Era de ouro na Bolívia termina em golpe

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Um golpe militar derrubou o governo da Bolívia. Os militares prometerem que promoveriam um massacre dos governistas se Evo Morales não renunciasse.

Nenhuma novidade em um continente marcado por golpes de Estado. No Brasil, o golpe foi em 2016 via simulação de um “motivo” para a derrubada de Dilma Rousseff.

Seja como for, o principal prejudicado pela derrubada de Evo é o povo mais pobre da Bolívia. Mas, ainda que essas pessoas não percebam, TODOS perdem com a derrubada do governo.

Na última década, o país vem crescendo em média a 5% ao ano. O ciclo, que já foi chamado de “milagre econômico boliviano”, começou em 2006, quando Evo Morales chegou ao poder.

Uma das primeiras e principais medidas do presidente, que tenta se reeleger neste domingo para um quarto mandato, foi a nacionalização do petróleo e do gás natural.

Parte das empresas privadas foi transferida para as mãos do Estado. As multinacionais tiveram que renegociar os contratos com a estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos para continuarem operando no país e passaram a pagar mais para explorar jazidas.

Mais de uma década depois, entretanto, o cenário que se desenhava no início do governo do
primeiro líder indígena a ascender ao poder no país é outro.

Multinacionais, empresas privadas e estatais convivem na Bolívia em um modelo de crescimento ancorado na exploração dos recursos do setor de óleo e gás — que, para alguns, vem dando sinais de esgotamento.

A onda do boom de commodities que sustentou o crescimento de parte da América Latina até a crise financeira de 2008 também passou pelo país e patrocinou uma melhoria sem precedentes nas condições de vida de milhões de bolivianos.

No caso da Bolívia, o período de bonança da economia se manteve mesmo depois da queda nos preços das commodities e o fim do boom — que se deu por volta de 2014 e, não por acaso, coincide com a desaceleração da economia brasileira.

Isso se deve em parte à política fiscal expansionista do governo boliviano, que segue financiando as políticas de transferência de renda.

Novo governo

O novo governo não deve trazer muita sorte ao país se Carlos Mesa assumir o posto. Antes, porém, há que ver se não se instalará no país um governo militar – já que foram eles que derrubaram Evo.

Se for Mesa, os prognósticos não são bons.

Foi presidente da Bolívia de 17 de outubro de 2004 até 9 de março de 2005[1]. Sendo vice-presidente sob o governo do então presidente Gonzalo Sánchez de Lozada, Mesa assumiu o posto depois de protestos generalizados e greves que pararam a Bolívia, forçando Sánchez de Lozada a renunciar e abandonar o país.