Pazuello insinua que lhe ofereceram propina

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Foto: Reprodução/ Correio Braziliense

Em um último discurso ao lado do novo ministro da Saúde, o cardiologista Marcelo Queiroga, o ex-chefe da pasta, general Eduardo Pazuello, insinuou que “lideranças políticas” pediram propina ao órgão no fim de 2020. Pazuello também mencionou conspirações internas para retirá-lo do cargo, além de pressão para oficializar medicamentos sem eficácia comprovada contra o coronavírus. As declarações do ex-ministro constam em um vídeo, gravado por assessores no momento em que o militar passava o cargo para Queiroga. O evento foi fechado para a imprensa.

No vídeo, Pazuello não cita qual medicamento teria sido pressionado a oficializar como efetivo contra o covid-19. Entretanto, o ministério da Saúde, sob gestão do militar, produziu um protocolo que recomendava o uso de cloroquina. Pazuello também assistiu, em cerimônias oficiais e transmissões pela internet, o presidente Jair Bolsonaro defender o medicamento sem comprovação científica contra o novo coronavírus.

No vídeo, Pazuello disse ter sido surpreendido com a renúncia de Nelson Teich, que ficou apenas 30 dias no cargo. Ao chegar ao ministério, relatou que foi procurado por “lideranças políticas que temos hoje”, com uma relação para ser atendida. “E não atendemos. Fui jurado de morte”, disse o ex-ministro, sorridente, para Marcelo Queiroga. “Chegou no fim do ano, uma carreata de gente pedindo dinheiro politicamente. Todos queriam um pixuleco no final do ano”, comentou o militar.

Sobre os medicamentos não comprovados, citados como “A”, “B” e “C”, Pazuello disse que a pressão partiu de um grupo interno. “Esse grupo tentou empurrar uma pseudo nota técnica que nos colocaria em extrema vulnerabilidade. Querendo dizer que aquele medicamento, ‘A’, ‘B’ ou ‘C’, a partir dali, estava com os critérios técnicos do ministério, e não tinham”, contou Pazuello. De acordo com o ex-ministro, a essa altura, já haveria um esquema para retirá-lo do cargo, o que os assessores confirmam.

“Fechou-se o cerco. No dia 23 de fevereiro reuni todo mundo e eu disse que não íamos chegar ao dia?”, pergunta ao grupo de assessores. “20 de março”, respondem os presentes. “Não chegamos ao dia 15”, continua o militar. “Então, isso não pode virar surpresa. Não podemos ser surpreendidos. Cada um saiu da minha sala com uma missão para tentar conter os pontos de ataque. Vai vir tiro de fora e de dentro. Rogo aos senhores e ao ministro, atenda ao SUS, aos estados e municípios. Não se renda às pressões políticas, porque a história vai nos julgar”, recomendou.

No mesmo vídeo, Pazuello admite que o ministério não estava preparado para o agravamento da crise, embora especialistas alertassem, desde março de 2020, sobre o perigo do novo coronavírus. “A perspectiva nossa é de que as curvas caminhassem; o cenário mais provável não aconteceu. Chegou outro cenário. Tivemos uma nova linhagem, a P1, ela é 10 vezes maior carga viral do contágio”, afirmou.

No início da solenidade, o militar garante que nunca quis o cargo. “Estou falando com vocês, pois acho que é necessário a gente colocar aqui. É a oportunidade que a gente tem de fazer uma pequena retrospectiva. Quando recebemos a missão em Manaus, é claro que eu não queria vir. Quem é que já ouviu eu dizer isso 1000 vezes?”, questionou o general.

Pazuello conta, então, que comandava a região militar responsável pelo Amazonas, Roraima, Rondônia e Acre, e deveria preparar a região para o combate à pandemia. “E era um comando dos mais cobiçados do Exército.” Ele admitiu, ainda, que não tinha noção do funcionamento do ministério, o mais estratégico no combate à pandemia, quando assumiu o cargo. E que precisou estudar “para entender como funcionaria o Ministério da Saúde”.

“Viemos com dois aviões quebrados, chegar aqui na madrugada, e não tinha nada e nem ninguém para dizer nada. Começamos a estudar sozinhos para entender como funcionaria o Ministério da Saúde. Salas vazias, pessoas que nunca nos passaram nada, e fomos chegando. Chefes abandonaram o barco”, afirmou. Pazuello assumiu a pasta no lugar de Nelson Teich, que ficou no cargo por menos de um mês, e se demitiu após ser confrontado por Bolsonaro, contrário a medidas de isolamento social e propagandeador da cloroquina como remédio milagroso contra o vírus.

O vídeo com as falas de Pazuello foi divulgado pelo Jornal da Record.

Correio Braziliense

 

 

 

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