Políticos contrampõem veto de Bolsonaro a vacina a sua apologia à cloroquina

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Foto: Isacc Nobrega/ Secom PR

Políticos reagiram à declaração do presidente Jair Bolsonaro desautorizando o Ministério da Saúde pelo anúncio de que iria comprar 46 milhões de doses da vacina CoronaVac, que está sendo produzida pelo Instituto Butantan e pelo laboratório chinês Sinovac. Bolsonaro afirmou que o imunizante “não será comprado” pelo governo brasileiro.

Nesta quinta-feira, em sua rede social, Bolsonaro reafirmou a declaração dada no dia anterior, apelidando o imunizante contra o novo coronavírus de “vacina chinesa de João Doria”. Ele disse que a vacina, antes de ser disponibilizada à população, deverá ser comprovada cientificamente pelo Ministério da Saúde e certificada pela Anvisa, completando que “o povo brasileiro não será cobaia de ninguém”.

Entre os candidatos que mostraram repúdio à declaração do presidente está o postulante à prefeitura de São Paulo Guilherme Boulos (PSOL-SP). Em postagem no Twitter, ele questionou o argumento de que “o povo brasileiro não será cobaia de ninguém” e “não se justifica gasto com medicamento que sequer ultrapassou fase de testagem”, fazendo alusão a propaganda do governo federal com a hidroxicloroquina.

O deputado federal Alessandro Molon (PSB-RJ) também compartilhou seu questionamento à fala do presidente: “154 mil morreram por Covid no Brasil, mas Bolsonaro continua colocando suas brigas políticas acima da vida do povo. Vacinas testadas e com segurança comprovada por institutos brasileiros devem ser disponibilizadas o quanto antes. Chega de irresponsabilidade e mortes, Bolsonaro”, completou.

No PT, Fernando Haddad, candidato à Presidência da República em 2018, e a ex-presidente Dilma Rousseff repudiaram, também nas redes sociais, a declaração de Bolsonaro. A ex-presidente acusou Bolsonaro de fazer a população de cobaia e lembrou a polêmica envolvendo a cloroquina, remédio que o presidente incentivou o uso sem comprovação de efetividade no combate à Covid-19. Dilma ainda afirmou que “por ignorância e fanatismo ideológico, Bolsonaro ameaça a vida da população brasileira”.

 

Já Haddad, adversário de Bolsonaro nas últimas eleições, declarou que o presidente “desautoriza a única atitude sensata do ignorante que nomeou para ministro da saúde”.

Outro postulante ao cargo de presidente em 2018 que se manifestou foi Ciro Gomes. Ele também lembrou da insistência de Bolsonaro com a cloroquina sem apresentar dados científicos que comprovasse a argumentação. Ele finalizou a mensagem com a #BolsonaroGenocida, que está no topo dos assuntos mais comentados do Twitter desde a manhã desta quarta-feira.

 

O líder do partido NOVO e deputado federal, Paulo Ganime, destacou a falta de comunicação com o Ministério da Saúde: ‘Se a vacina da China é boa eu não sei, na verdade nenhuma ainda foi comprovada (espero que todas sejam). Mas deixar de comprar por conta de briga com Doria não faz sentido. Além de demonstrar mais uma bateção de cabeça com um Ministro’, escreveu.

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), foi um dos que defendeu o pai, afirmando que ele tinha razão ao interromper a vacina Sinovac. O presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, também demonstrou apoio no Twitter ao presidente Jair Bolsonaro.

O imunizante Butantan-Sinovac está em etapa avançada de testagem, na fase três, quando são testados um extenso grupo de pessoas.

O Globo