Equipe de Bolsonaro tem medo do tamanho da mobilização convocada para 30 de maio

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Os protestos que tomaram as ruas de ao menos 170 cidades do país na semana passada contra os cortes no Ministério da  Educação geraram um alerta no governo sobre a possibilidade de professores direcionarem a mobilização contra a reforma da Previdência.

Considerado projeto essencial para o sucesso da economia pelo governo Jair Bolsonaro (PSL), a reforma com mudanças nas regras de aposentadorias e pensões tramita em comissão especial da Câmara.

Auxiliares de Bolsonaro monitoram a possibilidade de profissionais da educação ampliarem a articulação da quarta-feira passada (15) para criar novos focos de protestos. Mobilização já começou a ser convocada para o dia 30 de maio.

O governo monitora tanto a possibilidade de protestos nos estados, o que atinge diretamente os governadores, e que pressiona indiretamente a União, quanto nos arredores do Congresso nos dias em que a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) for submetida à votação no Legislativo.

A preocupação se deu pelo motivo de terem aparecido nas ruas cartazes contra a reforma da Previdência e pelo fato de os professores serem vistos como uma categoria bem articulada no país.

Embora o Palácio do Planalto evite demonstrar publicamente estar em alerta sobre a possibilidade de a insatisfação gerada pelos cortes do Ministério da Educação se espalhar, nos bastidores esse é um cenário estudado pelos auxiliares do presidente.

O número de manifestantes, sobretudo em São Paulo e no Rio de Janeiro, surpreendeu o setor de inteligência do governo, que esperava que os protestos sofressem uma redução ao longo do dia, na quarta.

Com a força das mobilizações, o receio de auxiliares presidenciais, sobretudo do núcleo militar, é que manifestações sejam convocadas nas próximas semanas.

O temor é que incluam protestos contra as reformas da Previdência e tributária, desgastando ainda mais a imagem do governo Bolsonaro.

Na quinta-feira (16), o vice-presidente, general Hamilton Mourão, negou que haja a possibilidade de se repetir a onda de protestos que se formou no país em 2013, quando o país assistiu às jornadas de junho.

“Eu julgo que não [se repita 2013]. Isso foi uma coisa pontual. À medida que o governo federal tomar decisões, e acho que será aprovada a reforma previdenciária, vão mudar as expectativas econômicas e os recursos voltarão para as universidades federais”, disse.

Em 2013, protestos contra o aumento das tarifas de ônibus em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro estimularam uma onda de manifestações pelo país inteiro, o que se transformou em uma crise de governo para a então presidente Dilma Rousseff (PT).

No Palácio do Planalto, a avaliação é que o ministro da Educação, Abraham Weintraub, não soube explicar de maneira adequada a necessidade do bloqueio de recursos, transformando um problema pontual em uma crise de governo.

Da FSP