Bolsonaro leva vida de milionário no DF

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Foto: Igo Estrela/Metrópoles

Há exatos 60 dias, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) chegava ao Brasil após passar três meses nos Estados Unidos. O ex-mandatário desembarcou no país com um cenário judicial desfavorável, alvo de apurações em diferentes frentes.

Bolsonaro é investigado no caso das joias sauditas, por suposta incitação aos atos golpistas de 8 de janeiro e ainda é alvo de 16 ações que podem torná-lo inelegível no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Assim que pisou em Brasília, o ex-chefe do Executivo federal se reuniu com aliados, na sede do Partido Liberal (PL), para discutir o futuro de sua carreira política. Como mostrou o colunista Guilherme Amado, do Metrópoles, Bolsonaro passou a receber até R$ 100 mil por mês após deixar o governo e ganhou o posto de presidente de honra do PL.

Menos de uma semana depois de voltar ao país, em 5 de abril, Bolsonaro teve de depor na Polícia Federal. Além dele, a PF ouviu outras nove pessoas. Um dos depoentes foi o tenente-coronel Mauro Cid, antigo ajudante de ordens do ex-presidente da República.

Na ocasião, Bolsonaro (PL) prestou esclarecimentos no inquérito que investiga o conjunto de joias recebidas de presente da Arábia Saudita, com tentativas de entrar no Brasil e de serem incorporadas ao acervo pessoal do ex-presidente ilegalmente.

Em quase 2 horas e 30 minutos de depoimento, o ex-presidente disse aos investigadores que só teve conhecimento de que joias sauditas teriam sido enviadas como presente do príncipe Mohamed Bin Salman 14 meses depois. Fontes da PF informaram que Bolsonaro foi muito educado, profissional, ético e cordial ao participar da oitiva na sede da polícia, em Brasília.

Poucos dias depois, em 14 de abril, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o ex-presidente voltasse a depor na Polícia Federal, desta vez sobre os atos golpistas de 8 de janeiro. Ele é investigado por incitação ao crime ou por ser autor intelectual dos ataques antidemocráticos.

Na sede da Polícia Federal, em Brasília, em 26 de abril, Bolsonaro respondeu por que postou vídeo em suas redes sociais, no dia 10 de janeiro, incitando a prática de crimes e, posteriormente apagou o post.

O vídeo questionava, logo após os ataques ao Congresso Nacional, ao STF e ao Congresso Nacional, a higidez das urnas eletrônicas e o resultado das Eleições de 2022. Endossava as falsas narrativas de fraude na contabilização dos votos, poucos dias após o ato de terrorismo.

Aos investigadores, conforme consta no termo de depoimento, Bolsonaro alegou “que o vídeo foi postado sem seu real interesse em publicá-lo”. Disse ainda que tinha passado por tratamento com morfina, em hospital dos Estados Unidos, onde estava à época, e que fez a postagem por engano, sob efeito de remédios.

Sete dias após seu segundo depoimento, Bolsonaro foi alvo mais uma vez da PF. Desta vez, A Polícia Federal cumpriu mandado de prisão contra o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, e outro de busca e apreensão na casa do ex-presidente, em Brasília. A operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes. Ex-integrantes do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e outras pessoas ligadas diretamente ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foram presas.

As ordens foram cumpridas no âmbito da chamada Operação Venire. Segundo a Polícia Federal, a diligência investiga uma associação criminosa acusada pelos crimes de inserção de dados falsos de vacinação contra a Covid-19 nos sistemas do Ministério da Saúde. O cartão de imunização de Bolsonaro e da filha, Laura, teriam sido alterados.

Na data, o ex-mandatário escolheu não depor, pois a defesa ainda não tinha tido acesso aos autos do processo. No entanto, deu entrevista para um canal de televisão, em que, emocionado, afirmou não ter cometido fraudes e que a operação foi para “esculachar”.

Em 16 de maio, Bolsonaro prestou o terceiro e mais longo depoimento à PF neste ano. Em três horas de oitiva, o ex-presidente declarou que não sabe quem inseriu os dados falsos, nunca ouviu Mauro Cid falar sobre o esquema e jamais autorizou que a fraude fosse feita. Dois dias depois, Cid escolheu se manter em silêncio a marcar presença na Polícia Federal.

Na data do depoimento de Cid, Bolsonaro visitou o filho Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no Senado. Foi a primeira vez que o ex-presidente voltou ao Congresso Nacional desde que deixou a Presidência da República, após a derrota nas Eleições 2022.

Depois de se reunir com aliados no Senado Federal, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou que “quer paz” e pediu para que o “outro lado” parasse de falar em seu nome, em referência ao atual governo: “Eleições de 2022 é página virada”.

“O objetivo é trazer o [Brasil] para normalidade e sem rancor da nossa parte. Espero que o outro lado também pare de falar meu nome.”

Perguntado sobre o risco de se tornar inelegível, Bolsonaro foi econômico: “Não sei”.

Ele ainda admitiu erros durante o tempo em que governou o país, mas ressaltou que “foram quatro anos dificílimos”. O ex-presidente também pontuou que poderia agir de forma diferente. “Houve coisas que eu errei? Sim. Faria diferente? Faria. Mas foi o que aconteceu”, frisou.

De volta ao Brasil, Bolsonaro tem uma vida confortável, com acúmulo de aposentadorias e salário do PL. Ele mora com Michelle, a filha e a enteada em uma mansão no Jardim Botânico, a 12 quilômetros do Palácio da Alvorada. A casa, onde a ex-primeira-dama já se instalou com as duas filhas, tem 400 metros de área construída e aluguel de R$ 12 mil.

Como presidente de honra do PL, Bolsonaro embolsa salário de R$ 41,6 mil, valor do teto salarial do serviço público, recebido por ministros do STF. A legislação brasileira não prevê pensão especial para ex-presidentes, mas ele pode acumular aposentadorias pagas pela Câmara e pelo Exército. A soma das duas aposentadorias pode chegar a R$ 42 mil por mês, segundo o próprio Bolsonaro.

O ex-presidente dá expediente na sede da sigla, em um prédio ao lado do hotel em que Lula se hospedou durante o período entre a eleição e a mudança para o Palácio da Alvorada. Em frente ao edifício fica o Posto da Torre, onde aconteceram as primeiras investigações da Lava Jato.

Como ex-presidente, Bolsonaro tem ao seu dispor dois veículos oficiais com motoristas, dois assessores e quatro seguranças, todos custeados pela Presidência da República. A segurança pode ser reforçada em eventos públicos, como pediu o presidente do PL.

Metrópoles