Bolsonaro abusa de uso de helicópteres

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Foto: Mateus Bonomia/AGIF/Estadão Conteúdo

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) intensificou nas últimas semanas os voos em helicópteros presidenciais sobre Brasília e cidades próximas, no estado de Goiás. Os gastos para levantar voo, passageiros e informações sobre os percursos não foram informados pelo GSI (Gabinete de Segurança Institucional), responsável pela segurança presidencial.

Levantamento feito pelo UOL com base em agendas públicas e deslocamentos acompanhados pela imprensa indicam que, nas duas últimas semanas, Bolsonaro recorreu cinco vezes ao uso de helicópteros. Apenas uma dessas viagens está relacionada a um compromisso oficial: a ida à inauguração do hospital de campanha de Águas Lindas de Goiás, em 5 de junho.

Os demais deslocamentos foram realizados para sobrevoar manifestações pró-governo e contra o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (em 24 e 31 de maio), para ir a uma lanchonete em Abadiânia (GO) e acompanhar uma operação da Polícia Rodoviária Federal (em 30 de maio), e para ver o lançamento de um foguete no Comando de Artilharia do Exército, em Goiás (em 6 de junho). Ministros e políticos aliados costumam acompanhar o presidente.

Antes dessas semanas, a reportagem identificou um deslocamento de Bolsonaro com helicóptero, em 11 de abril, quando foi vistoriar obras do hospital de Águas Lindas.

Outras viagens de Bolsonaro aconteceram no primeiro semestre, mas com uso de aviões. Por exemplo, nas idas para Guarujá e Rio de Janeiro, em janeiro, e viagens a São Paulo, Montevidéu e cidades dos Estados Unidos, em março.

Segundo interlocutores do presidente, a decisão de aumentar as viagens para região de Brasília está relacionada à preocupação com a segurança de Bolsonaro e ao interesse de cobrir distâncias maiores em bem menos tempo.

A Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência) foi procurada, não se manifestou e orientou a reportagem a questionar o GSI (Gabinete de Segurança Institucional), o qual informou que “não se manifesta sobre assuntos que envolvem a segurança presidencial”.

Em julho do ano passado, Bolsonaro defendeu o uso dos helicópteros oficiais para transportar parentes ao ser questionado sobre o transporte de familiares para a festa de casamento do Eduardo Bolsonaro, deputado federal pelo PSL-SP.

“Eu vou responder. Eu fui a casamento do meu filho. A minha família ia comigo. Eu vou negar o helicóptero a ir para lá e mandar ir de carro? Não gastei nada do que já ia gastar”, disse à época.

O governo Bolsonaro tem enfrentado críticas e cobranças de partidos e entidades sobre transparência de informações desde o início de sua gestão.

No Congresso, a primeira derrota do governo em votação no plenário foi justamente em relação ao sigilo de informações, em fevereiro do ano passado. À época, os deputados suspenderam um decreto assinado por Hamilton Mourão (PRTB) que modificava a Lei de Acesso à Informação.

Nesta semana, o TCU (Tribunal de Contas da União) recomendou mais detalhamento nos gastos com comunicação social.

Outra medida do governo contra a transparência foi a exclusão de dados consolidados de infectados e mortos pelo coronavírus de boletins oficiais do Ministério da Saúde. O ministro so STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes determinou que fosse retomada a divulgação dos números no portal oficial.

A medida do governo que mudou a apresentação dos dados foi criticada por entidades de pesquisa, partidos políticos e teve reação da imprensa, que criou um consórcio, do qual o UOL faz parte, para analisar os dados junto aos estados.

O presidente editou ainda medida provisória que restringia o acesso a dados da Lei de Acesso à Informação. Com a repercussão negativa, revogou o conteúdo.

Em abril, o UOL solicitou via Lei de Acesso à Informação os resultados de exames de coronavírus do presidente. Em resposta a Presidência classificou como “sigilosos” os resultados, os quais só se tornaram públicos após umdecisão do STF (Supremo Tribunal Federal) dar ganho de causa ao pedido do jornal O Estado de S. Paulo.

Em outros casos há determinação de sigilo nos gastos de cartão corporativo e na lista de convidados para um coquetel de posse para Bolsonaro.

A Presidência tem à disposição o uso da aeronave VH-36 (EC-725 Caracal), adquirido durante o governo Dilma Rousseff (PT). O UOL procurou a fabricante do modelo para tentar estimar o custo de voo, gasto de combustível e demais insumos.

A empresa Helibras justificou que por questões contratuais não poderia dar informações à reportagem.

“Por questões de confidencialidade contratual, a Helibras não comenta informações sobre contratos e operação de clientes. O custo operacional de um helicóptero depende de inúmeras variáveis como: tipo de missão, ambiente de operação, programa de manutenção, quantidade de horas voadas, entre outras”, informou em nota.

Uol