Alianças atrasam nomeação de ministros

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Foto: Rafaela Felicciano/Metrópoles

O futuro presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ainda não divulgou nomes de ministros. O anúncio é aguardado porque pode mostrar os rumos que o petista deve tomar no governo. Em repetidas ocasiões, no entanto, Lula postergou a decisão.

O petista já sinalizou que pretende fazer mudanças no número de ministérios em 2023, mas também não descreveu como será a nova configuração da Esplanada.

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Analistas destacam as alianças políticas como a principal explicação para a demora no anúncio do ministeriado. O cientista político Rodolfo Marques aponta que a frente ampla construída durante as eleições é um ponto importante.

“Existem vários interesses, vários grupos políticos que precisarão ser contemplados de alguma forma”, diz. Ele cita os casos de Simone Tebet (MDB) e Renan Calheiros (MDB), que são da mesma sigla, mas de alas diferentes, e escolher um pode causar indisposição com o outro grupo.

André Felipe Rosa, cientista político, ressalta que este momento é o de construção de bases de apoio no Parlamento, dominado pela oposição nas últimas eleições.

“É perceptível que o novo governo ainda está em fase de construção de bases de apoio e, nesse caso, a escolha dos novos ministros e ministras precisa ser pensada após estas articulações.”

A estratégia, apesar de criticada, é uma boa aposta para Lula, já que uma má escolha pode resultar em uma oposição ainda maior no Congresso ao governo.

“O impacto ao novo governo é negativo quando feito de forma equivocada, principalmente quando o Congresso Nacional, em grande parte, tem congressistas desalinhados ao PT. Por este motivo, a escolha dos nomes precisa ser feita de forma cautelosa”, diz Rosa.

Para o eleitor de Lula, a demora é negativa, justamente por desconhecer esse processo de articulação e coalizão política.

Além disso, grande parte do eleitorado se envolve com política somente durante as eleições, ainda mais em um processo polarizado como o deste ano.

“Há alguns nomes na transição que chamam bastante atenção de forma positiva, mas o eleitor que votou no Lula está aguardando mais ele e pode aguardar um pouco mais para escolhas mais definitivas”, diz Marques.

Metrópoles