Bolsonaro controla governador do Rio que controlará chefe do MP

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Foto: Reprodução

Epicentro das investigações do esquema da rachadinha envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e de desvio de dinheiro público no governo estadual, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) oficializou na última quinta-feira, 1º, os cinco candidatos ao cargo de procurador-geral de Justiça, posto mais alto do órgão hoje ocupado por Eduardo Gussem, cujo mandato termina no fim do ano. A votação ocorrerá em 11 de dezembro. O novo chefe do MP-RJ será nomeado a partir de uma lista tríplice (os três primeiros colocados na eleição) pelo governador em exercício Cláudio Castro, alvo de denúncias de corrupção e, atualmente, aliado do clã Bolsonaro. Dois promotores e três procuradores se inscreveram para a disputa. A posse está marcada para 15 de janeiro. O mandato é de dois anos.

Um dos candidatos é o procurador de Justiça Marcelo Rocha Monteiro, um apoiador do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Em suas redes sociais, ele aparece em fotos com Flávio Bolsonaro, filho mais velho da família. Flávio é apontado pelo MP-RJ como líder de uma quadrilha que desviava parte dos salários dos funcionários de seu gabinete quando era deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Seu ex-assessor, Fabrício Queiroz, que está em prisão domiciliar, foi acusado de ser o operador. A mãe e a ex-mulher do miliciano Adriano da Nóbrega, o capitão Adriano, morto em fevereiro, estavam nomeadas e participaram da fraude, segundo o MP-RJ.

O outro filho de Jair Bolsonaro, o vereador carioca Carlos Bolsonaro (Republicanos) também é alvo do Ministério Público fluminense. Ele é suspeito de nomear funcionários fantasmas em seu gabinete na Câmara Municipal. Flávio e Carlos sempre negaram irregularidades. Nos bastidores, Marcelo Rocha Monteiro já tem o apoio do clã, que tenta influenciar na escolha do novo procurador-geral. Há pelo menos 15 anos, a tradição é que o mais votado seja o escolhido da lista tríplice, o que pode não ocorrer desta vez. Marcelo não é o favorito na votação da categoria, mas governador em exercício Cláudio Castro, segundo apurou VEJA, não vai querer contrariar a família Bolsonaro. Além do apoio político, Castro conseguiu recentemente adiar o pagamento do Regime de Recuperação Fiscal, fundamental para não quebrar as finanças do governo.

Marcelo Rocha Monteiro está no MP-RJ desde 1988. É lotado na 4ª Procuradoria de Justiça de Habeas Corpus. É coautor do livro “O inquérito do fim do mundo”, que fala sobre as investigações das fake news que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) e tem como alvo os Bolsonaro. Marcelo é professor de Direito Penal na Universidade do Estado do Rio (Uerj). Em entrevista a VEJA em 11 de setembro, ele disse que foi estimulado a concorrer por amigos promotores e que suas ideias sobre segurança pública “coincidem com as de Bolsonaro”.

Os outros candidatos são:

Virgilio Panagiotis Stavridis: É chefe de gabinete de Eduardo Gussem, que o apoia, e ligado ao ex-procurador-geral Marfan Martins Vieira. Está no MP-RJ desde 1993, atualmente, lotado na 9ª Promotoria de Justiça de Fazenda Pública da Capital.

Ertulei Laureano Matos: Procurador de Justiça é integrante do MP-RJ desde 1977. Hoje está lotado na 4ª Procuradoria de Justiça junto à 1ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio.

Leila Machado Costa: Procuradora de Justiça. Está no MP-RJ desde 1989, atualmente, trabalha na 3ª Procuradoria de Justiça da Infância e da Juventude Infracional.

Luciano Oliveira Mattos de Souza: Promotor de Justiça. Faz parte do MP-RJ desde 1995. Está lotado na Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Defesa do Meio Ambiente do Núcleo Niterói.

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