Presidente da Fiesp pode sofrer “golpe”

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Foto: Silvia Costanti -14.ago.15/Valor

Dirigentes de sindicatos patronais descontentes com a gestão do empresário Josué Gomes da Silva à frente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) ainda buscam marcar para este ano uma assembleia para discutir a saída do presidente da principal federação das indústrias do país.

O assunto tem sido debatido nos bastidores da Fiesp por sindicatos que têm pouca representatividade na indústria, segundo fontes ouvidas pelo Valor. No entanto, o tema não foi abordado durante o almoço de fim de ano da entidade, realizado na segunda-feira (5).

Uma fonte a par do assunto disse que boa parte desses dirigentes não tem mais voz ativa na indústria – Nicolau Jacob, presidente emérito da Fiesp, um dos opositores, representa o Sindicato da Indústria de Móveis de Junco e Vime e Vassouras e de Escovas e Pincéis do Estado de São Paulo. Jacob mora no Uruguai e vem para o Brasil esporadicamente. Procurado, ele não quis dar entrevista.

Com apoio do ex-presidente da Fiesp, Paulo Skaf, sindicatos ligados à entidade reuniram, em outubro, 81 assinaturas para convocar uma assembleia e pedir a destituição de Josué Gomes. A entidade tem cerca de 110 sindicatos patronais.

Esses representantes contam com o apoio de Skaf, que comandou a Fiesp por 17 anos e distribuiu cargos durante suas gestões.

Skaf foi o fiador de Jair Bolsonaro (PL) junto a empresários no início do mandato do presidente e indicou Josué Gomes para substituí-lo no comando da entidade industrial. Gomes foi eleito por unanimidade em uma chapa única.

Durante cerca de um ano de gestão, Josué Gomes criou comitês e descentralizou a administração, e enxugou cargos. Filho do empresário José Alencar, vice-presidente nos dois mandatos de Luiz Inácio Lula da Silva, Josué é visto como apoiador do petista pelos opositores.

Josué tinha até 21 de novembro para convocar a assembleia – o registro do pedido dos representantes patronais fora protocolado em outubro. O ex-ministro Miguel Reale Júnior assessora o empresário mineiro na disputa com os sindicatos que querem sua renúncia e questionou o pedido dos opositores, alegando não haver argumentos suficientes para marcar a assembleia. A expectativa é de que essa reunião fique para janeiro, após o fim do recesso na Fiesp. Interlocutores de Skaf negam que ele trabalhe para derrubar Josué. Procurada, a Fiesp não quis comentar o assunto. Skaf também não quis conceder entrevista.

Valor Econômico