Bolsonaro debateu Venezuela, Cuba e Jerusalém com Bolton

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O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) afirmou nesta quinta-feira (29) que tratou com o assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton, sobre medidas diplomáticas contra a Venezuela e Cuba.

Ambos discutiram também a mudança da embaixada de Israel para Jerusalém. Os dois se reuniram nesta quinta por cerca de uma hora na casa do presidente eleito, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro.

“Venezuela é uma questão que vem lá de trás, temos de buscar soluções. Pela cláusula democrática a Venezuela sequer poderia entrar no Mercosul. Medidas precisam ser tomadas”, afirmou o presidente eleito, após evento na Vila Militar.

“Sabemos que existem lá cerca de de 80 mil cubanos. A Venezuela tem mais esse agravante. Vai ser difícil tirar a Venezuela dessa situação. Faremos o possível pelas vias legais e pacíficas para resolver esse problema. Porque nós sentimos reflexo da ditadura que se instala na Venezuela”, disse ele.

Com uma inflação que pode ultrapassar 1.000.000% neste ano, a Venezuela vive uma crise econômica que fez milhões de pessoas deixarem o país em direção aos vizinhos, entre eles o Brasil.

Embora seja crítico ao ditador Nicolás Maduro, o governo brasileiro evitou até o momento impor sanções unilaterais com o regime de Caracas —diferente dos EUA, que já impôs uma série de punições a autoridades venezuelanas.

Bolsonaro disse também que discutiu com Bolton sobre a mudança da embaixada de Israel para Jerusalém.

“Essa possibilidade [de mudança da embaixada] existe. Jerusalém tem duas partes. Uma parte não está em litígio. A embaixada americana está nessa parte”, declarou Bolsonaro.

Por decisão do presidente Donald Trump, os EUA mudaram em maio sua embaixada de Tel Aviv para Jerusalém, o que foi alvo de críticas na maior parte do planeta e de protestos no mundo árabe.

Embora Jerusalém oficialmente seja a capital do país, apenas as embaixadas dos EUA e da Guatemala ficam na cidade, enquanto o restante ficam em Tel Aviv. A polêmica ocorre porque os palestinos reivindicam que Jersualém Oriental seja a capital de seu futuro Estado.

Bolsonaro prometeu durante a campanha também fazer a mudança da embaixada, em um aceno à sua base evangélica e ao governo israelense. No início de novembro, contudo, após o cancelamento de um compromisso diplomático com o Brasil pelo Egito, o pesselista afirmou que a mudança ainda não estava decidida.

Em visita aos EUA na terça (27), porém, o filho do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) voltou a dizer que a mudança vai ocorrer.

O impasse acontece porque juntas, as nações árabes são o segundo maior comprador de proteína animal brasileira. As exportações somaram US$ 13,5 bilhões (cerca de R$ 52,3 bi) em 2017 e o superávit para o Brasil foi de US$ 7,17 bilhões (R$ 27,7).

O temor é que estes países parem de comprar o produto brasileiro caso a mudança seja efetivada.

A conversa entre o brasileiro e o americano também tratou de questões econômicas, segundo o relato do presidente eleito.

“Terrorismo não entrou na conversa. Mas a questão das barreiras, das taxas alfandegárias, as dificuldade de se fazer negócio aqui. Transmiti a ele, junto com a equipe econômica, no sentido de facilitar o comércio com Estados Unidos e o mundo tudo sem prejudicar a nossa economia”, disse o presidente eleito.

Bolsonaro afirmou que pretende ir aos Estados Unidos após a realização da cirurgia para retirada de sua bolsa de colostomia, implantada em razão do ataque que sofreu durante a campanha eleitoral.

A primeira viagem internacional de Bolsonaro após a posse será a países da América do Sul.

“Estamos estudando uma viagem curta para a América do Sul. Paraguai, Argentina e Chile.”

Ele afirmou que há possibilidade da vinda do presidente norte-americano Donald Trump a sua posse. O empecilho seria a data da solenidade, 1º de janeiro.

“É uma data ingrata. Mas existe essa possibilidade”, disse ele. Após o encontro, Bolton disse nas redes sociais que convidou o brasileiro para se encontrar com o americano no futuro.

O presidente eleito tem feito um discurso de aproximação de Trump e seu filho Eduardo está atualmente em viagem aos Estados Unidos, onde se encontrou com aliados do republicano, como o ex-estrategista Steve Bannon e o senador Ted Cruz.

Da FSP