Milhares de discursos no Congresso em 2021 foram sobre pandemia

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Foto: Agência Câmara

Vacina, pandemia, auxílio, saúde: o combate ao novo coronavírus dominou os debates no Congresso no ano passado. É o que aponta levantamento feito pelo GLOBO em mais de 24 mil discursos de deputados e senadores em 2021. Os dados revelam que diversos termos ligados à saúde apareceram com grande frequência tanto na Câmara quanto no Senado e estiveram entre as cem palavras mais pronunciadas pelos parlamentares no período.

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Repetida mais de dez mil vezes, a palavra “saúde”, por exemplo, foi a 22ª mais dita na Câmara e a 23ª no Senado. Isso significa que foi proferida, em média, 28 vezes por dia, levando em consideração os dois plenários. Além dela, outras como “pandemia”, “auxílio”, “vacina”, “vida” e “emergencial” estiveram frequentemente na boca das excelências.

Apesar do ano temático, palavras típicas de discursos de políticos continuaram presentes no Congresso em 2021. “Brasil” foi a mais repetida, contando as duas Casas, e “governo” também apareceu em profusão nos discursos de deputados e senadores.

Os números, contudo, revelam diferenças entre o Senado, onde o governo enfrentou mais dificuldades no ano passado, e a Câmara, que garantiu vitórias caras ao Palácio do Planalto. O número de discursos na Câmara, formada por 513 eleitos, foi proporcionalmente maior do que o do Senado, que tem 81 parlamentares. Foram quase 20 mil pronunciamentos de deputados e quatro mil no Senado.

Em 2021, o presidente Jair Bolsonaro por vezes demonstrou irritação com as agruras impostas pelo Senado, o que motivou inclusive a nomeação de um membro da Casa, o senador Ciro Nogueira, para a Casa Civil. Apesar disso, a quantidade de discursos aponta que a oposição foi mais aguerrida na Câmara do que no Senado. Os cinco deputados que mais discursaram são de oposição: Talíria Petrone (PSOL-RJ), Erika Kokay (PT-DF), Joênia Wapichana (Rede-RR), Henrique Fontana (PT-RS) e Pompeo de Mattos (PDT-RS). No Senado, entre os congressistas mais falantes há representantes da base, como Eduardo Girão, do Podemos do Ceará (173 discursos), e oposicionistas, como o petista gaúcho Paulo Paim (187). O líder em pronunciamentos, porém, foi Izalci Lucas (PSDB-DF), que adota postura independente, com 260 discursos.

Em 2021, o nome do presidente da República esteve no centro do parlatório de uma das Casas do Legislativo, mas não figurou entre as mais citadas na outra. A palavra Bolsonaro foi a 17ª mais dita na Câmara. No Senado, entretanto, ficou em 479ª lugar no ranking das mais proferidas. O nome do ex-presidente Lula foi a 176ª palavra mais citada na Câmara, enquanto no Senado não aparece nem entre as duas mil mais repetidas.

Contudo, em diversos momentos do ano, a preocupação com a vacinação foi o ponto crucial das discussões. Em março, insatisfeito com o atraso para a aquisição de imunizantes, até o presidente da Câmara e aliado do Planalto, Arthur Lira (PP-AL), chegou a ameaçar Bolsonaro em plenário. Pressionado pelos colegas a falar sobre as condução do governo nas áreas de saúde e no cenário internacional, Lira lembrou que os “remédios políticos” do Congresso são “conhecidos” e “todos amargos”, fazendo referência velada a um processo de impeachment. Naquele momento, o país passava por dificuldades para importar insumos e comprar vacinas.

Outras palavras ligadas à pandemia apareceram com destaque no ranking das cem mais ouvidas no Congresso, como “vacina”, repetida mais de seis mil vezes na Câmara e no Senado. Saúde e pandemia, por exemplo, foram mais repetidas do que educação. Entre os deputados, “auxílio” foi a 61ª mais repetida, à frente, por exemplo, de economia.

Ao longo de 2021, o plenário da Câmara aprovou 244 propostas, entre elas 123 projetos de lei e nove propostas de emenda à Constituição (PECs). Já no Senado, os parlamentares deram aval a 247 propostas em plenário, sendo 163 projetos de lei e 13 PECs.

O Globo 

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