Candidata do PSL, por medo de suplente, passa a usar colete a prova de balas

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Candidata ao Senado pelo PSL em Mato Grosso do Sul, Soraya Vieira Thronicke tem feito carreatas no interior do estado vestida com um colete à prova de balas debaixo da camiseta verde e amarela repleta de adesivos de apoio ao presidenciável do seu partido, Jair Bolsonaro. Além disso, ela só sai de casa na companhia de dois seguranças armados. “A coisa aqui está muito feia. Melhor eu me proteger”, disse.

O que provoca medo na candidata, uma advogada de 45 anos, é o seu próprio primeiro suplente, Rodolfo Oliveira Nogueira, 44, depois de, segundo ela, ter sido ameaçada de morte por ele no telefone. A versão foi narrada em um boletim de ocorrência registrado em 29 de agosto, na 1ª Delegacia de Campo Grande.

Nogueira é um pecuarista na região de Dourados, sul do estado. À Justiça Eleitoral, declarou patrimônio de 3,4 milhões de reais. Seus bens mais vistosos são uma fazenda de 750 hectares e uma conta corrente com saldo de 1,3 milhão de reais. Filiado ao PSL desde março, tornou-se presidente da legenda no estado e agora encara sua primeira eleição. É muito próximo de Bolsonaro – na página de Nogueira no Facebook há várias fotos de ambos e um vídeo em que o presidente nacional do partido, Gustavo Bebianno, diz que o pecuarista é “amigo pessoal do capitão”.

Soraya também é neófita em eleições. Surgiu como liderança popular nas passeatas de 2013, em Campo Grande. Filiou-se ao Novo em setembro do ano passado e, em março deste ano, ao PSL. Declarou patrimônio de 10 mil reais, dinheiro em espécie. Em pesquisa Ibope divulgada no dia 4, Soraya tinha 4% de intenções de voto, atrás de outros seis candidatos.

imbróglio entre ele e Soraya começou em meados de agosto, quando ela se deparou, nas ruas de Campo Grande, com adesivos colados nos vidros traseiros de automóveis em que a figura de Bolsonaro aparecia ao lado do candidato a senador Dorival Betini, do PMB, adversário de Soraya. Ao se queixar a Nogueira, ele teria dito que autorizara Betini a usar a imagem do presidenciável. Dias depois, a candidata encontrou santinhos em que o número de Bolsonaro na urna aparecia ao lado de candidatos do PSDB e do PTB ao Senado – as duas siglas são coligadas ao PSL no estado.

Soraya decidiu reclamar diretamente com o presidente nacional do PSL. Horas depois da conversa com Bebianno, Nogueira teria telefonado para a candidata e feito ameaças. “Eu vou te avisar, nunca mais passe por cima de mim… Escute bem: na próxima vez que você passar por cima de mim eu acabo com você”, teria dito Nogueira, na versão da advogada – a conversa não foi gravada.

A Polícia Civil instaurou inquérito para investigar o crime de ameaça, cuja pena varia de um a seis meses de prisão. Soraya também formalizou uma representação contra o seu suplente no diretório nacional do PSL. No documento, a candidata pede intervenção no diretório estadual do partido e a expulsão de Nogueira da legenda. “A gestão do PSL em Mato Grosso do Sul é desastrosa e incompetente. Com efeito, a única qualidade que o representado [Nogueira] aparenta ter em benefício do partido é sua propagada ‘amizade’ com Jair Bolsonaro, que utiliza apenas para si próprio, prejudicando a todos os demais candidatos do PSL”, afirmam os advogados de Soraya no documento. Procurado, Bebianno não foi localizado pela Piauí para comentar o episódio.

Nogueira divulgou uma nota em que acusa a candidata de “vitimismo e mentiras” para produzir “histeria eleitoral” e diz que houve erro na confecção dos santinhos. Ele confirma ter discutido com Soraya ao telefone, mas nega tê-la ameaçado. “Deixo claro que sou marido, pai de duas meninas e um menino, e sou filho: jamais ameaçaria a integridade física, sequer psicológica, de uma mulher.”

Da Piauí.