Flávio Bolsonaro homenageou 7 PMs acusados de sequestro, tortura e estupro

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Além do ex-capitão da PM Adriano Magalhães da Nóbrega — apontado pelo Ministério Público do Estado do Rio (MP-RJ) como chefe da milícia do Rio das Pedras e do Escritório do Crime —, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) homenageou outros sete companheiros dele no 16º BPM (Olaria). Os integrantes do grupo, conhecido como “guarnição do mal” em comunidades da Zona Norte, receberam moções de louvor na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) no dia 4 de novembro de 2003.

Só mais um policial militar da ativa foi homenageado na ocasião: Fabrício Queiroz, que viria a ser assessor parlamentar de Flávio.

Após a homenagem, num período de cerca de um mês, Adriano e os mesmos colegas do Grupamento de Ações Táticas (GAT) se envolveram no sequestro, tortura e extorsão de três jovens da favela de Parada de Lucas, na Zona Norte. Até que, em 27 de novembro daquele ano, eles foram apontados como os executores do morador Leandro dos Santos Silva, de 24 anos.

Nas homenagens, o ex-capitão Adriano Magalhães da Nóbrega, foragido da Operação Intocáveis, do MP-RJ, e os colegas tiveram destacados a “dedicação, brilhantismo e galhardia” com que serviam à população. Nesse dia, o parlamentar deu a mesma honraria a Fabrício Queiroz, na época, policial do Batalhão de Policiamento em Vias Especiais.

Mesmo diante da prisão dos policiais, dias depois das moções, Flávio Bolsonaro não sustou as homenagens. No dia 24 de outubro de 2005, os PMs foram condenados em primeira instância. Quatro dias depois, o presidente Jair Bolsonaro, então deputado federal, discursou na Câmara em defesa de Adriano — descrito como “um brilhante oficial”.

Posteriormente, o júri que condenou os policiais foi anulado, e eles acabaram absolvidos, mesmo diante de provas técnicas apresentadas pelo Ministério Público.

A “guarnição do mal”, como os moradores de Parada Lucas chamavam o GAT comandado por Adriano, era temida na região. As sessões de tortura e sequestro só vieram à tona graças às denúncias do guardador de veículos Leandro, que procurou a Inspetoria-Geral, órgão criado para apurar desvios de conduta de policiais civis e militares, com uma líder da associação de moradores da comunidade no dia 26 de novembro de 2003.

No dia seguinte, às 6h30m, Leandro foi assassinado com três tiros na porta de casa. A cena do crime foi desfeita para impedir a perícia. Mesmo morta, a vítima foi “socorrida” pelos agentes.

Adriano e seu grupo foram acusados pelo homicídio. Um sargento da guarnição foi apontado como o PM que atirou no jovem. O policial era Ítalo Pereira Campos, o Ítalo Ciba, hoje vereador no Rio de Janeiro pelo Avante.

Em operação feita em 28 de outubro de 2003, o grupo foi acusado de sequestrar Wilton Arjona da Silva. Foram denunciados Adriano, o capitão Flávio Luiz de Souza, os sargentos Abenor Machado Furtado, Sérgio Rogério Ferre