acusações por saber que ela é parte da política e não mera observadora e relatora de seus meandros.

Mais do que a comunicação, portanto, os fatos fizeram o povo pensar a política sob a perspectiva do próprio bolso. Mais do que a internet, o governo Lula foi preponderante para aniquilar a permeabilidade que a maioria dos eleitores brasileiros tinha ao viés político da mídia.

Até 2003, o consenso majoritário entre os brasileiros era o de que a política não tinha poder de mudar a vida das pessoas. Como essa maioria acabava acatando as campanhas midiáticas para eleger presidentes e sua vida não mudava – e esta tese serve para eleição de cunho nacional, porque no âmbito regional pesam outros fatores –, ela achava que não adiantava votar que os problemas do país não tinham solução.

Pouco importa, leitor, se você acha que o Brasil melhorou durante a era Lula por mérito de Fernando Henrique Cardoso ou por mérito de quem efetivamente governou. O fato é que todos concordam que o Brasil melhorou depois que elegeu Lula.

As eleições presidenciais de 2006 e 2010, à diferença da de 2002, mostraram que o povo discordou da teoria de que FHC plantou alguma coisa que Lula colheu, tese que a grande mídia martela sem parar desde que os primeiros resultados do governo petista começaram a surgir.

Em 2002, Lula foi uma espécie de última cartada. Em 1989, 1994 e 1998 a maioria apostou na implícita recomendação de voto midiática e ao fim de cada mandato dos que elegeu naqueles anos, quebrou a cara. Então, essa maioria decidiu arriscar.

Votar em Lula ou em quem ele indique virou sinônimo daquele primeiro voto autônomo de 2002 que tantos resultados trouxe à qualidade de vida de todos. O ato ousado de votar no político que fora barrado pelo medo difundido pela imprensa mostrou ao povo que é preciso ousar.

As denúncias de corrupção sistemáticas da imprensa só contra um lado também foram encaradas como mera confirmação do que sempre se disse à farta no Brasil, que quem entra na política tem que “meter a mão na merda”

Quem votou no PT em 2002, 2006 ou 2010 sabe muito bem que há corrupção em qualquer governo. Triunfa, assim, teoria que é a quintessência do atraso, mas que vai se tornando paradigma: é melhor votar em quem rouba como qualquer político, mas faz.

105 comments

      • Me permita discordar!
        Esta afirmação remete ao tempo de Paulo Maluf, grande construtor de obras visíveis e caras que pagavam grandes comissões. Mais atrás, lembro do ministro Delfim Neto, conhecido na Europa como o ministro dos 10%.

        Não podemos afirmar que FHC roubou. Nem Lula ou Palocci ou Zé Dirceu. Estes, diante de uma legislação eleitoral atrasada viram-se diante de campanhas presidenciais tendo que administrar recursos e, parece óbvio, usaram o Caixa-2.
        O que era o “mensalão” de Valério se não doações de campanha dos dois lados?

        Quanto ao A Privataria Tucana, a coisa é bem diferente.
        Foram recursos trazidos ao Brasil pela famiglia Serra e demais operadores dos recursos gerados sabe-se-lá de onde … empresas normais não usam paraísos fiscais, a não ser que operem recursos de origem não comprovada … traficantes de drogas, armas e pessoas usam estes artifícos.

        Não concordo que as pessoas aceitem passivamente o rouba mas faz. Os brasileiros evoluimos. Tenho a sensação de que a imensa massa de votos em favor de Lula – 2 vezes – e de Dilma foi em reconhecimento ao esforço de ter levado o país para a frente.

        Por mais que velha imprensa tente, não vai colar o slogan “são todos iguais”.

        • o texto não endossa a teoria do rouba, mas faz. Apenas constata que está vigente. E não diz que o povo acha que todos são iguais, diz que o povo acha que há quem rouba e não faz nada e há quem rouba, mas faz

          • É por isso que temos de tomar um cuidado imenso ao nos referirmos a um político como ladrão, pois tem muita gente que acredita ainda na tese do ”rouba mas faz”. Eu já narrei aqui como que eu obtive, sem querer, vinte votos para um determinado candidato a presidência da República, tendo ouvido de um velho:

            então o […] é que é o hómi bão. Eu mais a Gerarda, nóis vai votá nele…

            O caso é que devemos dizer para os nossos interlocutores: ”não queremos te convencer de nada, convença-se você mesmo lendo o livro A privataria tucana”.

            Acho que devemos conscientizar o povo primeiro de que é uma falácia o ”rouba mas faz”. Pois o político ladrão bem pode se aproveitar das obras suntuosas para faturar com as ocasiões que aparecem para roubar.

      • Eduardo, por favor, gostaria de registrar a locução de um comentário/defesa feito no final do jornal do sbt, hoje a noite, onde o âncora afirmava que um juiz havia soltado um “Beltrame” porque não havia provas para sua condenção. Elogiou a atitude do magistrado…Lembrei das acusações, sem provas, que “a grande mídia”, não um magistrado, desferiu, contra alguns ministros do governo Dilma, os quais foram condenados liminarmente.

  • Nos contentamos com o menos pior. Antes os ladrões de galinhas que os de bilhões. A elite sempre apostou na passividade do povo brasileiro para continuar lesando o pais.O brasileiro como homem cordial é a desgraça do Brasil. A impunidade impera no Brasil.Uns mais iguais que outros.

      • Ela já esta consertando. Está usando o que sabe fazer: administrar bem. Apesar das constantes agressões que recebe, aparentemente não se abala e continua a trabalhar. Tem feito muita coisa mas a maioria do povo brasileiro não sabe pois é boicotada pela grande midia. Contudo, pouco a pouco o povo vai percebendo…

  • Eduardo não é o mundo político e sim o mundo da mídia. A realidade é diferente do que a mídia quer que seja.
    Pois, neste contexto acho os partidos políticos mais próximos da realidade do que a mídia.

  • Percepção que se tem é que o povo se contenta com o governo que, fazendo o bolo crescer, se preocupa em desse bolo distribuir pelo menos as migalhas (bolsa familia). Os bancos e rentistas tendo Palocci a frente do Ministerio da Fazenda e Meireles a frente do BC nunca ganharam tanto no governo Lula que entretanto se preocupou em distribuir parte dessa riqueza com o povo que a produziu com o trabalho. Mesmo assim a elite pervertida ainda reclamou do pouco que foi distribuido ao povo.

    • Ao chamar o bolsa familia de bolsa miseria a elite financeira demonstrou o quanto é cruel e mesquinha. Ao ponto de reclamar das migalhas destinada ao povo para que não morra literalmente de fome. Pura perversão.

    • Realmente os banqueiros ganham muito dinheiro, até porque vivemos numa sociedade capitalista movida a crédito (se faltar crédito, toda a economia desmorona instantaneamente, haja vista a maneira como está posta).

      Mas eu tenho uma perguntinha: se os banqueiros ganham tanto dinheiro nos governos LULA/Dilma, então por que cargas d’água todos eles (os banqueiros brasileiros) votaram na dupla Serra/Alckmin? Foi pra perder a boquinha ou para ganhar mais?

  • Agora a porca vai torcer rabo para quem acreditou que não era preciso politizar o povo: a crise infelizmente já dá suas caras por aqui, novembro foi o pior mês em criação de empregos apesar de ainda contarmos com nível excelente de empregados, a indústria está dando ré ou parada, os comerciantes estão reclamando que esperavam um movimento muito maior para o natal e estão frustrados até aqui, com a chegada da crise vamos ver a reação do povão que só fidelizou seu voto à melhora das suas condições de vida e não ao projeto político.

    • Torce não Ate porque em dezembro – 13o. ferias, natal, fim de ano, viajens – vem depois de novembro. O dinheiro vai circular e a industria e o comercio vão crescer para dar cabo a procura.É so sair aos ruas, aos shoppings. O povo ta gastando como nunca.
      O Brasil vai ser o refugio dos rentistas para a crise na Europa e USA. Vamos ter é que fechar as portas para a entrada do dinheiro dos rentistas que so desejarem lucrar.

    • ha que projeto politico o sr se refere sr walter? ja faz 2 anos que o mundo queima numa crise sem igual e o brasil continua crescendo ,pouco ,mas crescendo e o senhor vem torcer por crise aqui no brasil ?o mundo todo esta em crise sim , mas nos estamos muito bem,apesar de toda a grande impresa prever o apocalipse toda hora .

    • O projeto polítco É a melhora da vida das pessoas.

      É incrível que a direita tenha se perdido tanto em sua ideologia ultrapassada e furada que sequer considera essa melhora da vida como um objetivo político válido.

  • Na minha humilde opinião o Brasil necessita com urgência da Lei dos medios, reforma do Judiciario, reforma politica e a reforma tributarias com a criação do Impsoto dobre grande fortunas.
    Na reforma do Judiciario concordo coma nova Ministra recem empossada, os Ministros e Desembargadores dos Trbunais, STF e STJ devem cumprir mandatos. Vitaliciedade so para Juizes de carreira, que entratnto nos Tribunais cumprirão mandato. A Ministra Eliana Calmon denunciou que no STJ existem panelinhas. Existem porque os nobres ministros permanecem no Tribunal até os 70 anos de idade. Se cumprissem mandato não daria tempo de criar certos vicios.

  • Olha, nao existe esta coisa de governo sem corrupcao. Se nem o Vaticano o e, nem a Suica, nem nas tribos do Xingu…
    Outra coisa, a corrupcao se desenvolve no silencio das alcovas durante a noite, nao nas feiras livres ao meio dia. Ou seja, o fato nao existirem escandalos de corrupcao em Sao Paulo, nao significa que o estado seja governado por irmas de caridade, pelo contrario, significa que a corrupcao esta corendo livre, leve e solta pelos corredores do palacio dos bandeirantes, sem que ninguem possa ou queira impedila.
    O contrario e verdade em Brasilia. Como todos sabem que existe uma impresa sedenta de sangue, que o desvio de uma tapioca, pode levar um politico ao limbo, e fazer com que um funcionario gradudo ao desemprego e ou a cadeia, os possiveis corruptos tomam muito cuidado, e ate em um reflexo de auto-preservacao, ficam mais arredios as possibiliades de se venderem. Ou seja, a corrupcao esta mais cara, e mais dificil.
    Nao estou fazendo apologia a corrupcao, estou apenas tentando falar como as coisas sao. Nao se acaba a corrupcao, se dificulta.

    • Há muitos escândalos de corrupção em São Paulo, como o das emendas parlamentares, que é muito mais mensalão do que o que dizem que houve no governo federal do PT. Só que a mídia minimiza

  • Acho que o que aconteceu foi o seguinte: Essa onda de denuncismo durante os 8 anos de governo LULA e entrando governo Dilma adentro, serviu para banalizar a própria onda o que levou ao descrédito dos que denunciam. Como um organismo que ao receber doses incessantes de veneno acaba desenvolvendo imunidade, o povo parece estar imune ao denuncismo. Não vejo isso como uma coisa boa para a democracia ,contudo, mais daninho seria se o povo desse ouvidos para as pencas de denúncias(em grande parte vazias), e visando atacar só um lado da corrente político/ideológica e aliviando o outro. O livro do Amaury é um exemplo claro de uma imprensa sem escrúpulos que ruge como um leão quando é para atacar o PT e fica dócil como um carneirinho quando o problema é com o PSDB. Quando o assunto é com o PSDB se fazem de surdos, mudos e cegos caindo num desavergonhado turbilhão de incoerência numa macabra atitude de dois pesos e duas medidas.

    ISSO é ruim porque quando realmente acontecer de alguma dessas denúncias for realmente verdadeira e despida de má fé, o povo não estará lá pra lhes dar ouvidos.

    O que vou dizer pode parecer absurdo, mas pra mim a imprensa é a grande responsável por sermos um país despolitizado. Com esse delírio de produzir climas para derrubar “inimigos” criou uma nação de descrentes. A esses só cabe cuidar do seu dia-a-dia e se guiar pela sensiblidade medida pela altura de o que os governos tem feito para melhorar ou piorar suas vidas sem olhar para o passado nem para o futuro. Esse é o termômetro do povão. Infelizmente ou felizmente.

    • “O que vou dizer pode parecer absurdo, mas pra mim a imprensa é a grande responsável por sermos um país despolitizado”

      Não há absurdo algum nisso. é a mais pura verdade.

      A sociedade de hoje é fruto do que a imprensa pregou ontem. E o que eles pregaram foi uma sociedade voltada apenas e tão somente para servir de fonte de recursos para os poderosos, para os “empreendedores”.

      Clamaram por escolas que ensinassem o mínimo necessário para as pessoas apertarem botões, e torciam o nariz para qualquer tentativa de levar educação de verdade (história, filosofia, direito, lógica) às pessoas. Segundo a tese liberal/neoliberal esposada pela imprensa, o povo não precisa disso, assim como o Estado não precisa se preocupar com nada além de saúde, educação e segurança – SEMPRE voltados para dar às “pessoas de bem” as melhores condições possíveis, ou seja, segurança para manter os indesejáveis longe deles, educação para ensinar aos indesejáveis o seu devido lugar e saúde para impedir que eles sejam afetados pelas epidemias/pandemias, etc.

      A imprensa nos “ensinou” que o “certo” é ensinar às pessoas coisas que as tornem empregados mais eficientes, e NÃO o que faça delas melhores cidadãos e indivíduos pensantes – afinal, para a falta de espírito crítico a imprensa tinha o “remédio” pronto: os “formadores de opinião” – as pessoas não precisam saber pensar pq a imprensa está aí pra dizer a elas o que pensar. aliás, se as pessoas pensassem, a imprensa estaria em maus lençõis, então entende-se pq batalharam tanto pelo sucateamento da educação.

      Foi mais do que uma questão pragmática, pensada para favorecer grupos privados de educação, mas uma jogada estratégica, de longo prazo mesmo. E conseguiram o que queriam, essa sociedade despolitizada, facilmente manipulável, povoada por quem terceirizou o próprio pensamento crítico, verdadeiros papagaios da mídia.

  • Eduardo, não sei o quanto você e seus leitores vão concordar comigo mas vou deixar aqui registrado um fenômeno no mínimo curioso, antigo mas pouco utilizado.

    No Brasil somos quase 200 milhões de pessoas, em um país de extensão continental e com variados costumes, crenças, formas de lidar com a vida. É engraçado como na comunicação e administração aprendemos que o cliente tem que ser atendido e a linguagem a ser utilizada não deve ser a do vendedor mas sim a que o público alvo vá se sentir mais a vontade.

    Estranho como isso não chegou a política de forma massificada nas mídias e até mesmo na internet. Essa reflexão e desafio serve para todos: como é o perfil de textos que encontramos na internet sobre política???

    Não estou aqui falando que é errado ter apreço por determinada forma de escrita. Pelo contrário. Falta integração entre quem faz política esquerdista, progressista, popular, ou seja lá que nome queira utilizar, para atender todos os povos, tribos, culturas, costumes, regionalismos, idades, idéias e credos nesse país.

    Esse papel integrador deveria ter sido realizado pelos partidos políticos. Mas alguma coisa aconteceu entre o ontem e o hoje que retardou a entrada de vários segmentos dentro do hall de expressão na internet. Talvez me falte conhecimento ou seja um tanto de exagero meu. Mas muita gente não se interessa por política por não enxergar material sendo produzido para ele, que ele entenda, que goste de ler do jeito dele como leitor e que seja atualizado ao menos a cada 2 dias.

    Ao meu ver, o próximo passo da evolução dos debates no país vai ter que passar por esse nível de união, não das pessoas que tem os mesmos gostos mas sim dos que tem os mesmo objetivos porém com características diferentes. Assim vai se ter a retomada da identidade do povo plural.

  • Para azar dos bicudos,demonios e assemelhados:

    Brasil inaugura Usina de Santo Antônio, em Rondônia
    Enviado por luisnassif, qua, 21/12/2011 – 11:32

    Brasil inaugura nova era de geração hidrelétrica na Amazônia

    Usina de Santo Antônio, em Rondônia, deve produzir primeiro megawatt no dia 28, com turbina que traz menor impacto ambiental; veja o infográfico e entenda a diferença

    Pedro Carvalho, iG São Paulo

    A Hidrelétrica de Santo Antônio, que será a sexta maior do País e fica em Rondônia, no Rio Madeira, deve começar a gerar energia no próximo dia 28. Nessa data, a primeira das 44 turbinas da usina deve ser ligada de forma definitiva. Será a primeira turbina do tipo “bulbo” a operar na bacia amazônica – uma questão técnica que representa uma enorme mudança no modo como a região utiliza seu potencial hidrelétrico. Isso porque a turbina bulbo aproveita a correnteza natural do rio, sendo capaz de gerar energia em larga escala sem que uma grande área da floresta seja alagada.

  • Prezado Sr Eduardo!

    Estava navegando pelo internet e acabei encontrando o seu blog. Confesso que não conhecia. Adorei o seu Blog.

    Sou um corretor de imóveis (sou o primeiro corretor que usa uma cadeira de rodas no Brasil) e nas horas vagas procuro ler bastante. Vejo que na internet tem muito lixo. Lixo mesmo. Mas tem coisas maravilhosas. Eu gostei demais do seu blog.

    Se você quiser ler o meu Blog, o que terei muito prazer, pode visitar. O endereço é http://www.corretormarcelo.com/blog

    Mais uma vez, parabéns!!!!

    Abraços,
    Marcelo Goering

  • Caro Eduardo, embora entenda o argumento final do seu post, creio que se o PT já caiu no lugar comum de conviver pacificamente com a corrupção (quem aceita geralmente pratica), é necessário avançarmos para formas de controle mais eficazes. Há muito tempo não engulo essa história de “vou votar em fulano porque ele é honesto e não vai roubar…”. O sistema é corruptor por excelência. Assim, como sociedade civil, devemos lutar pelo aperfeiçoamento do sistema de controle, para que seja cada dia mais dificil transigir,transgredir e prevaricar. Não devemos esperar que os políticos não roubem, mas dificultar ao máximo a possibilidade de fazê-lo.
    Abraço fraterno em todos os amigos que frequentam esse maravilhoso espaço de debates!

  • Quero só ver quem foram os deputados que NÃO assinaram o requerimento da CPI da Privataria.

    Os tucanos, em maioria, claro que não endossam. Só um ou outro aecista assinou. Mas e o PT? Aliás, deputados do PT participaram da operação-abafa da CPI do Banestado. Por que?

    Desta vez, não há espaço para operação-abafa.

    • Vamos retribuir aos petistas não assinantes com todo ‘ amor e carinho’ , eles que aguardem, e não venham dizer que só exigimos dos petistas, quem os elegem tem direito a cobrar e eles sabiam disso quando não assinaram o que todos os eleitores petistas queriam.

      • Bruno, eu sou petista e exigo muito mais deles do que os de outros partidos. Eu acredito na filosofia do PT, muito embora o partido tenha inchado (não foi crescimento) com a onda vermelha. O que entro de pilantra não tá no gibi e tem de haver uma limpeza nos quadros, não há lugar para os radicais do PSOL nem para os pallocistas e suplicistas, temos que voltar as origens trabalhistas, de uma gente que só queria ter os mesmos direitos e benefícios dos do andar de cima. Quero luxo, quero ter prazer, viva Joãozinho Trinta! Desde que isso seja conseguido com trabalho, com honestidade, qual o malefício que isso causa? Peremos de hipocresia, esa história criada em torno do PT foi alardeada pelos intelectuais de salas de aula!

  • Perfeito Eduardo, voce poderia ter acrescentado que a midia esta colhendo o que plantou, ou seja, principalmente, após o golpe empresarial/militar de 64, todos os principais meios de comunicação no pais impuseram uma programação visando transformar a população numa massa de alienados que poderiam ser totalmente manipulados fazendo o imaginario popular supor que todo politico é corrupto-o que não é verdade-desta forma o resultado da equação é o que voce retratou:melhorou minha vida=meu voto. Lógico que isto não é bom, dai voltamos A nosso grande luta: MARCO REGULATÓRIO DAS COMUNICÃÇÕES

  • Jornalista Líbero Badaró,assassinado por partidário de Dom Pedro – “Nada há de mais baixo,de mais vil,de mais criminoso,que mereça mais todo o peso do público opróbio do que aquele que prostitui a sua pena”. Lima Barreto – “Nada há tão parecido como o pirata antigo e o jornalista moderno: a mesma fraqueza de meios,servida por uma coragem de salteador; conhecimentos elementares do instrumento de que lançam mão e um olhar seguro,uma adivinhação,um faro para achar a presa e uma insensibilidade,uma ausência de senso moral a toda prova…”. Jornalista Franklin Martins – “A midia brasileira não quer se discutir nem deixar discutit.Mas não há como escapar,é inevitável diante das mudanças tecnológicas. Ou fazemos um debate franco e democrático sobre a regulação dos meios,com a participação de todos,ou prevalecerá a lei do mais forte”.

  • Luis Nassif: A Privataria Tucana marca o fim de uma era
    by Conceição Lemes
    por Luis Nassif, em CartaCapital

    O livro “A Privataria Tucana” marca o desfecho de uma era, ao decretar o fim político de José Serra. A falta de respostas de Serra ao livro – limitou-se a taxá-lo de “lixo” – foi a comprovação final de que não havia como responder às denúncias ali levantadas.

    O livro mostra como, após as privatizaçōes, o Banco Opportunity – um dos maiores beneficiados – aportou recursos em paraísos fiscais, em empresas da filha Verônica Serra. Depois, como esse dinheiro entrou no país e serviu, entre outras coisas, para (simular) a compra da casa em que Serra vive.

    Tem muito mais. Mostra a extensa rede de pessoas cercando Serra que, desde o início dos anos 90, fazia negócios entre si, utilizando o Banespa, o Banco do Brasil, circuitos de paraísos fiscais, as mesmas holdings utilizadas por outros personagens controvertidos para esquentar dinheiro

    Provavelmente o livro não suscitará uma CPI, pela relevante razão de que o sistema de doleiros, paraísos fiscais, foi abundantemente utilizado por todos os partidos políticos, incluindo o PT. Aliás, uma das grandes estratégias de José Dirceu, assim que Lula é eleito, foi mapear e cooptar os personagens estrangeiros da privatização que, antes, orbitavam em torno de Serra.

    Essa a razão de ter terminado em pizza a CPI do Banestado, que expunha personagens de todos os partidos.

    Nesse imbróglio nacional, a posição mais sensível é a de Serra – e não propriamente para a opinião pública em geral, mas para seus próprios correligionários. Afinal, montou um esquema que em nada ficou a dever a notórios personagens da República, como Paulo Maluf. Jogou pesado para enriquecimento pessoal e da família.

    Com as revelações do livro, quebra-se a grande defesa de Serra, algo que talvez a sociologia tenha estudado e que poderia ser chamada de “a blindagem dos salões”. É quando personagens controvertidos se valem ou do mecenato, das artes, ou da proximidade com intelectuais para se blindarem. O caso recente mais notável foi o de Edemar Cid Ferreira e seu Banco Santos.

    Serra dispunha dessa blindagem, por sua condição de economista reputado nos anos 80, de sua aproximação com o Instituto de Economia da Unicamp. Graças a isso, todos os pequenos sinais de desvio de conduta eram minimizados, tratados como futrica de adversários.

    O livro provocou uma rachadura no cristal. De repente todas aquelas peças soltas da história de Serra foram sendo relidas, o quebra-cabeças remontado à luz das revelações do livro.

    Os sistemas de arapongagem, que permitiram a ele derrubar a candidatura de Roseana Sarney no episódio Lunus; o chamado “jornalismo de esgoto” que o apoiou, as campanhas difamatórias pela Internet, as suspeitas de dossiê contra Paulo Renato de Souza, Aécio Neves, o discurso duplo na privatização (em particular apresentando-se como crítico, internamente operando os esquemas mais polêmicos), tudo ganhou sentido à luz da lógica desvendada pelo livro.

    Fica claro, também, porque o PSDB – que ambicionava os 20 anos de poder – jogou as eleições no colo de Lula.

    Todas as oportunidades de legitimação da atuação partidária foram preteridas, em benefício dos interesses pessoais da chamada ala intelectual do partido.

    A perda do bonde do real

    No início do real, os economistas enriqueceram com operações cambiais, em cima de uma apreciação do real que matou a grande oportunidade de criação de um mercado de consumo interno. A privatização poderia ter sido conduzida dentro de um modelo de fundos sociais, que permitiria legitimá-la e criar um mercado de capitais popular no país. Mas os interesses pessoais se interpuseram no caminho do projeto político do partido.

    O cavalo encilhado

    O fim da inflação permitiu o desabrochar de um mercado de consumo de massa, dez anos antes que o salário mínimo, Bolsa Família e Pronaf abrissem espaço para a nova classe média. Estariam assegurados os 20 anos de poder preconizados por Sérgio Motta, não fosse o jogo cambial, uma manobra de apreciação do real que enriqueceu os economistas mas estagnou a economia por uma década. FHC jogou fora a chance do partido e do país. Conto em detalhes essa história no livro “Os Cabeças de Planilha”.

    A falta de Mário Covas

    Fica claro, também, a falta que Mário Covas fez ao PSDB. Com todas as críticas que possam ser feitas a ele, a Lula e a outros grandes políticos, havia neles o sentimento de povo. Na campanha de 2006, ouvi de Geraldo Alckmin a crítica – velada – à ala supostamente intelectual do PSDB. “Covas sempre me dizia para, nos finais de semana, andar pelas ruas, visitar bairros, cidades, para não perder o sentido do povo”.

    Os construtores e os arrivistas

    Não se vá julgar impolutos Covas, Lula, Tancredo, Ulisses, o grande Montoro, Grama e outros fundadores do Brasil moderno. Dentro do modelo político brasileiro, montaram acordos nem sempre transparentes, participaram dos pactos que permitiam o financiamento partidário, familiares se aproveitaram das relações políticas para pavimentar a vida profissional. Mesmo assim, imperfeitos que eram – como políticos e seres humanos – havia neles a centelha da transformação, a vontade de deixar um legado, o apelo da redemocratização.

    A ala intectual do PSDB

    Esses atributos passavam ao largo das ambições da ala intelectual do partido, os economistas financistas de um lado, o grupo de Serra do outro. O individualismo exacerbado, a ambição pessoal, a falta de compromisso com o próprio partido e, menos ainda, com o país, fizeram com que não abrissem espaço para a renovação. Com exceção de Serra, FHC não legou para o partido um ministro sequer com fôlego político. Como governador, Serra não permitiu o lançamento político de um secretário sequer.

    A renovação tímida

    A renovação do PSDB se deu pelas mãos de Alckmin – ele próprio não revelando um secretário sequer com fôlego para sucedê-lo – e, fora de São Paulo, de Aécio Neves. Ao desvendar as manobras de Serra, o livro fecha um ciclo de ódio, personalismo, de enriquecimento de pessoas em detrimento do país e do próprio partido. No começo, será um baque para o PSDB. Passado o impacto inicial, será a libertação para o penoso reinício político.

  • Só instituições fortes podem garantir um mínimo de corrupção. Mas não é possível acabar com toda corrupção. Não há país no mundo que conseguiu.
    O Brasil é um exemplo de país com instituições de controle fracos, como o poder judiciário, que em vez de investigar melhor e inibir a corrupção, fica perdido no corporativismo, como podemos ver nas últimas medidas do Supremo com o objetivo de engavetar qualquer investigação de seus membros pelo CNJ.
    De qualquer forma ter o CNJ já foi um avanço nos últimos anos, pois um órgão para vigiar a “caixa preta” que até então era o Judiciário, era algo impensável.
    Veremos se temos um país que está mesmo avançando se o povo e o governo (incluído aí o poder legislativo) conseguirem impedir o desmonte do CNJ.
    Caso contrário continuaremos um país com um alto número de atos de corrupção mesmo após 9 anos de um governo progressista.
    Que este governo diminua a corrupção e com isso permita o país a desenvolver-se livre das valas onde se perde grande montante arduamente produzido pelo seu povo, ou corre o risco de ser engolfado por ela.

  • Eduardo, a vida dos brasileiros melhorou com o PT e a base aliada. Pessoalmente, não acho o PT uma brastemp, mas concordo que ele representa o chamado “mal menor” para o Brasil.

    Em tempo, segue aqui uma reflexão sobre Serra e Aécio. Esses dois vão se destruir. Aécio já destruiu Serra, com o livro “Privataria Tucana”. Falta vermos o resto da fita.

    Fico pensando: como é que certos pólíticos perdem o contato com a realidade. Será que Serra pensou realmente que ninguém saberia sobre a privataria? Sobre as transações citadas no livro acima? E Aécio, será que seu telhado suportaria um contra-ataque de Serra? Por que acredito que a carreira de Serra acabou, mas o poder de destruição desse senhor ainda tem força (desde que o PIG ajude).

    A mesma pergunta faço em relação à Marina Silva. Será que realmente ela pensou que teria utilidade para a direita brasileira após as eleições? Será que achou que após ajudar a levar as eleições para o segundo turno, teria espaço? Quem sabe, nè? Se precisar levar alguém para o segundo turno nas eleições de 2014, ela não se disponibiliza…

    • Luiza, acho que a carreira do Serra não está destruída, não. Como eu disse, só quem sabe das coisas é um grupo de pessoas politizadas. A massa não sabe. Só que Serra precisa de um discurso, tanto quanto Aécio ou qualquer outro

        • concordo com a Luiza. A sorte do PT foi existirem o Aécio e o Serra. Esses vão se destruir até depois da desencarnação. Se o ACM e o filho (Eduardo) fossem vivos seriam eleitos pois esses são profissionais da maldade, eles jamais brigariam entre si e teriam toda a mídia a favor. O Brasil deu sorte. O PT não está sendo competente, o Lula é competente, se não fosse ele não teríamos a Dilma e agora o Haddad em São Paulo (grande sacada do Lula)

        • Pode ser que Serra não esteja destruido politicamente(tenho minhas duvidas de que não esteja).Porem,o sonho por ele acalentado de chegar à Presidencia da República está definitivamente enterrado.Tivemos casos similares em nossa historia politica recente.O mais emblematico é o de Maluf,o eterno candidato derrotado à Presidencia da República.Serra poderá até ser candidato à Presidencia em 2014,mas não pelo PSDB,que vai fechar em torno do nome de Aécio,possivelmente pelo PSD de Kassab ou mesmo qualquer outro partido de quase nula expressão nacional.Serra ficou muito menor do que se imaginava que ficasse ao final da eleição de 2010,mesmo tendo conquistado 44 mihões de votos.

          • Os 44 milhões de votos no Serra, em minha opinião, refletem mais a negação ao PT do que a favor do Serra.

    • Luiza, deu no PHA: Serra partiu pra cima de deputado aecista. Se não o tivessem segurado, ele iria sair no tapa.

      O livro do Amaury nasceu no ninho aecista que é o jornal O Estado de Minas. E Serra sabe muito bem disso.

      E Serra é vingativo. Aécio não perde por esperar.

  • A realidade muda politicamente e aqueles que insistem em manter suas velhas opiniões e distorções são confrontados com os blogs sujos e redes sociais. Já não são os senhores de antes.

    Quanto à mudança, não há dúvida Eduardo. Vou te dar um exemplo: os meses de dezembro a junho são os meses mais intensos no NE que se recebe não apenas turistas, mas pessoas que são nordestinos e que voltam para a casa de férias nestes períodos. Antes, o meio de transporte comum era o ônibus.

    Quem é o nordestino que não conhece a Novo Horizonte, São Geraldo e Itapemirim? Pois é, hoje os ônibus dispõem de inúmeros confortos para os passageiros a fim de manterem a clientela. Mas ninguém, por exemplo, que vai para a Paraíba o RN, voltando para a casa nas férias, vai deixar de ir de avião para ir de ônibus. Ora, vai apenas no último caso, porque sem dúvida de avião é muito melhor. Levar três ou quatro dias na estrada para chegar a casa, ninguém merece.

    Há um outro aspecto e aí implica cuidados: já não são apenas ônibus, mas a facilidade de créditos e a possibilidade de comprar automóvel, outra coisa que está a acontecer é que muitos preferem ir com o próprio carro e ficam mais à vontade para irem à praias, fazendas, shows, enfim, aqueles eventos e aquelas festividades todas que há no NE.

    É um fluxo de automóvel dentro da própria Bahia, por exemplo, com os baianos circulando para reveillions badalados, praias e mais aqueles que chegam dos outros estados. Mas isto não é apenas na Bahia, mas um acontecimento que está em todo o NE e que vai até junho. Então as pessoas que vão convesam, percebem, trocam informações, conversam via fone, msn, skype e estão vendo as mudanças acontecerem.

    Esta é a realidade da classe C, Eduardo. A realidade da mídia, está em mostrar o Brasil que se resume a acontecimentos do Rio e de SP. No caso do Rio, de preferência, aquilo que acontece na zona sul. Aí eles ficam dissonantes. Estas pessoas estão atrás daquilo que faz parte de sua cultura e que estão cheios deles por aqui.

    Querem praia, ver pessoas, boa conversa, boa comida típica, dançar, namorar, jogar conversa fora e espairecer. Ora, quando chegam lá e veem que o NE tem mudado a sua realidade e que a vida das pessoas aos poucos não são aquelas realidades de 10 anos, todos ficam felizes.

    Estas pessoas vão dormir tarde conversando, visitando pessoas, almoçando em casa de familiares e amigos. Sabendo novidades, ouvindo histórias com atenção, troca de felicidade de alegrias. Tomam sua cervejinha, voltam depois para a SP ou Rio individualista com saudades de quem ficou e na torcidade que as coisas continuem melhorando para que possam, definitivamente voltar.

    Meu irmão que trabalha numa empresa em SP conversando com um cearense percebeu o seguinte: O nordestinos estão percebendo o preconceito que se tem contra eles por aqui, eles estão mais informados pela internet e isto é bom. Depois do Lula e da internet, Eduardo, o Brasil caminha para algo mais justo e humano. E você e tantos outros têm ajudado a construir esta realidade há anos distorcida. O pontapé já foi dado, mas há uma longa caminhada.

    A cara do Brasil não é apenas uma como querem fazer crer, a cara do Brasil é diversificada e a ideia de povo aos poucos irá se estabelecendo. A cara do Brasil construído a partir de um pensamento dominante jamais refletirá o país. A cara do Brasil está onde está o povo, que é a sua maioria. E é ele que fará esta transformação em curso.

    Espero que o livro possa continuar vendendo, pois mostra até, que o Brasil está aprendendo a ler.

  • Eduardo,
    Bom texto. Concordo plenamente quando você diz que somos uma massa despolitizada. Percebo isso claramente quando compartilho posts como esse ou outros da blogosfera nas redes sociais como o facebook. São pouquíssimos os que comentam ou “curtem” os temas relacionados à política. Se eu postar alguma bobagem, futilidades relacionadas ao Neymar ou ao lançamento de um produto qualquer, é uma enxurrada de gente “curtindo” ou comentando. Só para complementar, no meio em que vivo, a enorme maioria das pessoas que conheço não fazem nem idéia de quem seja Amaury Ribeiro Jr ( se disser Amaury Jr, com certeza pensarão que se trata do apresentador das elites). Isso nada mais é do que a alienação provocada pela ideologia suja, venal, partidária e corporativa implementada pela velha e corrupta mídia nacional. Finalmente e infelizmente, tenho que concordar também com a teoria de que para a maioria do povo brasileiro não importa quem está no governo ou se quem está lá “rouba mas faz”, brasileiro ainda acredita na “lei do Gerson”, quer levar vantagem em tudo. Duvida? Tomara que não aconteça, mas se a crise Européia aportar por aqui e o brasileiro perder o poder de compra que tem hoje, a Dilma o o PT pode se preparar para deixar o poder em 2014, não vai precisar nem da ajuda da mídia…

    • E caso ocorresse um problema grave na economia,qual seria a alternativa,Roberto?O PSDB já não é alternativa nem mesmo para o inferno.O Governo Dilma está obrigado a dar certo,porque a alternativa não é sequer o caos,é a barbarie na sua mais brutal expressão.Não ha muitas alternativas mesmo,portanto, ou o Governo Dilma da certo e PT terá vida longa no poder ou faremos a revolução,porque nenhum brasileiro sensato e que tenha melhorado de vida nos ultimos nove anos irá querer voltar à situação de miserabilidade,de penuria em que vivia na era FHC.

  • Ah, palavras do porteiro do prédio que esteve na PB em junho com a esposa, ambos de avião.

    Eles lá estão ficando muito bem, as casas com tudo arrumado e para onde vão, estão com moto nova. Não está mais aquela coisa de antes, mas tem que colocar os filhos na escola, porque sem estudo é ruim. Este porteiro tem uma filha que fez odontologia numa universidade pública aqui e que já começou a exercer a atividade.

    Qual o plano deles: depois que as filhas estiverem estabelecidas voltarem.

    Palavras de uma acompanhante que mora aqui e que os filhos já voltaram: mandei fulano ir para lá, porque ele quer fazer engenharia, vou ficar por aqui até ele fazer a faculdade. Aí eu disse a ela, mas como ele escolheu engenharia, antes mesmo de terminar a faculdade arranjará um estágio, se passar no vestibular, pois o país está precisando de engenheiros.

    Pois é, eles já compraram um apartamento do MInha Casa Minha Vida e quando forem voltar, venderão o imóvel aqui e comprarão outro lá. Em outras palavras, alguns já estão fazendo o caminho de volta e outros estão se preparando para voltar.

  • Edu, excelente texto. Concordo plenamente com a parte que diz que a percepção do povo sobre a melhoria de sua vida é o que importa. Cada vez mais, o que políticos e analistas falam de políticos nao importa.

  • Há os que defendem que a polícia deva ser melhor remunerada, para se evitar que se sintam tentadas à corrupção, mas os políticos apesar de ter ramuneração bastante satisfatórias, mais outras vantagem, ainda assim se corrompem. A extinção da corrupção é impossivel, porque a pricipal causa está no dna de cada um e havendo a oportunidade, não deixam de levar vantagem sempre que puderem.

    • Você esqueceu do polo ativo da corrupção: os corruptores. O grande empresariado (corruptores), que em tese deveria assumir os riscos de suas atividades, fazem de tudo pra reduzir a ZERO a taxa de risco e ainda OTIMIZAR a taxa de lucros. Daí que tentam subornar agentes públicos (corruptos) pra que estes “colaborem” com as manobras do burguesão. Basta que alguns agentes públicos cedam a tentação. para que se diga que a corrupção está generalizada. Para reprimir essa prática, não basta aplicar varadas no porquinhos corrompidos, mas também enquadrar os corruptores.

  • Eduardo, o requerimento da CPI foi entregue, acho que o Nassif tem razão esta CPI não sai se depender do congresso. Temos que começar a pensar em algum movimento nas ruas, marcado com a maior antecedencia possível para que as pessoas possam se planejar.

  • Eduardo, o problema é que nós temos uma imprensa muito mais corrupta do que muitos políticos. A impermeabilidade que ela dá aos seus milhares de prefeitos, governadores, senadores, deputados e vereadores amigos é que provoca a rede da corrupção. A imprensa, com suas denúncias seletivas para proteger interesses próprios, é que promove o descrédito.

  • Pra mim o ponto essencial é que empurraram Collor & Fhc numa época em que a classe dos senhores começou a descumprir descaradamente as promessas. Como fizeram desde os 500 anos de ocupação e saque da terra. Muita coisa mudou.
    E continua mudando. Uma briga religiosa aqui… um livro ali… a rede virtual lançada para recolher / abastecer informações livres de safadas censuras / edições. Mas a casa grande ainda tem muita sala fechada a 7 chaves, cheirando a mofo, sacristias, tribunais & academias, onde a pretensiosa diferença dos outros é visualizada até pelo destaque das rituais fantasias. Papangus cansados de esticar o fim definitivo do demorado baile fiscal

  • Meus camaradas, pela cara da turma da foto tirada na hora da entrega da relação das assinaturas para a abertura da CPI, o negócio é feio mesmo. Essa CPI se sair vai abalar as estruturas da república.
    Se a CPI sair será bom para o Brasil e para a Câmara dos Deputados. Dará novos ares de compromisso dessa casa com o povo brasileiro. Caso contrário, será sepultada de uma vez por todas a moral dessa instituição e de seus componentes, já a muito desacreditada pelo corporativismo entranhado nela.
    Vai ter muita gente rezando para Santa Filomena.
    Aguardemos.
    Só uma dica para essa turma. Quem está querendo a instalação da CPI é o povo brasileiro, o deputado Protogénes só está fazendo, e muito bem por sinal, o papel a que foi dado a ele por seus eleitores.

  • Este é o momento da impressa assumir o papel que sempre teve de mediador da geléia geral em prol de um denominador comum cidadão…
    Vai ter que ir ao purgatório para se reinventar

  • Não sou Petista, mas, o PT, ainda é um grande partido. Política, não é um convento de Franciscanos. Nesses anos que o PT vem governando muita coisa realmente, mudou de maneira positiva para todos os brasileiros. Ganhou dinheiro banqueiro? Ganhou, ganhou muito mais na era FHC, Empresários estão ganhando dinheiro, trabalhadores tiveram sua renda aumentada, vivemos praticamente em pleno emprego. Uma coisa que o PT, criou e muita gente abastada gritou, foi a super receita, que é um mecanismo de controle fiscal. A controladoria Geral da República, foi dinamizada no governo do PT, a Advocacia Geral da União, hoje é uma instituição bastante respeitada. Isso sem falar em outras coisas mais, que melhoram muito a vida de brasileiros.

  • Será que os deputados, senadores, pessoas em cargos públicos que lhes conferem notoriedade, ministros do stf, desembargadores e afins, têm minimamente idéia do quão desprezados e desrespeitados são no sentimento popular?
    Será que alguém já disse a estas excelências que dificilmente algum deles seria recebido com boa vontade na maioria dos lares brasileiros? Será que esse jogo de cena, esse falar difícil, essas espertezas, essa pose de gente importante não passa de um código útil apenas lá para as relações entre eles?
    Ah, se essas excelências soubessem o que todos dizem sobre sua dignidade, sua “força” de caráter, suas atividades… Acho que um pouquinho envergonhados eles ficariam. Não é possível que não ligassem a menor importância a terem a imagem tão degradada…

    • O problema é que esse desprezo e desrespeito é criação da própria imprensa, sequiosa em implantar a ideia de que todo político é safado e apenas ela é a salvação, a luz no fim do túnel. Sua necessidade se baseia na ideia de que não podemos – segundo ela – confiar nos políticos.

      Foram décadas repetindo essa ideia, junto com sua suposta “santidade” e necessidade. Acabou tornando-se lugar comum.

  • Edu,se eu roubo e deixo roubar e destruo os orgãos de combate à corrupção;então não existe combate tá todo mundo satisfeito,não existe corrupção. – Se eu roubo e não deixo roubar e destruo os orgãos de combate à corrupção;ai já tem um complicador,quem eu não deixei roubar,vai à imprensa e bota a boca no trombone o povo fica sabendo,mesmo ficando em dúvida,pois a midia não tem credibilidade,tambem é comprada,os orgãos de combate não existem,portanto não dá em nada. – Se eu não roubo não deixo roubar e aparelho e dou condições aos orgãos de combare à corrupção funcionarem ai a porca torce o rabo. Num governo de coalizão,todo mundo acusa,aliados insatisfeitos,oposição,os orgãos de combate à corrupção funcionam,PF,CGU,TCU,MP. Ai forma um complô midia,oposição,aliados insatisfeitos e começam uma onda de denuncismo confundindo tudo fazendo crer que quem está combatendo a corrupção é que é o corrupto e que todo politico é corrupto,e ai de repente você vê um corrupto conhecido acusando uma pessoa até então de conduta ilibada,e esse mesmo corrupto aparecendo todos os dias na Globo como arautos da honestidade. Ai acontece e que aconteceu agora: até o Eduardo Guimarães cai na armadilha deles,ou seja,de que todo politico é desonesto(os que roubam e não faz e os que roubam e faz),independente de ser de esquerda ou de direita,então devemos votar nos de direita que são ricos,portanto roubam menos enquanto os de esquerda como são pobres,precisam de roubar mais ,como eles dizem:quem nunca comeu mel se lambuza.

  • Políticas de radiodifusão: omissão do Congresso, desprezo dos concessionários
    Publicado em 21-Dez-2011
    Venício A. de Lima
    Venício A. de Lima

    (artigo publicado na Carta Maior, em 20 de dezembro de 2011)

    Em debate sobre a regulação da mídia realizado na Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris), em Porto Alegre, em 3 de novembro último, a deputada Luiza Erundina (PSB-SP) advertiu:

    “Não esperem que os partidos políticos façam algo para enfrentar o atual esquema de poder da mídia. Há muita omissão no Congresso Nacional sobre esse tema. Sou uma voz isolada na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática. Tento apenas incomodar um pouco” (ver aqui).

    Se houvesse alguma dúvida sobre a veracidade dessas afirmações – e do quanto elas alcançam para além do Congresso Nacional – a audiência pública da CCTCI realizada na manhã de quinta feira (15/12), constitui uma prova irrefutável.

    Convocada por Requerimento da própria deputada Erundina para debater “a prática de subconcessão, arrendamento ou alienação a terceiros promovida por concessionários de serviços públicos de radiodifusão sonora e de sons e imagens sem a autorização competente”, a audiência pública foi simplesmente ignorada por deputados e concessionários de radiodifusão.

    Dos oitenta deputados titulares e suplentes da CCTCI (ver abaixo relação completa dos seus integrantes), apenas quatro, incluída a autora do requerimento, compareceram, ou seja, 5% do total – Luiza Erundina (PSB-SP); Bruno Araújo (PSDB-PE); Paulo Foletto (PSB-ES) e Sandro Alexis (PPS-PR); o representante do Ministério Público não compareceu; e dos sete representantes dos concessionários convidados – Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Associação Brasileira de Radiodifusores (Abra), Grupo Silvio Santos, Rede Record, Organizações Globo, Grupo Bandeirantes e MIX e Mega TVs – nem sequer um único compareceu.

    Poderia haver atestado maior da veracidade das afirmações da deputada Luiza Erundina do que este?

    Breve história da audiência
    Em sua intervenção, a deputada Erundina esclareceu que, na verdade, aquela era a terceira tentativa de se colocar a prática ilegal de arrendamento do serviço público de radiodifusão em discussão na CCTCI. A primeira tentativa ocorreu em 2009, quando a OAB Nacional encaminhou à CCTCI parecer sobre a matéria, elaborado pelo jurista Fábio Konder Comparato, solicitando ao seu presidente que o distribuísse aos membros (ver abaixo a íntegra do parecer). O então presidente da CCTCI, deputado Eduardo Gomes (PSDB-TO), não distribuiu o parecer nem colocou o assunto em discussão.

    Em 2011 a deputada Erundina apresentou requerimento solicitando a realização da audiência pública que chegou a ser marcada para novembro, mas acabou adiada sine die exatamente porque não se obteve confirmação de presença dos concessionários. Finalmente, ao apagar das luzes do ano legislativo, a audiência pública foi “realizada” no dia 15 de dezembro.

    O que está em jogo?
    Dados de arrendamento de concessões de três redes de televisão, somente no estado de São Paulo, revelam:

    (1) TV Gazeta: arrendamento de 37 horas e 5 minutos por semana, assim distribuídos:

    2a a 6ª feiras

    6h – 8h – Igreja Universal do Reino de Deus

    20h – 22h – Igreja Universal do Reino de Deus

    1h – 2h – Polishop

    Sábado

    6h – 8h – Igreja Universal do Reino de Deus

    20h – 22h – Igreja Universal do Reino de Deus

    23h – 2h – Polishop

    Domingo

    6h – 8h – Igreja Universal do Reino de Deus

    8h – 8h30 – Encontro com Cristo

    14h – 20h – Polishop

    0h – 2h – Polishop

    (2) Rede TV!: arrendamento de 30 horas e 25 minutos por semana (tempo estimado), assim distribuídos:

    Domingo

    6h – 8h – Programa Ultrafarma

    8h – 10h – Igreja Mundial do Poder de Deus

    10h – 11h – Ultrafarma Médicos de Corpos e Alma

    16h45 – 17h – Programa Parceria5

    3h – Igreja da Graça no Seu Lar

    2a e 3ª feiras

    12h – 14h – Igreja Mundial do Poder de Deus

    14h – 15h – Programa Parceria 5

    17h10 – 18h10 – Igreja da Graça – Nosso Programa

    1h55 – 3h – Programa Nestlé

    3h – Igreja da Graça no Seu Lar

    4a feira

    12h – 14h – Igreja Mundial do Poder de Deus

    14h – 15h – Programa Parceria 5

    17h10 – 18h10 – Igreja da Graça – Nosso Programa

    3h – Igreja da Graça no Seu Lar

    5a e 6ª feiras

    12h – 14h – Igreja Mundial do Poder de Deus

    17h10 – 18h10 – Igreja da Graça – Nosso Programa

    3h – Igreja da Graça no Seu Lar

    Sábado

    7h15 – 7h45 – Igreja Mundial do Poder de Deus

    7h45 – 8h – Tempo de Avivamento

    8h – 8h15 – Apeoesp – São Paulo

    8h15 – 8h45 – Igreja Presbiteriana Verdade e Vida

    8h45 – 10h30 – Vitória em Cristo

    10h30 – 11h – Igreja Pentecostal

    11h – 11h15 – Vitória em Cristo 2

    12h – 12h30 – Assembléia de Deus do Brasileiro

    12h30 – 13h30 – Programa Ultrafama

    2h – 2h30 – Programa Igreja Bola de Neve

    3h – Igreja da Graça no Seu Lar

    (3) Rede Bandeirantes: arrendamento de 24 horas e 35 minutos por semana (tempo estimado), assim distribuídos:

    2a a 6a feira

    5h45 – 6h45 (Religioso I)

    20h55 – 21h20 (Show da Fé)

    2h35 (Religioso II)

    Sábado e domingo

    5h45 – 7h (Religioso III)

    4h (Religioso IV)

    No parecer que elaborou para a OAB em 2009, o professor Comparato concluiu pela completa ilegalidade da pratica afirmando que “o direito de prestar serviço público em virtude de concessão administrativa não é um bem patrimonial suscetível de negociação pelo concessionário no mercado.

    Não se trata de um bem in commercio. O concessionário de serviço público não pode, de forma alguma, arrendar ou alienar a terceiro sua posição de delegatário do Poder Público. O que o direito brasileiro admite (Lei nº 8.987, de 13/02/1995, art. 26) é a subconcessão de serviço público, mas desde que prevista no contrato de concessão e expressamente autorizada pelo poder concedente; sendo certo que a transferência da concessão sem prévia anuência do poder concedente implicará a caducidade da concessão (mesma lei, art. 27)”.

    O que fazer?
    A omissão de parlamentares em relação às políticas públicas de comunicações não constitui novidade. Está no Supremo Tribunal Federal, desde novembro de 2010, uma Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão (ADO) que pede à Corte que declare “a omissão inconstitucional do Congresso Nacional em legislar sobre as matérias constantes dos artigos 5°, inciso V; 220, § 3º, II; 220, § 5°; 211; 222, § 3º, todos da Constituição Federal, dando ciência dessa decisão àquele órgão do Poder Legislativo, a fim de que seja providenciada, em regime de urgência, na forma do disposto nos arts. 152 e seguintes da Câmara dos Deputados e nos arts. 336 e seguintes do Senado Federal, a devida legislação sobre o assunto” (ver aqui).

    A recusa sistemática dos empresários de mídia em discutir democraticamente questões ligadas ao setor também não constitui qualquer surpresa. Desprezam e se ausentam da CCTCI exatamente como boicotaram a 1ª Conferência Nacional de Comunicação realizada em dezembro de 2009.

    Diante disso, ao final da audiência pública do dia 15/12, a deputada Luiza Erundina anunciou que (1) encaminharia à Mesa Diretora da Câmara dos Deputados proposta de fiscalização e controle para que o Tribunal de Contas da União (TCU) realize auditoria nos contratos de permissões e concessões das empresas de radiodifusão; e (2) ao Ministério Público, representação para que proceda a uma investigação da prática ilegal de subconcessão, arrendamento ou alienação a terceiros, promovida por concessionários de radiodifusão.

    Perspectivas
    Infelizmente a advertência da deputada Luiza Erundina no debate da Ajuris está correta. Não se consegue debater ilegalidades como esta na CCTCI da Câmara dos Deputados, sua comissão específica.

    Além disso, mais um ano termina sem que se conheça o prometido projeto do governo Dilma Rousseff de marco regulatório para as comunicações. Ele necessariamente terá que contemplar questões como a tratada aqui. E, por óbvio, terá que tramitar na CCTCI do Congresso Nacional.

    O(a) eventual leitor(a) concordará que as perspectivas confirmam um longo e difícil caminho a ser percorrido no rumo da regulação da mídia para a democratização das comunicações.

    A ver.

    ***

    Membros da CCTCI (ver aqui, acesso em 15/12/2011)

    Presidente: Bruno Araújo (PSDB/PE)
    1º Vice-Presidente: Antonio Imbassahy (PSDB/BA)
    2º Vice-Presidente: Silas Câmara (PSD/AM)
    3º Vice-Presidente: Ruy Carneiro (PSDB/PB)

    Parecer do jurista Fábio Konder Comparato (outubro de 2009)

    Examino aqui a validade, perante a Constituição e as leis pertinentes, do ato, formal ou informal, de cessão ou arrendamento a terceiros de serviços de radiodifusão sonora e de sons e imagens, efetuado por um concessionário.

    1.- A premissa fundamental do raciocínio a seguir desenvolvido é o reconhecimento de que as atividades de radiodifusão sonora e de sons e imagens constituem, pela sua própria natureza, um serviço público, o qual só pode ser prestado por particulares mediante autorização, concessão ou permissão da União Federal (Constituição Federal, art. 21, inciso XII, alínea a).

    Releva notar que o adjetivo publicus, -a, -um, na linguagem dos iurisprudentes, designava o que pertencia em comum a todo o povo romano, em oposição aos bens de propriedade privada. Eis porque, com a habitual concisão latina, Cícero pôs na boca de Cipião, o Africano, a definição precisa de república: res publica, res populi. Por sua vez, o verbo publico, -are tinha o sentido de adjudicar ao povo um bem próprio de outrem.

    Serviço público é, por conseguinte, aquele prestado em benefício do povo. Em assim sendo, como salienta a doutrina mundial sem discrepância, toda essa matéria obedece, entre outros, a dois princípios fundamentais do direito público. O primeiro deles é o de que o Estado tem o dever indeclinável de prestá-lo. O segundo é que, na prestação de um serviço público, o bem comum do povo está sempre acima das conveniências ou interesses particulares; não só dos administrados, mas também dos próprios órgãos do Estado (redução de despesas financeiras, por exemplo).

    2.- Da estrita obediência ao princípio republicano da supremacia do bem comum do povo sobre os interesses privados, decorre a conclusão de que, a rigor, só deve haver concessão quando o Estado não está, absolutamente, em condições de prestar diretamente o serviço ao povo. Sem adotar o radicalismo da Escola de Direito Administrativo de Léon Duguit, para a qual o Estado nada mais seria do que um conjunto de serviços públicos, é evidente que o serviço do povo representa uma função essencial do Estado.

    Por isso mesmo, pretender, sob a evidente influência da ideologia liberal-capitalista, que a concessão de serviço público ou, o que é muito pior, a sua privatização é a regra e o exercício direto do serviço público pelo Estado, a exceção representa um colossal disparate.

    Acontece que essa visão privatista da vida pública está há muito arraigada entre nós. Já na primeira metade do século XVII, Frei Vicente do Salvador a denunciava, afirmando com todas as letras: “Nem um homem nesta terra é repúblico, nem zela e trata do bem comum, senão cada qual do bem particular”.

    Eis por que, tradicionalmente, a nossa ordenação jurídica tem sempre duas faces. Há o direito oficial, de bom quilate, equiparado aos melhores do mundo. Mas há também, por trás dele, um direito oculto, que acaba por prevalecer sobre o direito oficial, quando este se choca com os interesses dos poderosos.

    No campo das concessões de rádio e televisão, os exemplos dessa duplicidade jurídica abundam, valendo aqui citar apenas dois deles.

    O Código Brasileiro de Telecomunicações de 1962, ainda em vigor, determina que “as emissoras de radiodifusão, inclusive televisão, deverão cumprir sua finalidade informativa, destinando um mínimo de 5% (cinco por cento) de seu tempo para transmissão de serviço noticioso” (art. 38, alínea h). Dispõe também que “o tempo destinado na programação das estações de radiodifusão à publicidade comercial não poderá exceder de 25% (vinte e cinco por cento) do total” (art. 124).

    Malgrado a clareza dessas normas legais – ainda em vigor, repita-se –, ninguém ignora que bom número de empresas concessionárias do serviço público de rádio e televisão as descumprem, sem que tal fato seja minimamente levado em consideração pelo Poder Executivo ou pelo Congresso Nacional, quando da renovação da concessão.

    3.- Registre-se que a concessão a um particular da prestação de serviço público é mera delegação feita pelo Poder Público. Assim a define a Lei nº 8.987, de 13 de fevereiro de 1995 (art. 2º, II), que dispõe sobre o regime de concessão e permissão da prestação de serviços públicos, previsto no art. 175 da Constituição Federal.

    Ou seja, não há nem pode haver alienação de funções públicas a particulares. Os concessionários de serviço público agem de maneira análoga aos substitutos processuais no processo civil: atuam em nome próprio, mas em razão de competência alheia.

    4.- É exatamente por essa razão que a Constituição Federal, no já citado art. 175, determina que a prestação de serviços públicos sob regime de concessão ou permissão realizar-se-á “sempre através de licitação”.

    No entanto, como já foi anotado, em matéria de concessão de serviço público de radiodifusão sonora ou de sons e imagens, a concessão pública costuma ser “deferida por simples favoritismo, em proveito de apaniguados ou como instrumento de vergonhosa barganha política”.

    Frise-se que a relação de concessão de serviço público é personalíssima. O Estado confia a prestação do serviço a certa e determinada pessoa ou entidade, considerada a mais apta, em confronto com todas as concorrentes, a prestar um serviço adequado ao pleno atendimento dos usuários (Lei nº 8.987, de 13/02/1995, art. 6º).

    5.- Pelo que se acaba de expor, percebe-se, em rigorosa lógica, que o direito de prestar serviço público em virtude de concessão administrativa não é um bem patrimonial suscetível de negociação pelo concessionário no mercado. Não se trata de um bem in commercio. O concessionário de serviço público não pode, de forma alguma, arrendar ou alienar a terceiro sua posição de delegatário do Poder Público.

    O que o direito brasileiro admite (Lei nº 8.987, de 13/02/1995, art. 26) é a subconcessão de serviço público, mas desde que prevista no contrato de concessão e expressamente autorizada pelo poder concedente; sendo certo que a transferência da concessão sem prévia anuência do poder concedente implicará a caducidade da concessão (mesma lei, art. 27).

    Ora, mesmo em tais condições, uma grande autoridade na matéria enxerga nesse permissivo legal da subconcessão de serviço público uma flagrante inconstitucionalidade, pelo fato de burlar a exigência de licitação administrativa e desrespeitar com isso o princípio da isonomia.

    6.- O mesmo regime jurídico, assim estabelecido de modo geral para as transferências de concessão de serviço público, aplica-se às concessões de radiodifusão sonora e de sons e imagens.

    O Código Brasileiro de Telecomunicações (Lei nº 4.117, de 27 de agosto de 1962) comina a pena de perempção da concessão ou autorização do serviço público, se a concessionária ou permissionária decair do direito à renovação, em razão do descumprimento do contrato de concessão ou permissão, ou das exigências legais e regulamentares (art. 67).

    Em conclusão, tenho por nulos e de nenhum efeito os atos de arrendamento de concessão de serviços públicos de radiodifusão sonora e de sons e imagens, bem como toda e qualquer transferência, expressa ou oculta, formal ou informal, do status de concessionário desses serviços públicos, realizada sem previsão no contrato de concessão e sem a prévia anuência do poder concedente, devendo-se, em qualquer hipótese, proceder a nova licitação.

    Ao tomar conhecimento de tais ilicitudes, por ocasião do exercício de sua competência de supervisão das decisões do Poder Executivo nessa matéria, segundo o disposto no art. 223 da Constituição Federal, o Congresso Nacional tem o dever de se pronunciar pela não-renovação do contrato de concessão.

    Importa saber que essa competência supervisora do Congresso Nacional sobre os atos de outorga e renovação de concessões, permissões e autorizações para o serviço de radiodifusão sonora e de sons e imagens não é mera apreciação de conveniência, mas um juízo de conformidade com a Constituição e as leis em vigor.

    Venício A. de Lima é professor titular de Ciência Política e Comunicação da UnB (aposentado) e autor, dentre outros, de Regulação das Comunicações – História, poder e direitos, Editora Paulus, 2011.

  • Voto no PT desde o Rio de Janeiro na época em que um pastor chamado Lisâneas Maciel era um político influente e dos bons, mas não lembro se ele foi ligado ao PT em algum momento, do MDB tenho certeza que era. Em Lula votei cada vez que foi candidato a presidente. Não sou petista filiada mas sou de coração, talvez não tenha me filiado porque sou pão-dura ou remediada em termos de grana. Porque uma coisa é verdadeira, os petistas contribuem com seu partido, apostam nele. O caixa 2 tornou isso muito fácil, o perigo está aí. Pode ser, é possível que exista os ambiciosos por poder e dinheiro tão somente, não estamos lidando com postes, afinal os bastidores da política não são cheirosos. Apesar disso, estou com a Fátima de Oliveira quando diz que o governo petista atual não mostrou nesse ano nenhum fato marcante mas tem um “feijão com arroz de bom tempero”, ou seja, também não rompeu com o governo passado e segue buscando realizar um projeto audacioso que foi iniciado por Lula e levado a cabo em oito anos de guerra diária com uma oposição medíocre. Tenho orgulho das coisas boas do PT e tenho imensas saudades do Lula, aliás, Feliz Natal, caro Lula e um 2012 cheio de saúde e energia. Continuo apostando no PT.

    • Maria Rita,a Dilma(2011-2018) vai ser melhor que o Lula(2003-2010) e Lula(2019-2022)vai ser melhor que o Lula(2003-2010) e que a Dilma(2011-2018) e o Zé Dirceu(2023-2026) vai ser melhor que o Lula e a Dilma. E ai o Brasil será o melhor IDH do mundo,livre da miséria,da fome,do latifundio,do analfabetismo,da falta de moradia,da falta de oportunidades iguais,dos privilégios etc etc que essa direitalha nós legou.

  • Eduardo, O meu livro A Privataria tucana chegou hoje..Irei ,agora, saboreá-lo . Ele poderá servir de pauta para muitos posts seus e dos blogs “sujos”Um feliz natal para você e sua familia, de seu leitor assíduo.

  • Ladrão, corrupto ou safado, tem em qualquer lugar, e ainda vamos levar muito tempo para diminuir significativamente esta corja. Vamos precisar primeiro de uma transformação cultural e ideológica.

    Mas quadrilhas, ainda mais, a que saqueiam neste nível, é uma história diferente.

    Os primeiros incomodam muita gente, os segundos produzem pobreza, miséria, desigualdade, fome, desalento, desarmonia. Entravam, empacam a sociedade. Nos transforma em escravos, trabalhando para sobreviver.

    É duro ler e ouvir nivelações entre estas classes, ainda que ambas sejam indesejáveis.

  • Ler e ouvir o Merval, especialmente quando comenta o livro do Amaury, me lembra o caso do médico Abdelmassih.

    Explico, toda profissão têm seu conselho que cuida da defesa da classe, mas também sobretudo da coibição do mau uso da profissão, evitando com isto enlamear os demais afiliados.

    Aconteceu no caso do médico Abdelmassih, não só condenado na justiça, mas expurgado do Conselho de Medicina, no que este fez muito bem.

    O Merval é o nosso Abdelmassih. Enquanto a Globo anestesia, o Merval estupra. A justiça (ainda) nada fez e nada pode fazer. E o FENAJ e ABJ ? vão deixar seus afiliados se nivelarem com o Merval. Não tem nenhum jornalista ruborizado nesta história, pedindo o boné?

  • “Quem votou no PT em 2002, 2006 ou 2010 sabe muito bem que há corrupção em qualquer governo.”

    Penso que o texto poderia ser finalizado exatamente nesse ponto que seria final e nunca seguimento.
    Poderia imaginar ainda, ser satisfatório, o texto fazer referência ao intensivo combate que se impõe à corrupção, a partir do primeiro governo petista.
    O brilhante blogueiro, no meu modesto entendimento, finalizou equivocadamente o raciocínio.
    Saudações e votos de Feliz Natal.

    • Emanoel existe corrupção em qualquer governo,só que tem uma diferença nos governos de direita a corrupção é regra,portanto não se combate;nos de esquerda é exceção,e se combate. Isso é o que a direita quer: é fazer acreditar que topdo politico é desonesto,e o pior é que tem muita gente bem intencionada que vai nessa e sai repetindo por ai.

  • Texto perfeito, Edu, excelente mesmo! É por não aceitar o que vc explica com propriedade que o PiG não entende como tem perdido sucessivas eleições federais ( estaduais reamente têm fatores à parte). O PiG não aceita o fato de não serem mais os senhores feudais, de o governo ser um governo que os obedece ( e vice-versa) e o povo ser seus escravos, daí, os “mervais” da vida falam e alardeiam as bobagens de sempre. Graças ao (ex)presidente Lula, o povo está descolado dos piguentos “formadores de opinião”.

  • Caro Eduardo Guimarães , a respeito da INSTALAÇÃO DA CPI DA PRIVATARIA TUCANA,DIGO :

    TEREMOS QUE SER VIGILANTES E PRESSIONAR TODOS OS DEPUTADOS , PARA QUE ESSA CPI SAIA DO PAPEL E TORNE SE UMA REALIDADE , NEM QUE SEJA EM FEVEREIRO DE 2012. ATÉ LA VAMOS PRESSIONAR TODOS OS DIAS NOSSOS DEPUTADOS E PARTIDOS PROGRESSISTAS , SEM O QUE PROPONHO NO CASO DE NÃO SAIR ESTA CPI , A POPULAÇÃO BRASILEIRA ABANDONAR TODO E QUALQUER TIPO DE VOTO EM QUALQUER ELEIÇÃO QUE HOUVER NESTE PAIS, A PARTIR DE 2012..
    É A HORA QUE O BRASIL PRECISA PARA PASSAR A LIMPO A SUA HISTÓRIA E A SUA DEMOCRACIA .
    EM PARALELO A ESTA CPI PODEMOS SUGERIR AOS NOSSOS DEPUTADOS A CRIAÇÃO DA LEI DOS MEDIOS E AS REFORMAS DO JUDICIARIO .
    O POVO BRASILEIRO MERECE ESTE RESPEITO.

  • Alo Edu: Desculpe o fora de pauta, como o tema Banestado voltou a baila, veja isto:

    Marisa Stedile
    Veja em http://www.marisastedile.blogspot.com cópia decisão que obriga Gazeta do Paraná, Reinhold Stephanes e advogado do Banestado ressarcirem de R$ 2.200.000,00 ( mais juros) aos cofres públicos.
    Documento assinado digitalmente, conforme MP n.° 2.200-2/2001, Lei n.° 11.419/2006 e Resolução n.° 09/2008, do TJPR/OE

    O documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.tjpr.jus.br/
    Marisa Stedile
    Vou colocar no meu blog a decisão dos desembargadores da 4ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná sobre Ação Popular impetrada por Zinara Marcet e Isabel C. Ribas de Lima contra ato lesivo ao patrimônio público ( no caso o BANESTADO), em negociata que envolveu o repasse de R$ 3.106.000,00( três milhões e cento e seis mil reais), em 1999, em acordo para a extinção de ação ordinária de cobrança que o Jornal Gazeta do Paraná movia contra o BANESTADO. Tratava-se de um contrato de publicidade de seis meses no valor de R$ 906.000,00, sem licitação, que não poderia ser renovado. O jornal alegava que houve renovação “tácita” do contrato. E passou a exigir na justiça o pagamento. O acordo foi lesivo aos cofres públicos. A ação ( e por consequência a decisão) era contra o Jornal Gazeta do Paraná (Editora Arlequim), seus donos (Marcos e Juraci Formighieri), Reinhold Stephanes (então presidente do banco), Arnoldo Afonso de Oliveira Pinto (então chefe do jurídico do BANESTADO), a acusação era de ato lesivo ao patrimônio público pretendendo a sua nulidade. Por considerar o ato lesivo ao erário público a decisão obriga os acusados a ressarcirem os cofres públicos em R$ 2.200.000,00 acrescidos de juros de mora de 0,5% ao mês até dez/ 2002 e de 1% ao mês a partir de janeiro de 2003. Vale a pena dar uma olhada. Se houvesse justiça neste país a quadrilha que saqueou o BANESTADO estaria presa. É por essas e outras (que desconhecemos) que o Lerner e seus comparsas apressaram o processo de privatização. Queriam por uma pá de cal em cima de suas fraudes.

  • Eu discordo da sua ideologia em muitos portos, Eduardo. Mas você tem uma qualidade admirável, que poucos têm: evolui. Eu também passei por esse processo, fui eleitor do PSDB e hoje tenho cada vez mais nojo dele, apesar de também não ter virado petista. Você dá um banho em idiotas como Reinaldo Azevedo e cia.

  • Eduardo, por favor, permita-me reproduzir um pequeno trecho das páginas 37 e 38 do livro A Privataria Tucana:

    “Nos anos 80,Tatcher levou o martelo às estatais inglesas, pulverizando suas ações e multiplicando o número de acionistas.contrapondo-se a essa democratização, o jeito tucano de torrar estatais envolveu doação de empresas estatais a preços baixos a poucos grupos empresariais.Antes, porém , as estatais e seus servidores passaram a ser perseguidos e linchados diariamente nas manchetes….”

    Ou seja, na ansia de se desfazer do patrimonio público, a corja nem se deu ao trabalho de tentar distribuir as ações pelo maior número de Brasileiros.Talvez, isso dificultasse seus propósitos, agora divulgados pelo amaury….O que sinto de revolta pelo que leio é impublicável….

    Por todos aqueles que perderam seus empregos,familia,e a própria vida(suicidio) ,a verdade ,enfim, prevaleceu e que essa gente pague pelo mal que fizeram aos seus semelhantes…

  • Hoje de manhã, na nova rádio que troca notícias, A Jovem Pan, deram 10 minutos de entrevista para o mineirinho “Pó Pô o Pó, Sô!” se esbaldar nas ondas do rádio. Resumindo o que o grande “lorpa das Geraes” disse, insistiu na tecla da herança maldita da Dilma.

    Alguém, que não se preocupe tanto em estar no Leblon e sim em Brasília para fazer política,(no Leblon, todos aqui sabem o que é melhor fazer – tem lugar lá que uma brejinha é cotada a R10,00 com o tradicional “Me paga uma cervejinha, bem”) precisa dizer ao “turbinadão mineiro” que, o povo vota por aqueles que socialmente se identificam com eles, não com a caterva seleta dentro PIG, ele incluso.

    Alguém precisa dizer para a lorpa mineira que, se desejar ter uma chance de ser eleito, algo que em tese seria muito bom para a Democracia, ele precisa, antes de mais nada, soltar uma nota de R$100,00 para os dirigentes do PSDB e encaixar um belo 44 nos fundilhos do alegre que encontrar a nota. Sem isto, esqueçe! – o estrago já foi feito e não será os porcos do PIG que irão salvar a sua imagem; o Chirico que é o Chirico e a sua turma, já não tá contando com a imprensalona paulista, nem tampouco com um gato morto para pegar pelo rabo.

    Vá cheirar, Aécim.

    A propósito, já renovou a CNH?

  • Como pode,o assunto da venda de emendas em São Paulo é tão grave e foi completamente esquecido pela nossa imprensa “investigativa”.Já pensou se fosse um governo do PT? Estaria “sangrando”.

  • Tal governo aplica medidas austeras neoliberais e consegue pífios avanços sociais, se comparados às exigências constitucionais e às condições econômico-financeiras. Não apenas a Comunicação Social é exemplo da baixa constitucionalidade brasileira. O endividamento público é ainda mais dramático e benéfico aos rentistas. São centenas de bilhões de reais sangrados anualmente do orçamento público ao ilegítimo, ilegal e inconstitucional sistema da dívida em detrimento da adequada implementação das políticas públicas de efetividade dos direitos fundamentais consagrados na Constituição de 1988. Daí ser importante acompanhar o trabalho desenvolvido pelo movimento Auditoria Cidadã da Dívida:

    “Os jornais de hoje destacam a aprovação de projetos relacionados ao orçamento federal de 2012 a 2015: o Plano Plurianual (PPA) e a prorrogação da Desvinculação das Receitas da União (DRU). Conforme mostra o Portal G1, o Senado aprovou em segundo turno a DRU, que permite ao governo destinar para onde quiser – principalmente ao pagamento da dívida – 20% das receitas que deveriam ir para áreas sociais importantes. A Agência Senado mostra a aprovação do PPA, que prevê os principais gastos nos próximos 4 anos, porém, nem sequer toca na principal despesa do orçamento: a dívida pública.

    Apesar do governo alegar que o PPA teria sido formulado a partir de um “diálogo” com a Sociedade Civil, a proposta de auditoria da dívida – proposta por entidades durante a discussão do tema – não foi incluída. E apesar da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado ter apresentado, por sugestão da senadora Marinor Brito (PSOL/PA), emendas reivindicando a auditoria, tais emendas foram rejeitadas pelo relator, Senador Walter Pinheiro (PT/BA). Portanto, tal “diálogo” tem sido falacioso, e tem sido utilizado pelo governo para legitimar as políticas neoliberais.

    Também foram rejeitadas pelo Relator emendas que previam a aplicação de 10% do PIB na Educação, e a correta divulgação dos pagamentos de juros da dívida, dos quais boa parte é hoje contabilizada pelo governo como se fosse amortização ou “rolagem”, conforme reconheceu o Relatório Final da CPI da Dívida, aprovado em maio de 2010 pela própria base do governo e pelo PSDB.

    Esta última emenda também foi apresentada pelo Deputado Ivan Valente (PSOL/SP) ao Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA 2012), mas também foi rejeitada pelo relator, Arlindo Chinaglia (PT/SP). O PLOA 2012 deve ser votado pelo Congresso nesta semana, conforme mostra a Agência Câmara. O projeto destina 47% dos recursos no ano que vem para o pagamento de juros e amortizações da dívida pública.

    Neste ano de 2011, tal percentual é bastante parecido. O Jornal Monitor Mercantil repercute edição anterior deste boletim, mostrando que em 2011 (até 14/12) já foram gastos com a dívida R$ 655,7 bilhões, valor equivalente a mais que o triplo do gasto com os servidores públicos federais no mesmo período.

    Portanto, estes fatos evidenciam que o governo não quer alterar a política de endividamento, e nem ao menos garantir transparência neste tema, o que representa mais uma evidência da necessidade de auditar esta dívida.”

    Fonte: http://www.divida-auditoriacidada.org.br/config/artigo.2011-12-21.1595011869/document_view

    • É evidente que o governo não quer mexer na dívida. Simplesmente pq ele NÃO PODE.

      Se mexer, o país simplesmente pára. Congela. O Governo fica sem dinheiro pra pagar salários do dia pra noite.

      É a armadilha neoliberal, a verdadeira herança maldita de FHC. Ou pagamos esses empréstimos, ou emitimos dinheiro, pq ele não vai sair de outro lugar.

      Eu adoraria uma auditoria, mas prefiro que o país continue funcionando. E vc?

      • Equador, sob a batuta de Rafael Correa, fez auditoria do endividamento espúrio. Ofereceu o pagamento de 30% da dívida. 95% dos rentistas aceitaram a proposta e os outros 5% não reclamaram até hoje.

        Ao que tudo indica, os equatorianos não pararam. Pelo contrário, a implementação das políticas públicas de efetividade dos direitos fundamentais está a todo vapor naquele país.

        Para além de econômica, a questão da auditoria do endividamento é política e jurídica. E no Brasil, prevalecem a “cordialidade” e a omissão inconstitucional.

  • Edu, veja a lista dos 185 deputados que assinaram a CPI da PRIVATARIA TUCANA:
    1 ABELARDO CAMARINHA PSB SP 2 ADEMIR CAMILO PSD MG 3 ADRIAN PMDB RJ 4 ALBERTO FILHO PMDB MA 5 ALESSANDRO MOLON PT RJ 6 ALEXANDRE LEITE DEM SP 7 ALICE PORTUGAL PCdoB BA 8 ALINE CORRÊA PP SP 9 ALMEIDA LIMA PPS SE 10 AMAURI TEIXEIRA PT BA 11 ANDRÉ FIGUEIREDO PDT CE 12 ANDRE MOURA PSC SE 13 ANDRE VARGAS PT PR 14 ÂNGELO AGNOLIN PDT TO 15 ANGELO VANHONI PT PR 16 ANÍBAL GOMES PMDB CE 17 ANTHONY GAROTINHO PR RJ 18 ANTONIO BALHMANN PSB CE 19 ARIOSTO HOLANDA PSB CE 20 ARNON BEZERRA PTB CE 21 ARTUR BRUNO PT CE 22 ASSIS CARVALHO PT PI 23 ASSIS DO COUTO PT 23 PR 24 ASSIS MELO PCdoB RS 25 BETO FARO PT PA 26 BIFFI PT MS 27 BOHN GASS PT RS 28 BRIZOLA NETO PDT RJ 29 CABO JULIANO RABELO PSB MT 30 CARLOS ZARATTINI PT SP 31 CHICO ALENCAR PSOL RJ 32 CHICO D’ANGELO PT RJ 33 CHICO LOPES PCdoB CE 34 CIDA BORGHETTI PP PR 35 CLÁUDIO PUTY PT PA 36 CLEBER VERDE PRB MA 37 DANIEL ALMEIDA PCdoB BA 38 DANILO FORTE PMDB CE 39 DELEGADO PROTÓGENES PCdoB SP 40 DEVANIR RIBEIRO PT SP 41 DOMINGOS DUTRA PT MA 42 DR. GRILO PSL MG 43 DR. JORGE SILVA PDT ES 44 DR. PAULO CÉSAR PSD RJ 45 DR. ROSINHA PT PR 46 DR. UBIALI PSB SP 47 EDINHO ARAÚJO PMDB SP 48 EDSON EZEQUIEL PMDB RJ 49 EDSON SILVA PSB CE 50 EFRAIM FILHO DEM PB 51 ELCIONE BARBALHO PMDB PA 52 ELIANE ROLIM PT RJ 53 EMILIANO JOSÉ PT BA 54 ENIO BACCI PDT RS 55 ERIKA KOKAY PT DF 56 EUDES XAVIER PT CE 57 EVANDRO MILHOMEN PCdoB AP 58 FÁTIMA BEZERRA PT RN 59 FERNANDO FERRO PT PE 60 FERNANDO FRANCISCHINI PSDB PR 61 FERNANDO MARRONI PT RS 62 FRANCISCO ARAÚJO PSD RR 63 FRANCISCO ESCÓRCIO PMDB MA 64 FRANCISCO PRACIANO PT AM 65 GABRIEL GUIMARÃES PT MG 66 GERALDO SIMÕES PT BA 67 GIACOBO PR PR 68 GIVALDO CARIMBÃO PSB AL 69 GLAUBER BRAGA PSB RJ 70 GONZAGA PATRIOTA PSB PE 71 HENRIQUE FONTANA PT RS 72 HENRIQUE OLIVEIRA PR AM 73 IRACEMA PORTELLA PP PI 74 IVAN VALENTE PSOL SP 75 IZALCI PR DF 76 JAIR BOLSONARO PP RJ 77 JANDIRA FEGHALI PCdoB RJ 78 JANETE CAPIBERIBE PSB AP 79 JANETE ROCHA PIETÁ PT SP 80 JÂNIO NATAL PRP BA 81 JEAN WYLLYS PSOL RJ 82 JÔ MORAES PCdoB MG 83 JOÃO ANANIAS PCdoB CE 84 JOÃO PAULO CUNHA PT SP 85 JOÃO PAULO LIMA PT PE 86 JORGINHO MELLO PSDB SC 87 JOSÉ DE FILIPPI PT SP 88 JOSÉ GUIMARÃES PT CE 89 JOSÉ MENTOR PT SP 90 JOSE STÉDILE PSB RS 91 JOSEPH BANDEIRA PT BA 92 JOSIAS GOMES PT BA 93 KEIKO OTA PSB SP 94 LAERCIO OLIVEIRA PR SE 95 LAUREZ MOREIRA PSB TO 96 LEONARDO MONTEIRO PT MG 97 LINCOLN PORTELA PR MG 98 LOURIVAL MENDES PTdoB MA 99 LUCI CHOINACKI PT SC 100 LUCIANA SANTOS PCdoB PE 101 LUCIANO CASTRO PR RR 102 LUIZ ALBERTO PT BA 103 LUIZ CARLOS PSDB AP 104 LUIZ COUTO PT PB 105 LUIZ NOÉ PSB RS 106 LUIZA ERUNDINA PSB SP 107 MANATO PDT ES 108 MANUELA D’ÁVILA PCdoB RS 109 MARCELO MATOS PDT RJ 110 MÁRCIO MACÊDO PT SE 111 MARCON PT RS 112 MARCOS MEDRADO PDT BA 113 MARCOS ROGÉRIO PDT RO 114 MARINA SANTANNA PT GO 115 MARLLOS SAMPAIO PMDB PI 116 MAURÍCIO QUINTELLA LESSA PR AL 117 MAURO BENEVIDES PMDB CE 118 MAURO LOPES PMDB MG 119 MENDONÇA PRADO DEM SE 120 MIRIQUINHO BATISTA PT PA 121 MIRO TEIXEIRA PDT RJ 122 NAZARENO FONTELES PT PI 123 NELSON BORNIER PMDB RJ 124 NELSON MARCHEZAN JUNIOR PSDB RS 125 NELSON MARQUEZELLI PTB SP 126 NELSON PELLEGRINO PT BA 127 NEWTON LIMA PT SP 128 ONOFRE SANTO AGOSTINI PSD SC 129 ONYX LORENZONI DEM RS 130 OSMAR JÚNIOR PCdoB PI 131 OSMAR SERRAGLIO PMDB PR 132 PADRE JOÃO PT MG 133 PADRE TON PT RO 134 PASTOR MARCO FELICIANO PSC SP 135 PAUDERNEY AVELINO DEM AM 136 PAULO FEIJÓ PR RJ 137 PAULO FOLETTO PSB ES 138 PAULO FREIRE PR SP 139 PAULO PIMENTA PT RS 140 PAULO RUBEM SANTIAGO PDT PE 141 PAULO WAGNER PV RN 142 PEDRO UCZAI PT SC 143 PEPE VARGAS PT RS 144 PERPÉTUA ALMEIDA PCdoB AC 145 POLICARPO PT DF 146 PROFESSOR SETIMO PMDB MA 147 RAIMUNDÃO PMDB CE 148 REBECCA GARCIA PP AM 149 REGINALDO LOPES PT MG 150 REGUFFE PDT DF 151 RENAN FILHO PMDB AL 152 RICARDO BERZOINI PT SP 153 RICARDO IZAR PSD SP 154 ROGÉRIO CARVALHO PT SE 155 ROMÁRIO PSB RJ 156 RONALDO FONSECA PR DF 157 RONALDO ZULKE PT RS 158 RUBENS BUENO PPS PR 159 RUBENS OTONI PT GO 160 SANDES JÚNIOR PP GO 161 SANDRO ALEX PPS PR 162 SEBASTIÃO BALA ROCHA PDT AP 163 SEVERINO NINHO PSB PE 164 SIBÁ MACHADO PT AC 165 SILVIO COSTA PTB PE 166 SUELI VIDIGAL PDT ES 167 TAUMATURGO LIMA PT AC 168 TIRIRICA PR SP 169 VALDEMAR COSTA NETO PR SP 170 VALMIR ASSUNÇÃO PT BA 171 VANDER LOUBET PT MS 172 VANDERLEI SIRAQUE PT SP 173 VICENTE CANDIDO PT SP 174 VICENTINHO PT SP 175 VIEIRA DA CUNHA PDT RS 176 WALDENOR PEREIRA PT BA 177 WALTER TOSTA PSD MG 178 WASHINGTON REIS PMDB RJ 179 WELITON PRADO PT MG 180 WELLINGTON FAGUNDES PR MT 181 WEVERTON ROCHA PDT MA 182 WILSON FILHO PMDB PB 183 WOLNEY QUEIROZ PDT PE 184 ZÉ GERALDO PT PA 185 ZOINHO PR RJ

  • ATENÇÃO!!!
    Lista completa de quem assinou e de quem não assinou a solicitação da CPI da Privataria,na Câmara dos Deputados:
    http://homemquecalculava.blogspot.com/2011/12/quem-votou-e-quem-nao-votou-na-cpi-da.html
    Dos 512 só 185 assinaram.
    O Deputado Protógenes de Queiroz disse há pouco em debate em Sampa que muitos querem assinar mais já tinham viajado para seus Estados em virtude do recesso de fim de ano.
    Melhor abrir uma lista de retardatários. Ninguém vai perdoar essa omissão.

    • Laine
      Atenção que nessa lista completa de quem votou e quem não votou pela constituição da CPI da Privataria:
      http://homemquecalculava.blogspot.com/2011/12/quem-votou-e-quem-nao-votou-na-cpi-da.html
      se vc rolar para a direita que tem o nome completo, o telefone, o endereço de email e até o telefone de cada um dos deputados da lista, quer os que assinaram, quer os que se omitiram.
      Já escrevi para todos que assinaram parabenizando-os e para os que se omitiram pedindo explicações urgentes ou serão costurados na boca do sapo pelo povo brasileiro em próximas eleições.
      Temos que fazer barulho pra todo lado, exigindo apuração profunda das denúncias contidas no livro do Amaury Ribeiro Jr.

  • A mídia brasileira trabalha diuturnamente para convencer o povo que os petistas são todos corruptos, e que a corrupção campeia solta no país. Como diz o Miro, querem acabar com os políticos para que a banca assuma o poder de tudo, talvez excluindo o povo da escolha dos dirigentes, como vem acontecendo na Europa. Em minha modesta opinião, se a blogosfera passasse a exigir os nomes dos corruptores toda vez que a mídia denunciasse corrupção, o denuncismo talvez se constrangesse, pois os patrões, ou os amigos e apaniguados deles poderiam correr o risco de serem expostos, como acontece agora com Serra e sua trupe.

  • Assisti ao final do debate do Centro de Estudos Barão de Itararé, com o Amaury Ribeiro, dep. Protógenes (autor da CPI da Privataria) e do jornalista Paulo Henrique Amorim.

    Consegui ouvir a fala do dep. Protógenes. Ele acertadamente disse que a instalação da CPI agora depende da correlação de forças. Mas logo explicou: não estava falando da correlação de forças no Congresso, mas sim da correlação de forças na sociedade. Ele conclamou as entidades da sociedade civil (e eu incluo aí o MSM e a Blogosfera) a se mobilizarem para pressionar o Congresso.

  • O título “Todo mundo nu” traduz a realidade de que nesse Brasil ninguém é santo, pois todas as denuncias contra ministros empata com todas as denuncias das “privatarias” tucanas, consequentemente, a mídia tem de concordar que democraticamente, todos devem ser tratados de maneira equânime, o resto é inveja e richa política.

  • O bom mesmo é que o livro do Amaury colocou cara a cara Aécio e Serra, e isso não vai prestar, serra nunca deixará Aécio flanar em céu azul. Aécio não perde por esperar. Isso é ótimo para o BR. nos livraremos de ter um desses dois governando o BR.

  • Dos 22 deputados federais cearences,13 assinaram a CPI da privataria.Gostaria de saber o nome dos outros 09 que não apuseram seus nomes em tão importante instrumento democrático.Todavia, acho que essa lista esteja defasada, pois foi noticiado conter 206 assinaturas.Cautela é necessário .nessas horas, para que não se cometam injustiças .

  • É incrível como a dita “opinião publica” tenta sempre encontrar chifres em cabeças de cavalos aonde não se vê cornos nenhum.

    Na coluna do Ricardo Noblat, replicada no Jornal Diário do Pará do dia 19 de dezembro de 2011, foram utilizadas mil e poucas letras para tentar induzi o leitor a crer que o Ministro Pimentel tem que se afastar do governo porque mentiu quando omitiu acordos financeiros resultante de serviços de consultoria para três empresas antes de ser ministro.

    Eu creio que o ministro não tem que dar conta para a imprensa de suas ações e atividades no setor privado.

    Dá-se a entender que o ministro cometeu algo extremamente antiético e irregular quando apenas se recusou a fornecer informações de suas atividades particulares, onde apenas executou tarefas concernentes ao seu ofício para manter a sua sobrevivência.

    Pelo que me consta não há nenhuma lei que impeça de trabalhar uma personalidade política, sem mandato. Qual outra forma teria Pimentel para honrar com os compromissos para a sua subsistência ?
    Talves o Noblat esteja torcendo para que o Ministro fosse como aqueles que se locupletaram-se com a Privataria Tucana.

    Há ! Depois de muito meditar, acabei descobrindo que Tucano gosta de poder e não de governar, pois dá muito trabalho. Por isso eles quase leiloaram o país todo.

    [b] SAI A CPI DA PRIVATARIA ? [/b]

    • “Há ! Depois de muito meditar, acabei descobrindo que Tucano gosta de poder e não de governar, pois dá muito trabalho. Por isso eles quase leiloaram o país todo. ”

      Brilhante. É isso mesmo!

      Nem alugar eles alugaram!

  • Engraçado vc. tocar nesse assunto estilo Maluf, rouba mas faz… rs Durante os intermináveis que tentei, até conseguir eleger Lula, tive que engolir candidatos alheios, que pouco ou quase nada trouxeram de mudanças aos milhões que estavam condenados a miséria nesse país. Os argumentos para não votar em Lula eram os mais fracos possiveis e pouco mudaram de lá pra cá: feio, agitador, inculto, sem dedo, nordestino, casca grossa, falastrão, proletário e por aí vai, enquanto isso, os candidatos deles, dispensam comentários porque seus mandatos falam por si só. Acontece que a roda gira e com ela o mundo, Lula se mostrou o melhor dos presidentes brasileiros, admita ou não quem o deteste. Minha impressão sobre ele é apaixonada, confesso, mas não sem razão. Como ele sou nordestina, vim para São Paulo criança, não tenho formação acadêmica, minha mãe era metalurgica e as questões sociais e a injustiças sempre foram motivo de dor e questionamento para mim, nada mais natural que eu me encante com a figura do ilustre homem, afinal, ele superou o insuperável, quebrou tabus, sofreu, perdeu, ganhou, chorou, e chegou lá e levou o Brasil junto, não aquele Brasil dos 5%, que viajava de avião desde sempre, que frequentava universidade, que fazia 3 refeições por dia, que podia pagar as melhores escolas para os filhos, não, o Lula, era igual a mim e a imensa maioria dos brasileiros, a gente finalmente tinha em quem se espelhar, um igual que mostrou que a gente pode, que a gente merece, que a gente consegue. Ele não fez nada sozinho, ele precisou de nosso voto, nosso apoio e me sinto recompensada em apoiá-lo porque ele elevou o Brasil e muita gente do nosso povo a uma categoria jamais sonhada, inclusive eu.

    Voltando a questão da velha máxima malufista, “rouba mas faz”, não sou ingênua a ponto de acreditar que o PT só tenha santos, longe disso, creio que muitos ratos e chupins estiveram e ainda estão por lá, mas não é por causa desses que eu vou deixar de defender o partido que me fez acreditar que políticos não são todos podres e iguais, que o Brasil pode sim ser uma nação justa e soberana. Prefiro os “meus ratos” do que os deles, ao menos para os ratos de casa, sempre poderei cobrar do PT a detetização, já os ratos dos outros, estão irremediavelmente fora do meu alcance e bem protegidos pela midiazona.

  • Eu não concordo que a coisa é na base do “rouba mas faz”. Acho que é mais uma questão do cidadão ouvir falar da tal tapioca, por exemplo, e achar isso surreal e irrelevante perto daquilo que enfrenta no dia a dia. Provavelmente dêem risada desses “gravíssimos problemas”. Enfim, não acho que eles sequer registrem a maioria das “graves acusações” que aparecem por aí como “roubar”.

    Se fulano é acusado de beneficiar a ONG de um amigo, por exemplo, a grande maioria deve olhar e pensar: e pq não deveriam beneficiar os amigos? Afinal, é exatamente o que ele faz no dia a dia. A distinção entre público e privado é algo distante do dia a dia das pessoas preocupadas em sobreviver. É coisa pra quem tem tempo sobrando pra pensar, e não pra quem tem que correr atrás do almoço do dia seguinte.

    Ou seja, mais do que achar que fulano ou ciclano roubam mas fazem, eles devem achar que tudo isso é tempestade em copo dágua, completamente irrelevante e sequer considerar como roubo ou corrupção.

    Acho importante, por outro lado, apontar duas coisas que são, claramente, influência do “framing” da “grande imprensa”.

    Primeiro, a imprensa se aproveita do fato dos simpatizantes do PT terem consciência para impor-lhes, subrepticiamente, a ideia de que se houver uma falha sequer no PT, ele é corrupto.

    Ou o PT é perfeito, ou ele é corrupto, segundo a imprensa. Falam do PT e de seus simpatizantes como se todos fossem idênticos. Se um deles for corrupto, todos o são. Todos são “petralhas”, e todos agem segundo um suposto “petismo”. Nenhum escapa.

    E nos votamos “no PT”, e não nos políticos.

    Acabamos pensando dessa mesma forma. Quando vc escreve “quem vota no PT”, parece-me que é exatamente esse “framing” agindo no seu inconsciente. Afinal, não “votamos no PT”, mas sim nos candidatos com os quais concordamos que, por acaso, estão (ou não, pois a maioria aqui não votou apenas nos políticos do PT) no PT.

    No seu argumento sobre o “rouba mas faz” tenho a imprensão que está implícito que o sujeito dessa frase é o PT, e não um político ou outro, mais um sintoma desse “framing”.

    Segundo, a tendência a pensar que o responsável pela eleição do PT foi o “povão” despolitizado. Não é o que se verifica nas análises das pesquisas eleitorais, como vc mesmo já demonstrou algumas vezes. E, além disso, não estou convencido de que haja um “povão despolitizado”, na medida em que defino política exatamente como, em parte, as condições de vida desse mesmo povão.

    E isso sem falar que existem diversos “povos” no Brasil. As impressões e pensamentos do povão do sul, por exemplo, é muito diferente dos do nordeste, do sudeste, etc. Não dá pra dizer o que “eles” pensam, e a própria questão me parece sem sentido.

  • Serei mais positivo do que você : acho que prevalece cada vez mais no brasileiro comum o descrédito em relação às “denúncias” midiáticas de corrupção. Não há ainda uma compreensão precisa do porquê, mas, os cidadãos já percebem claramente que “a Globo(a mídia)não gosta de Lula e nem de Dilma” e por isso teria “marcação” com eles. Portanto, sem querer negar a existência e a perenidade de “constatações” imbecilizantes e reacionárias do tipo “rouba, mas faz” ou “todo político é ladrão”, lugares comuns tão ao gosto da classe dominante, uma vez que afastam o povo de uma participação política mais efetiva, percebo que esses simplismos convivem lado a lado com uma cada vez maior desconfiança do brasileiro médio em relação aos meios de comunicação, que afeta a credibilidade desses meios(o que significa que enfraquece a essência em que baseia-se sua existência) e começa a tornar receptível a população para, num futuro que espero ser breve, compreender e engajar-se num discurso que esclareça-a sobre o viés político da mídia, sobre como esses meios se tornaram um arma para a imposição dos desejos políticos de uma oligarquia e sobre a necessidade de democratizá-los. Apesar da ainda pequena abrangência da mídia alternativa; mesmo entre os “interessados” por política, é muito maior o contigente dos que sequer a conhecem; há um progressivo descolamento da visão dessas pessoas(ainda cativos como público da mídia conservadora)e do que lhes é noticiado por esses meios, o que obviamente funciona como um grande incremento para a expansão da mídia progressista, cuja popularização ocorre também graças à divulgação nas rede sociais e ao boca a boca; e ajuda esses “iniciados” em política a ainda mais rapidamente que o restante da população, desenvolverem uma independência em suas escolhas(e difundirem essa autonomia entre os demais cidadãos) que, de forma cada vez mais decisiva está garantindo que os brasileiros escolham o destino que melhor aprouver aos seus interesses, não aceitando sua submissão como massa de manobra de uma oligarquia retrógrada.

      • Você deve estar se referindo ao PSDB, pois o PT é espezinhado todo dia na mídia, enquanto as “mazelas” tucanas são escondidas, como se vê no caso do livro

  • Prezado Sr Eduardo!

    Estava navegando pelo internet e acabei encontrando o seu blog. Confesso que não conhecia. Adorei o seu Blog.

    Sou um corretor de imóveis (sou o primeiro corretor que usa uma cadeira de rodas no Brasil) e nas horas vagas procuro ler bastante. Vejo que na internet tem muito lixo. Lixo mesmo. Mas tem coisas maravilhosas. Eu gostei demais do seu blog.

    Se você quiser ler o meu Blog, o que terei muito prazer, pode visitar. O endereço é http://www.lancamentosrj.com

    Mais uma vez, parabéns!!!!

    Abraços,
    Lançamentos RJ

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