Controladoria do governo faz propaganda ilegal

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Foto: Agência O Globo

Um e-mail de comunicação interna disparado na quinta-feira pela Controladoria-Geral da União (CGU) causou constrangimento entre servidores do órgão. A mensagem foi enviada com o título “CGU Ao Vivo: Ministro fala sobre medidas anticorrupção em live do presidente da República” e foi utilizada para divulgar a participação do chefe da pasta, Wagner Rosário, na transmissão ao vivo promovida semalmente por Jair Bolsonaro.

O incômodo ocorreu porque, pela primeira vez, a CGU utilizou o sistema de comuncação com seus quadros para divulgar uma agenda relacionada à conta pessoal de uma autoridade pública. No caso de Bolsonaro, a página no Facebook onde as transmissões são realizadas é a mesma que serviu para engajar eleitores na corrida ao Palácio do Planalto, em 2018, e pela qual o presidente segue atuando politicamente.

O texto encaminhado aos servidores dizia: “Acompanhe o ministro Wagner Rosário na live do presidente da República”. Também houve descrição sobre a pauta do encontro ao vivo: “O ministro falará sobre o trabalho da CGU na prevenção e no combate à corrupção”. Houve ainda destaque para a indicação do endereço da página de Bolsonaro no Facebook — 13,5 milhões de usuários o acompanham na plataforma.

Na conversa, Bolsonaro e Wagner Rosário contaram aos espectadores que, desde o início da pandemia de Covid-19, a CGU identificou pagamentos indevidos de parcelas do auxílio emergencial de R$ 600 a 680 mil servidores públicos. O órgão apura as condições em que os pedidos foram feitos, uma vez que há indícios de fraudes, mas pretende atuar para que o dinheiro seja devolvido em todos os casos irregulares.

Procurada pelo Sonar, a Controladoria-Geral da União não se manifestou, até o horário de publicação, sobre o e-mail enviado aos servidores.

Imagem anexada ao e-mail enviado a servidores

O Globo