Governador tucano diz que Lula é “extremo”

Todos os posts, Últimas notícias

Foto: Felipe Dalla Valle/Palácio Piratini

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), afirmou ontem em entrevista ao Valor que não considera o PT tão extremo” como o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido). Ainda assim, Leite posiciona o partido de esquerda como o polo oposto do bolsonarismo e como corresponsável pela divisão do país. “Temos que tirar o país da disputa entre extremos, acabar com os extremos antes que os extremos acabem com o país”, afirmou o governador gaúcho. Leite aposta no fortalecimento de um campo de centro e diz que, apesar do novo cenário que se coloca com a possível candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2022, o centro precisa brigar para ter um candidato no segundo turno nas próximas eleições presidenciais – mesmo que ele não seja do PSDB.

O próprio governador colocou o nome à disposição para concorrer à Presidência como nome de centro, mas diz que, acima disso, está o projeto de “trazer o país de volta à sobriedade”. Leite lembrou a relevância do governador paulista João Doria (PSDB) e do apresentador de TV Luciano Huck nesse cenário e disse que o PSDB precisa estar aberto para, se necessário, abrir mão de ter um candidato próprio caso haja outro nome mais viável politicamente do centro para 2022.

“O PSDB terá que buscar apoios em outros partidos políticos, que têm aspiração de protagonismo. Se buscamos apoio, temos que ir para as conversas com a humildade de também nos dispormos a apoiar. Se cada um senta à mesa buscando apoio para si, para seu projeto, jamais haverá composição e daí podemos acabar de forma decisiva empurrando o país de novo para o enfrentamento dos extremos e talvez condenando a mais quatro anos de um abismo, de acirramento de ânimos, que precisa ser superado”, afirmou.

Ontem, o diretório nacional do PSDB anunciou que vai escolher em outubro o nome do partido para concorrer ao Planalto. Leite elogiou a atitude de iniciar o debate nesse ano, mas ponderou: “Não é o tempo do partido, tem que ser o tempo do que a política apresentar como possível. Se possíveis aliados do campo político entenderem que é necessário mais tempo, tenho certeza de que partido será sensível para o tempo que melhor atenda o propósito do centro.”

Na visão de Leite, o candidato de centro deve incorporar valores como “sensatez” e “sobriedade institucional”. O político reconhece que essas características não motivam “likes e compartilhamentos”, mas disse que esse é o desafio do centro. “Os extremos conseguem aglutinar apoiadores com muita força. A sensatez não gera automaticamente adesão, é o contrário da idolatria. Por isso acredito que o centro não pode se dispersar muito. Ainda que seja difícil pensar em uma candidatura única de centro, temos que dialogar para construir a melhor candidatura possível eleitoralmente”, afirmou Leite.

O gaúcho disse que, como Bolsonaro, o ex-presidente Lula fomentou a divisão do país quando esteve no poder. “Eu respeito o PT, acho até que não são tão extremos como Bolsonaro é, mas o PT também praticou por muito tempo a política do ‘nós’ e ‘eles“, disse o gaúcho. “O ex-presidente Lula agiu para exterminar partidos políticos, como o PFL, e derrubar grandes lideranças do PSDB, como Arthur Virgílio e Tasso Jereissati.”

Eduardo Leite disse que a divisão pregada pelo PT por anos acabou impulsionando Bolsonaro. “As pessoas ficam míopes a outras questões e só pensam em exterminar aqueles com quem têm divergência.”

Sobre o enfrentamento à pandemia pelo governo federal, o governador gaúcho fez críticas e disse duvidar que Jair Bolsonaro tenha, como disse, um plano para lidar com a crise. Leite lidera ao lado de outros governadores a criação de um Comitê Nacional para fazer a coordenação federal do combate à pandemia, diante da falta de ação do Planalto. “A Nação não é propriedade do governo federal”, afirmou Leite. As prioridades do comitê serão expandir e acelerar a vacinação no país, lançar indicadores e medidas preventivas nacionais e ampliar leitos para cuidar de doentes com covid-19.

“Estou muito interessado em ouvir o plano que o presidente diz que tem para implementar contra a pandemia. Suspeito de que não haja plano ou se tiver não está à altura da gravidade do momento que vivemos”, afirmou Leite. “Se o presidente não pode oferecer ajuda que ao menos não ofereça ataques e mais problemas.” Para Leite, o posicionamento “negacionista” de Bolsonaro desde o começo da pandemia dificultou a adesão da população a protocolos de prevenção à doença. O presidente desestimula o uso de máscara, prescreve tratamentos sem comprovação científica para a doença e promove aglomerações.

Questionado se teme represálias do presidente diante da iniciativa do Comitê Nacional, o governador disse: “Nada pode ser descartado quando se trata de um presidente que já demonstrou desprezo pela vida, negação da gravidade do momento e falta de compromisso econômico.”

Eduardo Leite disse que os governadores buscam uma sinalização de apoio dos líderes do Congresso Nacional ainda essa semana para formar o Comitê.

O Rio Grande do Sul enfrenta agora o momento mais grave da pandemia no Estado. Na noite de ontem, quando o governador atendia a reportagem, havia lotação de 96% dos leitos do Sistema Único de Saúde (SUS) para covid-19 e de 126% nos leitos privados. O número de pacientes internados no Estado passou de 900 no fim de janeiro para 4,7 mil atualmente. Nos picos anteriores da doença no Rio Grande do Sul, o índice ficou em 1,3 mil. “Fugiu ao normal da própria pandemia. É um cenário absurdamente distinto do que tínhamos antes”, afirmou o governador.

Leite atribui a explosão de casos à chegada da nova variante do coronavírus ao Estado e às viagens que tiveram o Rio Grande como destino ou ponto de retorno nestes meses de verão. O governador vinha administrando protocolos contra a pandemia e restrições à circulação de pessoas em cogestão com os prefeitos, mas, diante do agravamento da pandemia, o sistema foi suspenso até dia 21 e o Estado foi colocado em “bandeira preta”. Leite disse que, à medida que haja melhora nos indicadores, voltará a conversar com os prefeitos para definir os próximos passos. Os avanços, no entanto, ainda são sutis. “Nos últimos cinco dias observamos que a curva de aumento de leitos ocupados começou a desacelerar um pouco”, disse Leite.

Valor Econômico

 

 

 

 

O blogueiro Eduardo Guimarães foi condenado pela Justiça paulista a indenizar o governador João Doria em 20 mil reais. A causa foi um erro no título de matéria do Blog da Cidadania. O processo tramitou em duas instâncias em seis meses DURANTE A PANDEMIA, com o Judiciário parado. Clique na imagem abaixo para ler a notícia

Quem quiser apoiar Eduardo e o Blog da Cidadania pode depositar na conta abaixo.

CARLOS EDUARDO CAIRO GUIMARÃES
BANCO 290 – PAG SEGURO INTERNET SA
AGÊNCIA 0001
CONTA 07626851-5
CPF 100.123.838-99

Eduardo foi condenado por sua ideologia. A ideia é intimidar pessoas de esquerda. Inclusive você. Colabore fazendo um ato político, ajudando Eduardo com qualquer quantia.