Lira gruda em Bolsonaro e Pacheco se afasta

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Foto: Reprodução

Alçados aos postos de comando do Congresso com o apoio do Palácio do Planalto, os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), enviaram na última semana recados diferentes ao presidente Jair Bolsonaro. Em meio à crise entre Executivo e Judiciário, o deputado fez um gesto de boa vontade ao governo — já o senador assumiu o papel de antagonista. Enquanto Lira deu sobrevida ao voto impresso e prometeu pautá-lo em plenário nos próximos dias, Pacheco rechaçou a iniciativa e, sem citar Bolsonaro, disse que aqueles que ameaçam as eleições serão vistos como “inimigos da nação”.

Ainda que ambos tenham alternado momentos de maior ou menor proximidade com o governo federal ao longo dos seis meses em que estão à frente dos cargos, a adoção de tons distintos em um momento de turbulência institucional sinaliza que pautas de interesse do bolsonarismo continuarão tendo alguma acolhida na Câmara — mesmo que sejam derrotadas depois —, ao passo que no Senado a margem para a amplificação do discurso será mais estreita.

Desde que o Centrão conquistou mais espaço na Esplanada dos Ministérios, com a nomeação de Ciro Nogueira na Casa Civil, Lira passou a defender com mais afinco o governo. Já Pacheco, a partir da instalação da CPI da Covid, acumulou episódios de desavença com governistas.

Na Congresso, a atitude de Lira de pautar em plenário a proposta rejeitada na comissão especial é vista em duas dimensões. Por um lado, o presidente da Câmara deu fôlego à pressão de Bolsonaro e estimulou os ataques ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Supremo Tribunal Federal (STF). Por outro, a iniciativa poderá resultar em uma derrota definitiva do governo.

— A decisão dá uma sobrevida ao discurso de bolsonaristas, que querem pressionar pelo voto impresso. Com o assunto em plenário, porém, prevejo uma derrota avassaladora do governo — diz o vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (PL-AM).

Pacheco já avisou que, ainda que o texto seja aprovado na Casa vizinha, não terá espaço no Senado.

Ao assumir a responsabilidade de levar o tema para a discussão com todo o conjunto da Casa, Lira afirmou que o “voto impresso está pautando o país”. Ele, porém, fez referência ao discurso mais duro proferido contra o governo, em março, quando afirmou que dava um “sinal amarelo”. No contexto da fala, trata-se de uma advertência para um possível processo de impeachment.

Nas últimas semanas, Lira se empenhou para aprovar duas pautas importantes para o governo: a privatização dos Correios e a regularização fundiária, que legaliza a ocupação em terras da Amazônia. Desde que assumiu o cargo, o deputado tenta costurar a votação de temas prioritários à gestão — já foram aprovadas a autonomia do Banco Central e o novo marco regulatório do gás.

Antes de a CPI da Covid ser instalada, Lira e Pacheco se posicionaram contra qualquer investigação, argumentando que tratava-se de momento inoportuno e que o importante seria selar uma “união” para superar a fase mais aguda da pandemia.

A partir do momento em que o STF determinou a instalação da comissão, Pacheco deixou de criar qualquer obstáculo, postura que rendeu um desentendimento público com o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ). Lira, por sua vez, continuou a criticar o colegiado.

Enquanto alterna bons e maus momentos com o governo, Pacheco é estimulado a disputar a Presidência em 2022. O PSD tenta tornar o seu nome viável e aposta na cadeira de presidente do Senado para catapultá-lo. O tema chegou a criar atritos. Segundo aliados de Lira, Pacheco tenta se viabilizar como um nome nacional desde que foi alçado ao comando do comitê de crise para o enfrentamento à pandemia.

Embora Lira esteja mais próximo do Planalto, o recado de ambos é de que o Congresso não aceitará mais questionamentos se o voto impresso for definitivamente enterrado. Declarações reiteradas de Bolsonaro pondo em xeque a confiabilidade das urnas eletrônicas e ameaçando a eleição de 2022 caso o modelo de cédulas não seja incorporado ao processo eleitoral foram o combustível da crise, que gerou uma reação dura do presidente do STF, Luiz Fux, cancelando um encontro entre chefes de Poderes. Na Corte, os ministros Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes entraram na mira de Bolsonaro e reagiram — o ministro Nunes Marques, indicado pelo presidente, foi acionado pelo governo para tentar restabelecer pontes. No lado do Planalto, a tarefa cabe aos ministros Ciro Nogueira (Casa Civil) e Fábio Faria (Comunicações).

Jair Bolsonaro — O presidente insistiu em elevar o grau da crise, com reiterados ataques ao sistema eleitoral e a ministros do STF. Como estratégia, disse que as declarações não eram dirigidas ao Supremo, mas a alguns integrantes.

Ciro Nogueira — Recém-empossado na Casa Civil, procurou Fux para agendar um encontro na semana que vem. Neste momento, a principal missão do ministro é encontrar um caminho para contornar a crise.

Fábio Faria — O ministro das Comunicações também participa das gestões para tentar amenizar a tensão e vem mantendo contato com o ministro Dias Toffoli, ex-presidente do STF.

Luiz Fux — Presidente do STF, que já havia se reunido com Bolsonaro para apaziguar as relações, vocalizou uma dura resposta institucional ao presidente e cancelou uma reunião entre os chefes de Poderes: “Pressuposto do diálogo é o respeito mútuo”

Luís Roberto Barroso — Alvo de ataques, presidente do TSE enviou ao STF pedido de investigação contra Bolsonaro e abriu inquérito na Corte eleitoral para apurar conduta do presidente sobre a confiabilidade das urnas e a realização de eleições.

Alexandre de Moraes — O relator do inquérito das fake news tornou Bolsonaro investigado no procedimento, foi alvo de ofensas e também rebateu as declarações.

Nunes Marques — Indicado por Bolsonaro ao STF, o ministro foi acionado pelo Planalto para tentar distensionar a relação com a Corte. Ele estava no plenário quando Fux fez o discurso em defesa do Judiciário.

O Globo 

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