Golpe fará você trabalhar 12 horas/dia ganhando a metade. Que tal?

denúncia

reforma

Foi por pouco que o governo Temer não bancou no Congresso a reforma trabalhista criminosa que fará o a qualidade do trabalho assalariado no Brasil retroceder quase um século. A dita “minirreforma” trabalhista ia ser implementada via medida provisória, mas, vendo o tamanho da repercussão negativa, Temer recuou e enviou o desastre ao Congresso como projeto de lei.

Tudo isso aconteceu nesta quinta-feira 22 de dezembro.

No mesmo dia, os golpistas tentaram suavizar a paulada na sociedade com medidas paliativas como redução de juros do cartão de crédito que já não vinham sendo pagos pelo tamanho da extorsão, e que estavam gerando uma inadimplência sem precedentes.

Cobrar 30, 40, 50 vezes a inflação anual por atraso no cartão de crédito não estava ajudando as operadoras financeiras e ainda estava desorganizando ainda mais a economia. Daí que a tal “redução de juros” que a mídia está citando no lugar do retorno à escravidão em que se constitui a “reforma trabalhista” não passa de tática diversionista.

Quanto à liberação de 1 mil reais de contas inativas do FGTS, não há novidade nenhuma. Pouco gente sabe, mas é possível fazer o saque de FGTS de conta inativa. São consideradas contas inativas de FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) aquelas que não recebem nenhum tipo de movimentação de depósitos há mais de três anos.

Cada contrato de trabalho tem uma conta própria vinculada de FGTS. Nessa conta, são realizados os depósitos mensais realizados pela empresa. Quando o contrato acaba ou o profissional pede demissão, sem direito a sacar o fundo, a conta deixa de receber depósitos e se torna inativa. Ela, no entanto, continua pertencendo ao trabalhador e seu saldo está sujeito a recebimento de juros e correção monetária.

Existem duas regras básicas para a realização do saque de FGTS de conta inativa. A primeira delas legisla sobre rescisões de contratos de trabalhos que tenham ocorrido antes de 13 de julho de 1990. Nesse caso, o trabalhador tem direito a sacar o saldo do fundo imediatamente.

Para as contas referentes a rescisões de contrato posteriores a essa data, a legislação para o saque de FGTS de conta inativa é diferente. É preciso que o trabalhador fique, no mínimo, três anos seguidos fora do regime FGTS, sem trabalhar com carteira assinada e sem nenhuma contribuição, para que tenha direito ao saque.

Esse direito só é válido, no entanto, a partir do mês de aniversário do trabalhador. Um exemplo: o trabalhador pediu demissão em janeiro de 2012 e, desde então, não trabalhou mais sob o regime de carteira assinada. Nesse caso, ele pode solicitar o saque de FGTS de conta inativa a partir do primeiro dia útil do mês do seu aniversário em 2015.

Caso o trabalhador tenha pedido demissão em dezembro de 2012, os três anos fora do regime se completarão em dezembro de 2015. Se o aniversário desse trabalhador for em novembro, por exemplo, ele só poderá solicitar o saque do FGTS das contas inativas a partir de novembro de 2016.

Após os três anos fora do regime FGTS, o trabalhador tem direito a receber o saldo de todas as contas inativas que estiverem sob seu nome. O que Temer fez, portanto, foi antecipar um pouco um direito dos trabalhadores, mas em um valor ridiculamente baixo.

Já a reforma trabalhista, ah, essa vai ferrar todo mundo. A proposta é fazer prevalecer sobre a legislação a negociação entre patrões e empregados que tratem de casos como trabalho remoto (fora do ambiente da empresa), remuneração por produtividade e registro de ponto.

Ela permitirá também negociar, sem seguir a atual legislação, o parcelamento de férias anuais em até três vezes. Não, não é piada. Você não vai mais sair de férias com dinheiro no bolso. Mas isso não é o pior

Também terão força de lei, desde que incluídos em acordos coletivos, intervalo entre jornadas de trabalho. Ou seja: você passa o dia ou a semana à disposição da empresa, mas só receberá alguma coisa quando ela o chamar para trabalhar.

Gostou?

No caso do Programa Seguro-Emprego, as regras seguem permitindo uma redução de 30% da jornada de trabalho, sendo que 50% da perda salarial é bancada com recursos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador). O programa passará a ser permanente e será usado em períodos de recessão da economia, ou seja, quando você mais precisa.

E o pior é saber quem define o que são “períodos de recessão da economia”, porque esse conceito pode ser amplamente manipulável pelas empresas, que passariam a qualificar assim até períodos de baixa sazonal de suas atividades.

A medida deve fixar ainda em 120 dias o contrato temporário de trabalho, prorrogável uma vez, além do contrato parcial de trabalho, elevando de 25 para 30 horas semanais a jornada no sistema.

Aí é o inferno mesmo. Vá se acostumando a ter muita dificuldade para começar uma carreira, pois ser usado como trabalhador descartável – que a empresa usa e joga fora – vai se tornar uma regra para a maioria.

O mais incrível é ver a materialização do regime de trabalho de 12 horas que o ex-presidente da Fiesp Benjamin Steinbruch queria.

Em julho, o presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Robson
Braga de Andrade, afirmou que o governo deveria promover “medidas muito duras” nas leis trabalhistas:

— Aqui no Brasil temos 44 horas de trabalho semanais. As centrais sindicais tentam passar esse número para 40. A França, que tem 36 horas, passou agora para 80

Em setembro deste ano, o ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, chegou comentar publicamente que o governo Temer estava estudando meios de fazer as pessoas terem que trabalhar 12 horas por dia. E se tiver uma hora de almoço, seu salário ficará suspenso nesse período.

Em qualquer país com um povo racional, proposta como essa seria sucedida por uma guerra civil ou pelo linchamento do propositor. No Brasil, os pilantras que fizeram essa proposta indecente dão uma explicaçãozinha singela e a massa de otários engole.

Segundo os golpistas, o trabalhador só vai ter todo esse prejuízo se ele mesmo quiser. É isso mesmo, minha gente! Você só vai ter que trabalhar o dobro ganhando a metade se quiser… Ou melhor, se o seu sindicato fizer um acordo com os patrões extinguindo seus direitos trabalhistas.

Por que o sindicato faria isso? Se for da Força Sindical, por exemplo, seria por receber propina dos patrões. Mas mesmo que seja um sindicato decente, esse acordo poderá ser feito se o patrão disser que sem o acordo vai demitir todo mundo. Aí o sindicato negocia para preservar os empregos.

Bem, dirá você, o patrão só fará isso se estiver com problemas muito sérios, se a economia estiver afundando, se a empresa estiver à beira da falência.

Vou chamar você de ingênuo para não chamar de idiota, ok?

Quer dizer que não há empresário inescrupuloso que mesmo ganhando os tubos vai dizer que não aguenta mais pagar os salários só para conseguir uma redução da folha de pagamento que pode chegar à metade sem ver diminuído seu contingente de empregados ou as horas trabalhadas?

*

PS: Notícias divulgadas antes sugeriam que o saque seria limitado a R$ 1.000, mas Temer confirmou que não haverá essa restrição e que o trabalhador poderá sacar todo o dinheiro que estiver disponível. Confira a explicação posterior clicando no link http://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2016/12/22/trabalhador-podera-sacar-dinheiro-de-contas-inativas-do-fgts.htm

59 comments

  • Edu,

    Sinceramente eu acho muito, muito hem feito. A. População pobre brasileira traçou seu destino quando não defendeu Dilma. Vão bater tampa de privada…

  • ♫ Alguns filmes da minha videoteca são fontes de referência eternas. Um dia desses, assisti mais uma vez “Tempos Modernos” do imortal Charlie Chaplin. A sequência da máquina de alimentar o operário na linha de montagem me faz rir até hoje. Aquele guardanapo automático que só desanda quando a máquina pifa de vez é diabólico.
    Ah, Carlitos! Nunca mais veremos outro artista que, como você, faça comédias imorredouras e, ao mesmo tempo, crítica social. O seu vagabundo ingênuo, sempre lutando por um lugarzinho ao sol, merece o altar que ocupa no panteão dos heróis da humanidade…
    Vermes como o Steinbruch, por outro lado, irão para o monturo da História.

  • A coluna mais desinforma que informa. Não foi falado em aumento da carga horária semanal. Apenas uma correção na jurássica CLT, que não permite jornadas de 12 horas, tão comum entre os profissionais da saúde.

    • Claro, pq trabalhar 12 horas mexendo cimento é igualzinho a atender pacientes por 12 horas (pausa para rir) no ar condicionado… francamente, é cada uma…

      • É mesmo? Você acha que mexer cimento cansa e estressa bem mais do que trabalhar como “um profissional de saúde no ar condicionado”?
        Vá você trabalhar 12 horas seguidas na UTI de um hospital público super lotado e com falta de recursos cheio de pacientes em estado grave, acidentados sangrando com ossos quebrados gritando de dor, e o escambau.
        Não sabe nada inocente!

        • Engraçado, quando o mafia de branco foi para a paulista (é só lá que ela desfila), não vi nenhum cartaz reclamando das condições negativas de trabalho. Se não há condições propicias, tornando um risco permanente para o povo e os médicos não reclamam, são omissos e criminosos.

          • É verdade. A máfia de branco foi bater panelas na Paulista contra o programa Mais Médicos, dizendo que o que faltava não era médicos, mas equipamentos. O programa MAis Médicos foi um sucesso, atendendo milhões de pessoas e fazendo uma verdadeira revolução na saúde pública do Brasil, com aprovação de mais de 90% mesmo com intensa campanha contra da Mídia e com o apoio dessa máfia desprezível. provando que era mentira a afirmação deles de que não faltavam médicos.

            Depois do GOLPE além do programa Mais Médicos estar sendo boicotado pelo governo ilegítimo, que não esconde sua intenção de acabar com o programa, não houve nenhum aumento de recursos para a saúde, pelo contrário, os golpistas passaram uma PEC que congela os investimentos de saúde por 20 anos.

            Você viu algum profissional de saúde se manifestar contra esse descalabro? Nem eu.

            Só posso concluir que aqueles que combateram tão ferozmente o programa Mais Médicos e apoiaram um golpe de Estado contra a deocracia brasileira estavam mentido e sendo hipócritas ao dizer que era em favor da saúde pública. São todos canalhas e mentirosos.

            Com relação ao aumento de carga horária da medida provisória de reescravização, é entira dzer que ele não existe. O limite hoje é de 44 horas semanais, com o limite mensal de 220 horas imposto pela medida provisória, temos 53 horas semanais.

            Também é mentiroso dizer que os profissionais de saúde e algumas outras categorias já fazem 12 horas por dia. Eles trabalham em regime de plantão, previsto na CLT que define comepnsações para as categorias que por força de necessidade do serviço que prestam são submetidos a esse regime. Não apenas os trabalhadores submetidos a esse abuso não vão ter essas compensações, como os que hoje trabalham em regime de plantão vão perder as que tem.

            E uma mentira veiculada pelos baba-ovo dos golpistas diz que isso é objeto de “negociação”. Só se for a negociação da navalha com o pescoço. Os patrões vão levar ao limite do que a medida provisória permite, sem que os trabalhadores tenham possibilidade de negociar. Mesmo as poucas categorias mais organizadas e combativas vão ter que cede devido ao enorme desemprego provocado pelos próprios golpistas para colocar essa “negociação” totalmente em favor deles e contra os trabalhadores.

          • Com uma certa preguiça da discussão, vamos lá. Você sabia que em um hospital público, temos os seguintes “mafiosos” de branco: técnicos de enfermagem, enfermeiros, médicos, técnicos em patologia. Os profissionais em hospitais particulares, geralmente são contratados como empresa e não têm NENHUM direito trabalhista. Em hospitais públicos, o salário em geral é baixo. A maior parte dos profissionais têm 2 ou 3 empregos. Raros são os que são geridos pela CLT.

        • Prezado “Dr.”! Concordo muito que o trabalho de todo o pessoal da área médica é estressante, mas experimente fazer o contrário… Trabalhe só duas horas seguidas fazendo concreto!

    • Foi falado que tudo é possível – inclusive aumento da jornada – desde que celebrado acordo entre empregados e patrões. Patrão chega pra você e fala: se você não trabalhar mais e abrir mão de direitos, vou mandá-lo embora. Diz isso aos sindicatos, mas é como se dissesse ao trabalhador. Não se faça de espertinho que ninguém é trouxa. O povo vai caçar vocês pelas ruas, bando de safados

      • Mentira, e você sabe que é mentira.

        A proposta do governo não aumenta a jornada semanal, apenas propõe que se possa trabalhar mais em um dia compensando tais horas nos dias seguintes. É o que ocorre com o sábado, p. ex., onde o trabalhador poderá não trabalhar no sábado, desde que compense as horas deste dia.

        Mas para variar você altera as informações e repassa as informações erradas, com o único intuito de tumultuar.

        É como se no governo tivesse uma turma pensando: qual a maldade que vou fazer hoje? Blogueiro, só Walt Disney aceita este roteiro, não seja infantil.

    • O Mais Médicos é um remédio amargo para um problema certo. Faltam médicos nas periferias e em cidades distantes, por carência de infraestrutura na saúde e condições de trabalho. O judiciário já resolveu esse problema, dando um salário digno e boas condições de trabalho para os seus membros. Pena que funciona em regime TQQ (terça, quarta e quinta-feira).

  • Todo esse discurso resume o que é apenas a conversa de sindicalistas dominados pela esquerda que estão preocupados apenas em manter seus velhos chavões demagógicos acirrando a luta de classe e entre patrão e empregado.

    O grande sonho utópico da esquerda radical é mesmo acabar com todo empreendedorismo privado para que tudo fique na mão do estado e que nenhum trabalhador seja “explorado” por “capitalistas inescrupulosos” .

    Mas, como vimos na história do mundo o capitalismo de estado não teve a devida competência e eficiência para gerar grandes riquezas para seus trabalhadores após “libertá-los” das garras dos “capitalistas exploradores” da iniciativa privada.

    Um artigo publicado pelo Estadão – considerado como um dos maiores canais da “mídia golpista” pela esquerda sindicalista – resume o que foi o capitalismo de estado modelado pela esquerda brasileira:

    “O Desmonte do Leviatã”:

    “O capitalismo de Estado, ancorado na gastança irresponsável do dinheiro dos pagadores de impostos, sob o argumento de que beneficiava os mais pobres, tornou-se o seu próprio algoz.”

    http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,o-desmonte-do-leviata,10000095277

  • Essa noção de empresários contra o povo é um discurso dos anos 50.

    A grande maioria é como eu. Tenho uma empresa que está com 12 funcionários (eram 20 antes da crise), e eu trabalho 12 horas por dia contra 8 horas dos meus funcionários…

    Para o pessoal da CUT, para funcionários públicos, para os sindicatos pelegos trabalhar é pecado. Por isso que quando tem manifestação desse pessoal é só levar uma carteira de trabalho que causa rebuliço porque metade nunca viu e a outra metade tem medo.

    Vocês ainda acham que o patrão gordo fica o dia inteiro fumando charutos sentado com os pés em cima da mesa?

    Estamos em 2016, acordem!

    • “Essa noção de senhores de engenho contra escravos é um discurso de 1820.

      A grande maioria e como eu. Tenho um engenho que está com 12 escravos… ops… funcionários (eram 20 antes da crise e tive que vender… ops… demitir 08), e eu trabalho 12 horas por dia, menos do que eles que trabalham 08.

      Para o pessoal da inconfidência mineira e abolicionistas, trabalhar é pecado. Por isso que quando fogem para os quilombos… ops… vão às manifestações, é só levar os capitães do mato… ops… policiais militares que eles ficam irritados.

      Estamos em 2016, acordem”.

      • Esse é o tipo de empresário que temos aqui. Enquanto isto na Noruega, se não me engano, eu já li algo a respeito que lá os trabalhadores além de ter carga horária reduzida e os salários serem bons, eles têm três férias por ano, a idéia com isto é ter o pleno emprego e fazer com que a economia funcione em vários ramos, como lazer, cultura, turismo, etc.

        O indivíduo aí diz que trabalha 12h, ele quer que seus empregados façam o mesmo, então que pague a mais e com o valor maior, coisa que ele não quer fazer, que diga-se de passagem, ainda é pouco, principalmente para quem ganha pouco, que nem compensa. Qualidade de vida para este tipo de gente não existe.

        • Taí, o cara falando sem saber como trabalha e quanto ganha quem trabalha comigo.

          Tá falando sem saber quanto eu trabalho e quanto eu ganho.

          Fala sem saber que coloco bens pessoais como garantia para pegar empréstimos em banco para pagar décimo terceiro do pessoal aqui.

          Aqui nunca ninguém fez greve e trabalhamos juntos ombro com ombro, trabalho na produção e dirijo caminhão quando precisa.

          E o pior de tudo foi ter que dispensar oito bons funcionários simplesmente porque não conseguiria mais paga-los.

          Mas de repente vocês estão certos, eu deveria explorar mais o pessoal e trabalhar menos para bancar o clichê da esquerda, ou fechar isso aqui mandar mais doze pessoas embora e viver de renda, tomando cerveja na praia… O que seria melhor para o país?

          • Não tome as dores do que eu não disse e do que eu não penso. Do contrário do que vc pensa, quem se ferra mais com as medidas neoliberais são o trabalhador e o pequeno empresário, este que depende muito do consumo e o consumo tem a ver com a renda do trabalhador. Vcs, pequenos empresários que apóiam governos de direita não sabem que estão apoiando seus próprios algozes. Se vc apóia medidas que prejudicam o trabalhador, vc está apoiando a destruição de seus clientes, que na maioria são trabalhadores assalariados. Um governo de centro-esquerda é ótimo para pequenos empresários.

            Eu acredito que vc deve pagar aos seus empregados tudo dentro do que reza a lei atual, mas se vc apóia o fim destas leis achando que vc irá se dar bem com isto, prepara-te, porque teus clientes vão se dar mal e vão parar de comprar teus produtos. Satisfeito?

    • “Essa noção de empresários contra o povo é um discurso dos anos 50.”

      Isto é um fato atual. Sempre haverá os interesses de cada classe. O ideal é haver um entendimento que seja bom para ambos, o grande problema atual é que a classe empresarial quer tirar direitos, direitos estes que vão precarizar o trabalho e a renda. Se houvesse um pensamento mais solidário, os empresários brasileiros pensariam em melhorar as condições de seus empregados, e não de piorar. Assim, o conjunto só teria a ganhar, porque quem compra os produtos ou serviços de um determinado empresário são outros empregados de outros empresários, e o empregado do outro empresário só irá comprar de vc se ele tiver uma condição boa. O pensamento empresarial daqui é altamente mesquinho e imediatista, ele quer que os outros tenham dinheiro para comprar seus produtos, mas não quer pagar bem para seu empregado para que ele compre de outros empresários, que pensam da mesma forma. Resumindo, eu quero pagar mal para lucrar mais e quero que haja muita gente com grana para comprar o que eu vendo.

      “A grande maioria é como eu. Tenho uma empresa que está com 12 funcionários (eram 20 antes da crise), e eu trabalho 12 horas por dia contra 8 horas dos meus funcionários…”

      Vc é um pequeno empresário, os grandes podem até se dar ao luxo de não fazer quase nada. De qualquer forma, vc é quem se beneficia mais com a sua empresa, vc é o elo forte, o seu trabalho retorna mais para vc, quanto mais faturar, melhor para vc. Sei que se a situação ficar ruim e vc não vender, vc tem prejuízo, e seus trabalhadores perdem o emprego, mas quando as coisas vão bem, vc tem melhoras, e seus trabalhadores ficam onde estão. Na maioria dos casos é assim.

      “Para o pessoal da CUT, para funcionários públicos, para os sindicatos pelegos trabalhar é pecado. Por isso que quando tem manifestação desse pessoal é só levar uma carteira de trabalho que causa rebuliço porque metade nunca viu e a outra metade tem medo.”

      Só um ignorante é que pensa isto. Vc é ignorante no sentido de ignorar mesmo, de propósito, sendo intransigente. Isto não é verdade. Eu também sou empresário, mas sou na verdade um terceirizado, ou seja, um funcionário disfarçado de empresa, já fui CLT, e adoro trabalhar, mas também não vou passar mais tempo do que devo passar na empresa, a não ser que haja uma contrapartida para mim, que eu ganhe mais, não vou beneficiar o meu patrão a mais de graça, mesmo podendo trabalhar mais e gostando do que faço.

      Outra coisa de que vc não fala, é que há “trabalhos e trabalhos”, ou seja, o meu tipo de trabalho que é intelectual, que não me desgasta fisicamente, eu adoro fazer e posso fazer por mais tempo, mas o cara que pega no pesado nos serviços braçais, este se desgasta muito.

      “Vocês ainda acham que o patrão gordo fica o dia inteiro fumando charutos sentado com os pés em cima da mesa?

      Estamos em 2016, acordem!”

      Ninguém acha isto. Eu só acho que os empresários daqui podiam pegar o exemplo dos empresários da Alemanha, que no momento da crise, eles mesmos sugeriram ao governo que os tributassem mais para sanar a crise lá. Tem muito ricaço aí que explora demais e quer dar uma de bonzão, não é o seu caso, mas que existem estes, existem.

    • ♫ Fiquei morrendo de peninha de você, Cocozanus. Trabalha 12 horas por dia? Azar seu, porque eu fico na praia umas quatro horas por dia, tomando cerveja paga com a grana que meus investimentos rendem. E quando o sol se põe, vou tomar mais cerveja com os seus funcionários; à noite, venho aqui desfrutar dos pobres patrões como você.
      ♫ “Trabalha, trabalha, negro…”

      • Já vi empresas terem que pagar todos os direitos que o trabalhador tem só porque o sindicato interveio. Quando eu era CLT ocorreu isto, quando minha esposa saiu do emprego foi assim também. Se não fossem os sindicatos, eu não receberia um salário a mais a que eu tinha direito, e minha esposa idem, além de uma multa que ela nem sabia que teria direito. No meu caso, a empresa não queria pagar, mas o sindicato ameaçou e conseguiu.

        O que o empresariado sonha é que os sindicatos sejam cada vez mais fracos, ou melhor para eles, que nem existam mais, assim, eles poderiam fazer o que quisessem para obter cada vez mais vantagens em detrimento do trabalhador.

        • O problema não é que nós “pensamos como se estivéssemos na década de 50”, mas que infelizmente a maioria do empresariado brasileiro pensa que ainda está na primeira metade do século XIX!!! E quanto aquele senhor de engenho da FIESP, o tal Benjamim Steinbrush, que teve o desplande de dizer que nos EUA trabalhador não tem hora do almoço, mas trabalha comendo sanduíche com uma mão e operando a máquina na outra… Será que ele já ouviu falar de CIPA, de SEGURANÇA DO TRABALHO???!!! Guilhotina ou paredão é pouco para esse “empresariado”…

        • Os sindicatos defendem apenas os interesses dos sindicatos e não da classe que eles representam.

          Quando da condução coercitiva do Lula os esquerdistas estavam agredindo jornalistas.
          Quando o Lula foi depor na Barra Funda o pessoal dos “Movimento Sociais” estava agredindo jornalistas.
          Quando das eleições em SP a repórter Andrea Sadi foi hostilizada na sede do PT.

          O sindicato dos jornalistas defende o PT e não os jornalistas que os petistas agridem.

          Dá pra explicar isso?

      • Os que desejam explorar os trabalhadores (e aqueles vagabundos que pensam em obter alguma vantagem puxando o saco dos patrões) sempre tentam passar essa mentira de que os sindicatos são ruins para os trabalhadores.

        Os sindicatos são a única forma dos trabalhadores se organizarem e se defenderem. Claro que como toda organização humana está sujeito a erros e defeitos. Existem sim sindicatos pelegos, mas os sindicatos pelegos são os que defendem os interesses dos patrões contra os próprios trabalhadores, como faz aquele golpista canalha alcunhado de “Paulinho da Força”, justamente um bandido que se diz sindicalista mas defende os interesses dos patrões contra os trabalhadores. Isso sim é um pelego.

        Os vagabundos da direita usam o termo “pelego” para os sindicatos combativos porque querem enganar os trabalhadores com essa mentira. Assim como mentem desbragadamente ao afirmar o absurdo de que menos direitos é benéfico aos trabalhadores ou que seria “antigo” e anacrônico.

        Antigo e anacrônico é explorar o trabalho sem nenhuma regulamentação, sem direitos trabalhistas e sem organização dos trabalhadores. O capitalismo selvagem do século XIX, onde o trabalhador fazia jornadas de 16 ou 18 horas, as crianças trabalhavam com a mesma carga horária desde a mais tenra idade, havia descanso remunerado nem qualquer proteção social, é o que é antigo,não os direitos trabalhistas.
        Direitos esses que foram conquistados com muita luta e muito sacrifício dos trabalhadores organizados em sindicatos.

        Eu acho que é muita cara de pau e falta de vergonha na cara um canalha vagabundo vir dizer que é moderno explorar o trabalhador sem limites e que este deve achar isso bom indo contra o único instrumento de luta em favor de seus direitos, que é a organização sindical.

        O aparelhamento dos sindicatos por pelegos deve ser combatido pelos trabalhadores para fortalecer a organização sindical e a luta pelos seus direitos. Ir contra os sindicatos e os direitos trabalhistas é atuar contra si mesmo. Não se elimina a doença matando o paciente e no caso o trabalhador ser contra os sindicatos é matar a si mesmo, pois irá contra sua única ferramenta de defesa. E não há nada mais antigo do que impedir os trabalhadores de defenderem seus direitos.

    • Pois é Vinicius, você tem 12 funcionários e “eram 20 antes da crise”! E olha que a crise só está começando, espere para ver daqui uns cinco anos, quando essa quadrilha de ladrões usurpadores que vocês içaram ao poder tiver completado o serviço de arrochar o povo (inclusive os pequenos empresários como você) para pagar o golpe e para que a concentração de renda volte aos níveis de 2002 e antes disso!

    • Enquanto você tem um pro-labore de (chutando baixo) uns 10 mil, seu funcionário está recebendo milão. E você quer que ele trabalhe o mesmo tanto que você? Divida o seu lucro igualitariamente então!

      • Monte você uma empresa e divida igualitariamente seu lucro, seu pró-labore. Talvez você possa dividir igualitariamente até suas despesas.

        O mundo perfeito que você tem em sua cabeça e quer que os outros o vivam, mas quando chegar a sua vez de viver em seu mundinho perfeito, você fará alguns ajustes. Fará sim.

  • A flexibilização da CLT sempre foi o desejo da classe patronal. A regulamentação das relações do trabalho incomoda, sobretudo, aqueles que ainda sonham com a volta da mão de obra escrava nos moldes do trabalho executado nos engenhos de açúcar (século XVI) e nas minas de ouro (a partir do século XVIII).

    O que o desgoverno Temer pretende é ‘revogar’ a CLT para deixar ao arbítrio do patronato a palavra final sobre relações do trabalho. A prevalecer essa política perversa de supressão de direitos da classe trabalhadora, logo surgirão novos senhores de engenho com seus capitães-do-mato.

  • Assim é. País sem pudor! Seis nomes, seis filasdaputa?
    > https://gustavohorta.wordpress.com/2016/12/22/assim-e-pais-sem-pudor-seis-nomes-seis-filasdaputa/

    Os SEIS brasileiros que mais contribuíram para que 2016 fosse um ‘annus horribilis’ para o país. Por Paulo Nogueira

    ““Escrevi outro dia que era mais fácil escolher quem fizera de 2016 um annus horribilis do que quem contribuíra de alguma forma para melhorar o Brasil.
    Refleti e achei que seria útil elaborar a lista VIP da ruína brasileira.
    Fiz uma triagem severa, ou teríamos um catálogo telefônico. Acabei ficando com seis nomes. Eles estão abaixo. …”

  • Trabalhador precisa de dinheiro e NÃO de MENOS DINHEIRO e MAIS HORAS DE TRABALHO, ou você é Riquíssima as custas dos seus empregados/escravos ou você é uma alienada Gloebbels. mas acho que as duas coisas não se exclui rssss

  • Caro otário(a), então aceite trabalhar doze horas por dia para ganhar cem reais no final do mês. Topas? Afinal é dinheiro entrando não? No dos outros é refresco.

  • Os golpistas precisam ser contidos, mas por quem? O STF está acovardado e no golpe, quem Brasil salvará o Brasil dessa banda podre do judiciário?! Apenas a ONU se imediatamente tomar as rédeas dessa situação.
    No Brasil está tudo perdido justiça jamais, decepção total!

  • Imagino como fica a cabecinha vazia desses coxinhas que foram bater panelas e para a paulista de verde amarelo com Malafaia, inclusive na alça, gritar contra a corrupção e por um Brasil melhor. E agora, cadê a Globo incentivando o povo para ir à rua pela democracia, a “festa de famílias inteiras”, como diziam os narradores do golpe no esporte espetacular dos domingos. E as novelas da tarde retiradas do ar… Cadê a sua parceirona Globo golpista, coxinhas?

  • ESSE POST DEVERIA SER ESFREGADO NA CARA DE TODO OS MERDAS DA CLASSE MÉDIA QUE SERVIRAM DE MASSA DE MANOBRA DA CLASSE DOMINANTE PARA DERRUBAR DILMA E SE PRESTARAM A ESSE PAPEL SÓRDIDO POR CAUSA DE SUA IMENSA IMBECILIDADE, CANALHICE INCOMPARÁVEL E MAUCARATISMO VISCERAL. Como também deveria ser esfregado na cara dos imbecis de direita que escrevem merdas neste espaço, defendendo interesses que não são deles e infelizmente são publicados por este blog. Para Para não ser repetitivo, serei sintético. O GOLPE FOI PARA ISSO E PARA ENTREGAR O PRÉ-SAL AOS EUA., OU SEJA, FOI PARA IMPLANTAR ESSE NEOLIBERALISMO DERROTADO NAS URNAS EM QUATRO ELEIÇÕES E SÓ IMPEDIREMOS QUE SEJA IMPLANTADO ATRAVÉS DE NOSSA AÇÃO NAS RUAS. Mas você foi muito feliz ao lembrar a passividade do povo brasileiro, a chibata da escravidão continua nas mentes da massa pobre e sua incrível capacidade de ser enganado que, além de refletir a ignorância, mostra também a covardia do dominado, doido para acreditar no dominador a quem teme e assim sentir-se “ALIVIADO!”, ENQUANTO SUA VIDA É FERRADA. Ou nos libertamos dessa covardia e partimos para as ruas, parando este país, ou essa desgraça e outra serão impostas.

  • Estamos voltando àquilo que Chaplin ironizou no seu famoso filme “Tempos Modernos”, de 1936. Incrível a rapidez com que a direita do poder nos faz retroceder, e não é retroceder pouco, são literalmente décadas. Daqui a pouco extingue-se qualquer relação trabalhista e vamos ficar numa situação pré Lei Áurea. Mas teve gente que preferiu acreditar na Rede Globo e não nos esquerdistas malvadões, aí dá nisso. Trabalhe mais e ganhe menos, somente isso.

  • Precisa conscientizar da ofensiva de simpatia e populismo do mordomo cunhista que esta sendo deflagrada agora, neste fim de ano aproveitando o recesso do congresso e da máfia judiciaria.
    “pega 158 reais ali” /// ”ve que tem chance de tirar 1000 do teu FGTS” ///
    Enquanto entrega 100 bilhoes por 2 bi aos estrangeiros, entrega meus direitos a classe patronal, e destroi a base legal de luta dos trabalhadores sem sindicato representativo…
    Levara 20 anos para nos reerguermos e 40 ´passarão ate que o nosso pais obtenha respeito. Se viajar ao exterior prepare-se para explicar porque levou bandeira e bateu panelas.

  • O cálculo é muito simples:
    3 funcionários x 8 horas = 24 horas trabalhadas
    2 funcionários x 12 horas = 24 horas trabalhadas
    1 funcionário será demitido

  • Bom dia Edu!

    Então, como eu já tinha dito antes aqui: se tiver mesmo o aumento da jornada de trabalho junto com as mudanças na CLT que o congresso vai aprovar e o povo, prinicipalmente os jovens com menos de 40 anos que trabalham o dia inteiro e estudam de noite aceitarem passivamente e não se revoltarem após esta medida. Pode ter certeza que depois disso pensarei seriamente em sair daqui, começarei a acreditar que o Brasil não tem jeito de melhorar mesmo! Merece ser um país lixo e ridicularizado pelos gringos e por todos! Pois eu já estou perdendo as esperanças de lutar por um país melhor, sinceramente, porque se uma medida absurda dessas o povo acabar engolindo numa boa, na moral, não vai ser outra coisa depois de uma coisa dessas que o povo irá as ruas se revoltar!

    Um abraço!!!

  • A coisa melhorou muito.
    Quando se começou a aventar essa história, se dizia que a negociação poderia ser direta entre empregador e empregado, ou seja, individual. O fato de obrigar a ser coletiva é menos pior.
    Mas como o golpe foi também um golpe de classe, mesmo neste caso vai haver um recorte classista importante: os menos prejudicados serão os trabalhadores mais organizados, representados por sindicatos mais fortes, com melhores condições de barganha, ainda que, a crise no mundo do trabalho, iguale a todos no quesito “suscetibilidade à pressão e chantagem”.

Deixe uma resposta