Bolsonaro privatiza empresa que pode ser retomada por novo governo

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Foto: Fernando Brazão

O governo Bolsonaro concluiu nesta 5ª feira (9.jun.2022) o processo de privatização da Eletrobras. Com o fim do bookbuilding –quando se avalia a demanda do mercado–, a Diretoria Executiva da empresa estabeleceu o preço de R$ 42 por ação. Eis a íntegra da decisão do Conselho de Administração da companhia.

Pelo valor fixado, a privatização da Eletrobras deve movimentar R$ 33,7 bilhões, com a venda dos lotes extras de ações inclusos no valor. Na parcela primária da oferta, a companhia deve captar R$ 30,76 bilhões.

Do total, R$ 26,4 bilhões devem vir com a venda do lote inicial de 627,7 milhões de novas ações ordinárias. Outros R$ 4,4 bilhões devem ser acrescidos com o lote suplementar de ações.

Já a BNDESPar, braço de participações do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), venderá 69,8 milhões de ações por R$ 2,9 bilhões.

A demanda chegou a R$ 9 bilhões entre os investidores que usaram recursos do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) para reservar ações. Entretanto, a parte da oferta destinada a esse grupo era de R$ 6 bilhões, o que resultará em um rateio proporcional dos papéis entre os interessados.

Isso significa que os investidores comprarão menos ações do que haviam planejado e receberão na conta do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) o valor que foi transferido a mais para o FMP Eletrobras (Fundo de Privatização Mútuo Eletrobras).

Nesta 6ª feira (10.jun), os ADRs –certificados de ações emitidos por bancos dos Estados Unidos– começam a ser negociados na Bolsa de Nova York.

O início das negociações dos papéis na B3, bolsa de valores de São Paulo, será em 13 de junho.

Nas diretrizes de seu plano de governo, o ex-presidente e pré-candidato a Presidência pelo PT, Luiz Inácio Lula da Silva, formalizou oposição à venda de estatais.

Em relação à Eletrobras, o documento diz que a companhia “será mantida como patrimônio do povo” para viabilizar programas sociais, como o Luz Para Todos, “e uma política sustentável de modicidade tarifária”.

Lula já falou em pelo menos 8 ocasiões sobre a Eletrobras. Leia abaixo: 1

8.mai.2021 – “Se esse crime não for evitado, a privatização da Eletrobras vai também elevar consideravelmente as tarifas de energia”;

16.fev.2022 – “Arranjo esquisito que os vendilhões da pátria do governo atual estão preparando para a Eletrobras”;

22.fev.2022 – “Vou deixar bem claro que eu sou contra, o PT é contra e meu governo sempre foi contra privatizações das empresas públicas estatais”;

24.fev.2022 – “Os empresários sérios que forem comprar a Eletrobras, tenham cuidado. Porque a gente vai rediscutir o que está acontecendo”;

3.mar.2022 – “Os empresários que vão comprar essa empresa, tomem cuidado. Porque se o PT ganhar as eleições, a gente vai querer rediscutir o papel soberano no Brasil em ser dono do seu nariz e ser dono da sua energia”;

1º.mai.2022 – “A gente não pode deixar privatizar a Eletrobras porque, se a Eletrobras for privatizada, nunca mais vai ter um programa como o Luz para Todos”;

18.mai.2022 – “Sem uma Eletrobras pública, o Brasil perde boa parte de sua soberania e segurança energética”;

2.jun.2022 – “Como se a iniciativa privada fosse honesta”.

Poder 360