Políticos evangélicos seguem dando as cartas no Rio

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Foto: Reprodução

Após deixar o quadro de magistrados do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) na última sexta-feira, de olho na candidatura para a prefeitura do Rio neste ano, a juíza Glória Heloíza Lima Silva enfrenta resistência no grupo mais próximo ao governador Wilson Witzel para ser lançada pelo PSC à sucessão de Marcelo Crivella. Glória Heloíza tem a preferência de uma ala do partido, presidido pelo pastor Everaldo Pereira, que vê com bons olhos uma repetição da aposta feita com o próprio Witzel, ex-juiz federal, em 2018. Embora tenha se aproximado publicamente da juíza no último ano, o governador ainda não fechou as portas para uma composição com candidatos de outras legendas.

Witzel, que já foi sondado para migrar ao PSL, legenda abandonada pelo presidente Jair Bolsonaro, mantém em seu radar um apoio ao pré-candidato do partido no Rio, o deputado estadual Rodrigo Amorim. Afastado da família Bolsonaro, Amorim segue como aliado de Witzel na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Motivado a participar da corrida presidencial em 2022, o governador também procura se aproximar do DEM, partido do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que lançará o ex-prefeito Eduardo Paes. A adesão à candidatura de Paes é defendida por membros do círculo de confiança de Witzel, como o secretário de Governo Cleiton Rodrigues.

Além disso, no carnaval, Witzel reconheceu a pré-candidatura de Paulo Rabello de Castro pelo PSC. Ex-presidente do BNDES e ex-diretor do Grupo Lide, do governador de São Paulo João Doria, Rabello de Castro chegou a ser lançado à presidência em 2018, mas acabou concorrendo como vice na chapa de Álvaro Dias (Podemos). O economista é visto como um nome que facilitaria uma eventual composição de Witzel com outros partidos, como o PSDB de Doria, que lançou como pré-candidato Gustavo Bebianno, ex-ministro de Bolsonaro.

— Estou confiante em ser o candidato do governador. Mas fico feliz que haja outras possíveis candidaturas — disse Rabello de Castro.

O PSC costurou um acordo, no fim do ano passado, para que Glória Heloíza disputasse a prefeitura do Rio caso pedisse exoneração do cargo de juíza, o que ocorreu na última sexta. Ela era a titular da 2ª Vara da Infância, da Juventude e do Idoso, e chegou a assumir em 2019 como desembargadora no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ), cargo do qual acabou afastada após a possível candidatura vir à tona. O partido apresentará 54 pré-candidatos a prefeituras do estado do Rio num evento no próximo sábado, com a participação do pastor Everaldo, que estava em viagem no exterior no carnaval e não reconheceu a candidatura de Rabello de Castro, lançada publicamente por Witzel.

Apesar da expectativa de que o nome de Glória Heloíza seja lançado neste fim de semana, o entorno de Witzel avalia a juíza como uma candidatura arriscada. Em pesquisa Datafolha divulgada em dezembro, Glória Heloíza figurou com 1% das intenções de voto. Apesar da semelhança com a situação do próprio Witzel em 2018, que deixou a magistratura e iniciou a eleição com mau desempenho nas pesquisas, um interlocutor do governador disse que o partido à época não tinha “nada a perder”, e que agora tem “outra característica”. Procurados, Witzel e Everaldo não retornaram. Glória Heloíza não retornou os contatos do GLOBO.

O Globo