Maia pode ir para o MDB

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Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo

O presidente nacional do MDB, Baleia Rossi (SP), convidou o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), a se filiar ao partido. “As portas estão abertas para você”, disse Baleia, segunda-feira, horas antes da votação que sagrou Arthur Lira (PP-AL) o novo presidente da Casa. O gesto de Baleia foi feito, no entanto, sem consultar o diretório fluminense da legenda, que pode vir a barrar a entrada de Maia. O democrata também tem negociado com PSL e Cidadania.

Segundo pessoas próximas a Baleia Rossi, ele não pretende impor nenhuma decisão “de cima para baixo” se o MDB do Rio se opuser à filiação. No começo da semana, Maia, que comandou a Câmara por quase cinco anos, desabafou com o emedebista sobre a dissidência em seu próprio partido. A despeito de costurar a candidatura de Baleia à presidência da Casa, dois terços da bancada do DEM indicaram o voto em Lira, que foi apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro. Depois de ouvir o desabafo de Maia, que se disse insatisfeito na legenda, Baleia lhe fez o convite.

O ex-presidente da Câmara e o presidente nacional do MDB têm relação próxima. Há cerca de um ano, Baleia foi assediado por interlocutores do Planalto para se aproximar do governo, fazer seus pleitos e adotar postura simpática a Bolsonaro. O deputado, no entanto, manteve o vínculo com Maia, que com frequência faz críticas ao presidente. Além disso, Maia e Baleia têm um interesse em comum: articular uma candidatura de centro para disputar a Presidência da República no ano que vem.

Um deputado do núcleo de Maia ouvido em caráter reservado pelo GLOBO se mostrou animado com o convite. Avalia que o MDB é um partido estruturado e que já deixou para trás o estigma da corrupção que assombrou a legenda nas últimas eleições fluminenses, por conta de escândalos de corrupção envolvendo Sérgio Cabral e outras figuras do partido. Além disso, opina esse interlocutor de Maia, o ex-presidente Michel Temer tem aparecido como uma figura prestigiada no cenário político, o que dá exposição positiva ao MDB.

O problema relevante para a ida de Maia ao MDB, no entanto, está no diretório do partido no Rio, controlado por pessoas próximas a Bolsonaro. Hoje, a figura de maior destaque do MDB fluminense é o prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis, que se reelegeu no ano passado e é cotado para disputar o governo estadual em 2022. Primeiro vice-presidente do MDB-RJ, Reis é aliado da família Bolsonaro — ele chegou a batizar uma escola com o nome do pai do presidente — e instruiu seu irmão, o deputado federal Gutemberg Reis, a votar em Lira na disputa à presidência da Câmara, a despeito da candidatura de Baleia, seu correligionário.

Outro cacique da legenda no estado é Waguinho, prefeito de Belford Roxo e segundo vice-presidente do MDB-RJ. Ele não só orientou sua mulher, a deputada Daniele do Waguinho, a votar em Lira como a aconselhou a pedir, publicamente, votos para o adversário de Baleia.

Presidente estadual do MDB, Leonardo Picciani, por sua vez, não manifestou publicamente sua preferência na eleição da Câmara, mas, a julgar pelos acordos políticos em curso, parece próximo da ala bolsonarista do partido. Suplente de deputado, Picciani foi avisado por interlocutores do governador do Rio, Cláudio Castro (PSC), de que o Palácio Guanabara avalia fazer mudanças no secretariado para chamar dois deputados com mandato e, assim, fazer com que Picciani e Julio Lopes, do PP de Lira, assumam cadeiras em Brasília. Essa articulação foi antecipada pela colunista Berenice Seara, do “Extra”, e revela o esforço de Castro para tornar o MDB de Reis seu aliado na eleição ao Palácio Guanabara em 2022. Também aliado de Bolsonaro, Castro chegou a promover um evento em apoio à candidatura de Lira duas semanas antes da eleição da Câmara.

Sobre o convite de Baleia a Maia, Picciani conta que não houve contato com o diretório estadual nesse sentido:

— Considero que seja mais especulação do que articulação de fato. A possibilidade de o MDB-RJ ingressar numa aliança com o governador Cláudio Castro é real.

Um aliado fluminense do ex-presidente da Câmara disse que “seria lindo ver Rodrigo Maia no MDB”, mas afirmou que o imbróglio envolvendo a questão local é “um grande problema”, porque é o diretório estadual que controla a distribuição do fundo partidário. Ao sair do DEM, Maia precisaria ir para um partido no qual tenha autonomia e protagonismo.

O ex-presidente da Câmara também tem conversado com o PSL, ex-partido de Bolsonaro. Na legenda, Maia mantém ótimo diálogo com a cúpula do diretório nacional, presidido pelo deputado Luciano Bivar (PE), e com o presidente da executiva estadual do Rio de Janeiro, deputado Sargento Gurgel. O problema, contudo, é a bancada do partido na Câmara, que conta com mais da metade de bolsonaristas em suas fileiras.

Esse fato, no entanto, não é visto como um ponto final na negociação porque a cúpula do PSL avalia que, de qualquer forma, a maioria da ala bolsonarista do partido deverá deixar a legenda no ano que vem e migrar para a sigla que Bolsonaro vier a indicar. Dessa forma, abriria espaço para Maia e outros políticos que o ex-presidente da Câmara queira levar para a legenda. Depois de ficar muito associado a Bolsonaro, o PSL tenta reformular sua imagem como um partido de centro, longe de extremismos.

O Globo 

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