Aécio se recusa a depor e justiça não ordena condução coercitiva, conforme diz a lei

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Depois de se recusar a depor aos investigadores nesta terça-feira, o senador Aécio Neves (PSDB) fez um pronunciamento à imprensa, no Senado , em que disse estar “sempre à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos devidos”. O senador se defendeu da acusação de ter captado mais de R$ 110 milhões do grupo J&F para comprar apoio político de partidos à sua campanha presidencial em 2014 com o argumento de que se trata da “criminalização de doações eleitorais” . Sem se aprofundar sobre as acusações, ele se negou a responder a perguntas de repórteres.

Aécio é alvo de operação da Polícia Federal, deflagrada hoje. Segundo investigadores, além de ter operado para garantir apoio político do DEM, Solidariedade e PTB, o tucano teria recebido parte dos pagamentos do grupo J&F para si próprio.

— As solicitações da Polícia Federal foram absolutamente desnecessárias, até porque o maior interessado em esclarecer todas essas questões sempre fui eu. Sempre estive à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos devidos — disse o senador, que, intimado por policiais federais em seu apartamento funcional em Brasília, não depôs.

O senador disse que seus advogados estão em contato “com o delegado da Polícia Federal para marcar esse depoimento, que eu quero que ocorra o mais rapidamente possível para que a verdade permaneça”.

Aécio disse que “não podemos mais aceitar que delações de criminosos confessos e suas versões se sobreponham aos fatos”.

— O fato concreto é um só. Do que estamos tratando nesse inquérito? De doações eleitorais. Doações feitas em 2014, de forma legal, registrada na Justiça eleitoral, aprovada por essa mesma Justiça, sem absolutamente qualquer contrapartida. Agora, delatores e, no caso, seu Joesley Batista, em busca da manutenção da sua incrível imunidade penal, falseiam as informações e transformam algo lícito e legal com aparência de crime. Não houve nenhuma ilicitude — afirmou.

Segundo ele, os investigadores não conseguiram provar que ele tenha concedido algum benefício a J&F como governador de Minas ou senador.

— Ao contrário. O que encontraram foram as delações de um outro membro do grupo, seu Ricardo Saud, dizendo que o senador Aécio jamais os ajudou em nada, senador Aécio jamais fez qualquer benefício a esse grupo. Esse é o fato. E se buscarem mais no tempo, quando era governador, o que vão encontrar é uma autuação do estado a esse mesmo grupo, feito em 2008 e 2010. Eles recorreram ao conselho dos contribuintes por recolhimento irregular de ICMS e o que ocorreu foi que o estado, enquanto eu governava, teve ganho de causa sobre esse grupo.

Ele completou que “confia na Justiça” e “a seriedade dessas apurações vão mostrar o que foi feito de forma absolutamente correta, não apenas em relação ao PSDB, mas a outros partidos políticos também agora envolvidos nessa questão”:

— Esses valores aí colocados são valores depositados nas contas de campanha eleitoral, tanto do PSDB quanto dos partidos que nos apoiaram. E certamente vão encontrar outros recursos depositados também nas contas daqueles partidos que foram nossos adversários na campanha eleitoral. Criminalizar a doação, que era legal, é um desserviço à verdade e à Justiça.

Ao terminar de falar, depois de pouco mais de três minutos, ele se virou e deixou o local. Já de costas, ouviu pergunta sobre a Procuradoria-Geral da República qualificar a relação dele com a J&F como “espúria” e apenas comentou: “Está equivocada”.

Do O Globo