Michelle “demite” assessor por excesso de bolsonarismo

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Michelle Bolsonaro e o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto (ao fundo), durante posse da ex-primeira-dama como dirigente do setorial de mulheres da sigla – Foto: Cristiano Mariz/O Globo

O PL contratou para assessorar Jair Bolsonaro na presidência de honra do partido um antigo auxiliar do Palácio do Planalto, o ex-secretário de Comunicação Fabio Wajngarten.

Nessa nova fase, Wajngarten tem funcionado ao mesmo tempo como assessor de imprensa, gestor de crise e porta-voz, defendendo o ex-presidente nos bastidores e redes sociais.

Foi ele, também, quem trouxe para a defesa de Bolsonaro no caso das joias sauditas o advogado Paulo Amador Bueno, que até outro dia era um desconhecido da equipe jurídica do ex-presidente.

Mas embora tenha fechado um contrato com pagamento mensal para assessorar Jair e Michelle Bolsonaro ao mesmo tempo, já que a ex-primeira-dama comanda o PL Mulher, Wajngarten não deve cumprir uma parte da missão.

Isso porque a própria Michelle Bolsonaro dispensou seus préstimos. Segundo a ex-primeira-dama justificou a pessoas próximas e aos dirigentes do partido, ela considera o estilo de Wajngarten “muito raivoso” e “radical”.

Acha, ainda, que ele não trabalha para diminuir as crises e muitas vezes contribui para acirrar os ânimos. Por isso, prefere não tê-lo em sua equipe no dia a dia.

A avaliação de Michelle sobre Wajngarten é antiga e vem dos tempos do Planalto. Segundo me disse um ex-ministro que tinha acesso livre e constante a Bolsonaro na presidência, a então primeira-dama até mantinha bom relacionamento com o secretário de comunicação e era amiga de sua mulher — mas “na pessoa física”. “Na jurídica”, explica esse ex-ministro, “ela preferia manter distância”.

É o que está acontecendo agora. No início da crise das joias sauditas, Wajngarten sugeriu a Michelle algumas iniciativas — como declarar que não tinha conhecimento da existência das joias. Também ajudou a gravar vídeos para o dia da mulher junto com o publicitário Duda Lima.

Depois disso, Michelle simplesmente submergiu, obedecendo à orientação de não tomar nenhuma atitude que a vinculasse a misturar com o caso das joias. Chegou a deixar o Brasil por alguns dias, em meio à crise, a pretexto de visitar Bolsonaro no seu autoexílio nos Estados Unidos.

Foi aí que Wajngarten e Michelle se descolaram. Nos últimos dias, apesar de o novo assessor do PL ter passado a frequentar mais amiúde a sede do partido junto com Bolsonaro, Michelle já mandou dizer que prefere o ex-ministro totalmente dedicado ao marido.

Ela prefere utilizar a estrutura de assessoria montada por Valdemar da Costa Neto para o PL Mulher, que inclusive fica numa sala lateral e com entrada separada da área onde fica Jair Bolsonaro.

O Globo