Candidato de Bolsonaro em SP critica… Bolsonaro

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Foto: Reprodução

O ex-ministro da Infraestrutura e pré-candidato governo de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta quinta-feira (5) ter discordado do presidente Jair Bolsonaro (PL) sobre a questão da vacina e que se considera paulista em termos de atitude.

As afirmações foram feitas durante sabatina realizada por Folha e UOL com postulantes ao Palácio dos Bandeirantes.

Tarcísio é o candidado do presidente Jair Bolsonaro (PL) em São Paulo. Embora tenha elogiado o presidente, Tarcísio de Freitas afirmou discordar do presidente em relação à questão da vacina contra o coronavírus.

“Eu discordava por exemplo de uma determinada posição com relação à vacina. Eu me vacinei, vacinei minha família e achava que estava fazendo a coisa certa”, disse.

Ele afirmou, porém, que o governo tomou a atitude correta ao comprar as vacinas. “Eu discordava da linha da narrativa. Eu acho que a gente tomou a atitude correta e fez a narrativa errada”, completou.

O ex-ministro, porém, criticou o governo João Doria (PSDB) pelo fechamento do comércio durante a pandemia e disse que não teria tomado a mesma atitude. “Se fechou muita coisa de forma desnecessária, sem considerar realmente o perfil da pandemia em cada uma das regiões, sem considerar o perfil de cada um dos negócios”.

Apesar da discordância em relação à vacina, o ex-ministro disse aprender com o presidente. “Não tenho os mesmos dons que o presidente. Não tenho a mesma aptidão política do presidente, eu não sou um fenômeno como o presidente é”.

Tarcísio não repetiu o tom de Bolsonaro, que faz frequentes ataques ao Supremo Tribunal Federal e ao sistema eleitoral. No entanto, afirmou que muitas vezes o presidente se defende e isso é considerado um ataque.

O ex-ministro ainda defendeu as motociatas da qual participou com o presidente —no dia 15 de abril, uma delas fechou a rodovia dos Bandeirantes em pleno feriado e custou R$ 1 milhão.

Ele disse que são atos espontâneos e não são promovidos pelo presidente. “Obviamente gera algum transtorno, mas é o ônus da democracia quando se promovem eventos, manifestações espontâneas”.

Atacado por ter nascido no Rio de Janeiro e concorrer ao governo paulista, ele afirmou que considera a questão irrelevante e que tem ligações com a cidade, onde trabalhou e tem família. “Me considero hoje muito paulista em termos de atitude, em termos de estar inserido dentro da cultura do estado de São Paulo”, disse.

Questionado sobre seu time, ele inicialmente citou ter carinho pela Portuguesa, mas admitiu ser flamenguista.

O ex-ministro também falou a respeito de afirmação sua de que o estado paulista fez um pacto com o PCC, o que irritou a polícia paulista. Ele disse ter sido mal interpretado sobre o tema e que fez um registro histórico.

“O que eu falei na verdade é uma reprodução que existe em alguns livros, que narram a ascensão do PCC”, disse. Inicialmente, ele não lembrou o livro. Depois, citou A Guerra: a ascensão do PCC e o mundo do crime no Brasil, de Bruno Paes Manso e Camila Nunes Dias.

Tarcísio voltou a se dizer contrário às câmeras corporais nos uniformes de policiais, política que, segundo especialistas, ajudou a reduzir a letalidade policial e as mortes de agentes. “Para mim, é um voto desconfiança no policial. Eu acredito na polícia, eu acredito no policial”, disse.

Ele também afirmou que o equipamento tira a privacidade do policial e inibiria pessoas a fazer denúncias à polícia. Por isso, ele afirmou que vai reavaliar a política, retirando as câmeras ou dando ao policial o controle da filmagem.

Entrevistadores lembraram que policiais podem desligar as câmeras ao falar com testemunhas e também na hora de ir ao banheiro, por exemplo.

Tarcísio afirmou que a geração de emprego deve ser a prioridade em um eventual governo seu. Para isso, diz que aposta no agronegócio, finalização de obras e investimento em inovação.

Folha