Temer e FHC não creem em golpe militar

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Foto: Silvia Zamboni/Valor

Os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Michel Temer criticaram ontem as ameaças à democracia feitas durante o governo Jair Bolsonaro, em atos pelo fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF). Os dois ex-presidentes, no entanto, afirmaram que não veem nas Forças Armadas o ímpeto para apoiar um eventual governo autoritário e descartaram uma nova ditadura militar no país.

Ao participar de uma conferência virtual do Credit Suisse, Temer lembrou que “houve tentativas de ameaça à democracia” recentemente. “Não tem dúvida disso. Não poderia ignorar aqueles movimentos que se deram em certo momento do governo atual e que pleiteavam o fechamento do Congresso, fechamento do Supremo Tribunal Federal, até com razoável agressividade. Mas não sinto que haja clima para uma derrota da democracia no nosso país”, afirmou. A declaração foi uma resposta à pergunta feita pelo mediador da conferência, Ilan Goldfajn, presidente do Conselho do Credit Suisse no Brasil, se há ameaças à democracia no país e como tem sido a atuação das instituições.

Temer afirmou que é “inviável” um golpe de Estado se não houver apoio das Forças Armadas e disse que “jamais” sentiu nos militares “qualquer tentativa de romper com as estruturas democráticas”. “Convivi muito com membros das Forças Armadas e jamais senti neles qualquer tentativa de agredir a Constituição, ou seja, de romper com as estruturas democráticas”, disse. “Não vejo como pensar em golpe.”

O ex-presidente ressaltou o papel das instituições como o Legislativo e o Judiciário e afirmou que uma ameaça “não quer dizer” que vai resultar na derrubada da democracia. “As instituições estão funcionando”. Para Temer, a troca no comando dos Estados Unidos, com a eleição do presidente Joe Biden e a saída de Donald Trump, ajuda a manter o sistema democrático no Brasil.

Fernando Henrique avaliou que o país vive um “mal-estar”, com o agravamento dos problemas econômicos, sobretudo com o empobrecimento da população e o aumento do desemprego, e afirmou que o governo precisa agir para controlar a insatisfação popular. “Se houver desordem, ninguém segura”, declarou. No entanto, o tucano disse que os militares não desejam o poder neste momento. “Eles aprenderam”, disse. “Os militares se voltaram para o lado democrático, não acho que estão pensando em golpe.”

Ao discutirem os cenários para 2022, Fernando Henrique disse que Bolsonaro tem grande chance de se reeleger se o principal adversário na disputa for o PT. FHC avaliou que Bolsonaro continua forte, apesar de sua popularidade ter caído, e defendeu um nome que represente as forças políticas de centro para concorrer contra o presidente.

O tucano afirmou ainda que se arrepende de ter viabilizado a reeleição no país. Na avaliação de FHC, o candidato que concorrer contra Bolsonaro precisa aglutinar diferentes forças políticas. “Se ficar PT e Bolsonaro, a chance de Bolsonaro ganhar é grande. Atribui-se muita coisa errada ao PT”, afirmou. “Se quisermos ter possibilidade de vitória, tem que unir todas as forças. Todas as forças que se dispuserem a trabalhar. Isso vai depender de quem é o candidato.”

O tucano citou como eventuais candidatos os governadores João Doria (São Paulo) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul), ambos do PSDB, e o apresentador Luciano Huck, sem filiação partidária. “Eles têm que assumir posições que agreguem. Se estiverem desagregados, o outro lado ganha. Precisa ter capacidade de falar em nome da maioria”, disse FHC.

Temer evitou falar em nomes para 2022 e disse que é “importante encontrar alguém que saiba sensibilizar a vontade popular”. “Essa história de centro, direita, esquerda, isso não existe mais. O povo quer resultado. Se o resultado for positivo, o povo aplaude. Tanto faz de centro, direita e esquerda”, afirmou.

Durante a conferência, FHC fez “mea culpa” por ter articulado e aprovado a reeleição quando era presidente, para ter mais quatro anos de mandato. O ex-presidente disse que o ideal seria um mandato de cinco anos. “Acho ruim para o Brasil o instituto da reeleição. É uma autocrítica”, afirmou. Em seguida, voltou a falar que a possibilidade de Bolsonaro ser reeleito é “sempre grande”. “É um erro pensar que porque ele caiu na pesquisa, ele perdeu poder de aglutinar.”

Valor Econômico

 

 

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