Óleo avança e já atinge 999 localidades

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Foto: Fotoarena/Agência O Globo

Tratado pelo Grupo de Acompanhamento e Avaliação (GAA) — formado pela Marinha, Agência Nacional do Petróleo e Ibama — como um problema praticamente resolvido, que “caminha para a normalidade”, o óleo derramado no litoral brasileiro continua atingindo novas áreas, ainda que num ritmo mais lento e em volume menor.

É isso o que mostra o último boletim do Ibama sobre as manchas, divulgado nesta quinta-feira, e que cobre o período de 8 a 15 de janeiro. Ele indica que 999 localidades já foram atingidas desde o início da crise, em 30 de agosto passado, em todos os nove estados do Nordeste, mais Espírito Santo e Rio de Janeiro.

São duas localidades a mais em relação à última vistoria, que cobriu o período de 3 a 8 de janeiro. Por “localidade”, o Ibama entende uma área de 1 km ao longo da costa —uma mesma praia pode, portanto, possuir várias localidades, dependendo de sua extensão.

O instituto também faz distinção do volume de óleo nos respectivos locais atingidos. Segundo o boletim atualizado ontem, a maioria das localidades atingidas desde o início estão limpas: ao todo, 566 (56,6%) foram oleadas em determinado momento mas não tiveram petróleo observado. Na sequência, 433 localidades (43,3%) apresentam vestígios esparsos de óleo. Nenhum local apresentou manchas expressivas, que representem 10% de concentração.

O GAA informou, na última terça-feira, que atua para definir o que chama de pontos de término de limpeza — uma série de critérios específicos para definir se determinado trecho oleado da costa foi limpo. A nota afirma também que, nesse cenário, “fica acordado que as ações de resposta alcançaram seus objetivos”.

As primeiras manchas de óleo foram avistadas no dia 30 de agosto e, desde então, atingiu a costa de todos os estados Nordeste, além do Espírito Santo e do Rio de Janeiro. A origem do vazamento do petróleo cru ainda é desconhecida, embora a embarcação grega Bouboulina tenha sido apontada como a principal suspeita pela Polícia Federal.

Em novembro, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) anunciou a criação de um plano de ação para incentivar pesquisas relacionadas aos impactos do derramamento de óleo no litoral brasileiro. O Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (Inpo), anunciado em 2013, saiu do papel apenas três meses após a identificação do vazamento.

A pasta prometeu a abertura de uma chamada pública com abertura de editais para estudos em áreas específicas, como segurança alimentar, balneabilidade e remediação do desastre, já em 2020. O valor disponibilizado na chamada dependerá do aporte empregado por outros ministérios e por fundações de apoio à pesquisa.

O Globo