Abaixo a censura fascista à exposição de arte LGBT

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Quem decidiu se interessar pelo estudo da ascensão do fascismo na Alemanha dos anos 1920/1930, não perdeu tempo. O Brasil está percorrendo caminhos cada vez mais parecidos.

A diferença é que o Brasil contemporâneo não tem um só Hitler – são muitos os líderes fascistas atuando hoje no país e sem responder a um comando central.

Outra grande diferença do processo de ascensão do fascismo em nosso país para processo análogo ocorrido na primeira metade do século passado na Alemanha é a influência religiosa.

O fascismo é moralista no que diz respeito aos costumes, mas o moralismo fascista tupiniquim ecoa o fanatismo religioso que hipnotizou o Brasil.

Nos últimos dias, dois episódios surgem para simbolizar esse processo de “emburrecimento” que se abateu sobre o país.

Um deles é o cancelamento prematuro de exposição promovida pelo banco Santander.

A exposição “Queermuseu – cartografias da diferença na arte da brasileira” reuniu obras de 85 artistas, incluindo os mundialmente conhecidos Alfredo Volpi e Cândido Portinari, no museu de Porto Alegre. A curadoria foi de Gaudêncio Fidelis, que foi curador da Bienal do Mercosul de 2015.

A exposição tinha como mote a diversidade e as questões LGBT, aos moldes de exposições estrangeiras como a Queer British Art, em Londres, na Inglaterra, e a Hide/Seek: Difference and Desire in American Portraiture, em Washington, nos Estados Unidos.

Mas, no Brasil, esse tema da diversidade é ridiculamente atacado por grupos religiosos fanáticos e aproveitadores de extrema direita que endossam as loucuras dessa gente para agradá-la e usá-la como massa de manobra política.

Esses grupos adquiriram grande poder de pressão. Nesse caso, por exemplo, fizeram a exposição ser cancelada pelo Santander Cultural após críticas de movimentos religiosos e do Movimento Brasil Livre (MBL).

“Há pouco tinha crianças olhando essa ‘arte’ escarnecendo a Cristo”, disse o blogueiro Felipe Diehl, durante o vídeo em que ele circula pela exposição e critica as obras acompanhado de outro blogueiro, Rafinha BK, do MBL de Porto Alegre. “Olha o Satanás no meio”, diz Rafinha sobre outra obra. No vídeo, os blogueiros censuram as imagens com um “borrão”.

Há uma reação em curso, foi convocado um ato em Porto Alegre em repúdio a essa ofensiva literalmente nazista contra a liberdade de expressão – na verdade, o que aconteceu foi ilegal e cabe uma ação judicial contra os indivíduos que promoveram esse enorme prejuízo à sociedade, com perda de um espaço que oferecia livremente exibição de obras de artistas mundialmente renomados.

O ato ocorrerá nesta terça-feira 12 de setembro em Porto Alegre, na rua sete de setembro, no centro histórico, às 15:30 hs.

Mas essa é apenas uma das faces obscurantistas do momento que o país atravessa. Há movimentos defendendo que os pais passem a educar os filhos em casa para que não corram risco de ser “doutrinados por comunistas”.

Tudo isso começou com a tal história sobre “Escola Sem partido” e já está começando a enlouquecer até famílias de classe média e média baixa que não têm condições de educar filhos em casa, mas começam a querer tirá-los das escolas públicas por conta dessa história maluca de que haveria uma “doutrinação comunista” nas escolas brasileiras, tanto nas públicas quanto nas privadas…

Essas pessoas acham que TODAS as escolas brasileiras estão formando pequenos guerrilheiros comunistas. E isso não é brincadeira. Basta ver o que dizem nas redes sociais.

Os grupos fascistas, como é comum nas sociedades que se tornam alvos deles, já começam a impor sua vontade no grito.

O caso da exposição do Santander, que se curvou a esse movimento ridículo e obscurantista, exemplifica como uma sociedade se entrega como prisioneira do fascismo. E, como todos sabemos, é fácil de entrar nessa masmorra ideológica, mas sair é que são elas.

O processo em curso no Brasil precisa ser detido pelas pessoas mentalmente sadias e democráticas. A esquerda precisa se unir, parar de brigar entre si e combater a ameaça fascista que líderes como Jair Bolsonaro e João Doria representam.

Movimentos sociais, sindicatos, a própria intelectualidade brasileira está ameaçada por gente tosca, iletrada, profundamente ignorante e aparentemente violenta que decidiu impor sua vontade à sociedade através da intimidação e da agressão moral nas ruas.

Esse ato em Porto Alegre contra o cancelamento de uma exposição que trazia trabalhos de nomes renomados das artes plásticas, mundialmente reconhecidos, precisa ser apoiado e se transformar em um ato de resistência a essa barbaridade.

Ou o Brasil se mexe ou os discípulos de Hitler e Mussolini vão produzir no por aqui o que seus inspiradores produziram na Europa na primeira metade do século passado. Se você se omitir, depois não reclame.

No vídeo abaixo, a reportagem completa sobre esses casos escabrosos.

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