Conheça as regras da PM para 7 de setembro em SP

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Foto: Leonardo Martins/UOL

Manifestações pró e contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) estão marcadas para 7 de setembro em São Paulo. Em um esforço que envolverá centenas de agentes de segurança pública, a cidade ficará dividida para evitar confrontos entre os dois grupos:

apoiadores do presidente fazem ato na avenida Paulista, das 11h às 18h;
manifestantes contrários a Bolsonaro fazem ato no Vale do Anhangabaú, no centro da capital, das 14h às 17h.

Ontem, a Polícia Militar de São Paulo se reuniu com representantes de ambos os grupos na sede do Comando de Policiamento de Área Metropolitano 1, no centro da capital paulista, para firmar regras de segurança e compromisso dos organizadores em não incentivar confronto.

Estiveram presentes no encontro representantes da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), da GCM (Guarda Civil Metropolitana), da SPTrans, da Secretaria de Estado a Saúde, da subprefeitura da Sé, da Autoridade Municipal de Limpeza, da Ouvidoria das Polícias e da Defensoria Pública.

O regulamento da PM designou normas que valem para as duas manifestações. Entre elas estão:

a obrigatoriedade de revista de todos carros de som e integrantes;

a proibição de levar drones, fogos de artifício e qualquer tipo de arma à manifestação;

o encerramento dos atos no horário estabelecido, com desobstrução total das vias .

A PM afirmou que acompanhará e fará escolta às duas manifestações, mas ainda não deu detalhes sobre o efetivo que será empregado nos dois locais.

Entre as 10h e as 12h de ontem, a PM se reuniu com 34 representantes de grupos pró-governo em uma sala do batalhão, onde a reportagem do presenciou aglomeração. Alguns integrantes violaram as cadeiras isoladas para evitar que duas pessoas sentassem uma ao lado da outra, conforme orientam as autoridades de saúde.

Em duas ocasiões, os policiais pediram aos presentes para que usassem máscara de proteção dentro do local, seguindo protocolos sanitários. Isso foi seguido pela maioria, mas uma parte dos presentes usava máscara com nariz para fora, retiravam-na para falar em voz alta e até mesmo para fazer selfies.

Coordenada pela capitã da PM Jaqueline Teixeira Ferraz Verardino, a reunião foi travada em diversos momentos por causa de intervenções dos manifestantes, que chegaram a discutir onde cada carro de som ficaria estacionado na avenida Paulista.

Alguns representantes afirmaram que farão motociatas pela cidade; outros prometem trazer pessoas do interior e do litoral paulista. A expectativa do grupo é que reunir entre 2 milhões e 3 milhões de pessoas na Paulista — muito além da capacidade aglomeração na área da avenida, como aponta o Datafolha. Nos últimos atos na Paulista o governo paulista não fez estimativa de participantes.

Em certo ponto do encontro, a capitã explanou a determinação de que será proibido caminhões e carros de som estacionarem de forma perpendicular na avenida, a fim de evitar que os automóveis formem bloqueio físico em caso de tumulto. O grupo reagiu.

Um dos participantes levantou a mão e questionou os policiais, que rebateram ressaltando a proibição e que o ato visa prevenir acidentes em caso de tumulto. Alguns integrantes chegaram a levantar das cadeiras e a capitão teve de pedir ordem. “Eu não deixei de ser autoridade policial. Preciso que mantenham o máximo de disciplina possível para chegarmos a um consenso comum”, afirmou Verardino.

Ao final da primeira reunião, o coronel Alexandre Cesar Prates, chefe do Comando de Policiamento de Área Metropolitano 1, chamou atenção para o uso de armas pela primeira vez.

Não poderão estar portanto armas, bastões, soco inglês ou qualquer coisa que possa atentar contra os direitos de qualquer pessoa. A responsabilidade da segurança dos manifestantes é dos senhores”
Alexandre Cesar Prates, comandante do CPA/M1

Ele reuniu em seu gabinete líderes dos movimentos pró e contra o governo. A reportagem presenciou a conversa. O coronel ressaltou as normas de segurança e pediu compromisso de todos com “pacto de segurança” para evitar confrontos e acidentes.

Logo depois, entre as 12h e às 14h, foi a vez de nove integrantes de grupos contrários a Jair Bolsonaro se reunirem com a PM. Todos usaram máscara a todo momento e afirmam esperar a participação de até 30 mil pessoas. Mas o encontro também teve momento de tensão.

Foi quando o subprefeito da Sé e ex-comandante geral da PM, Marcelo Vieira Salles, afirmou que “a condição” para o ato ser realizado era que os manifestantes “preservassem o bem público” no Vale do Anhangabaú, já que o local passou por recente reforma com envolvimento da iniciativa privada.

Integrantes dos movimentos questionaram a fala ressaltando que a manifestação aconteceria de toda forma, que não havia condicionante algum, e que a afirmação do subprefeito contraria uma decisão judicial.

Ontem, o juiz Randolfo Ferraz de Campos vetou que os dois atos aconteçam no mesmo local, mas ressaltou: “Já para local distinto, em respeito à regra constitucional, não há vedação possível, tanto por este Juízo como por qualquer outro órgão público (ou mesmo por particulares)”.

O fato de dois atos antagônicos acontecerem no mesmo dia e em horário próximo causou imbróglio na semana passada. O governo de São Paulo se posicionou contrário à realização do ato contra Bolsonaro no mesmo dia e pediu que manifestantes se juntassem a outros movimentos contrários ao presidente no dia 12 de setembro, o que foi negado pelos líderes.

Em nota enviada à imprensa no final da tarde de ontem, a Secretária de Segurança Pública ressaltou que qualquer tipo de armamento estava proibido e deu orientações quanto ao deslocamento dos participantes. “A fim de garantir a segurança de todos, serão realizadas também vistorias pessoais nos participantes dos eventos. Será proibido o porte de objetos que possam atentar contra a vida dos demais presentes aos atos e da população em geral.”

“Em razão dos atos, as linhas de ônibus que passam por esses locais serão ajustadas. O Metrô orienta os usuários a comprar antecipadamente os bilhetes e informa que poderá realizar o controle de acesso às plataformas para evitar acidentes, se necessário”, diz a nota do governo.

Uol

 

 

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