Witzel diz que “jamais” renunciará

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Foto: Leo Pinheiro/Valor

O governador afastado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), usou as redes sociais na noite de segunda-feira para mandar um recado a seu eleitorado. Prestes a enfrentar votação de relatório favorável a seu impeachment – que deve seguir para plenário na quarta-feira na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) -, o político, afastado do cargo por 180 dias com autorização do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no fim de agosto, afirmou que não renunciará; que fez muito pelo Estado em um ano e sete meses de gestão; e voltou a negar suspeitas de corrupção envolvendo seu nome.

“Jamais renunciarei. Em 1 ano e 7 meses de gestão, fiz muito pelo Estado: salários em dia; ampliação dos programas de segurança; aumento da carga horária dos professores, investimentos robustos em ensino e pesquisa; dentre outras realizações” afirmou ele, em postagem em seu perfil no Twitter.

O afastamento de Witzel ocorreu em 28 de agosto, no âmbito da operação Tris in Idem, da Polícia Federal (PF), desdobramento da Operação Placebo, que investiga suposto esquema de corrupção em contratos públicos fluminenses. “De todos os meus atos pegaram apenas um, que é juridicamente correto, e o associam a recebimento de valores, do que não há provas pelo fato de não ter ocorrido. Não há nenhuma relação com a Unir e as empresas contratadas pelo escritório da minha esposa”, disse, também por rede social, citando indiretamente sua esposa Helena e empresas envolvidas na operação da PF que englobou seu afastamento.

O governador afastado termina suas postagens reafirmando sua inocência das acusações. Na operação da PF, o Ministério Público Federal (MPF) apontou Witzel como suposto líder de esquema de corrupção. “A vida me forjou nos desafios. Menino pobre, orgulho de uma doméstica e de um metalúrgico. Resistirei. Politicamente, minha história está apenas começando. Juridicamente, minha absolvição e retorno imediato ao cargo no qual o povo me colocou é o único caminho possível”, afirmou ele.

Na semana passada, a comissão da Alerj responsável pelo processo de impeachment contra Witzel aprovou por 24 votos a zero relatório do deputado Rodrigo Bacellar (Solidariedade). No documento, Bacellar indica supostas irregularidades que teriam sido cometidas na área de saúde, durante o combate à pandemia da covid-19 no Estado. Relator do processo de impeachment, Bacellar votou pela admissibilidade da denúncia de crime de responsabilidade contra Witzel. Com a votação favorável ao relatório, o parecer segue amanhã para análise e votação de todos os membros da casa, em plenário, onde precisa receber dois terços de votos de todos os deputados, ou seja 47 dos 70 parlamentares.

Com o afastamento de Witzel, Claudio Castro (PSC), vice-governador do Estado, assumiu o comando do Rio de Janeiro.

Valor Econômico