Recuperado da covid, Osmar Terra persiste na irresponsabilidade

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Foto: Marcos Corrêa/PR

O deputado federal Osmar Terra (MDB-RS) começa a retomar a rotina de trabalho depois de três semanas de luta contra o novo coronavírus. Ele anunciou que havia se infectado em 13 de novembro, chegou a ter 80% do pulmão comprometido e recebeu alta no último dia 4. Nesse período, passou 12 dias internado, sete deles na UTI.

A voz de Terra, que é médico de carreira e cumpre seu sexto mandato na Câmara, ganhou destaque – e enfáticas contraditas – durante a hecatombe nacional provocada pela Covid-19.

Próximo do presidente Jair Bolsonaro, o ex-ministro da Cidadania critica ferrenhamente o que chama de “lockdown” e até hoje presta contas sobre a previsão furada, feita em abril, de que a doença não iria matar mais de 4.000 brasileiros. Já são mais de 180.000.

Ela prega que a porta de saída da pandemia se abrirá com a chamada imunização de rebanho. Pela tese, é necessário que cerca de 80% da população pegue o novo coronavírus para tornar-se imune a ele e, com isso, acabar com a contaminação em massa.

Recuperado, Terra diz em entrevista exclusiva a VEJA que não teve medo de morrer – embora admita que “isso passou pela cabeça” -, rechaça a percepção de que a vacina será a solução de todos os problemas e avisa que saiu do hospital como entrou: “Penso exatamente como eu pensava, nada mudou”.

Leia os principais trechos da entrevista:

Qual foi o pior momento dos dias no estaleiro? Tenho resistência natural, não tenho comorbidade. Tenho 70 anos, mas, fisicamente, eu sempre estive bem, e isso pesa na hora que piora o quadro pulmonar. O meu começou com 4% de comprometimento, no quarto dia de doença. Uma semana depois, estava com 80% comprometido. O pior momento foi a UTI. Ainda assim, não precisei ser entubado, só fiquei com oxigênio. Em dois dias de UTI, comecei a melhorar bastante.

Pacientes de Covid-19 que são internados costumam relatar um profundo medo da morte. Isso aconteceu com o senhor? Eu não esperava esse tanto de comprometimento pulmonar, de 80%, mas eu sabia que, a partir do décimo dia, a inflamação iria diminuir. Não posso dizer que senti medo da morte. Isso passa pela cabeça, mas não me dominou.

A doença mudou algo no seu modo de pensar a respeito da melhor forma de combatê-la? Penso exatamente como eu pensava. Não mudou nada. Eu tenho experiência. Toda epidemia tem risco de vida, morrem pessoas. Eu passei por cinco pandemias, quatro delas muito piores do que essa. Nunca subestimei a doença. O que sempre critiquei foi o “lockdown”. Defendi, e defendo, que trancar as pessoas em casa não adianta nada, como não adiantou agora.

Ainda acredita que não deve haver isolamento algum? Grupo de risco deve ficar isolado. Eu sou grupo de risco e, mesmo assim, fiz minhas atividades. Só não me expus gratuitamente. As pessoas devem tomar todos os cuidados: manter distanciamento, lavar as mãos, usar álcool em gel. E ainda bem que mais da metade da força de trabalho do Brasil nunca parou. Se tivesse parado, todo mundo teria morrido de fome.

“Penso exatamente como eu pensava. Não mudou nada. Eu tenho experiência. Toda epidemia tem risco de vida, morrem pessoas. Eu passei por cinco pandemias, quatro delas muito piores do que essa”

O senhor não se arrepende da previsão que fez sobre o número de mortes? Não. Eu fiz a previsão com os dados que eu tinha na época, no início da pandemia. Naquela ocasião, houve uma previsão apocalíptica de 50 milhões de mortes, 1,2 milhão no Brasil. Toda hora me pediam números, estimativas. Eu me baseei nos três dados seguros que havia até então: a letalidade da China, onde morreram 4.000 pessoas, e na Coreia do Sul, que teve menos de mil óbitos; e no que se observou no navio Diamond Princess, uma excursão com 3.600 passageiros, em que 700 pegaram a doença e morreram sete.

E hoje, qual é a previsão do senhor? Quer me sacanear? Não faço mais previsão (risos). Mas acho que já passamos de 60% da população com imunidade, ou seja, creio que 60% da população já se contaminou. Isso significa que já estamos chegando na imunidade de rebanho.

O senhor está esperançoso com a possibilidade de chegada de uma vacina? Vacina não termina com epidemia. Nunca terminou. A vacina termina com o vírus. O que termina com epidemia é imunidade de rebanho.

Os casos de reinfecção não jogam por terra essa teoria? Não. Hoje, cerca de 600 milhões de cidadãos já se infectaram ao redor do mundo. E quantos casos de reinfecção já foram confirmados, comprovados cientificamente? Foram 30, não mais do que isso. O que tem de falso positivo nesses testes é impressionante.

“Eu fiz a previsão com os dados que eu tinha na época, no início da pandemia. Naquela ocasião, houve uma previsão apocalíptica de 50 milhões de mortes, 1,2 milhão no Brasil. Toda hora me pediam números, estimativas. Não faço mais previsão”

Depois que teve Covid-19, o senhor está sendo muito cobrado pelas coisas que disse? As pessoas enlouqueceram. Acha que ser contra o “lockdown” imuniza o sujeito? isso é ridículo. Se imunizasse, todo mundo seria contra, como sou (risos). Eu tenho 70 anos, a gravidade do meu caso se deu muito por conta da minha idade. Estou apanhando muito da “turma do fique em casa”. E trancar as pessoas em casa não resolveu nada, trancar o comércio não resolveu nada. Não é governador nenhum que decide quando acaba uma pandemia.

Veja  

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