Delator relata momento do ataque a Marielle

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Foto: Reprodução

Após uma quebra de confiança com Ronnie Lessa, o ex-PM Élcio de Queiroz decidiu firmar um acordo de delação premiada com a Polícia Federal sobre o caso Marielle.

As informações dadas por ele embasaram parte de uma nova operação, iniciada na segunda-feira e que prendeu o ex-bombeiro Maxwell Simões Corrêa, conhecido como Suel.

Aí ele [Ronnie Lessa] falou que era a vereadora, falou o nome, mas eu não sabia quem era; mas aí eu falei o que é a situação? Ele falou que era pessoal; mas tem dinheiro nisso aí, o que é? Aí ele falou não, é pessoal.

A grande pergunta que a investigação busca responder agora é se Élcio e Lessa foram contratados para matar Marielle. Na delação, Élcio disse que só foi informado por Lessa que era um assunto “pessoal”.

Quando a senhora apareceu, ele [Ronnie Lessa] falou assim, com essas palavras: “tô pensando em pegar aqui mesmo”. Pegar a gente já sabe que é matar, aí eu falei “tá louco, fazer isso aqui no meio”. Eu falei “olha as câmeras”. Ele disse: não, a gente não vai fazer nenhuma loucura.

O diálogo ocorreu, segundo Élcio, no momento em que a vereadora Marielle Franco saía da Casa das Pretas, onde participava de um evento. O assassinato ocorreu cerca de três quilômetros dali, na Rua Joaquim Palhares.

Eu só escutei a rajada. Da rajada, começou a cair umas cápsulas na minha cabeça e no meu pescoço. […] Aí caíram as cápsulas em mim e ele falou ‘vambora’; eu nem vi se acertou quem, se não acertou.

Depois dos disparos, Ronnie teria falado para que eles fugissem pela rua 24 de maio, que liga a região central da cidade —onde ocorreu o atentado— com a zona norte —onde a dupla encontraria o irmão do atirador.

Élcio afirma ter argumentado que a via poderia ter “várias operações da Polícia Militar” e a dupla seguiu por outro caminho.

Até que falou [na TV], morreram duas pessoas no local e tal… Eu falei, que merda.

Élcio afirma que só ficou sabendo pela TV que o motorista Anderson Gomes também havia sido assassinado. Ele e Lessa foram para um bar na Barra da Tijuca após o crime.

Estava louco. Vomitei umas três vezes. Querendo já sumir do mundo. Até o Ronnie falava: “qual foi, Élcio?”, porque eu ia atrás do carro toda hora, na rua mesmo, vomitei pra caramba.

A dupla se encontrou com o Suel no bar e beberam até 3h da madrugada no dia do crime.

Como ele tinha muito carinho por essa arma e tal… Ele [Ronnie] ficou feliz por ter conseguido pegar.

A arma usada no crime teria sido extraviada do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) após um incêndio e comprada por Lessa, segundo Élcio. O ex-PM disse não saber, no entanto, com quem Ronnie Lessa conseguiu a arma.

Uol