Bolsonaro dá mau exemplo e não se vacina contra covid

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Foto: Dida Sampaio / Estadão

Aos 66 anos, o presidente Jair Bolsonaro já poderia ter sido vacinado contra a covid-19 há duas semanas, sem furar fila. A imunização de idosos nesta faixa etária, no Distrito Federal, começou no último dia 3, chegou a ser suspensa 48 horas depois por falta de doses, mas foi retomada na sexta-feira passada.

Com a marca de 365.954 mortes por coronavírus desde o início da pandemia, há pouco mais de um ano, o Brasil assiste agora à tragédia virar objeto de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Senado. É também tema da antecipada campanha de 2022, quando o presidente planeja disputar a reeleição.

Após minimizar a pandemia e desdenhar de medidas para evitar o contágio, como isolamento social e uso de máscara, Bolsonaro contraiu o novo coronavírus em julho de 2020. Desde então, protagoniza um vaivém de declarações sobre o avanço da doença no País, mas sempre joga a culpa pelo agravamento da crise no Supremo Tribunal Federal, nos governadores e prefeitos.

Na noite desta quinta-feira, 15, em transmissão ao vivo por redes sociais, ele repetiu que se curou com cloroquina, remédio sem eficácia comprovada. “Eu tomei e me safei. Muita gente tomou e se safou”, disse o presidente, em mais uma pregação de “tratamento precoce”, considerado arriscado pela Sociedade Brasileira de Infectologia.

Em dezembro, Bolsonaro afirmou que não tomaria vacina de jeito nenhum e chegou a chamar de “idiota” quem o recriminava por não se imunizar. “Alguns falam que eu estou dando um péssimo exemplo. Ou é imbecil ou é idiota (…). Eu já tive o vírus. Eu já tenho anticorpos. Para que tomar vacina de novo?”, questionou, ignorando estudos que mostram a possibilidade de reinfecção pelo vírus e suas variantes. “Eu não vou tomar vacina e ponto final. Minha vida está em risco? O problema é meu”, reagiu um irritado Bolsonaro, em outra ocasião.

Foram várias as situações em que o chefe do Executivo seguiu a mesma toada, até que sua popularidade despencou. Antes mesmo da queda de Eduardo Pazuello, então ministro da Saúde, e da nomeação do médico Marcelo Queiroga para o lugar do general, o presidente já era aconselhado pelo núcleo duro do governo a mudar o discurso.

“Teve uma reunião de ministros onde quase a unanimidade achava que eu devia me vacinar. Mas, com todo respeito, eu sou mais eu sozinho do que os 23 (ministros) juntos”, avaliou Bolsonaro, no dia 8 de março, em entrevista ao programa Brasil Urgente, de José Luiz Datena, na Band. “O bom soldado é aquele que está na linha de frente para levar tiro. No caso, como é para levar uma agulhada, eu vou estar lá atrás, deixando que, primeiro, todos os 210 milhões de brasileiros se vacinem”, emendou, rindo.

Após o retorno do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à cena política, a cobrança dos ministros para Bolsonaro se vacinar aumentou. Aos 75 anos, Lula já tomou as duas doses da Coronavac, que até pouco tempo atrás era chamada por Bolsonaro de “vacina chinesa do Doria”, numa referência ao adversário João Doria (PSDB), governador de São Paulo. Em nova estocada na direção do Palácio do Planalto, o petista recomendou ao governo federal que ouça “a ciência”.

“Depois que o último brasileiro for vacinado, se estiver sobrando uma vacina, daí eu vou decidir se vacino ou não”, avisou o presidente, também em live, há duas semanas. Dois dias depois, quando Lula recebeu a segunda dose da Coronavac, Bolsonaro adotou outro tom. “Já estou imunizado com o vírus. (Mas) Se acharem que devo vacinar, vacino. Não tem problema nenhum”, desconversou.

Ao Estadão, o ministro das Comunicações, Fábio Faria, disse que Bolsonaro já resolveu se vacinar. “Mas o dia que vai ser é decisão dele. Quando ninguém esperar, ele vai tomar”, garantiu. Faria não deu nenhuma pista sobre a data. “Tem gente achando que o presidente da República deve ser igual a comandante de navio: o último a sair.”

Estadão 

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