Antipetismo de 2018 não existirá neste ano

Todos os posts, Últimas notícias

Foto: ESTADÃO CONTEÚDO / ESTADÃO CONTEÚDO

Na semana passada, Lula se gabou ao falar sobre o PT, que continua forte, enquanto seus antigos rivais, PSDB e PFL, caminham para o fim.

Lula aliviou um pouco o tom no dia seguinte para não queimar pontes com tucanos que ainda podem apoiá-lo na campanha eleitoral. Mas os seus comentários nos lembram sobre a recuperação na imagem do PT e do próprio Lula após o refluxo da Operação Lava Jato. Uma das chaves para o cenário eleitoral de 2022 é entender esse fenômeno, e o quanto a rejeição a Lula pode voltar a subir com os ataques de seus adversários.

Entre 2015 e 2016, no auge da crise do governo de Dilma Rousseff, houve quem dissesse que o PT estava em vias de extinção. Essa avaliação precipitada ignorava o fato de que o partido se estruturou desde os anos 80 com uma estratégia atípica no Brasil: sem recursos para concorrer contra os partidos tradicionais, o PT investiu em uma forte identidade partidária.

O PT se tornou o único partido com uma base fiel de seguidores, e também de detratores. Mesmo em crise, a legenda manteve o maior número de eleitores que espontaneamente se identificam com ele: 11% em 2016, segundo o Datafolha.

Após sobreviver à fase mais intensa da Lava Jato, o PT rapidamente começou um processo de recuperação de imagem. A identificação com o PT já havia retornado a 19% em 2018. Esse número hoje está em 22%; o segundo mais citado, o MDB, tem apenas 3% das menções.

A rejeição a Lula em si também diminuiu. Segundo o Ipespe, em 2018, cerca de 60% dos eleitores não votariam nele sob qualquer hipótese. Hoje, esse número está em 43%. Se continuasse assim, Lula teria caminho aberto para o Planalto.

Ele não pode contar com isso, claro. Durante a campanha, os eleitores voltarão a ser expostos às histórias da Lava Jato e da crise do período Dilma. Entretanto, Lula tem a seu favor alguns fatores que tendem a protegê-lo de uma onda anti-PT tão forte quanto a de 2016.

Em primeiro lugar, a militância do PT está de novo maior e com mais ânimo para rebater as críticas. Além disso, se no passado o PT era o único partido que tinha “torcida contra”, hoje também existe um forte sentimento anti-Bolsonaro. Não se deve esperar a mesma enxurrada que se viu contra o PT no passado simplesmente porque boa parte da atenção nas mídias sociais e tradicionais está dedicada também a criticar o atual presidente.

Por conta disso, a onda anti-PT que Bolsonaro tentará criar será menor do que em 2015 e 2016. Ela ainda pode causar algum estrago na imagem do ex-presidente, aumentando a rejeição a Lula em relação aos níveis atuais e levando a um segundo turno mais apertado. Mas, provavelmente, isso não será suficiente por si só para tirá-lo da condição de favorito.

Estadão