MBL lidera ataques a jornalistas no Brasil

Reportagem, Últimas notícias

Dados da Abraji apontam que o grupo já é responsável por mais de 50% das perseguições a profissionais da imprensa no país em 2017.

Carla Castellotti

Da Vice Brasil

O jornalista Diego Bargas da Folha de São Paulo foi demitido após a publicação de uma matéria sobre Como se Tornar o Pior Aluno da Escola, filme do humorista Danilo Gentili. O texto, que questionava Gentili sobre fazer humor com temas como pedofilia e bullying, foi recebido pelo humorista como a atividade de um “militante do PT”. O jornal, por sua vez, informa que a demissão foi motivada depois que o repórter “desrespeitou orientação reiterada sobre comportamento nas redes sociais”.

post de Gentili com a informação de que o jornalista seria militante do PT viralizou nas redes e ganhou partidários. O MBL, também em suas redes sociais, fez coro às críticas do humorista. Foram cinco posts do grupo informando que o repórter da Folha não teria agido com a isenção esperada. Vale lembrar que a Folha publica, tradicionalmente, textos críticos a obras divulgadas no jornal. No documentário Não Estávamos Ali Para Fazer Amigos, artistas de diferentes orientações políticas, como Caetano e Fagner, tiveram suas obras criticadas por repórteres da Ilustrada ainda na época da abertura política no Brasil.

O caso de Bargas, no entanto, é mais um em um ano que já bate recorde de números de ataques a profissionais da imprensa no país. Em 2017, foram registrados oficialmente 12 ataques do MBL a jornalistas. Os dados são da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) e representam 53% de todas as queixas. Os números são parciais, isso porque o compilado dos casos sairá somente em dezembro.

O Sindicato dos Jornalistas em São Paulo repudiou a demissão do jornalista. “É mais um grave caso de perseguição e intimidação a jornalistas, o sexto ocorrido em São Paulo nos últimos meses, e que mostra uma escalada contra a liberdade de expressão e de imprensa em nosso país”, diz o sindicato em nota. “O texto de Bargas é uma reportagem correta, que analisa o filme e reproduz pontos de vista de Gentili e do diretor Fabrício Bittar expressos em entrevista ao jornalista. Gentili, porém, decide massacrar o jornalista em rede social, mostrando sua intolerância à atividade jornalística, e manipular o episódio para tentar melhorar o resultado comercial de seu produto.”

José Carlos Torveso, diretor executivo da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), disse à VICE que “os ataques [a jornalistas] estão aumentando”. De acordo com Torveso “o MBL é um grupo muito violento e tem atacado jornalistas em todo país”.

  • Marcos Feijó de Almeida

    Poderia disponibilizar estes dados da ABRAJI, por favor. Procurei no site dela mas não encontrei.

  • Ítala Maria Alcântara

    Vocês, jornalistas, tem a faca e o queijo na mão pra fazerem o contra ataque, com estilo, ética e sobretudo com o que têm de mais caro e objetivo, a palavra! Mãos a obra!!!

  • Carlos

    A liberdade de expressão é uma via de mão dupla. Assim como os jornalistas podem falar o que quiserem de coisas e de pessoas, os outros cidadãos comuns também podem falar o que pensão, tudo é questão de como se vê as críticas e parece que os jornalistas não estão acostumado com isso é não estão reagindo bem. É provar do próprio veneno. As redes sociais dão esse poder a quem não dispõe de TV, revista ou jornal para criticar os outros. A liberdade de expressão vale para todos e não somente para o jornalista.

  • Claudeth Clair

    Nem sei o que pensar, nem que ideia deveríamos pôr em ação.(nós da esquerda). O fascismo se alastra apressadamente. A cada dia mais e mais pessoas estão. aderindo à esse pensamento e atitudes. Penso que devamos fazer um trabalho de formiguinha para tentar mudar, mostrando a face oculta, tenebrosa que essas ideias produzirão. Mas é possível, que isso só será percebido tardiamente, e por uma outra geração. Atitudes que sempre foram condenadas pela maioria, agora recebe uma aprovação de um número assustador de pessoas. Sabemos também, que tudo isso faz parte de algo maior, e que não podemos fazer tanto. Mas as esquerdas desse país têm de fortalecer muito e se unir. Isso é fato.