PT discute ampliação radical da base Governista

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Evelyn Hockstein/Reuters

 

Corrente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no PT, a tendência CNB (Construindo um Novo Brasil) apresentou proposta de resolução que defende um pacto que una “todos os democratas e forças amplíssimas” no Congresso Nacional.

Ao propor o pacto para a democracia, no entanto, o documento não cita os atos golpistas ocorridos em Brasília no dia 8 de janeiro nem aborda a relação do governo com os militares.

O texto base diz que é preciso forjar no Congresso Nacional “um pacto de ampla maioria” que se oponha “ao Estado policial e o complexo de poder que tenta criminalizar a política e destruir a democracia”.

O documento propõe a reconstrução de marcos legais e aprofundamento do “Estado de Direito e as garantias individuais e democráticas”.

“É preciso forjar na Câmara e no Senado um pacto de ampla maioria que una todos os democratas e forças amplíssimas que se oponham ao Estado policial e o complexo de poder que tenta criminalizar a política e destruir a democracia, reconstruindo marcos legais e aprofundando o Estado de Direito e as garantias individuais e democráticas”, diz o texto.

A proposta de resolução ainda será discutida e votada em reunião do Diretório Nacional que ocorre nesta segunda-feira (13), em Brasília. O texto base foi apresentado ao partido na noite de sexta-feira (10) e poderá sofrer alterações com propostas das demais correntes da sigla, ainda que minoritárias.

O encontro desta segunda é o primeiro presencial da cúpula partidária desde 2020 e o primeiro já no governo Lula.

O documento da força majoritária do PT também critica o Banco Central, afirmando que a sua “política de juros altos” não controlou a inflação “e impede a construção de uma trajetória de investimentos para o desenvolvimento do país”

O texto diz ainda que os temas das políticas fiscal e monetária “estão no centro do debate”, classifica como “tragédia” o teto de gastos e afirma que ele nunca foi respeitado e serviu apenas de cortina de fumaça para “justificar o descaso com as necessidades do povo brasileiro”.

O texto diz também que escândalos foram engendrados contra os governos petistas, o PT e seus líderes para criminalizar a política e destruir a democracia —e que isso é um projeto.

“Um projeto articulado de fora, numa guerra ‘soft’ envolvendo redes sociais, mídias empresariais variadas e a parte cooptada do judiciário brasileiro, cuja maior expressão foi o juiz Sergio Moro e sua quadrilha de procuradores”, diz o documento.

O texto faz críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ainda que sem citá-lo nominalmente, e ao bolsonarismo, afirmando que a força política é “guardião da casa grande e do chicote da senzala”.

“O bolsonarismo não é um fenômeno isolado, e o ex-presidente, com suas tosquisses e suas ações desumanas e repugnantes, representa um pedaço grande de um país marcado por iniquidades, desigualdades, preconceitos e violências”, diz o texto.

Na reunião desta segunda, serão discutidas outras seis propostas de resolução de outras correntes do partido. A da Resistência Socialista afirma que o governo de Bolsonaro trouxe de volta ao Brasil “o pesadelo da ditadura cívico-militar”.

“Enaltecendo esse triste momento da história brasileira, pedindo a sua volta, homenageando os torturadores, como ele mesmo fez no golpe contra a presidenta Dilma, e repudiando de maneira violenta e organizada o resultado democrático eleitoral de 2022”, diz o texto.

Já o da Democracia Socialista aponta em sua resolução quatro pontos que limitam a aplicação plena do programa de governo de Lula, entre elas a relação do bolsonarismo com as Forças Armadas e a “maioria conservadora e fisiológica” do Congresso.

Ainda no encontro da cúpula do partido deverão ser tratados a substituição dos quadros do diretório nacional e da Fundação Perseu Abramo que passaram a integrar o governo Lula, o que inclui a prorrogação do mandato da presidente Gleisi Hoffmann e dos demais diretórios estaduais.

O deputado Henrique Fontana deverá assumir o posto de secretário-geral do PT, no lugar de Paulo Teixeira, ministro do Desenvolvimento Agrário; o senador Humberto Costa deverá se tornar um dos vice-presidentes da legenda, no lugar de Márcio Macedo, ministro da Secretaria-Geral da Presidência.

Já Paulo Okamotto, ex-presidente do Sebrae e aliado de Lula, deverá se tornar o presidente da Fundação Perseu Abramo no lugar de Aloizio Mercadante, que comanda o BNDES.

Folha de São Paulo