CPMI das fake news é teste para base bolsonarista

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Foto: Marcos Corrêa/PR

Depois da decisão do Facebook de remover da rede social páginas ligadas a bolsonaristas, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito das Fake News será palco de teste para a nova base aliada do presidente Jair Bolsonaro.

O Palácio do Planalto espera que os parlamentares do Centrão ajudem o governo a controlar os trabalhos da comissão, que devem ser retomados no final de agosto ou no início de setembro.

O governo tentou encerrar os trabalhos da CPI, mas eles foram prorrogados.

“Sabemos que o governo vai contar com seus novos aliados para tentar dificultar os trabalhos da comissão, principalmente agora que a decisão do Facebook reforça tudo que já estávamos investigando”, afirmou a relatora da CPMI das Fake News, deputada Lídice da Mata (PSB-BA).

O comando da comissão quer ter acesso aos documentos que levaram à decisão do Facebook de remover páginas de aliados do presidente da República. A CPI também deve convocar para depoimento Tércio Arnaud Tomaz, assessor especial de Bolsonaro e apontado como integrante do chamado gabinete do ódio

O presidente da comissão, senador Angelo Coronel (PSD-BA), vai pedir à rede social a entrega aos técnicos da CPMI dos dados investigados. O material deve ser cruzado com documentos já coletados pela comissão.

O senador quer marcar o depoimento de Tércio Tomaz, que já havia sido aprovado no ano passado.

A convocação do assessor especial da Presidência da República deve virar uma disputa entre governistas e oposição na volta dos trabalhos da comissão.

Aliados governistas devem questionar o requerimento já aprovado e tentar impedir a ida de Tomaz à comissão. O assessor trabalha no mesmo andar que Bolsonaro do Palácio do Planalto e administrava páginas nas redes sociais que atacavam adversários do presidente da República.

Interlocutores do presidente destacam que, fosse em outro momento, a situação do Palácio do Planalto seria complicada. Até o início do ano, Bolsonaro não se preocupava em ter uma base de apoio no Congresso.

Com o avanço de investigações contra ele e seus apoiadores, o cenário mudou e o governo passou a negociar cargos com os partidos do Centrão em busca de apoio no Congresso Nacional.

Segundo assessores presidenciais, o presidente conta o apoio desses novos aliados para controlar os trabalhos da CPMI das Fake News.

A comissão já tem munição para criar dificuldades para o presidente da República e, com os dados do Facebook, pode engrossar sua artilharia contra os apoiadores de Bolsonaro nas redes sociais.

G1