Carlos Garcia Rawlins/Reuters

Indígenas invadem Parlamento no Equador

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Manifestantes empunhando bandeiras e gritando palavras de ordem – a maioria indígenas – invadiram nesta terça-feira (8) o prédio da Assembleia Nacional do Equador, o parlamento do país, na capital Quito. Horas depois de os policiais retirarem o grupo do local, o presidente equatoriano, Lenín Moreno, decretou toque de recolher noturno em áreas ao redor de prédios públicos.

A medida vale entre as 20h e 5h (horários locais). Em comunicado, o governo do Equador explica que o toque de recolher restringe a liberdade de locomoção perto de sedes de organizações do Estado e de outras que o Comando Conjunto das Forças Armadas definirem.

Nos protestos desta terça-feira, houve confronto com a polícia, que atirou bombas de efeito moral contra os manifestantes. Não há, até o momento, um balanço de feridos ou presos. Para esta quarta, está programada uma greve geral no Equador.

Segundo o jornal “El Comercio”, o toque de recolher não vale para pessoas que devem prestar serviço públicos, como policiais e militares, jornalistas e comunicadores credenciados, integrantes de missões diplomáticas no Equador e equipes médica, sanitária ou de socorro.

Quito está tomada por barricadas policiais, principalmente com convocação de greve geral para os próximos dias. A medida faz parte do estado de exceção convocado por Moreno na quinta-feira passada, que dá a ele prerrogativa de usar forças armadas contra manifestantes.

O país enfrenta uma onda de protestos desde a disparada do preço dos combustíveis na semana passada, provocada pelo fim dos subsídios decretado pelo governo. A medida atende a um acordo assinado com o FMI para a concessão de um empréstimo de US$ 4,2 bilhões.

Na noite de segunda-feira, Moreno anunciou atransferência da sede do governo para Guayaquil – a maior cidade equatoriana e onde os protestos não tiveram, por enquanto, a mesma proporção de cidades andinas como a capital Quito.

A Embaixada do Brasil em Quito emitiu nesta terça-feira comunicado em que pede que turistas brasileiros considerem adiar qualquer viagem ao Equador enquanto durarem as manifestações contra o governo equatoriano.

Em entrevista ao G1, o embaixador do Brasil no Equador, João Almino, pediu aos brasileiros que estiverem no país que evitem locais de aglomeração onde possam ocorrer protestos violentos.

Ele também disse que “cerca de uma dúzia” de brasileiros procuraram a representação para pedir auxílio – principalmente por causa dos bloqueios nas estradas ou hóspedes em hotéis em regiões com protestos, como o centro de Quito.

Estima-se que cerca de 4 mil brasileiros vivam no Equador. Ainda segundo o embaixador, o número de turistas do Brasil em 2018 se aproximou de 30 mil, número que deve aumentar neste ano. Não há dados, porém, de quantos brasileiros efetivamente estejam em solo equatoriano neste momento.

De G1