10 de maio foi pior dia da vida de Bolsonaro

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Foto: Igo Estrela/Metrópoles

Como desde que foi derrotado por Lula, Bolsonaro nunca mais teve motivo para ir dormir feliz, o ex-presidente Donald Trump, ontem, em entrevista à CNN americana, ofereceu-lhe um, citando-o.

Trump nada mudou, como Bolsonaro. Repetiu que foi fraudada a eleição que perdeu para Joe Biden, e chamou de “dia bonito” o da invasão do Congresso americano em 6 de janeiro de 2021.

Bolsonaro é covarde se comparado com Trump. Chorou e ficou deprimido em novembro; aproveitou dezembro para tentar reaver joias contrabandeadas, e fugiu para os Estados Unidos.

Com medo da justiça, censurou os caminhoneiros que bloquearam estradas em protestos contra Lula, os bolsonaristas acampados em porta de quartéis, e fingiu nada ter a ver com o golpe de 8/1.

O elogio que Trump lhe fez, porém, o teria reconfortado, se não fosse… Trump elogiou-o por facilitar a compra de armas pelos brasileiros. Para quem está mal, Bolsonaro agradeceria.

Mas, não. O dia terminou com o mais novo escândalo da praça descoberto pelo Metrópoles: a família do tenente-coronel Mauro Cid é dona de luxuosos e caríssimos imóveis nos Estados Unidos.

Que mais? O ex-ajudante de ordem de Bolsonaro, preso desde a semana passada, trocou um dos seus advogados de defesa, que é contra as delações, por outro especialista em delação.

Que mais? O Supremo Tribunal Federal derrubou o decreto de Bolsonaro que concedeu perdão ao ex-deputado Daniel Silveira, bolsonarista de raiz, e que também está preso.

Por fim, soube-se que na investigação sobre a tentativa de golpe do 8 de janeiro mais um nome coroado entrou na mira da Polícia Federal: o do general Braga Neto, vice na chapa de Bolsonaro.

Não tem elogio de Trump capaz de superar tantas notícias ruins para Bolsonaro em um único dia. São mais cabeças ameaçadas de rolar para que ele possa salvar a sua com o mínimo de lesões.

Com o cerco policial e judiciário fechado em torno dele, o que Bolsonaro mais teme é que as cabeças sujeitas à degola caiam na tentação de contar o que sabem, mas por ora escondem.

A mais encrencada delas é a de Mauro Cid. Em sua casa, na Vila Militar, foram apreendidos dólares e reais. Existe nos Estados Unidos um trust registrado com o nome de “Cid Family Trust”.

Um irmão de Mauro Cid é dono na Califórnia de uma mansão no valor de R$ 8,5 milhões. Nos últimos 10 anos, ele fez outras aquisições milionárias, incluindo uma casa na Flórida.

O nome do irmão é Daniel Cid, que operou “milícia digital” contra as eleições e disseminou fake news para ajudar Bolsonaro a se reeleger. Transações financeiras do clã no exterior estão sob lupa.

Daniel Cid confessou à Polícia Federal que, a pedido do irmão, pôs nas redes links e arquivos em formato PDF mais de uma vez usados por Bolsonaro em seus ataques às urnas eletrônicas

O pai dos irmãos Cid, o general Mauro Cesar Lourena Cid, é amigo antigo de Bolsonaro. Chefiou em Miami o escritório da Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos (Apex).

Na semana passada, o general procurou seus ex-colegas de farda, em Brasília, para queixar-se da prisão de Mauro Cid. Não se conforma com a falta de reação deles. A falta de reação explica-se.

Metrópoles