José Dirceu defende “reforma bancária” para unir esquerdas

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Foto: DANIEL FERREIRA/METRÓPOLES

Qual programa uniria as esquerdas? O que nosso povo espera que os partidos socialistas democráticos defendam e façam? Em primeiro lugar, combate às desigualdades e à pobreza, acesso a saúde e educação públicas, gratuitas e de qualidade, direito à habitação e ao saneamento, ao transporte público bom e barato, ao lazer e à cultura.

O povo quer uma vida em paz, com segurança, justiça, liberdade e democracia. Um Estado com respeito ao papel das instituições e que ofereça um serviço público sob controle social, com metas e gestão definidas e compartilhadas pelos usuários e contribuintes.

Outras questões se colocam e merecem reflexões e respostas. Como retomar o crescimento econômico com distribuição de renda e como financiar o Estado de bem-estar social e o desenvolvimento nacional? Como superar o déficit público e retomar os investimento públicos sem endividar o Estado ou aumentar a inflação, dois estrangulamentos históricos do nosso Brasil?

Nosso diagnóstico passa pela urgente necessidade de uma reforma tributária e dos sistemas financeiro e bancário – caminho para o financiamento de nosso desenvolvimento e prestação de serviços públicos universais, inclusive da seguridade social e Previdência. Atualmente, nossa estrutura tributária concentra renda, cobra mais dos que ganham menos via bens e serviços e menos dos que ganham mais, via renda e patrimônio.

Vivemos uma economia concentradora de renda via impostos e, o mais grave, via juros, os mais altos do mundo, criando uma economia de subconsumo. Um país com capacidade produtiva e riqueza subutilizada e demanda altíssima (e não atendida) de serviços públicos – habitação e saneamento, logística em geral, alimentos, bens de consumo duráveis, cultura e lazer.

A renda nacional é extraída e expropriada pelos juros e impostos, nos colocando entre os piores países em desigualdade social e distribuição de renda. A concentração de renda é agravada pelo poder dos monopólios e cartéis, começando pelo bancário, cuja rentabilidade repõe o patrimônio a cada quatro anos, e pela estrutura política, judicial e de informação.

Nossa realidade é perversa: algumas poucas famílias controlam os bancos e a mídia, ao mesmo tempo em que temos um poder político atrofiado tanto pela forma de se eleger quanto de governar.

Metrópoles