Perguntas a fazer sobre protestos de rua

Análise

 

A imagem acima despertaria no espectador desavisado que tivesse acabado de chegar ao Brasil a seguinte pergunta: quem agride a quem nos protestos de rua que eclodiram a partir de junho, por aqui? Afinal, de um lado da imagem se vê um oficial da PM sendo agredido por manifestantes; do outro lado, o que se vê é um PM agredindo um manifestante.

Alguma das duas situações é falsa? Alguém pode afirmar que manifestantes não agridem policiais primeiro e de forma covarde ou que policiais não agridem manifestantes primeiro da mesma forma? Pode, claro. Só que estará mentindo.

A conclusão óbvia a que se deve chegar, portanto, é a de que os dois lados estão errados.

A PM é a força de segurança que tem sido usada para conter protestos quando descambam para a violência. São aterrorizantes, porém, excessos que ela tem cometido. Há gente mutilada pela violência de uma polícia que não sabe lidar com aqueles que porventura se excedam se não for através da violência.

Há pouco, no Rio de Janeiro, descobrimos e acompanhamos o drama da família do pedreiro Amarildo, vítima de uma corporação que tantos, à exceção dela mesma, consideram apodrecida, violenta e corrupta. Contudo, ele não foi preso por se manifestar, mas por ter sido confundido com um traficante. E pobre não recebe spray de gás pimenta, recebe bala.

Mas, claro, isso não muda o fato de que a PM age de maneira inaceitável inclusive em manifestações.

A PM, portanto, tem feito por merecer a forma como vem sendo vista pela sociedade. Seu viés violento é inegável. A atuação dela na desocupação da comunidade do Pinheirinho, em São José dos Campos (SP), foi digna de uma horda de bárbaros. Até estupros foram cometidos contra os moradores, sem falar dos roubos, dos abusos mais variados.

Contudo, parece obviamente impróprio dizer que os métodos da PM que atuou no Pinheirinho são os mesmos da que vem combatendo os abusos dos que têm ido às ruas para promover atos de vandalismo, de violência mesmo, não só contra o patrimônio público mas também contra o privado. E não só contra o patrimônio privado de corporações, mas contra o de cidadãos que estão longe de ser tubarões do capital transnacional.

Ou será que bancas de jornal, pequenos comércios e até carros estacionados viraram “símbolos” do capitalismo?

Os que apoiam os covardes que atacaram o oficial da PM na foto acima, porém, têm uma justificativa na ponta da língua para agirem desse modo deplorável: “A PM nos ataca e nós a atacamos”. Simples assim.

Importa se aquele oficial em particular foi atacado sem ter cometido qualquer arbitrariedade? Importa terem lhe quebrado a clavícula, após tudo de execrável que policiais militares fazem por ai? É certo punir de forma potencialmente fatal o membro de uma corporação por conta dos abusos que outros membros dessa corporação possam ter cometido?

Começamos, assim, a fazer algumas das muitas perguntas que precisam ser feitas.

A PM pode continuar reprimindo manifestantes quando começarem a quebrar tudo? É verdade que ela sempre começa a atacar manifestações pacíficas do nada ou a verdade é que há manifestantes que começam a quebrar tudo justamente para que a PM atue e eles possam acusá-la?

Responda: você já não viu manifestações em que a PM não se mete por transcorrem de forma pacífica? Se já viu, acha correto dizerem que a violência de adeptos do black bloc só ocorre em reação à PM? É verdade, isso?

Por outro lado, quantas vezes já vimos a PM forjar flagrantes, agredir imotivadamente etc.? Alguém duvida de que a PM, por vezes, é alvo de ataques por ter membros despreparados que atacam manifestantes pacíficos por pura arrogância, truculência e até desequilíbrio de um agente público?

Dessas perguntas, então, pode-se concluir que não há santos nessa história?

Se não há santos nessa história, então o que devemos fazer? Se a PM é despreparada e não tem como combater atos de violência e vandalismo sem agir pior do que os que os cometem, quem poderia fazer a segurança da cidade contra manifestantes que vão sendo cada vez mais repudiados pela sociedade?

Pesquisa Datafolha divulgada no domingo mostrou que 95% da população da capital paulista repudiam os que usam a tática de bloco negro em manifestações e também que caiu de 89% para 66% o apoio a protestos de rua. Isso ocorre após essas manifestações já terem sido quase uma unanimidade nacional.

Pergunta: por que a sociedade está deixando de apoiar o que começou apoiando?

Uma pergunta importantíssima para que você se faça, portanto, é a seguinte: eu quero que a PM impeça grupos que começam a quebrar tudo ou acho que se deve deixar que esses manifestantes possam fazer o que quiserem?

Outra questão: estou preparado para sofrer as consequências que protestos assim podem causar? Já refleti sobre como me sentirei se estiver dirigindo o meu carro e ele for interceptado e depredado por manifestantes, ou se no meio de um protesto em que provocam incêndios e todo tipo de violência um ente querido for ferido?

Recentemente, a televisão mostrou um manifestante que enfrentava a polícia e recebeu uma pedrada na cabeça. A pedra foi atirada por um companheiro dele que errou o alvo e, em vez de atingir o policial, o atingiu. E se quem recebeu a pedrada fosse seu irmão, marido ou namorado e tivesse morrido, você diria que foi um “efeito colateral” e está tudo certo?

Outra pergunta importante: qual o histórico de sucesso em quebra-quebras, em termos de “mudar países”? A tal “primavera árabe” se transformou em inverno, como se sabe. Há, então, algum outro exemplo contemporâneo a dar de algum país que melhorou através da tática black bloc?

Chega-se, pois, à pergunta final: se a quase totalidade da sociedade reprova que grupos saiam às ruas quebrando tudo e, apesar disso, esses grupos se negam sequer a ponderar, o que fazer? Fica por isso mesmo? Um grupelho que praticamente todos reprovam continua infernizando as cidades e temos que aturar? Se não, quem vai detê-los? A PM?

127 comments

      • Para toda ação há sempre uma reação oposta e de igual intensidade: ou as ações mútuas de dois corpos um sobre o outro são sempre iguais e dirigidas em sentidos opostos(3º lei Newton), ou seja, efetivamente podemos concluir que as ações, hoje, orquestradas pelos movimentos sociais são reflexos reais aos objetos por eles refletidos (aí vai um pouco de óptica), o problema é que estes reflexos deixaram de ser imagens abstratas faz tempo. Contudo acho muito interessante tentarmos decifrar quem nos manipula, ou seja, quem são as pessoas que nos colocam de encontro à policia e vice-versa, ou melhor, será que há alguém por detrás disto tudo ou quem sabe governos quiçá estrangeiros.
        Enfim para alguém interessa a teoria do caos no Brasil. (Viva o grande procurador (de coisa nenhuma) de Grandis, viva Padim MotoSerra, viva Privataria Tupiniquim)

  • Já passou da hora de que, dentro da lei, esses grupos sejam tratados como terroristas.
    O que aconteceria com qualquer cidadão americano, ou não, que lá nos EUA fosse quebrar, depredar e tocar fogo nos prédios da Casa Branca, Capitólio ou Pentágono?
    Respondo:
    Por lei de Estado, levaria um tiro na cabeça, com bala que não é de borracha. Simples assim…

    • Acho que os vândalos devem ser punidos, dentro da Lei, mas que os Céus nos livre de um dia virarmos paranóicos como os americanos.

      Os policiais assassinaram aquela mulher com transtornos mentais que acelerou o carro no capitólio; recentemente, saiu uma notícia de que a polícia americana matou um garoto que estava com uma arma de brinquedo…

      Não é por aí, né? Na minha opinião, os EUA não servem de modelo em relação a essa questão… e nem sobre várias outras questões, diga-se de passagem.

  • E triste ver o ponto que chegou estes bandos de vandalos,e o que temos para reprimi e uma guarda pretoriana,historicamente treinada para reprimir,uma força auxiliar do exercito,que foi importante auxiliar na ditadura,e que estas corporaçoes sempre foram protegidas contra seus abusos que serviam a uma ideologia
    Agora ela enfrenta a furia mal dirigida de debeis mentais,que aliados a um grupo maior que tinham alguma pauta de reivindicaçoes,que esfriou com o tempo.Em resposta ao apoio maçiço da sociedade e a primeira e truculenta açao da PM,esta teve que ser mais moderada.Agora com a exaberbaçao dos protestos desta minoria dod BBs,e junta-se a isto esta agressao ao oficial,mais esta perda de apoio,que teve a coroçao com o desagravo da presidente ao oficial.O que resultara disto? PM+Alkimim+Cabral+Jose Eduatdo da justiça, violencia ao quadrado,e a chances de morte(s) aumentara exponencialmente,e um esvaziamento desta forma de protesto.

  • Questionamentos pra se passar um bom tempo refletindo…

    Não sou fã número 1 da PM, principalmente por acreditar que violência só gera violência, mas é inegável que nesse momento a PM ainda é necessária pro país… acredito, porém, que num futuro talvez não muito distante a desmilitarização da polícia se tornará algo viável.

    Embora tenha horror a algumas atitudes de PM’s, não acho certo que a população os demonize tanto e se esqueça que eles foram treinados pra ser como são. Logo, urge a necessidade da pressão junto ao Estado pra mudar a forma de treinamento desses policiais… imagina só, você aprender no seu curso de formação a identificar um bandido pela forma de andar dele. O treinamento que a PM recebe hoje os transforma em verdadeiros animais; que sejam responsabilizados, portanto, também quem os treinou.

    Em relação aos protestos é uma situação complicada, uma parte da polícia certamente há de pensar que são um bando de baderneiros, até mesmo quando forem manifestantes pacíficos. E os verdadeiros vândalos, então? Não dá pra colocar guardas e seguranças somente com cacetetes, contra pessoas má intencionadas que muitas vezes vão armadas, ou portando coquetéis molotov, né?

    Acredito que ainda seja necessária sim a presença da PM em manifestações, mas deveriam receber treinamento específico pra atuar em situações assim, e que tanto os policiais quanto os responsáveis por eles sejam responsabilizados por excessos.

    • Aí é está o “X” da questão: Estavam os policiais e a segurança pública preparados para tal tipo de ocorrência? Centenas de pessoas enfurecidas chegando perto da loucura, quebrando tudo pela frente, munidos de paus, pedras , bombas, ladrilhos para quebrar blindex? Se houver uma reação a altura por parte dos policiais, vai morrer muita gente. A situação é muito complexa e as autoridades de segurança vão ter que queimar muito as pestanas para saber como atuar em situação que é nova no país. Alguém ou “ALGUENS” , longe da balbúrdia deve estar sorrindo e adorando a situação. Urge que se descubra quem está por trás dessa vergonhosa ação, para que seja ou melhor, para que sejam punidos e literalmente DESMASCARADOS!

  • Eu não vejo pergunta nenhuma a ser feita…pra está cristalinamente visível.

    Vou dar o exemplo que ocorreu na Baixada Santista:manisfestações em Santos, onde não houve a presença da periferia transcorreram em PAZ.Já manifestações em São Vicente, Cubatão e Praia Grande a periferia apareceu em peso fazendo arrastões e deixando um rastro de destrução e morte, mesmo após a passagem do furacão, onde um comerciante, já idoso, viu seu patrimônio ser destruído sem chance de se recuperar e se matou.

    Infelizmente não cabe aqui entrar em discussões filosóficas sobre pobreza ou riqueza.Pra vc que mora nas proximidades da Avenida Paulista, desculpe mas não quero dizer com isso que vc não conheça os outros lados da cidade, que eu não conheço e nem faço mais questão de conhecer pois São Paulo hoje me asmedronta, já pedi até para os familiares cancelarem consultas médicas enquanto essas manifestações perdurarem, mas pra vc Eduardo, talvez a falta da visão do que seja a pobreza, do que acontece na periferia, de como vivem os jovens sem um mínimo de preocupação com seu desenvolvimento e inserção na siciedade, não por falta de opção mas justamente por opção de se associarem ao crime e a marginalidade, pra vc Eduardo, talvez isso não seja visível.

    Mas pra mim é….só vejo marginais sem nenhum cunho político ou seja lá o que for que tenha intenção de mudar a sociedade.Antes de tudo uns goles de cachaça, acompanhados de umas carrerinhas e alguns baseados fazem a cabeça dessa gente que só quer destruir.

    Vejo em toda a blogosfera uma discussão cheia de filosofias apontando para a falta de oportunidades desses “excluídos” mas sinceramente, acho que esses, com excessão do Miguel do Rosário, que vai a campo, senta na mesa e ve a coisa de perto, esses estão sendo todos inocentes.

    Falo isso por que conheço a periferia, sei muito bem como a juventude se comporta no seu dia-a-dia, não é de hoje, tempos de manifestação, que vejo essa rapaziada fazer o que faz…é triste…mas triste mesmo………

    Assim, só me resta concluir que a única solução para o problema da violência hoje é enquadrar esses manifestantes violentos e mascarados com prisão.

    Mas aí é outra estória que nossa história não nos deixa desenvolver, haja visto nossas fracas leis incapacitadas de colocar todos esses destruidores na cadeia.

    • Comentário do típico paulistano imbecil. Pra ele quando pobre vai a rua, vai drogado apenas pra por fogo em estabelecimento comercial. Típico coxinha, eleitor do Alckimin que vive cercado no apartamento com 200 muros e acha que a culpa eh do país. Vai estudar saco de lixo. Já que papai e mamãe te dão isso e nao vem aqui falar merda. Vacilão.

      • Triste ver esse tipo de comentário no Blog…um blog que preza por um debate elevado ….amigo, vc não me conheçe, não sabe nada de mim, então não vem fazer acusação infundada…eu não tenho que ficar dando satisfação a vc em quem eu voto ou não voto….seu comentário apenas merece a minha pena por saber que vc ainda não evoluiu no debate político mas tenta participar sem capacidade intelectual pra no mínimo interpretar um texto e tentar refletir sobre sua significação.Cresça e apareça!;(

    • Pode ser que existam alguns da “periferia”, mas o que dá para perceber apesar das máscaras, são Mauricinhos e Patricinhas, com belos tênis e bem nutridos. Os pobres mesmo, não fazem parte dessa baderna que estão causando às cidades. Há algo de muito podre no reino da Dinamarca. Não se iluda! Mesmo antes de junho, já se percebia manobras tendenciosas com uma finalidade, que hoje já se percebe qual seja. Só não vê quem não quer.

  • Esses grupelhos chamados de blacks blocks considero como um bando de delinquentes, de marginais, de bandidos. Tem como objetivo causar tumultos e vandalismos nas manifestações. Quem sai perdendo com isto são os movimentos sociais organizados. Esse lumpenzinato não servem para os avanços sociais, eles cumprem uma missão para as elites conservadoras, pois colocam medo nas pessoas que poderiam participar de um movimento social que, através das manifestações públicas tentam pressionar os governos (ou a sociedade) por melhorias. Se os blacks blocks se dizem contra o capitalismo selvagem, porque eles constantemente só destroem patrimônio público, fachadas de prédios particulares, comércios, automóveis parados nas ruas? Se esses marginais dos bb tem como discurso o capitalismo selvagem, porque eles não atacam a fábrica da Coca-Cola, as fazendas experimentais da Monsanto, as sedes administrativas dos grandes bancos multinacionais, as sedes administrativas de empresas de telecomunicação como a Vivo e Claro, empresas do PIG como as organizações co-irmãs dos blacks blocks como a famiglia Marinho, famiglia Frias, etc?

    Quanto à violência e brutalidade da PM, isto pode levar vários anos para mudar a cabeça dos policiais e seus comandantes de que movimentos sociais não são movimentos de bandidos. É necessário mudar o comando civil da PM (os vários governos do PSDB) para tentar mudar a cabeça de policiais e seus comandantes de que os movimentos sociais não são compostos de criminosos.

    Os blacks blocks não são movimentos sociais, são bandos de desorganizados, delinquentes, uma espécie de milícia desorganizada instigada pela direita reacionária e fascista.

  • Caro Eduardo
    Você esqueceu de fazer uma pergunta?
    PORQUE A PM NÃO PRENDE OS MASCARADOS ANTES DO QUEBRA QUEBRA.?
    Vi na TV na ultima manifestação do MPL os olhos de alguns deste chamados de blocos negros eles (os olhos) estavam com ódio como parecia nos filmes americanos quando os mercenário esperando qualquer motivo para iniciar o quebra quebra.
    Para minha opinião isto tem cunho político da elite ,para treino quando ocorrer a COPA para desmoralizar o Pais assim quem sabe é a única chance de ir para o segundo turno da próxima eilição.

  • Uma coisa até hoje não consigo entender. Por que esses vândalos depredadores, violentos, socialmente perigosos e danosos, muitos deles presos em flagrante delito, são soltos logo em seguida, até onde sei sem nenhuma multa, nenhum processo, nenhuma fiança, ou seja sem nenhuma penalidade? Se eu e mais uns dois brucutus chegarmos numa rua e quebrarmos umas vitrines, virarmos uns dois carros e tocarmos fogo neles e ainda dermos umas bordoadas no proprietário, serei recolhido, interrogado e solto, sem nenhum processo,nenhum ressarcimento pelos prejuízos causados? Então estamos vivendo numa anarquia total. Faça isto na Rússia, na China, nos Estados Unidos, na Noruega e será punido severamente. Conclusão minha: vivemos numa verdadeira casa de tolerância com autoridades, leis, justiça totalmente incompetentes.

    • São as leis que fazem com que os juízes os soltem! Pergunte ao “CONGRESSO”, se eles querem mudar as leis! Não querem, pois a grande maioria teria que ir para a cadeia!

      • A impressão que tenho é a mesma que senti quando a uns anos atrás, os bandidos começaram a caçar e matar os policiais. Lembro-me que a PM tinha até a relação dos que seriam cassados e não advertiu os policiais. Vocês se lembram disto? Quando a matança parou, os boatos é que o governo conversou com a tal facção e aceito todos os pedidos da mesma. Vocês se lembram disto? Não é a mesma coisa que está acontecendo? Quando os bb são presos, antes de chegar na delegacia, seus advogados lá se encontram. Quem paga esses advogados? Todos sabemos, agora, que onde houver uma passeata os bb estarão lá. A PM não sabe? Acredito que tudo o que está acontecendo e vai acontecer é por causa do PRÉ-SAL. Sinto dizer, mas a Dilma não será eleita. A bem da verdade, NÃO HAVERÁ ELEIÇÕES.

    • Na verdade nem chegam aos juízes.É elaborado um TC(Termo curcunstancial) e este TC então é enviado ao MP aje pode ou não oferecer a denúncia.Aceita, com todas as provas e indicação do MP, o juiz então “poderá” acatar e iniciar procedimento judicial.As.partes então irão ser citadas,procederão a defesa e acusação e só apls esgotadas todas as instâncias poderia se ter alguém condenado.Assim, pareçe que não há intenção de punir ninguém.

    • Outra coisa. Até parece que neste país é proibido colocar detetores de metais e eletrônicos na entrada dos presídios. Sou capaz de apostar que celulares não entram em hipótese alguma em nenhum presídio de qualquer país civilizado. Todo mundo sabe que o crime organizado tem suas sedes nos presídios e ninguém faz nada para coibir. Por que será, meu Deus????????????

  • Isso mesmo, os dois lados errados, o errado é a violência em si, cada um que a comete.
    Se eu digo algo contra os vândalos já vem em cima de mim por que de alguma forma é justificado por um e outro motivo, são as “armas” que o povo tem para “lutar”. Papo furado, eu não quero violência, seja lá de quem for.

    Isso não tá levando ninguém a lugar nenhum.

  • Creio que, voluntariamente ou não, os tais “black blocs” cumprem duas funções:

    1) criminalizar os movimentos sociais, fazendo com que a sociedade identifique passeatas de trabalhadores com mascarados que roubam arma de policial.
    Obs.: o pior é que algumas lideranças sindicais ligadas ao PSTU, PSOL, PCO, etc, reforçam essa identificação, elogiando os “black blocs”.

    2) resgatar uma boa imagem da PM junto à população, coisa que Geraldo Alstom não conseguiu.
    As PMs estão coalhadas de corrupção e bandidagem, envolvendo inclusive oficiais. A população mais pobre não confia na PM. No entanto, após o advento dos “black blocs”, aposto que se fizerem pesquisas verão que o apoio à ações violentas da PM aumentou um pouco.

    Os “black blocs” não se assumem como um grupo. Dizem que se trata de uma estratégia, que é adotada por quem quiser. Dizem também que seu movimento é “horizontal”, sem lideranças.

    A ideologia de movimento “horizontal”, onde todos são iguais, etc, foi que destruiu o Occupy Wall Street. Essa ideologia anarquista é irreal e abre as portas para a entrada de bandidos e policiais infiltrados.

    Veja-se o caso da “Rede” da Marina Itaú, que era horizontal, “sonhática”, etc. Até que surgiu a oportunidade de se aliar a Eduardo Campos: aí a Marina tomou a decisão de fechar o acordo sem consultar as bases, decepcionando muitos “sonháticos”.

    Os “black blocs” têm lideranças, sim, mas elas se escondem. Eles têm financiamento, também, pois trata-se de um movimento mundial. Já passou da hora de a Polícia Federal investigar os “black-blocs”, principalmente investigar de onde vem o dinheiro que os sustenta.

    • Oi Roberto.

      1)Primeiramente, acho que é tudo involuntário. Energia jovem, idealismo, hormônios a flor da pele. E não precisam convencer muitos não, meia dúzia já consegue causar todo esse caos.

      2)Ele jamais conseguirá, infelizmente o PSDB é incapaz de pensar na população carente. Estou esperançoso para com 2015 com a possibilidade de termos Padilha como governador. Nunca antes na história desse país, etc etc…

    • Como sempre, excelente seu comentário Locatelli! É lamentável que partidos de esquerda como PSOL, PSTU e PCO, alimentem as insanidades desse grupo! A DIREITA está adorando tal comportamento. Jamais pensamos que tais partidos fossem aliados da elite.

  • Opa, veja, sua posição aqui bate em muito com a do Reinaldo, agora da Rolha também.

    Uma coisa não da pra negar, ao afastar a POPULAÇÃO das ruas, o movimento destes CRETINOS tem ajudado bastante a quem esta no Poder, que de algozes passam a posar de vítima e ainda por cima se veem livres de perguntas e pressões justas.

    Desculpe, a violência da polícia existe sim, mas é tida intramuros, e condenada, como excesso, exceção, abuso, despreparo ..já a dos meninos, é comemorada como lema, meta, objetivo, MISSÃO.

    A da polícia “pretensamente” é cometida por uma minoria contra uma MAIORIA que teria “culpa no cartório”, já a dos moleques, até contra inocentes ausentes como vc bem lembrou.

    -Tentativa de homicídio

    -dano ao patrimônio público e/ou particular

    -Perturbação da ordem

    -Formação de bando e/ou quadrilha

    -Lesão corporal leve e/ou grave

    -USO de arma branca ..porte de arma de fogo ..uso de artifício LETAL

    -assalto, furto e/ou roubo

    -interrupção de via e/ou tráfego com impedimento, ou ofensa GRAVE ao direito do próximo

    -insuflar a violência e a prática de ilícitos ..premeditar os crimes de forma DOLOSA

    Estas são algumas das tipificações que esta CANALHADA travestida de universitários tem feito e que as “autoridades” insistem em não enquadrar e nem ENJAULAR a tempo.

    e aqui eu é que pergunto : Porque ? Com base em que direito e a interesse de QUEM ainda deixamos estes delinquentes soltos e sem PAGAREM pelo dano feito INTENCIONALMENTE ?

  • A PM é assim, toda despreparada e violenta, mas no momento é o que temos e não vamos exagerar diante do comportamento da PM neste caso específico das manifestações. Já esses manifestantes ganharam nestes comentários análises muito boas, principalmente a do Maurício Santos. Parece-me evidente que existem, nove vezes fora, dois vetores principais nesta questão: os manifestantes são bandidos, bandos de mauricinhos e patricinhas drogados e bêbados associados a todo tipo de oportunistas que se aproveitam da situação para tirarem uma casquinha e todo esse processo de revolta (onde nunca vi trabalhadores reclamando providências políticas para qualquer causa legítima) é do interesse da oposição, da imprensa (que posa de indignada, mas mostra só um lado da questão), que tem o objetivo óbvio e descarado de criar um clima de instabilidade política para 2014. Tudo isso é um treino para a copa do mundo (prenhe de argumentos factíveis para emular a revolta popular), às vésperas da eleição.

  • nosso país acaba de se livrar de um golpe de direita,e graças aos blogs sujos, que estão de olhos nestes eventos começado com manifestações de direita. agora é apenas as repetidas manifestações, que tem como objetivo alcançar sua conquistas salariais perdidas ao longo do tempo, a policia tem sim feito ataque aos manifestante, mas os manifestante tem provocado com suas quebradeiras, portanto Edu teu poste esta bem explicado,

  • A meu ver bastariam duas perguntas para destrincharmos esse imbróglio:

    PRIMEIRA PERGUNTA: Quais os objetivos desses grupos, blacks blocks e Polícia Militar?
    RESPOSTA: O objetivo dos blacks blocks nem os próprios sabem, mas há um mal estar geral na sociedade causado por suas ações violentas. Em contrapartida, o objetivo dá PM é proteger a sociedade e o patrimônio público e privado, se nem sempre consegue ou se possui deficiências, cabe ao governo do estado corrigir a anomalia, mas nunca suprimir a instituição.

    SEGUNDA PERGUNTA: Qual a utilidade desses grupos para a sociedade?
    RESPOSTA: Os blacks blocks até pouco tempo nem existiam e ninguém sente falta deles assim como ninguém sente falta de skinreds, holligans, neonazistas, kkk e outros bichos, quanto ao Policial Militar, esse é um cidadão trabalhador que coloca todos os dias sua vida em risco para proteger a sociedade, muitos desses trabalhadores tombam no cumprimento do dever, mas ninguém lhes tece loas, a grande maioria desses homens é íntegra assim como é ou era o Amarildo, mas ninguém pergunta por eles, ninguém quer saber onde está o policial militar a não ser quando sente a vida ou o patrimônio ameaçados.

    • Individualmente, acho que cada membro do black bloc está descarregando suas frustrações e revoltas adolescentes nos bens públicos e privados pois foram convencidos de que estão revolucionando o país fazendo isso. A PM tem esses objetivos que você citou, mas é mal preparada para lidar com o povo, eles só aprendem repressão, quando deveriam ser ensinados compreensão e diálogo.

      Ano que vem acho que o PT vence aqui em Sampa pela primeira vez. Tenho grandes expectativas sobre mudanças na polícia e na segurança pública, principalmente nas periferias.

      • Você há de convir que esse acontecimento é inédito no país. Centenas de pessoas armadas com paus , pedras, bombas caseiras destruindo tudo e, podendo inclusive causar mortes, deve ser extremamente difícil para a polícia atuar. Não estavam preparados para tal situação. Se prendem um ou dois, centenas vêm em defesa. O caso é muito mais complexo do que se pode imaginar.

  • Rio de Janeiro, 28 de outubro de 2013

    CAMPANHA (PROJETO) A RUA DO PAPAI NOEL

    Caros amigos (as), sou fã do saudoso Betinho, um ser de luz, que pregou a solidariedade e a cidadania como instrumentos, para o Brasil ser um país mais justo e melhor para todos. Sempre que chega o natal, lembro das campanhas contra a fome, bandeira que levantou com muita dignidade e fibra em prol do sofrido povo brasileiro. Agora o foco são as criancinhas pobres, que não recebem um presentinho no natal, por isso gostaria de sugerir um projeto, no qual as prefeituras de todo o Brasil, poderiam ser esse grande Papai Noel solidário, em parceria com algumas instituições de caridade. As prefeituras poderiam fazer (organizar) um concurso: (A RUA DO PAPAI NOEL), para eleger a rua mais bonita (enfeitada) e solidária da sua cidade nesse natal, onde a rua que fizer a maior doação de brinquedos, para o natal das instituições de caridade e comunidades carentes, ganharia mais pontos nesse concurso, e poderia ganhar também, um belo prêmio, como um telão para assistirem os jogos da Copa do Mundo, certificado e um troféu entregue pelo Papai Noel oficial da cidade. As outras ruas também poderiam ser premidas, pela participação, como tendo prioridade e atenção em algumas obras da prefeitura, pois que faz o bem, Deus ajuda.

    Observação; As prefeituras poderiam pedir apoio da mídia local, para esse concurso do bem, pois garanto, que muita gente vai gostar e apoiar essa bela iniciativa de trazer um pouco de alegria, para as nossas crianças carentes. Com boa vontade e um pouco de criatividade, os bons prefeitos, podem fazer muito mais pelo o sofrido povo brasileiro, principalmente pelas nossas crianças abandonadas , que muitas vezes choram nessa data, no seu cantinho, por não terem sequer uma família, para comemorarem o nascimento do menino Jesus.

    Atenciosamente:
    Cláudio José, um amigo do povo e da paz.

    • Um belo projeto de Natal seria substituirmos esse tal de Papai Noel por Jesus e comemorarmos o nascimento do Mestre com menos bebidas alcoólicas e principalmente sem o sacrifício de milhões de animais, imolados unicamente para nos banquetearmos.

  • Este bando de marginais mascarados têm que ir para a cadeia. Isso não é protesto é vandalismo.
    eles se infiltram nos protestos das pessoas de bem para cometer todo tipo de crime, entre eles roubo, agressão física, destruição do patrimônio publico é particular etc.

  • Ainda acho que estes moleques estão sendo teleguiados por aqueles que não estão gostando das boas notícias veiculadas no exterior sobre o Brasil…
    e qual seria a melhor maneira de contrabalançar isso?
    pegar um monte de moleques que não possuem nem discursos nem conhecimento político e incutir a eles que as depredações são um meio de serem ouvidos …
    mas ouvir o que? o que eles querem? ninguém sabe, ninguém ouviu…
    Enquanto isso, os verdadeiros orquestradores destes moleques desavisados estão batendo palmas…

    mas o poder público demorou a tomar uma posição, de usar a lei contra estes baderneiros… estes moleques tem que ser presos, investigados, processados e condenados… e quando as famílias deles tiverem que ressarcir ao poder público e privado pelos prejuízos causados, com quem eles vão querer dividir as despesas?

    Outra coisa: se os baderneiros consideram que as agressões ao Comandante da PM são vinganças pelas agressões que PMs fazem… isso dará aval para que os PMs se vinguem também??? e esta bola de neve interessa a quem?

    o que faziam os blaçk-blockers nas manifestações dos protetores de animais contra a empresa Royal???

  • Muitos querem jogar a responsabilidade sobre o governo federal, entretanto, conforme a Constituição, cabe aos governadores garantir a segurança pública.

    Os políticos e a imprensa oportunistas adoram essa confusão para atacar seus adversários; e têm uns imbecis que vão na onda e vomitam um monte de idiotices nas redes sociais e nos espaços que a mídia lhes reserva.

    Enquanto o cidadão ou cidadã não souber discernir qual é o papel de cada ente federativo será muito difícil mudar esse país.

  • A PM deve ser EXTINTA assim como os partidos políticos, pois não esqueçamos que a PM recebe ordem dos politicos , eles( os políticos) que mandam a PM bater , matar, torturar….
    O estado é um fracasso assim como a politica, nunca se esqueça que o maior monopolio e ditadura é o estado, ele faz as leis, ele aplica as leis, ele julga e ele executa a pena, quando não o cidadão(literalmente).
    O Brasil sob o comando dos politicos tem o maior numero de desaparecidos do mundo todo o ano mais de 70 mil pessoas somem.
    depois vem gente falar que a ditadura matava mais,….
    em tempo: e o Amarildo será que a Dilma sabe dele????

    • Uma perguntinha: se acabarmos com a polícia e com os políticos, quem governa e quem protege as pessoas? Ou não precisa de governo nem de proteção? Não existem bandidos? E o governo, colocamos os militares para governar, é isso? Uma última pergunta: você acha que não havia corrupção durante a ditadura?

      • Sua resposta:

        PM pra que serve mesmo???
        Voce acha que o governo protege alguém??? pega a resposta com a familia do Amarildo.
        Quanto aos bandidos já dei a solução é só acabar com os partidos políticos.
        Quanto a corrupção, o fim da política solucionará 90% do problema.
        Pare de ler Hobbes! Os politicos que governam este país não me representam.

        • Não entendi. Sem polícia? Sem partidos? Quem vai governar? Se forem te assaltar, você chama quem? O país fica sem governo? Como fazer sem governo? Não entendi nada.

          • Entenda, eliminando os politicos o crime quase que se esgota, NUNCA falei em acabar com a policia e sim com a PM, que é um absurdo jurídico Dilma poderia fazer isso por decreto, não o faz porque os politicos são unanimes ou seja, querem ter uma força repressora sempre que precisarem,força esta mal paga e proibida de fazer greve, e com autonomia pra bater matar e torturar a vontade.
            A maioria do povo e ate você Eduardo está sujeito a ser morto pela PM e advinhe quem da as ordens á PM????
            Simples os politicos que voce elege, isso mesmo tu, é responsável pelas torturas , mortes e desaparecimentos perpetrados pela PM.
            São 70 mil por ano.

          • Quem manda nas PMs são os governos estaduais. Que Dilma pode fazer por decreto, o quê! Você põe a responsabilidade de tudo nas costas de seus inimigos políticos, ou seja, do governo federal. Como se governador de Estado fosse só pra figuração. Politicagem barata. Concordo que a PM é um absurdo, polícia militarizada não dá. Mas quem vai pôr no lugar? Os governadores têm que opinar. Quanto a acabar com os políticos, é coisa de maluco. Como assim, quem governa? Não elegemos mais governantes? Vamos lá, seja claro: quem vai governar o país, os estados e as cidades se acabarmos com os políticos? Quem fará leis? Os milicos?

        • Esse cara quer acabar com políticos e com a polícia – diz ele, somente a militar, e criar outro tipo de polícia. Então, quem fica no lugar de cada um destes grupos que não te representam?

      • Havia sim, e muita, porém como acontece hoje com os governos tucanos de SP, MG, PR, e GO, havia a blindagem da mídia, todavia naquela época tinham a desculpa (falsa) da censura, falsa porque na verdade apoiavam a ditadura.
        Também ninguém ouvia falar de Ministério Público e a Polícia Federal estava muito ocupada xeretando e prendendo sindicalistas, estudantes, e militantes em geral

      • Amarildo foi morto por ordem do estado então o estado tem obrigação de dar conta dele e Dilma é chefe geral do Estado, derradeiro ela tem responsabilidade com isso sim!

        • Sua ignorância sobre o Estado é brutal. A PM é controlada pelo governo do Estado. Somem Amarildos no Rio, em SP, em toda parte. E a culpa é de Dilma. Politicagem barata. Publicar um comentário desses é um absurdo. Eu deveria te censurar. Você está espalhando mentiras. Aqui não é lugar para espalhar suas mentiras.

          • Vou explicar!
            Quem manda em tudo é Dilma, e se você não sabia ela tem poderes para intervir num estado por que não o faz??? medo ou cumplicidade????
            Governadores de estado nada mais são que lacaios a mando do chefe que é Dilma, nada no Brasil se faz sem a carta branca da união.
            Nesse esquema de protestos, os politicos estão se apoiando pois sabem que o objetivo destes é acabar com eles( os politicos) então Dilma apoio todos os governadores pois se deixa correr solto logo o caos bate as portas dela melhor dizendo é a catrefa politica unida em busca da sobrevivencia .
            Desafio Dilma, cabral e alkmin a ir lá pessoalmente mediar as manifestações. Isso nunca acontecerá pois os tres tem nojo do povo odeiam o povo e vivem cercado de segurança para que o povo nunca chegue perto deles.

          • Isso é piada. Dilma intervir em SP, por exemplo, iria gerar uma guerra política. Do jeito que você fala, parece que vivemos em uma ditadura. Há um pacto federativo. As PMs são responsabilidade EXCLUSIVA dos governos dos Estados. Ponto.

          • Caro Eduardo, por que você tenta dialogar com quem você sabe que está escrevendo de má-fé? Ele só vai repetir as mesmas mentiras como se você não tivesse falado nada e ainda usa seu questionamento como desculpa para repetir as mentiras mais ainda.

        • Me diz uma coisa, você é Marcos ou é Paulo? caramba na hora do aperto você muda de nome só pra confundir e se esconder atrás de seu Padrinho político (será Serra, será Alckmin, será Marina bláblárina? será a sua querida Ditabranda?
          mas vou responder pelo Eduardo Guimarães sobre quem você colocaria no lugar do Políticos brasileiros e a PM. você certamente quer que os Estados Unidos e a AL QAEDA (braço clandestino das forças armadas americanas) para “governar” e “policiar” o Brasil. agora vem a minha pergunta. Por que você não tem a coragem de responder isso diretamente, por que se esconder atrás de nomes fictícios? você tem medo do que? você acha mesmo que tudo se resolve não tendo políticos e não tendo polícia? sei que você não acha isso, pois na verdade você é um cara alienado pela INveja, a falha e a GloboSonega!

          • Quem defende os politicos é porque algo ganha deles porque ser politico no Brasil é ser desonesto,a solução para o Brasil seria a prisão e fuzilamento de todos os politicos e a proibição dos partidos politicos, bem como a extinção das PMs e a dissolução das forças armadas( inúteis).
            Se os americanos quiserem colonizar o Brasil, não me importo ( talvez viveríamos melhor) antes ser colonia de um pais desenvolvido, do que que ter soberania e viver na MERDA.
            E como Eduardo disse existem vários amarildos e isso concordo e digo no Brasil desaparecem 70 mil pessoas ano e mais de 2 milhoes são torturadas a mando dos politicos, pois nunca devemos esquecer que as policias seguem ordens diretas dos politicos então se um policiar tortura é porque foi ordenado que fizesse isso é fato.
            Ou seja, elegemos politicos para reprimir o povo e torturar….
            Mais um pouquinho isso acabará.

          • Vendo alguns desses raciocinios erraticos por aqui temos uma amostra da complexidade da estratégia dita “horizontal”: um balaio de lumpens intelectuais. Embalados pela instrumentação equivocada dos que têm causa: seja ela pontual (alguns têm) ou geral, dos que querem desmoralizar o governo federal (a maioria).

        • Onde está a prova de que Amarildo foi morto por ordem do Estado?
          Ou não precisa de prova, basta o domínio do fato?
          Se bastar o domínio do fato, então já podemos mandar prender o secretário de segurança pública do Estado do Rio de Janeiro ou antes teremos de montar outra palhaçada com juízes do STF dormindo, mentindo e omitindo?

  • É evidente que esses mascarados estão a serviço de alguém.É necessário saber quem os financia.Onde estão o Ministro da Justiça , a PF ,o Ministério Público ? Se algo não for feito para barrar essa violência ,qualquer um poderá ser alvo desses marginais. Em 2014 com a copa do mundo no Brasil , o que eles farão ? atentados , sequestros?… Até quando o ministro Zé Cardoso vai deixar incendiarem o país ?

    • Isso mesmo prender todos para averiguação, usar a força igual se faz no egito!
      Se tem gente nas ruas é porque algo não vai bem no país ou seja, povo na rua e desordem é sintoma e não causa.

      • Conversa fiada. Até 2002 o país estava quebrado, todo mundo desempregado, os salários no chão. Um grupelho sair às ruas não pode ser interpretado como problemas do país. Claro que o Brasil tem problemas, mas os problemas já foram muito piores. Hoje em dia, trabalha quem quiser trabalhar – antes não havia emprego. Os salários são os mais altos da história. A pobreza e a miséria caem ano a ano, a desigualdade cai sem parar. Isso é jogada política. Tudo armação pra tentarem derrotar o PT ano que vem. Vã quebrar a cara. De novo.

        • Por favor volte a falar do Brasil, no brasil que vivo, tem maloca por toda a parte milhoes de moradores de rua principalmente crianças, cadeias superlotadas, transporte coletivo péssimo, inflação, automóvel mais caro do planeta, maior taxa de juro ao consumidor ,serviços públicos péssimos ( vide estradas do governo), sistema de saúde aonde segundo o próprio sistema morrer milhões na FILA por ano,pra quebrar o galho o governo da umas maloquinhas para o povo mas Dilma, esta sim vive em primeiro mundo, tem 750 seguranças , 3 casas, 20 automoveis a sua disposição, gasta mais de 100 milhoes( do nosso bolso é claro) por ano para sua mantença pessoal e ainda ganha 30 mil limpinho no fim do mês.
          Esse PT é demais.

          • Ah, quer dizer que antes de Dilma presidente não tinha seguranças, casas, automóveis, nada, é? Não tinha favelas, crime, tudo que você enumerou? Só descobriu tudo isso depois que o PT chegou ao poder, é?

          • Paulo, a presidência não pode tomar decisões pelos estados. Somente quando há uma solicitação. A presidência não tem nada a ver com o caso Amarildo. Os policiais envolvidos já foram presos pelo Estado. Muitos Amarildos poderão acontecer, pois infelizmente muitos moradores de favelas ,,se envolvem ou são obrigados a se envolver com marginais. E, infelizmente também, muitos policiais não honram a sua farda, esquecendo a moral e a retidão de caráter. Daí esses tristes acontecimentos.

          • Ah, Edu, Edu…
            Escreve um artigo instigante e bom pra caramba e fica batendo boca com um sujeito que deve ter uns 9 anos de idade?
            “Defender” o fim dos políticos, da política, da polícia, do Estado é só pra fazer birra e chamar a atenção.
            Ele já disse em alto e bom som o que deseja: que os EUA se apossem do Brasil e que deem as ordens.
            O que ele quer são os yankees no comando; são políticos “made in USA”. Só isso. Se forem do Tea Party, melhor ainda.
            Lima a cavalgadura selada e vamos em frente.
            Ou você espera ainda alguma luz vinda dessas bandas?

  • Comentário de um outro blog:
    Já havíamos dito aqui que os black blocs barraram e desfizeram o andamento do golpe desfechado pela direita através dos movimentos de rua de junho passado. A ideia da direita golpista era fazer evoluírem aquelas manifestações em um crescendo, amalgamando todas as inúmeras insatisfações que povoam o país principalmente em sua classe média, até que nada mais restasse ao governo federal senão sair, ou transformar-se em um pato manco ao sabor de várias decisões do Congresso que culminariam por levar à vitória nas urnas a direita, possivelmente com o nome de Joaquim Barbosa à frente.

    Os black blocs impediram este golpe, que para alguns já era favas contadas. Não foi pouca coisa, isso. O mensalão, trunfo pontual da direita, havia perdido completamente suas forças como fator de indignação popular, mas seria possível o golpe através da exacerbação das insatisfações urbanas que infernizam diariamente a vida dos cidadãos. Neste caso, a urgência era um fator decisivo. Décadas de más administrações e falta de planejamento poderiam ser creditadas ao atual governo, desde que não se desse tempo para que o povo pensasse duas vezes. E começar o golpe pela precariedade dos transportes públicos seria uma ótima ideia. Porém, o plano golpista não contava com o aparecimento dos black blocs. Foi para a direita uma surpresa destruidora. Os varonis rapazes da classe média já não podiam passear tranquilamente pelas ruas do país bradando que o Brasil era um lixo, pregando a luta contra uma ideia difusa de corrupção generalizada que, por generalizada e nunca pontual, cairia diretamente sobre as costas do governo federal, que no imaginário popular é o responsável por tudo o que ocorre no país. Esta tática entretanto necessitava de rapidez, para que o povo não refletisse duas vezes sobre quem era o verdadeiro culpado por alguma coisa negativa. Mas em sua urgência, ao se depararem com o inesperado fim violento de suas manifestações, os rapazes varonis recolheram-se ao medo, diante da coragem black bloc. E começaram a surgir nas manifestações diversas bandeiras e palavras de ordem que não eram as bandeiras direitistas da corrupção difusa. O golpe estava desfeito. O país deve muito aos black blocs, por isso, por terem impedido o desenrolar rápido e tranquilo de um golpe que claramente tinha apoios fortes no exterior, e iria jogar o país numa situação de absoluto terror fascista. Mas os movimentos de classe, agora com objetivos definidos para o avanço de conquistas em diversas categorias, continuou. E os black blocs continuaram com eles. É óbvio que a direita, ao repassar as razões do fracasso de seu golpe, identificou nos black blocs um de seus mais terríveis inimigos. Daí por diante tudo é possível, inclusive a direita tentar combater o veneno com o veneno: Fazer seus próprios esquadrões black blocs, para aumentar o nível de insatisfação popular, este ingrediente que é agora o alimento dos golpistas.
    Responder

  • Ótimo texto.

    Na minha opinião, a princípio é preciso humanizar a PM. Ela tem que proteger e cuidar, o uso da força tem que ser o último recurso. Ao invés de lições de tiro, eles deveriam ter aulas de psicologia e diálogo.

    Contra os black blocs eu não vejo outra solução a não ser a polícia usar da força para detê-los. Mas quando digo usar da força, não digo agredir com tiros, gás e cassetete, mas deter cada um dos arruaceiros, apreendê-los respeitando sua dignidade para identificação e posterior prisão e multa. Tenho certeza que a maioria dos BBs pode pagar pelo prejuízo que causa.

  • Infelizmente é o resultado da ausência de quem deveria estar nas ruas, culpa da burocratização de partidos e entidades sindicais, sociais, permitindo que essas manifestações acabem sendo lideradads por esses oportunistas que não medem as sua consequências, comprometendo objetivos que são lícitos.

  • Belo texto Edu!

    E o pior é que eles já avisaram, na Copa o bicho vai pegar!

    Alguém ainda tem dúvidas do cunho político do Black Bloc e do MPL?

    Se nada for feito, algo me diz que irémos lamentar muito nas eleições de 2014!

    Cadê o serviço de inteligência do Governo Federal?

    Cadê uma Lei que enquadre duramente esses grupos radicais, como em toda parte do mundo democrático há?

    A Presidenta Dilma e o sr Eduardo Cardozo tem que acordarem o mais rápido possível para desarmar essa bomba programada para detornar em 2014!

  • Caro Eduardo, lí em algum lugar sobre um manifesto ou coisa que o valha desse grupo, definindo-se como “anarco-capitalista” e defendendo posições neoliberais. Você viu alguma coisa a respeito?

    Eu não tenho dúvidas que eses grupos são de extrema direita e vejo neles o mesmíssimo processo que formou as milícias facistas e as SA nazistas. Por isso mesmo acho que é um dado interessante se de fato eles estão assumindo um discurso de direita. Como eu ví muito rppidamente essa informação, queria saber se procede ou é algum tipo de hoax.

  • Como foi dito no twitter: jovens que querem mudar o mundo podem fazê-lo em movimentos sociais, de bairros, sindicatos, partidos, até no teatro. Máscaras e tacos de beisebol não mudam o mundo.

  • NOTÍCIA BOMBA: os black blocs NÃO ESTÃO preparando um protesto contra o procurador que “por distração”, livrou os tucanos da cadeia em São Paulo.

    • Locatelli…
      Vai desculpar, companheiro, mas essa notícia aí não é bomba nem aqui nem no JN que é especialista em hiper dimensionar os bólidos que porventura atinjem tucanos.

      • Errata:
        Onde se lê: “… que porventura atinjem tucanos.”
        Leia -se: “… que porventura atinjam tucanos.”
        Ou
        leia-se: “… que porventura atingem tucanos.”

    • Pois é Locatelli! Será que os BB de vez em quando ficam cegos surdos e mudos? Ou tomam algum chá que os tira por dias da realidade? Só enxergam o que lhes interessam,, com uma finalidade única. Quem estará patrocinando atos de tanto prejuízo que sobrarão para todos nós? Têm que ser responsabilizados criminalmente e financeiramente. Uma pena… certos partidos ajudando à direita do país! Muito triste!

  • Prezados
    Parece que nada nem ninguém pode perturbar o projeto de reeleição do PT=PMDB do governo federal. Esse blog já foi uma referencia para mim. e creio para muitos. Hoje nosso querido blogueiro só está preocupado na defesa do governo. Acho perfeitamente legítimo que ele assuma e defenda suas posições políticas .Meu respeito permanecerá o mesmo, mas minha admiração por um dos meus FAVORITOS perdeu-se ao longo das últimas manifestações do blogueiro sobre temas como Libra e as manifestações. .

  • Você tem alguma sugestão? Como fazer para que as leis sejam cumpridas? Por que tanto medo e respeito, isso mesmo, respeito aos bbs? Por que as autoridades e os politicamente corretos temem ser “incorretos” com os bbs vândalos? Sinceramente, não sei o que pensar e por isso estou lhe perguntando, Eduguim.

    • É uma discussão difícil, Helga. Estou formulando algumas ideias. Acho que é isso que se tem que discutir. Suas dúvidas não são só suas, eu também as tenho. Abs.

  • Onde está a aplicação da lei?

    Está nos pobres, nos pretos, nas prostitutas e nos petistas.

    Não está nos tucanos, na PM dos tucanos e nem nos black blocs.

    No ano que vem ( Copa do Mundo e eleições ) essas forças que pairam acima da lei vão para o tudo ou nada.

    É mentira?

      • Países não têm donos, você ainda não perceberam. Países têm povo. Por isso vocês perdem eleição após eleição, porque pensam que ainda são donos do Brasil. Perderam, manés

        • Não estamos pra disputar eleição, não queremos os politicos é esse o recado será que tá difícil entender???
          veja são paulo hoje a policia a mando do governador( a PM cumpre ordem direta do governador, assim estána CF federal e estadual) executou um menor de 17 anos o povo retribuiu ,8 onibus queimados e 4 carretas, espere para 2014,haverá o dia que os politicos estarão tão desmoralizados que serão cassados como ratos nas ruas…
          Dilma mandou o exercito surrar o povo no RJ depois vai ir lá em 2014 pedir voto ou seja, ela manda espancar depois pede voto.
          O povo não deve esquecer que quando a PM bate é amando de algum político, quando mata também pois um soldado não tem autonomia, tanto é assim que a CF deixa claro que qualquer ato doloso praticado pela PM é responsabilidade objetiva do “estado”;
          Em 2014 psddb, pt,pdt,psol,pmdb serão cassados na rua como animais.

          • Marcos, Paulo, ou seja lá quem vc pensa que é…

            Este caso, que vc relata, não guarda qualquwer relação com a morte do garoto. A mídia e vc estão usando este fato como desculpa. Estive no local onde o rapaz estava sendo velado e não havia qualquer manifestação na porta. O vandalos estavam reunidos na via principal do bairro, onde está o comércio (Av. Roland Garros), e sabe para que? para depredar, saquear, etc…
            Depois foram para a rodovia (Fernão Dias), e, masacarados, aposto com vc uma graninha que não eram o BB. Eram bandidos, oportunistas, faturando uma graninha e tocando terror sob o falso pretexto de estarem fazendo protesto.
            Nessta manifestação específica, creio que as ordens vieram de Presidente Bernardes.

        • Caro Eduardo
          Quero me desculpar contigo por tê-lo forçado a excluir meu comentário que mandava o Marcos ir cagar.
          Sei que você censura penalizado, mas quando não há mesmo jeito o melhor é passar o bisturi no besteirol.
          Na verdade esse cara aí, esse tal de Marcos ou Paulo ou sei lá o quê, já encheu as medidas e não há argumento que o demova de repetir sempre a mesma ladainha, então, perdi a paciência; desculpe.
          Outra coisa:
          Percebi que é possível postar com o nome que quisermos bastando para isso mudar o e-mail cadastrado.
          Usei o e-mail do meu filho Canrobert para comentar com o nome de Carlos Henrique, um comentarista atípico, mas muito bom, aqui do blog.
          Parece que o Carlos Henrique não se importa de que outro se passe por ele, se fosse comigo iria lhe pedir que deletasse o comentário insidioso e fake, mas se não lhe fosse possível eu comentaria logo em seguida desmascarando o troll.
          Grande abraço, Edu e não pense que estou folgando, estou apenas tentando me posicionar da melhor forma possível.

  • Edu, primeiro parabéns mais uma vez pelos seus textos, sempre colocando o dedo na ferida e provocando o debate. Este foi mais um que cumpriu o papel. Em segundo lugar, gostaria de perguntar: A fusão das duas polícias, Civis e militares, numa única, com um novo conceito de segurança, não seria uma saída?

  • Pago meus impostos e por isso espero que quando tiver que transitar pela rua para o lazer ou para o trabalho, ser protegido contra estes gangsteres mascarados. Pessoas como estas não podem viver em comunidade, precisam ficar confinadas em presídios ou manicômios.

  • Cerca de 92% dos meios de comunicação dos militares estão obsoletos e 87% dos equipamentos estão completamente inutilizáveis, de acordo com a versão oferecida pelo portal G1 baseado em documentos e depoimentos de militares na reserva.

    Os fuzis utilizados pelo Exército são do modelo FAL, que a empresa brasileira Imbel fabrica há 45 anos, e mais de 120 mil unidades têm mais de 30 anos de uso.

    “Posso afirmar que possuímos munição para menos de uma hora de combate”, disse o general na reserva Maynard Marques de Santa Rosa, ex-secretário de Política, Estratégia e Assuntos Internacionais do Ministério da Defesa.

    Santa Rosa deixou o Exército em fevereiro de 2010 após qualificar a Comissão da Verdade, que investiga crimes durante a ditadura militar brasileira, de “comissão da calúnia”.

    O general Carlos Alberto Pinto Silva, ex-chefe do Comando de Operações Terrestres (Coter), acrescentou que a quantidade de munição “sempre foi mínima”.

    “Nossa artilharia, carros de combate e grande parte do armamento foram comprados nas décadas de 70 e 80. Existe a ideia errônea que não há ameaça, mas se ela surgisse não daria tempo de reagir”, acrescentou.

    Até agora, o Ministério da Defesa não se pronunciou sobre o relatório. Nos últimos 10 anos, o Brasil investiu em Defesa 1,5% do PIB, segundo dados do Ministério.

    Este ano, o Exército receberá R$ 28 bilhões, dos quais 90% são destinados a salários.

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  • Se a violência dos black blocs não for contida pela PM – e só ela tem condições de contê-la –tornar-se-á uma bola de neve. Há 30 anos, no governo Franco Montoro, ainda na ditadura Figueiredo, tivemos grandes tumultos pelas ruas: populares entravam em ônibus e metrô pulando as catracas; saqueavam supermercados. A PM agiu com energia, deitando o cassetete. Não esqueço que a polícia chegou a divulgar uma gravação em que pessoas poderosas da época diziam – Deixa saquear. Essas pessoas apostavam no caos, como existem outras, atualmente, fazendo a mesma aposta. Os black blocs acabam sendo idolatrados pela direita e a esquerda: muitos acreditam que eles vão promover grandes mudanças. O que eles promovem é apenas a instabilidade, que pode ser o pano de fundo para aventuras políticas que já vimos neste país. Por exemplo, no governo JK tivemos rebeliões nas bases da Aeronáutica de Aragarças e Jacareacanga. É esse tipo de situação que poderemos presenciar, além, é claro, dos prejuízos que já superam R$ 15 bi.

  • Caro Eduardo,

    Acho que temos duas outras perguntas importantes a serem feitas: 1 – As manifestações pacíficas funcionam hoje em dia? 2 – As manifestações não pacíficas funcionam?

    Nos meus trinta e poucos anos de idade vi várias manifestações pacificas, algumas gigantescas, serem absolutamente ignoradas. Ex. a manifestação em NY contra a convenção Republicana de Bush. No entanto vi manifestações no estilo do Black Bloc com bastante exito. Quando morei na França tínhamos manifestações com incêndio de carros com muita frequência. Os governantes Franceses, principalmente os de governos locais como prefeituras morrem de medo da população.

    Será que no Brasil não seria a mesma coisa? Sem os atos repreensíveis talvez já teríamos aprendido a ignorar manifestações mais uma vez.

    É… não sei o que dizer.

    • É você faz uma colocação muito interessante, temos que admitir que as movimentações pacíficas não têm movido moinhos, e têm sido transmitidas pelos meios de comunicação apenas como distúrbios no trânsito. A Maioria das vezes não noticiam sequer o objeto reivindicado. É que essas que têm havido, perpetradas sabe-se lá por quem, em prol de objetivos também ignorados só têm feito, aqui no Brasil, provocar tensão e medo de todos. Porque é algo que se diz a-político, sem identidade nem direção, nem foco. Talvez os métodos sejam, de fato, uma resposta violenta à violência do Estado que só entende essa linguagem; mas, tem o fato de que esses violentos não nos representam. Se fossem pessoas sérias, adultos assim agindo poderiam obter nosso apoio, mas vê-se que são baderneiros e agem pelo prazer da baderna. Aqui em São Paulo, por exemplo, há uma grande série de Amarildos, uma revolta contra isso seria legitima, mas direcionada para os poderes geradores de tal e de forma bem clara, não tentando incriminar uma instância de poder que nada tem a ver com isso, nem, muito menos, desgastar todos os políticos, fazendo exatamente o que a midia tanto quer.

  • Nesse momento estou assistindo pela TV a balbúrdia que um bando de marginais travestidos de “manifestantes”(essa nossa mídia é uma vergonha)está fazendo em São Paulo.Criminosos ateando fogo em ônibus,inclusive ônibus de passageiros que sairam da rodoviária rumo a outras cidades(quem irá pagar os prejuizos dos mesmos?)em caminhões,saqueando lojas.É revoltante ver a lentidão e a passividade das autoridades que parecem estar se lixando para o que está ocorrendo.A justiça(?) que solta esses vagabundos,quando são presos, também tem culpa no que está acontecendo,isso porque sabem eles que não pagarão pelos seus atos.VERGONHA. Porque não fazem protestos quando cidadãos de bem são assassinados diariamente em assaltos nas ruas paulistanas? Porque com certeza são eles os praticantes desse crimes.

  • O ato mais entreguista da história foi o leilão de petróleo para Eike

    reprodução da revista da Associação dos Docentes da Universidade de São Paulo (ADUSP), número de outubro de 2011, sugerido pelo leitor ES Fernandes

    O professor Ildo Luís Sauer, diretor do Instituto de Eletrotécnica e Energia (IEEUSP), se diz um “fruto do programa nuclear brasileiro”, pois, quando estudante, o regime militar — interessado em formar quadros para tocar as dezenas de usinas que pretendia construir no país após o acordo com a Alemanha — lhe concedeu bolsa de iniciação científica, “bolsa para fazer o mestrado e o doutorado em engenharia nuclear e outras coisas mais”. Ao longo de sua trajetória acadêmica, porém, Sauer convenceu-se de que a energia nuclear não convém ao Brasil, e passou a dedicar-se mais à energia elétrica e ao petróleo.

    Foi diretor de Gás e Energia da Petrobras entre 2003 e 2007, período que cobriu o primeiro mandato do presidente Lula e o início do segundo, e no qual tinha a expectativa de amplas mudanças na área de energia e petróleo. Orgulha-se de haver participado das decisões que levaram à descoberta das jazidas do Pré-Sal. Mas frustrou-se ao constatar que, ao invés da reforma que ele e o físico Pinguelli Rosa propuseram a pedido do próprio Lula, o governo tomou medidas que fortaleciam os agentes privados, em detrimento das empresas públicas e da sociedade em geral.

    Nas páginas a seguir Sauer desfecha contundentes ataques às políticas de energia do governo, com destaque para a continuidade do modelo do setor elétrico herdado de Fernando Henrique Cardoso e — em especial — para a realização do leilão de “áreas de risco” da franja do Pré-Sal que acabaram por ser arrematadas por Eike Batista e sua OGX, fazendo desse empresário um dos homens mais ricos do mundo. O diretor do IEE não mede palavras ao opinar sobre o que ocorreu: “O ato mais entreguista da história brasileira, em termos econômicos. Pior, foi dos processos de acumulação primitiva mais extraordinários da história do capitalismo mundial. Alguém sai do nada e em três anos tem uma fortuna de bilhões de dólares”.

    Quanto à contestada Belo Monte, Sauer, diferentemente de uma parte dos críticos, considera que a usina preenche todos os requisitos técnicos de operação. O problema, afirma incisivamente, “não é técnico, não é econômico, o problema lá é simplesmente político”, porque, em função dos erros do governo e da falta de planejamento, “ressuscitou-se um projeto longamente gestado pelo governo militar”, e assim “de certa forma um governo democrático e popular se serve da espada criada pelos militares para cravá-la no peito dos índios e camponeses, com métodos que não deixam nada a dever à ditadura de então, em relação à forma como a usina foi feita, de repente”.

    Procuradas pela reportagem, as assessorias de comunicação da presidenta Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula informaram que eles não comentariam as declarações do professor.

    A entrevista foi concedida a Pedro Estevam da Rocha Pomar e Thaís Carrança e ao repórter-fotográfico Daniel Garcia

    Revista Adusp. Recentemente assistimos a algo impensável em outras épocas: o Procon-SP, pertencente ao governo estadual do PSDB, solicitou à Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) intervenção na AES-Eletropaulo, uma empresa privatizada pelos próprios tucanos na década de 1990. O pedido decorria da constatação de que a AES mostrou-se totalmente incapaz de restaurar a energia em diversos bairros de São Paulo, dias depois de uma tempestade que derrubou o abastecimento. Mas a resposta do diretor da ANEEL também foi surpreendente: ele ironizou a solicitação, dizendo que se tivesse de intervir em uma concessionária teria de intervir em todas, tais as deficiências existentes. Como você avalia essa situação de apagões, de desrespeito à lei e de incertezas no tocante às questões que envolvem a distribuição e o consumo de energia elétrica no país? Lembrando que o próprio campus do Butantã da USP tem sofrido apagões.

    ILDO SAUER. A própria pergunta já é uma resposta e serve para reafirmar a perplexidade diante do relatado e o grau de irresponsabilidade de todos os últimos governos. Nos anos 1990, em que venderam a pílula mágica da privatização como saída e cura para todos os males, a promessa então era aumento da qualidade e redução do preço. Hoje, a qualidade está completamente deteriorada e o Brasil, para os consumidores cativos, tem a tarifa mais cara do mundo. Isso é uma tragédia e causa perplexidade. Mais ainda, o regime tucano foi que deu início e continuou as propostas proclamadas pelo governo Collor do neoliberalismo, então não deixa de ser uma fina ironia que agora eles próprios se revoltem, os criadores contra suas criaturas. Mas não podemos deixar de perceber também que essa criatura foi tratada a pão-de-ló e com muito carinho pelos oito anos de governo Lula e o primeiro ano do governo Dilma Rousseff. A ocasião para reformular todo esse modelo era 2003.

    O governo Lula, em parte, nasceu da derrocada do neoliberalismo consolidada pelo racionamento de energia elétrica de 2001. Os múltiplos apagões, “apaguinhos” e o racionamento de uma certa forma foram a pá de cal. Então, dentro do Instituto de Cidadania, dentro do Partido dos Trabalhadores, gestou-se uma proposta muito abrangente, que daria conta da reconstrução do setor elétrico brasileiro. Aliás, esse é o título de um livro cujos principais autores somos nós e o professor Pinguelli Rosa, uma equipe aqui da USP, uma equipe da UFRJ, feito a pedido do então candidato, depois eleito presidente, e da sua ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff.

    Ficou pronto no final de 2002 [A reconstrução do setor elétrico brasileiro, Campo Grande: Paz e Terra, 2003]. O que causa perplexidade é que, ainda que em grande parte a proposta lá consolidada teria reconstruído o setor elétrico, o fato é que a lenta, gradual, porém contínua metamorfose no seio do governo, a partir de 2003, metamorfoseou aquela proposta numa outra: aquela onde, declaradamente – em apresentações públicas da então ministra de Minas e Energia e de sua assessora jurídica, Erenice Guerra — dizia-se claramente que o novo modelo não é fruto de uma decisão do governo e, sim, uma agenda negociada com os agentes; que o governo só se manteve no papel de árbitro, quando havia divergências. Negociada entre os mesmos operadores de negócios que levaram ao racionamento de 2001 e aos apagões.

    Então não surpreende que dez anos depois, depois que se esgotou o potencial de sobra de energia, devido à queda do consumo de mais de 20% ocorrida em 2001-2002, não se colocou no lugar a mudança do espírito da regulação, para que novamente se passasse a ter comando e controle, que as empresas fossem obrigadas a fazer um planejamento de médio e longo prazo, contratar toda a demanda, fazer a manutenção.

    O contrato de concessão no Brasil tem os dois pontos que mais favorecem ao empreendedor, ao concessionário. Se na Inglaterra, no auge do neoliberalismo, criou-se a tarifa-preço, incentivada, que só periodicamente seria revista, com regulação mão-leve, no Brasil manteve-se o preço-teto junto com o equilíbrio econômico financeiro. Toda vez que há uma ameaça de perda, devido à má gestão, os consumidores são chamados a pagar. Então se o concessionário no Brasil tem a seu favor os contratos feitos, já de 1995 até 2001-2, tudo a seu favor, 2003 era a hora de fazer uma profunda intervenção regulatória, alterar aquilo que deu errado. A proposta estava feita, havia ambiente político para fazê-lo e, no entanto, em troca de manter o ambiente com os empresários e investidores privados, preferiu-se não ressuscitar os instrumentos públicos, usar mão da Eletrobras.

    As empresas públicas foram descapitalizadas com a criação do mercado livre, no qual 600 empresários e cento e poucas empresas comercializadoras compravam energia a 20% do custo e a revendiam a preço cheio para os consumidores finais e a meio preço para os grandes consumidores, dilapidando-se o potencial de capital das empresas públicas, que eram as principais geradoras. As principais pontas da geração eram as empresas públicas, principalmente as ligadas à Eletrobrás e às estatais do Rio Grande do Sul, mas principalmente aqui do Paraná, Minas Gerais e São Paulo.

    Revista Adusp. Pode citar algumas?

    ILDO. Cesp, Copel, Cemig, mas principalmente Eletronorte e Eletrobrás, Furnas, Chesf e Eletrosul, e a CGTEE do Rio Grande do Sul, que são federais. O governo Lula manteve a descontratação, de maneira que a energia ficou sem contratos de venda. E os empresários ditos livres não precisavam se recontratar, porque criminosamente se criou o preço de liquidação de diferenças como equivalente ao custo marginal da água. Para alterar o sistema é preciso saber se se usa água ou se se usa combustível hoje, tendo em vista a previsão de chuvas futuras, tendo em vista a previsão de demanda, o estado dos reservatórios e o custo dos combustíveis. Isso é um índice de média para orientar a operação; nunca, jamais poderia ser transformado em preço.

    O governo Lula, através da ministra de Minas e Energia, converteu isto, Custo Marginal de Operação (CMO), em Preço de Liquidação de Diferenças (PLD), que servia como que um preço spot, que — como houvera um racionamento e a demanda era muito menor que a oferta — caiu para o limite mínimo decretado legalmente em R$ 18 o MWhora, quando o custo da energia oscilava entre R$ 60 e R$ 140 o MW/hora. Então todos os grandes consumidores, que em 2005 já consumiam 8 mil MW médios, 25% do consumo de eletricidade do Brasil, chegaram a 12 mil MW logo em 2008 — comprados por R$ 18 a R$ 20 o MWhora, quando a energia custava às estatais, em média, R$ 100.

    Portanto houve uma dilapidação. Uma transferência econômica em torno de R$ 20 bilhões, nos oito anos do governo Lula, favorecendo agentes, comercializadores e grandes consumidores, que não a repassaram à redução do preço dos seus produtos, só aumentaram seus lucros. Isso obviamente gerou um ambiente de muita popularidade da ministra junto a esses centros empresariais, tanto que depois ela foi premiada com outros cargos.

    A outra história é que se renovaram os contratos do alumínio, iniciados em 1984-5, em Tucuruí, para a Alcoa, Alcan exportarem alumínio, que pagavam 20% do custo da energia. Pois, incrivelmente, em 2004 os contratos venceram depois de 20 anos, e foram renovados por mais 20 anos por preço da ordem de R$ 53 o MW/hora, metade do custo. Por isso a Eletronorte continua afundada em prejuízos, que são resgatados pelo Tesouro Nacional.

    Revista Adusp. O Tesouro está subsidiando compradores de energia barata.

    ILDO. Sim. Isso tudo foi feito com o loteamento da área de energia no governo. Isso são só dois ou três exemplos do que se fez ao invés do que se deveria fazer. O que deveria ter sido feito em 2003 era reformar radicalmente todos os contratos de concessão, para inclusive retirar aquela fórmula mão-grande, que todo ano tomava R$ 1 bilhão dos consumidores, porque a fórmula colocada no contrato era contra a lei, e portanto bastava uma ação administrativa da ANEEL naquele tempo já. Mas, em nome da sacrossantidade dos contratos, no começo do governo Lula ninguém quis mexer em nada.

    Prometeu-se mudar, mas a metamorfose foi na outra direção. E, com isso, os encargos continuaram aumentando, não se fez o que foi prometido, que era fazer um planejamento, um inventário de todos os recursos energéticos hidráulicos. Fazer estudos energéticos, econômico, técnico, e também um estudo social e um estudo ambiental, separando definitivamente a questão social da ambiental.

    Não tem razão nenhuma de o Ibama, que cuida de flora e fauna, cuidar de seres humanos, como se os habitantes ribeirinhos dos grandes empreendimentos, índios, camponeses, fossem uma extensão da flora e da fauna. Isso é um absurdo. No entanto, não se fizeram os estudos, a economia começou a retomar um pouco do seu crescimento em 2005, começou a haver risco de falta de energia, e o governo apelou para contratar usinas a óleo combustível e carvão importado.

    Houve a crítica, aí se apelou para os projetos do tipo criado no governo Fernando Henrique, na parceria de Furnas com o grupo Odebrecht, as usinas do rio Madeira, Santo Antônio e Jirau. E logo a seguir, ressuscitou-se um projeto longamente gestado pelo governo militar. E, de uma certa forma, um governo democrático e popular se serve da espada criada pelos militares para cravá-la no peito dos índios e camponeses, com métodos que não deixam nada a dever à Ditadura de então, em relação à forma como a usina foi feita, de repente.

    Se o governo tivesse cumprido sua obrigação — reformar o setor elétrico, recuperar o controle social sobre a qualidade e os preços da energia, fazer inventário dos potenciais hidráulicos, eólicos, de cogeração com bagaço de cana, de conservação de energia, para expandir a oferta futura, fazer os estudos sociais e ambientais, ranqueá-los, escolher na ordem os que têm mais atributos favoráveis — nem Santo Antônio e Jirau, nem Belo Monte seriam necessários agora.

    Haveria um conjunto muito anterior e esses grandes projetos polêmicos teriam mais tempo para o debate social, para o debate político, para a avaliação ambiental, para então depois serem definitivamente descartados, ou então, feitos num processo de coerência, de diálogo respeitoso com as populações locais.

    Tudo que vemos hoje no setor elétrico brasileiro é uma deterioração por falta de organização, de planejamento e de gestão. Então não surpreende que o diretor geral da ANEEL venha dizer que tinha que intervir em todas. Tinha que intervir mesmo! Por quê? Porque os últimos oito anos, nove anos, foram de degradação da qualidade dos serviços, de rapinagem do patrimônio público, porque é patrimônio concedido, a concessão é patrimônio público gerido privadamente.

    Foi degradado porque não há um sistema de comando e controle regulatório, porque a regulação continua na ANEEL, em Brasília, centralizada, para cuidar de Campina das Missões (RS), de Xapuri (AC), de Olivença (BA). Ou aqui em São Paulo.

    É em Brasília, onde todo mundo sabe que, na história da regulação, há um processo de lenta e gradual captura do regulador pelo regulado. O regulador só está em contato direto com as grandes empresas — de distribuição são 63, tem as de geração e transmissão, são umas 100 empresas permanentemente presentes.

    A população está ausente e pouco a pouco sai da agenda dos reguladores, para ficar apenas aquilo que ficou em 2003, anunciado publicamente pela ministra e sua assessora jurídica, de que os grandes agentes negociaram o modelo entre eles e o governo apenas interveio para arbitrar diferenças. Por isso foi mantido inteiramente no setor elétrico brasileiro o espírito da privatização e do neoliberalismo dos anos 1990.

    Houve uma pequena intervenção, o acolhimento de um dos elementos da proposta do Instituto de Cidadania, que foi dizer que a gente agora devia contratar de longo prazo a demanda. Só que a forma como isso está sendo feito tem dois graves problemas. O primeiro: tiraram dessa obrigação de contratar de longo prazo, para ter transparência, os consumidores livres que são um quarto da demanda. Então periodicamente tem ameaça de falta de energia porque eles não são transparentes, ninguém sabe se estão contratados ou não, eles representam metade do PIB industrial brasileiro e, com seu poder de barganha, o ônus está sendo transferido para o mercado cativo, que é 75% do consumo.

    Uma usina hidrelétrica leva tipicamente cinco anos para ser construída, uma termoelétrica de dois a três anos. Então, se os contratos para expandir a oferta não são feitos com essa antecedência, há o risco de as usinas não estarem prontas, nem a linha de transmissão, nem o sistema de distribuição. Então se contrata de longo prazo, mas 25% estão fora. Não há transparência, então o governo vai lá e contrata energia de reserva.

    Ora, a tarifa que o consumidor cativo paga prevê segurança mínima de 95%, então ele não precisa de energia de reserva; no entanto, o governo fez um leilão e contratou energia de biomassa como reserva, quando é a que menos serve para ser reserva. Quem paga, 75%: os cativos. Quem deu origem a essa necessidade foram os 25%, só que 75% dessa conta foram transferidos para nós, por isso a tarifa é das mais caras do mundo. Então esse é o primeiro problema, seríssimo, desse modelo. Se manteve a contratação como proposto, só que não para todo o mercado.

    O segundo problema, obviamente, é que os custos não são apropriados entre os dois. É um único sistema de produção, com dois mercados diferentes. O que virou predominante está permanentemente predando em cima do mercado cativo. Consumiram energia tendo a tarifa mais barata do mundo; e o cativo, uma das mais caras do mundo, era a terceira ou quarta mais cara. Agora, com o câmbio, o Brasil foi alçado a campeão mundial da tarifa.

    Revista Adusp. Cativo é a plebe?

    ILDO. É a plebe, são 50 milhões de consumidores, que consomem mais ou menos 75% da energia. É o pequeno e médio consumidor industrial e residencial e serviços públicos, enquanto que os 25% restantes são de cerca de 660 grandes consumidores, intermediados por mais ou menos 150 comercializadoras. Então o primeiro problema é 2003: o modelo ficou mais ou menos igual ao de antes, com esse acréscimo de contratação. Como ele não é pleno, a segunda parte é que em 2003, 2004, como eu já disse, foi renovado o contrato do alumínio, engendrou-se esse mercado livre, que transferiu assimetricamente custos e benefícios, e acima de tudo o governo manteve a energia emergencial, aqueles 1.800 MW que o governo contratou depois do racionamento, pagando R$ 6 bilhões por aluguel de usinas por três anos.

    Revista Adusp. São as termoelétricas?

    ILDO. São as termoelétricas emergenciais. A proposta era acabar com aqueles contratos e integrar aquelas usinas como reserva de capacidade das estatais. O governo Lula pagou R$ 6 bilhões de aluguel, seguro-apagão, e as usinas sumiram do mapa. Foram pagas três vezes e não tem nenhuma agora. Esse contrato terminou em 2006.

    Revista Adusp. Como é possível sumir do mapa?

    ILDO. Porque elas eram do proprietário que as alugou ao governo, depois de três anos ou ele vendeu — como a Termocabo, no Cabo de Santo Agostinho, ou a Termopetrolina, em Petrolina — ou foram desmobilizadas. Só que a população pagou três vezes para a usina e não tinha quando precisasse. E aí o governo contratou mais energia de reserva: 2 mil MW de usinas a bagaço de cana. De forma que por essas e por outras é que a tarifa explodiu e o governo não retomou o controle, nem sobre a qualidade, nem sobre o preço.

    Em 1995, Fernando Henrique Cardoso prorrogou as concessões das usinas hidráulicas por 20 anos, quando elas já tinham sido amortizadas antes. As concessões venceram naquele período, porque já tinham, muitas delas, 30 anos, 40 anos. Agora tem usina com 50 anos, 55 anos de produção; já foi amortizada duas, três vezes pelos consumidores cativos. E se você olhar na imprensa tem lá um grande anúncio dos consumidores industriais, possivelmente aqueles mesmos livres, dizendo que a energia brasileira não é competitiva, que é uma das mais caras do mundo.

    Só que isso para um mercado regulado, dos cativos, enquanto que eles pagam tarifas das mais baixas, que agora, como a sobra acabou, não tem mais; então eles estão querendo se abonar dos 22 mil MW, quase duas Itaipus de usinas antigas, as melhores do Brasil, que, pela lei, cabem ao poder público: terminada a concessão, são patrimônio público. Essas usinas gerarão, aproximadamente, 110 milhões de MWhora por ano, mais ou menos 25% do consumo brasileiro hoje, ao custo de cerca de R$ 10 o MWhora, valendo pelo menos R$110. Portanto são geradores líquidos de um valor da ordem de R$ 10 bilhões por ano, como se diz na Bahia, “por vida”.

    O sol move o ciclo hidrológico dessas usinas e elas estão aí, com baixo custo de manutenção. A proposta que o pessoal mais popular faz é que se crie uma Hidrobrás, uma estatal brasileira, que passe a gerenciar a operação dessas usinas, que pode até ser fisicamente operada pelas atuais empresas, como é o caso da Cesp, como é o caso de Furnas etc., mas o excedente econômico vai para um fundo público, para financiar educação e saúde pública, fazer a reforma urbana, a reforma agrária, proteção ambiental, transição energética, assim como deve ir o dinheiro do Pré-Sal também.

    A AES do Brasil é que sustenta sua matriz americana, desde a crise de 2008. Presta um péssimo serviço, a ANEEL não interveio antes para cobrar dela planos de investimento, espera o sistema se degradar, aí diz: “Ah, não posso fazer nada”. O contrato de concessão feito depois de 1995 de fato previa a regulação mão leve, apenas define o preço, como se a qualidade fosse algo natural, e os investimentos da manutenção de transformadores e ampliação de redes acontecessem. Havia um incentivo perverso para que fizesse o mínimo de investimento, para remeter o máximo de lucro.

    O governo sabia disso. Não se mudou regulação para distribuição; não se mudou a regulação e organização do sistema para transmissão; não se mudou na geração. Pois estamos colhendo os frutos daquilo que não foi feito quando era a hora, em 2003-4. Muito embora a pessoa que capitaneou esta linha, que levou o governo por este caminho, evidentemente foi muito bem premiada: foi conduzida à Presidência da República.

    Revista Adusp. Você mesmo mencionou que, com o crescimento econômico, há necessidade de expandir a capacidade de geração de energia. Agora, o modelo preferido pelo governo é esse, é o das grandes usinas hidrelétricas. E você mencionou alternativas. Que alternativas o Brasil teria a essas grandes usinas hidrelétricas?

    ILDO. Não sou, por princípio, contra as grandes, desde que todas as questões sociais, ambientais e econômicas sejam resolvidas. Para simplificar: o Brasil hoje, o território brasileiro, tem um potencial estimado em 250 mil MW de usinas hidráulicas; 82 mil MW já estão funcionando e outros quase 20 mil MW estão em construção, então chegaremos a 100 mil MW, dos 250 mil MW. É verdade que a parte significativa do potencial remanescente de grandes usinas vai para a direção da Amazônia e, principalmente, também no Centro-Oeste, todos rios que descem do Planalto Central.

    Há ainda em outras regiões do Brasil 17 mil MW de pequenas centrais. O potencial eólico brasileiro foi estimado em 143 mil MW, para torres de 50 metros de altura; quando se dobra a altura, se dobra esse potencial para 300 mil MW.

    Há uma complementariedade muito importante no Nordeste: no período com menor intensidade hidrológica, há mais intensidade eólica, e vice-versa. De uma certa forma, o regime de ventos do sertão do Nordeste e do litoral do Nordeste é complementar à hidraulicidade dos rios Tocantins, Xingu, Tapajós, Paraná e São Francisco. Existe ainda também, com o incremento da produção de energia de etanol, bagaço de cana, que pode ser usado em cogeração. Queima-se o gás natural, aumentando seu consumo em 30%, e esses 30% viram eletricidade e os outros continuam produzindo o vapor necessário, o calor, seja num hotel, num shopping center, numa indústria química, numa refinaria, onde for.

    Também é fato que não necessariamente o paradigma de crescimento econômico que o Brasil está seguindo hoje tem que ser seguido. Não há um vínculo tão direto entre consumo de eletricidade e bem-estar. É possível produzir unidades de Produto Interno Bruto com maior ou menor intensidade de uso da energia, dependendo de em que área isso seja. A economia na área de serviços consome pouca energia.

    Já produzir alumínio e ferro-ligas consome muita energia. Então é também uma matéria de escolha, com que paradigma nós vamos participar da divisão internacional do trabalho. É matéria de escolha, não é de destino. De forma que recursos naturais no Brasil não faltam. Eu citei então cerca de 300 mil MW de usinas eólicas, tem cerca de 1 mil MW já prontos de eólicas funcionando.

    Revista Adusp. Só 1 mil MW?

    ILDO. Mais ou menos 1 mil MW hoje. Está crescendo muito no Brasil, especialmente depois da crise de 2008 na Europa, havia uma produção internacional de usinas de aerogeradores e os programas incentivados da Europa e do Estados Unidos foram descontinuados. Então, com isso, a energia eólica no Brasil está muito mais barata do que a nuclear; e mais barata do que a de gás natural nos últimos leilões. Nesse sentido, então, não necessariamente as grandes usinas têm que ser feitas primeiro.

    O problema é que a EPE [Empresa de Pesquisa Energética] só foi criada em 2005, ela devia ter sido criada em 2002, para fazer o que ela faz, ou poder ter recuperado o papel que antigamente a Eletrobrás fazia. A EPE foi criada como uma espécie de agência reguladora neutra, para as privadas terem confiança nela. Porque a Eletrobrás não tinha usinas, quem tem são as subsidiárias, a Eletrobras perdeu o sentido agora. Ela era uma empresa que fazia estudos de planejamento, organizava e financiava investimentos. Era uma espécie de BNDES do setor elétrico. Ela ficou num limbo. Como uma organização para alavancar negócios privados nas parcerias, para assumir os riscos. Para fazer linha de transmissão, fazer usina, toda vez é um grupo privado com um grupo estatal, uma empresa do sistema Eletrobrás mais os privados.

    Quando o negócio vai bem, o privado prevalece. Quando começa a ir mal, se estatiza, e a muleta da Eletrobrás está lá. De forma que quem deveria ter feito os estudos é o governo. Ele preferiu uma empresa dita neutra, que é contratada num regime de prestação de serviço pelo Governo Federal, e serve para organizar os leilões. A EPE, junto com a ANEEL, faz os leilões. Não se quis que fosse uma empresa estatal de porte, para exatamente sinalizar para os empresários que o governo Lula vai manter a hegemonia do capital privado no setor de energia.

    Não é surpreendente por isso que, de uma certa forma, haja um movimento hoje em curso, com utilização da influência do governo via fundos de pensão, Previ, Petros, etc., que têm investimentos em distribuidoras elétricas, para fazer da Camargo Corrêa, que hoje controla a CPFL, a campeã nacional das redes elétricas. Como já se fez, depois daquele enorme imbróglio da BrT, Telemar e Tim, se transformou a Andrade Gutierrez na dona da telefonia celular no Brasil e da telefonia em geral. Como se manobrou a Petrobras para converter a Braskem, do grupo Odebrecht, na dona da petroquímica nacional. Como se está fazendo no petróleo, ao criar o homem mais rico do mundo em menos de três anos, dando-lhe o que hoje já são 10 bilhões de barris de petróleo, em pouco mais de três anos.

    Quando ele recolhe dentro da Petrobras o núcleo estratégico de planejamento e de exploração e produção, comandado pelo gerente executivo Paulo Mendonça: saíram 15 a 16 pessoas desse núcleo, que junto com o contrato dado, mantido pelo governo Lula em novembro de 2007, formou patrimônio, para quê? Contratou leilão, formou a empresa em julho de 2007, obteve as concessões em novembro; e, em julho de 2008, fez a Initial Public Offering e a empresa já valia US$ 10 bilhões. E agora, depois de alguns anos de exploração, anunciou essa semana que tem 10 bilhões de barris de petróleo de reservas, quando a Petrobras, em mais de 50 anos antes do Pré-Sal, conseguiu chegar a 20 bilhões de barris, produziu cinco e tinha 15.

    Isso é uma empresa privada, a OGX, que daqui a oito anos vai estar produzindo mais petróleo do que a Líbia produz hoje. Os Estados Unidos têm 29 bilhões de barris de reservas e ele anuncia que tem 10 bilhões de barris. Portanto, um senhor só controla hoje o equivalente a um terço das reservas de petróleo dos Estados Unidos.

    Isso tudo foi a operação do governo de 2003 a 2006, na área de energia, para permanentemente se associar aos capitais nacionais, em adição aos internacionais, que já tinham vindo aqui na época da hegemonia da teoria da dependência associada. Vieram os estrangeiros pelo governo Fernando Henrique, e no governo Lula criaram-se os campeões nacionais com a ajuda generosa do BNDES e de todas as estatais, que foram instrumentalizados para tal. Como a própria Petrobras de um lado, o sistema Eletrobras de outro e, acima de tudo, o BNDES em todas. De forma que na área de energia, petróleo, gás e eletricidade esta é a mensagem.

    É dessa mensagem que resulta a deterioração, porque não é possível dar o melhor de tudo para os empresários, para os concessionários e os contratantes, sendo generosos em termos de não cobrar a qualidade, de não cobrar a redução de custos, e ao mesmo tempo querer atender a população. Alguém tem que ganhar, alguém vai perder nessa história. Até agora o perdedor tem sido o consumidor cativo do setor elétrico e também o de biocombustíveis, como nós vimos no tumulto todo em torno dos carros flex fuel e da mensagem subreptícia que foi passada, de que álcool sempre estaria disponível e barato, quando isso era impossível, pelo outro arranjo, no outro setor.

    Parece muito simplório dizer isso, mas eu posso demonstrar com dados que o fato de não terem sido refeitos os contratos de concessão, para criar novas obrigações, para reequilibrar a equação da tarifa com a qualidade, e ter instrumento de permanente acompanhamento local, é que gerou a deterioração na distribuição, que gerou os apagões, gerou os “apaguinhos”, a descapitalização das empresas estatais, que operam grandes linhas de transmissão, como aquelas de Itaipu. E o privilégio que se dá para as estatais jogarem todo o dinheiro novo delas para fazer parcerias com as privadas na expansão de grandes usinas, como Belo Monte, Santo Antônio e Jirau, ou linhas de transmissão, fez com que elas não usassem o dinheiro para fazer a manutenção das redes de transmissão, e muitas vezes as próprias usinas de geração antigas, que poderiam ser modernizadas e repotenciadas.

    Revista Adusp. De Belo Monte se diz que, além dos impactos ambientais, dos danos causados às populações humanas, a usina não compensaria os investimentos, que são enormes, uma vez que parte do seu potencial seria inaproveitável durante a estação seca. Queria saber, em primeiro lugar, se esse argumento na sua opinião procede. E, sobre as pequenas hidrelétricas, se você as considera viáveis para eventualmente substituir essas usinas gigantes, ou se seriam apenas uma fonte complementar de energia.

    ILDO. Sobre Belo Monte, eu estive pessoalmente em dezembro de 1992, junto com a CABA, Comissão dos Atingidos por Barragens da Amazônia, que era uma subsidiária de então do MAB [Movimento dos Atingidos por Barragens], junto com a CUT e a Comissão Pró-Índio. Eu e o professor David Zilberstein estivemos lá dando um curso de duas semanas para camponeses, lideranças indígenas e sindicatos em geral. Com essas duas semanas e o livrinho que nós produzimos aqui no Instituto ajudamos a manter a resistência das comunidades locais ao projeto, que então ainda era herança direta do governo militar nos anos 1990, que visava fazer grandes usinas naquela região, para subsidiar a produção de alumínio de exportação, principalmente usando bauxita do rio Trombetas, em Oriximiná e no Carajás. O projeto entrou em ocaso, porque a economia brasileira entrou em crise.

    Com a resistência local e a índia Tuíra, que afiou seu facão e o colocou no pescoço do então presidente da Eletronorte, os projetos ficaram fora. Eis que, de repente, no final do segundo governo Lula, ressuscita-se Belo Monte, como um desespero extraordinário, para salvar a lavoura brasileira. Tudo porque, como eu disse antes, não se fez o estudo do inventário adequado, em termos energéticos, econômicos, técnicos, ambientais e sociais, do potencial hidráulico remanescente.

    A usina de Belo Monte, do ponto de vista natural — é uma controvérsia que precisa ser esclarecida — tem atributos muito favoráveis. Todos os rios da Bacia Amazônica têm a hidrologia muito sazonalizada, caindo sua vazão muitas vezes para um quarto durante o período seco. O período chuvoso começa em novembro, vai até maio, tipicamente, depois começa a seca, que vai até novembro de novo, e aí os caudais são extremamente menores.

    Não obstante, mesmo assim, ainda que Belo Monte custe 50% mais do que foi anunciado no orçamento, chegue a R$ 30 bilhões, ainda assim, do ponto de vista econômico, é um dos aproveitamentos com bons atributos. O problema de Belo Monte não é nem a geologia: pode haver dúvidas sobre a geologia, mas parece que esses problemas foram resolvidos.

    Então o problema não é técnico, não é econômico, o problema lá é simplesmente político. É o desrespeito que o governo Lula impôs à população que estava já há mais de 20 anos em pé de guerra, desde os anos 1970, contra o projeto. O mínimo que se esperava era que os estudos ambientais tivessem sido aprofundados, não levassem à demissão de vários técnicos no âmbito do Ibama.

    Isso não é um tratamento politicamente aceitável, vindo de um governo que foi eleito como democrático e popular. De repente, parece que a pressão sobre a demanda e a pressão das grandes empreiteiras conjugaram-se — e o governo Lula achou que tinha força política, mediante a ameaça de racionamento, sem reconhecer que, se houvesse risco, era só porque ele não tomou as precauções e medidas necessárias para produzir energia de outras formas.

    Como eu já disse antes, os números são eloqüentes: há mais de 150 mil MW de outras usinas hidráulicas, cerca de 300 mil MW de usinas eólicas, cerca de 15 mil MW de bagaço de cana, cerca de 10 mil MW a 15 mil MW com cogeração a gás natural, um potencial grande de racionalização do uso possível, conservação de energia, e, acima de tudo, 17 mil MW de pequenas centrais hidrelétricas.

    A dotação de recursos naturais, capacitação tecnológica, recursos humanos e financiamento generoso do BNDES, está tudo aí. Dá para escolher qualquer projeto para atender, basta planejar, gerir e organizar. Três coisas que não foram feitas no setor energético, apesar do que deveria ter sido aprendido com o racionamento e os apagões que precederam 2001. Tanto que o governo Lula teve dois apagões nacionais em dois anos; o governo Dilma, em poucos meses, já empatou.

    De forma que Belo Monte tem atributos naturais, essa polêmica em torno da sazonalidade não se sustenta, até porque todas as usinas são assim. O reservatório lá vai ser pequeno, mas dá para conjugar com o reservatório das outras grandes usinas que ainda existem, os reservatórios de acumulação. Belo Monte vai ser uma usina tipicamente a fio d’água, praticamente toda a água que passa é turbinada, e a que não é turbinada vai para o vertedouro, não é acumulada como previa o projeto antigamente, que ia inundar todo o rio Iriri, que é outro afluente do Xingu, e o próprio Xingu, quilômetros e quilômetros a montante das duas barragens que estavam previstas lá, que eram Babacuara e Cararaú, os nomes originais desses empreendimentos.

    Então essa é minha visão sobre Belo Monte: tem um projeto com atributos naturais, isso não quer dizer que deva ser feito. Como ninguém hoje está propondo barrar as cataratas do Iguaçu, nem as do Niágara. Quando há situações muito fortes que se sobrepõem, não se precisa fazer, até porque não há necessidade, há outros recursos.

    Quanto às pequenas centrais hidrelétricas, não se pode falar genericamente, porque cada caso é um caso: depende sempre da hidrologia, topografia, geologia e da proximidade com os demais centros. Normalmente, as pequenas centrais elétricas têm enormes vantagens. Porque elas, evidentemente, causam algum impacto no meio ambiente, mas têm reservatórios só de regularização diária ou semanal, no máximo, portanto são menores, servem para piscicultura, servem para recreação e servem como depósito de água para uso em irrigação e mesmo em abastecimento público.

    Casos muito interessantes para se olhar são, por exemplo, as usinas do Departamento Municipal de Águas de Poços de Caldas, que praticamente tornaram a cidade autônoma em energia há muito tempo, e geraram lazer, com pousadas, hotéis, para recreação no entorno dessas usinas. Então muitas vezes elas têm custo favorável e têm esses benefícios colaterais. O potencial estimado é de 17 mil MW, é mais do que Itaipu, Itaipu hoje está com 14 mil MW.

    No Brasil hoje, então, o que se pode dizer como síntese é que recursos naturais não faltam, o que falta é planejamento, gestão e organização do sistema e atributos. Porque o setor de energia é marcado pela presença de um fenômeno que se chama de possibilidade de geração de rendas absolutas e diferenciais, ou então lucro suplementar, ou super-benefício. É uma condição na qual o capital e o trabalho alocados socialmente têm um retorno muito maior do que teriam se fossem alocados no sistema de capital concorrencial.

    Tipicamente o retorno para ele é hoje de 8%, 10% ao ano. Numa usina hidráulica ou num posto de petróleo, esse lucro suplementar é de uma enorme dimensão. É o que eu falei antes das usinas hidráulicas amortizadas: elas têm custo de R$ 10 o MW/hora, no máximo; produzem algo que vale R$ 110; sobram R$ 100, que é o lucro suplementar, que nós propomos que seja apropriado publicamente e não em benefício do grande capital, como quer essa campanha pública que já está nas manchetes dos jornais, subrepticiamente, e com notas, como saiu na Folha de S. Paulo.

    Revista Adusp. Que campanha é essa?

    ILDO. É uma campanha para que as usinas hidráulicas cujas concessões vencem até 2015 sejam destinadas à chamada modicidade tarifária do sistema produtivo brasileiro. Quer dizer, eles querem comprar energia a R$ 10 o MW/hora, ao invés de ajudar… Porque depois de quase nove anos de “Luz para Todos”, dos 12,5 milhões de brasileiros que estavam às escuras ainda têm 2,5 milhões às escuras. Em três anos era possível ter eletrificado todo mundo, no entanto, nove anos depois ainda tem 2,5 milhões às escuras, e o governo ainda prorrogou o “Luz para Todos” para 2014. Por quê? Falta de recursos.

    Ora, onde é que está o recurso? A Constituição diz que o petróleo de subsolo é da nação, que os potenciais hidráulicos são da nação. Se as usinas já amortizadas, pagas duas ou três vezes pelo consumidor brasileiro, agora pertencem ao Tesouro Nacional, só esses 22 mil MW cujas concessões vão vencer até 2015 dariam, como eu disse antes, uma geração líquida da ordem de R$ 10 bilhões a R$ 15 bilhões por ano. É o volume que é gasto com Bolsa Família, poderia fazer uma nova educação pública, saúde pública.

    Revista Adusp. O Brasil pretende construir hidrelétricas em sete países da América Latina. Além das críticas ambientais, tem as críticas das populações locais de que se trataria de imperialismo.

    ILDO. Subimperialismo, sim. Eu vejo isto como uma das faces da chamada mudança, em homenagem à “Carta aos Brasileiros”, que o Lula acrescentou à política hegemônica do Fernando Henrique Cardoso. Eles se valeram do discurso teórico dos cepalinos, que viam a necessidade de induzir a construção de grupos econômicos nacionais e aí, além de fazer aquilo que eu disse antes no Brasil, com a petroquímica e tal, ainda alçaram a África e a América do Sul às quatro grandes empreiteiras, com financiamento do BNDES, para criar algo que se aproxima de um subimperialismo regional.

    Impor essas usinas, muitas vezes negociadas com processos politicamente questionáveis com as lideranças locais. E aí vê o escândalo que foi uma empresa do porte da Odebrecht fazer a usina no Equador, US$ 500 milhões, e a usina não funciona. Com dinheiro do BNDES. E o governo brasileiro entrando em arbitragem nos fóruns jurídicos internacionais para obrigar o pobre povo do Equador a pagar por uma usina que não funciona. Isto é uma vergonha.

    Isso está acontecendo, eles fazem qualquer obra, a qualquer custo, desde que as autoridades locais aceitem. Isso tanto na África como aqui, para fazer biocombustíveis e obras hidrelétricas, rodoviárias, principalmente, e outras usinas. Está sendo feito. O mais grave foi Inambari, no Equador. Veja, Inambari fica 700 km para lá de Santo Antônio e Jirau, que ficam a 2,4 mil km de São Paulo.

    Nós temos o potencial tão grande aqui no Brasil que citei há pouco. Na dissertação de mestrado da Juliana Ricosti nós mostramos que, se a gente usar parte desse potencial que eu citei há pouco, em 2020 — quando a população, segundo o IBGE, vai se estabilizar em 220 milhões de habitantes — será possível dobrar o consumo per capita de hoje, usando apenas cerca de 50% do potencial eólico e 70% do potencial hidráulico, complementados com essas outras coisas que eu disse, e ainda sobraria. Isso daria 1.100 milhões de MW/hora.

    Hoje nós possuímos cerca de 400 milhões de MW. Então sobraria ainda energia com potencial remanescente para, por exemplo, transformar grande parte da frota de veículos de combustíveis líquidos para elétricos, assim ajudando a despoluir o ar das grandes metrópoles, que é um grave problema de saúde pública hoje.

    Por que ir para o Peru? Não teria sentido fazer hidrelétrica no Peru ou na Bolívia para mandar energia para cá, porque vai ser mais cara, instabiliza mais ainda o sistema elétrico, por causa das longas linhas de transmissão. A única razão é o negócio em favor das empreiteiras, que são o sócio predileto. Citei as quatro grandes, como elas criaram um naco do capitalismo brasileiro: Odebrecht, Andrade Gutierrez, OAS e Camargo Corrêa.

    Estão em toda América do Sul, na África e na América Central também, com dinheiro do BNDES, e a Eletrobrás entra como garantidora. Que opera [no exterior] inteiramente livre dos controles públicos do Tribunal de Contas da União. O ambiente é mais livre, tem mais agilidade para fazer negócios. E o BNDES tem sido a mãe de todos, porque o governo pega dinheiro do público a 12,5%, capitaliza o BNDES, que passa a emprestar a 6%, 7% ao ano.

    Tem, além dessas relações complicadas com as populações locais, relações complicadas com líderes políticos, muitas vezes desprestigiados, como o que saiu do Peru agora. Sempre permanece em brumas e obscuridade o que foi negociado nesses projetos.

    Revista Adusp. Vamos para outro “departamento”. A Alemanha acaba de sepultar o seu programa de energia nuclear. O Brasil deve abandonar a energia nuclear, desativar as usinas de Angra? Ou, ao contrário, deve persistir nessa seara?

    ILDO. Este é meu campo predileto, porque sou engenheiro nuclear. Eu abandonei a energia nuclear em 1991, quando vim para a USP, porque já então eu achava que era um caminho não prioritário para o Brasil. Havia outros recursos, como já discutimos há pouco. Isso porque o impacto de Three Mile Island havia sido um tsunami financeiro já então. Não mais do que isso, porque não houve problemas de radioatividade fora do controle em grande escala. Chernobyl revelou a face que a falta de cuidado pode significar, em relação ao permanente risco da opção nuclear, porque o critério de segurança lá era muito primitivo, eram usinas sem barreira de proteção múltipla.

    Há países onde a opção nuclear dificilmente tem condição de ser abandonada, se não for substituída por carvão, como é o caso da China. Então eu separo o debate dentro do Brasil e fora. Como repositório natural de energia herdado do Big Bang e do seu reprocessamento ao longo de corpos celestes, que depois vieram formar a Terra, evidentemente o urânio, o deutério e o trítio representam uma fonte enorme de energia natural e não pode ser descartada.

    Mas no caso brasileiro, particularmente, a previsão do acordo nuclear Brasil-Alemanha era de que em 1990 teríamos oito usinas nucleares, mais Angra I; em 2000, 40 usinas nucleares; em 2016, 160 usinas nucleares no Brasil. Essa era a previsão dos militares, quando criaram o programa nuclear brasileiro, quando me deram bolsa para fazer o mestrado e o doutorado em engenharia nuclear e deram bolsa de iniciação científica e outras coisas mais. Então eu sou fruto do programa nuclear brasileiro.

    No entanto, Angra I levou vinte e poucos anos para ser concluída; Angra II, 21 anos; e Angra III deveria ter sido abandonada. Já está em R$ 10 bilhões o orçamento a ser utilizado para concluir Angra III. O governo está propondo no seu plano ainda mais quatro usinas nucleares, juntas elas vão custar mais R$ 40 bilhões.

    Na dissertação de mestrado da Juliana Ricosti, que está à disposição de vocês, simulamos a retirada de todas as usinas que entrariam depois de 2015, as quatro nucleares, só não tiramos Angra III porque eles já estão querendo concluí-la, todas as usinas a carvão e a óleo, e simulamos colocando eólica. Concluímos que o custo de fazer só eólica e hidráulica, com complementação térmica, seria muito menor.

    Como eu disse antes, o Brasil não precisa das nucleares, tem outros recursos, é uma condição diferente da dos demais países. Poderíamos simplesmente abandonar as quatro nucleares novas. É importante notar que o governo está fazendo um processo de aliciamento no Nordeste, nas margens do São Francisco, que precisa de água para resfriamento, eles estão anunciando que as nucleares poderão ser a salvação contra a pobreza, porque ser vizinho de uma usina nuclear vai render royalties, como rende em Angra, rende uma contribuição anual às prefeituras. É uma espécie de compra pelo direito de colocar algo perigoso no seu quintal.

    No Brasil, então, a conta que eu fiz foi a seguinte: ao invés de gastar R$ 40 bilhões ou R$ 50 bilhões para fazer Angra III mais quatro nucleares, você pode com R$ 25 bilhões fazer a mesma capacidade de geração de energia usando hidráulicas, eólicas, complementadas termicamente. Gastar só metade e praticamente não vai queimar combustível, nem vai deixar piscinas inteiras, cada uma delas, para cada reator que operar 30 anos, com mil toneladas de elementos combustíveis queimados ao longo da vida útil, que exigem cuidado.

    Se você for reprocessar, quebrar e separar, você precisa de 300 anos para cuidar dos resíduos. Se não reprocessar, são cerca de 2 mil anos para esperar que fiquem inofensivos. Deixar de herança para nossos netos, bisnetos, gerações futuras, a carga de cuidar de elementos radioativos, que vão exigir custos por séculos, se não milênios, é absolutamente despropositado.

    O absurdo de Angra III é o seguinte: eles ressuscitaram um contrato que estava hibernando por duas décadas, com a Andrade Gutierrez. Os primeiros contratos da era nuclear o presidente Geisel deu a seu amigo Norberto Odebrecht. Para evitar o monopólio da tecnologia nuclear na mão da Odebrecht, o terceiro contrato quem ganhou foi a Andrade Gutierrez. Décadas depois, eles conseguiram ressuscitar o contrato.

    Ironicamente, é a mesma Andrade Gutierrez que herdou também as telecomunicações do país. O grande monopólio privado, como dizia o ex-ministro para mim: “Nós não podemos colocar tudo na mão das empresas estatais e do governo, temos que ajudar essas empresas, que podem nos ajudar.” Eu não entendia o que era “nos” ajudar nessa conversa.

    Revista Adusp. Vamos para o Pré-Sal. Você foi diretor de Gás e Energia da Petrobras.

    ILDO. Cinco anos.

    Revista Adusp. A descoberta das reservas do Pré-Sal sugere que o país reforçou extraordinariamente a sua condição de produtor de combustível fóssil e que, com isso, obterá recursos financeiros de tal monta que poderá investir maciçamente em áreas até agora relegadas, tais como educação, ciência e tecnologia. Por outro lado, quando mais se fala em energia limpa, o Brasil se compromete enormemente com fontes fósseis de energia, cujo potencial poluidor é conhecido. Como você analisa esse quadro contraditório?

    ILDO. Não acredito que o regime capitalista tenha condições, sem se aprofundar numa crise mais violenta do que a que já viveu até hoje, de abrir mão dos recursos remanescentes do petróleo. A população era de 700 milhões de habitantes em 1750. A Era do Carvão a elevou para 1,7 bilhão, com o incremento extraordinário da produtividade do trabalho social. A Era do Petróleo praticamente se aprofunda de 1910 a 1920, e é hegemônica ainda até agora, como processo de incremento extraordinário da produtividade do trabalho e da circulação de mercadorias, no âmbito industrial, urbano e de circulação, conquanto a eletricidade foi mais para alguns tipos de fábrica e algumas coisas do ambiente urbano.

    Lenin dizia que socialismo é soviete mais eletricidade. Ele tinha razão porque a eletricidade chegando, a produtividade do trabalho aumentava, saía-se da era de quase caçador e coletor, pré-revolução agrícola, para uma era pós. Então não há que desprezar o que aconteceu na União Soviética em termos de fenômeno de produção. Incremento extraordinário com apropriação social da energia.

    A apropriação do petróleo pelo capitalismo para incrementar a produtividade do trabalho fez a população pular de 1,7 bilhão, em 1910, para 6 bilhões de pessoas, 100 anos depois. Produz-se em escala sem precedentes, circula-se em escala sem precedentes. O PIB mundial hoje é de US$ 60 trilhões, mais ou menos; o excedente econômico do petróleo sozinho é US$ 3 trilhões.

    Hoje um barril custa menos de US$ 10, vale mais de US$ 100. Produzem-se hoje 85 milhões de barris por dia, que dá uns 30 bilhões de barris por ano. O excedente é US$ 100 por barril, vezes 30 bilhões, isso dá US$ 3 trilhões por ano, que é um excedente econômico disputado com todas as armas para incrementar a acumulação capitalista.

    Isto é produção de valor sem alocar trabalho de capital, é o chamado lucro suplementar. Então se invade o Iraque, se ameaça a Venezuela, se cria a 4ª Frota para vigiar o Atlântico Sul quando o Pré-Sal brasileiro vai até 300 km mar adentro e não é reconhecido que isso é mar territorial pelos países.

    Os Estados Unidos têm 30 bilhões de barris de reservas: dá para três anos se eles quiserem produzir seu próprio petróleo, consumindo cerca de 9 bilhões/ano. O capitalismo mundial não consegue operar sem o petróleo, por esses atributos. Substituir o petróleo significa gastar muito mais trabalho, muito mais capital, para fazer a mesma produção.

    Quando o mundo de hoje precisaria, se fosse possível pensar utopicamente, satisfazer as necessidades dos 2 bilhões de famintos que vivem abaixo da linha de pobreza, dos outros 2 bilhões de remediados; significa que deveríamos produzir mais, portanto incrementar a produtividade industrial do trabalho, mas, acima de tudo, redistribuir melhor o produto social do sistema econômico. Esse é o dilema. Isso evidentemente agrava a questão ambiental global da biosfera. Só que eu não vejo saída, a não ser uma saída gradual.

    Não é possível imaginar, como muitos da sustentabilidade vulgar fazem crer, que os processos são circulares, que retornam sempre ao mesmo ponto. A história só anda para frente, é um processo dialético permanente de rupturas e mudanças. Achar que o mar sempre vai ser do mesmo jeito, a atmosfera, é ilusão. E aí, como é que eu coloco o Pré-Sal nessa história?

    Primeiro, que a demanda mundial de petróleo vai ser satisfeita, independentemente de com que recursos, ou vai ser substituído por coisas piores como carvão liquefeito, por um processo Fischer-Tropsch. Você usa carvão para separar a molécula da água em hidrogênio e oxigênio, combina os hidrogênios com carbono e faz qualquer cadeia de combustível, que pode ser GLP, pode ser gás natural, pode ser gasolina, pode ser querosene, pode ser óleo combustível.

    Quanto custa? US$ 80, que aliás é o preço diretor, o preço social de produção da energia. Marx já previa isso, ele estava correto. É o carvão que determina o preço do petróleo, porque ele é o único substituto em escala global.

    Então, do ponto de vista da apropriação da renda absoluta, renda diferencial, todos aqueles que controlam o oligopólio do petróleo não abrem mão dele, a não ser pelo seu preço social alternativo, que é dado pelo preço social de produção do carvão, que seria a alternativa em escala mundial, capaz de satisfazer as necessidades energéticas.

    Talvez no futuro, se a tecnologia evoluir muito, podem ser os renováveis, ou então a nuclear. Porque o bolsão de petróleo remanescente convencional hoje é de cerca de 1,8 trilhão de barris. Nós estamos consumindo hoje 30 bilhões de barris por ano, portanto teria, teoricamente, [estoque para] 60 anos.

    No entanto, nesse quadro, eu não vejo como se poderá abrir mão do petróleo. Ainda que fosse um desejo de apropriar mais energia renovável, aumentar a produtividade dos sistemas tecnológicos que apropriam energia do sol, o recurso menos disponível na Terra é o do petróleo. Energia natural não falta. Aquela que é disputada é a que permite maior excedente econômico, especialmente aquela que gera o lucro suplementar tão grande quanto é o petróleo hoje.

    Não há nada que se compare. Mesmo num sistema socialista, se eu me lembro bem do que disse o Lenin, também não se poderia abrir mão daqueles recursos que permitem produzir mais com menos trabalho, para satisfazer mais necessidades, ao invés de só acumular e botar no balanço das empresas, que é o que o capitalismo faz — essa é a grande diferença.

    No entanto, nesse quadro, é absolutamente inaceitável o modelo que foi aprovado, depois que o Pré-Sal foi confirmado, em 2005, quando se furou o poço de Paraty. No poço de Paraty, debaixo do sal, havia petróleo, confirmando uma suspeita de três, quatro décadas. Em 2005 foi Paraty, 2006 Tupi chegou.

    Revista Adusp. Você ainda estava na Petrobras?

    ILDO. Eu ajudei a tomar essa decisão. Nós tomamos essa decisão, não sabíamos quanto ia custar. O poço de Tupi custou US$ 264 milhões, para furar os 3 km de sal e descobrir que tinha petróleo. O Lula foi avisado em 2006 e a Dilma também, de que agora um novo modelo geológico havia sido descoberto, cuja dimensão era gigantesca, não se sabia quanto. Então, obviamente, do ponto de vista político, naquele momento a nossa posição, de muitos diretores da Petrobras, principalmente eu e Gabrielli, que tínhamos mais afinidade política com a proposta do PT de antigamente, a abandonada, achávamos que tinha que parar com todo e qualquer leilão, como aliás foi promessa de campanha do Lula.

    Na transição, ainda a Dilma falou, “não vai ter mais leilão”. Mas se subjugaram às grandes pressões e mantiveram os leilões. Fernando Henrique fez quatro, Lula fez cinco. Lula entregou mais áreas e mais campos para a iniciativa privada do petróleo do que Fernando Henrique.

    Revista Adusp. Mas Gabrielli era contra e acabou concordando?

    ILDO. Não. A Petrobras não manda nisso, a Petrobras é vítima, ela não era ouvida. Quem executa isso é a ANP [Agência Nacional do Petróleo], comandada pelo PCdoB, e a mão de ferro na ANP era da Casa Civil. Então a voz da política energética era a voz da Dilma, ela é que impôs essa privatização na energia elétrica e no petróleo. Depois do petróleo já confirmado em 2006, a ANP criou um edital pelo qual a Petrobras tinha limitado acesso. Podia ter no máximo 30% ou 40% dos blocos, necessários para criar concorrência. Porque, em 2006, Tupi já havia sido furado e comunicado.

    O segundo poço de Tupi, para ver a dimensão, foi feito mais adiante, esse ficou pronto em 2007. Só que o Lula e a Dilma foram avisados pelo Gabrielli em 2006. Muitos movimentos sociais foram a Brasília, nós falávamos com os parlamentares, os sindicatos foram protestar. O Clube de Engenharia, que é a voz dos engenheiros, mandou uma carta ao Lula, em 2007, pedindo para nunca mais fazer leilão.

    Em 2005-6, o [Rodolfo] Landim, o queridinho do Lula e da Dilma, saiu da Petrobras. Porque o consultor da OGX, do grupo X, do senhor [Eike] Batista, era o ex-ministro da Casa Civil, e ele sugeriu então que Eike entrasse no petróleo. Aí ele contratou o Landim, que começou a arquitetar. Como o centro nevrálgico da estratégia da Petrobras é a gerência executiva de exploração, o geólogo Paulo Mendonça, nascido em Portugal, formado aqui na USP, e o Landim, articularam para em 2007 criar uma empresa nova, a partir dos técnicos da Petrobras. E o senhor Batista queimou alguns milhões de dólares para assinar os contratos e dar as luvas desses novos cargos, que estavam dentro da Petrobras mas, desde que o Landim foi trabalhar com o senhor Batista, ele já estava lá para arrancar de dentro da Petrobras esses técnicos.

    Aí chegou o fim de 2007, todos nós pressionando para não ter mais leilão, o Lula tira 41 blocos… Veja, vamos voltar a 2006. Em 2006, quem anulou o leilão foi a justiça, por discriminação contra a Petrobras, feita pelo governo do PT, comandado pelo PCdoB na ANP, a mando da Dilma. Como diz o próprio PCdoB, o Haroldo Lima só executou ordens do governo, como fiel cumpridor, não é iniciativa dele fazer essas coisas. Ouvi isso da Jô Moraes, num debate na Câmara dos Deputados.

    Só que aí se criou o seguinte imbroglio: um ex-ministro do governo Lula e dois do governo Fernando Henrique, Pedro Malan e Rodolpho Tourinho, foram assessorar o Eike Batista. Ele já tinha gasto um monte para montar sua empresa de petróleo. Se o leilão fosse suspenso, ele ia ficar sem nada, e já tinha aliciado toda a equipe de exploração e produção da Petrobras.

    O que caberia a um governo que primasse por um mínimo de dignidade para preservar o interesse público? Cancelar o leilão e processar esses caras que saíram da Petrobras com segredos estratégicos. Por que não foi feito? Porque tanto Lula, quanto Dilma, quanto os ex-ministros, os dois do governo anterior e um do governo Lula, estavam nessa empreitada.

    Revista Adusp. Quem era o ex-ministro?

    ILDO. O ex-chefe da Casa Civil, antecessor de Dilma.

    Revista Adusp. José Dirceu?

    ILDO. É, ele foi assessor do Eike Batista, consultor. Para ele, não era do governo, ele pegou contrato de consultoria, para dar assistência nas negociações com a Bolívia, com a Venezuela e aqui dentro. Ele [Dirceu] me disse que fez isso. Do ponto de vista legal, nenhuma recriminação contra ele, digamos assim. Eu tenho contra o governo que permitiu se fazer. E hoje ele [Eike] anuncia ter 10 bilhões de barris já, que valem US$ 100 bilhões.

    Até então, esse senhor Batista era um milionário, tinha cerca de US$ 200 milhões. Todo mundo já sabia que o Pré-Sal existia, menos o público, porque o governo não anunciou publicamente. As empresas que operavam sabiam, tanto que a Ente Nazionale Idrocarburi D’Italia (ENI) pagou US$ 300 milhões por um dos primeiros poços leiloados em 2008. Três ou quatro leilões foram feitos quando o leilão foi suspenso pela justiça. Até hoje, volta e meia o [ministro] Lobão ameaça retomar o leilão de 2008, 2006. A oitava rodada. Para entregar. Tudo em torno do Pré-Sal estava entregue naquele leilão. No leilão seguinte, o governo insiste em leiloar. E leiloou. E na franja do Pré-Sal é que tem esse enorme poderio.

    Como é que pode? A empresa dele foi criada em julho de 2007. Em junho de 2008 ele fez um Initial Public Offering, arrecadou R$ 6,71 bilhões por 38% da empresa, portanto a empresa estava valendo R$ 17 bilhões, R$ 10 bilhões dele. Tudo que ele tinha de ativo: a equipe recrutada da Petrobras e os blocos generosamente leiloados por Lula e Dilma. Só isso. Eu denunciei isso já em 2008. Publicamente, em tudo quanto é lugar que eu fui, eu venho falando para que ficasse registrado antes que ele anunciasse as suas descobertas. Porque fui alertado pelos geólogos de que lá tinha muito petróleo.

    Foi um acordo que chegaram a fazer, numa conversa entre Pedro Malan, Rodolpho Tourinho e a então ministra-chefe da Casa Civil, em novembro, antes do leilão. O Lula chegou a concordar, segundo disse o pessoal do MST e os sindicalistas, em acabar com o leilão. Mas esse imbroglio, de o empresário ter gasto dezenas de milhões de dólares para recrutar equipe e apoio político nos dois governos fez com que eles mantivessem…

    Tiraram o filé-mignon, mas mantiveram o contra-filé. O contra-filé é alguém que hoje anuncia ser o oitavo mais rico do mundo. E tudo foi mediante essa operação no seio do governo. Contra a recomendação dos técnicos da Petrobras, do Clube de Engenharia, do sindicalismo. Foi a maior entrega da história do Brasil. O ato mais entreguista da história brasileira, em termos econômicos. Pior, foi dos processos de acumulação primitiva mais extraordinários da história do capitalismo mundial. Alguém sai do nada e em três anos tem uma fortuna de bilhões de dólares.

    A Petrobras durante a vida inteira conseguiu descobrir 20 bilhões de barris de petróleo, antes do Pré-Sal. Este senhor, está no site da OGX, já tem 10 bilhões de barris consolidados. Os Estados Unidos inteiros têm 29,4 bilhões de barris. Ele anuncia que estará produzindo, em breve, 1,4 milhão de barris por dia — o mesmo que a Líbia produz hoje.

    É esse o quadro. Ou a população brasileira se dá conta do que está em jogo, ou o processo vai ser o mesmo de sempre. Do jeito que foi-se a prata, foi-se o ouro, foram-se as terras, irão também os potenciais hidráulicos e o petróleo, para essas negociatas entre a elite. O modelo aprovado não é adequado. Mantém-se uma aura de risco sem necessidade, para justificar que o cara está “correndo risco”, mas um risco que ele já sabe que não existe.

    Qual é a nossa proposta? Primeiro, vamos mapear as reservas: saber se temos 100 bilhões, 200 bilhões, 300 bilhões de barris. Segundo, vamos criar o sistema de prestação de serviço: a Petrobras passa a operar, recebe por cada barril de petróleo produzido US$ 15 ou US$ 20, e o governo determina o ritmo de produção.

    Porque há um problema: a Arábia Saudita produz em torno de 10 milhões de barris, a Rússia uns 8 milhões de barris, depois vêm os outros, com 2 a 4 milhões de barris por dia: Venezuela, Iraque, Irã. O Eike Batista anuncia a produção de 1,4 milhão de barris, a Petrobras anuncia 5 milhões de barris e pouco. Significa que o Brasil vai exportar uns 3 ou 4 milhões de barris. Já é o terceiro ator. Não se pode fazer mais isso.

    Toda a longa trajetória da história do petróleo culmina a partir de 1960 com a criação da Opep [Organização dos Países Exportadores de Petróleo]. Tudo para que? Para acumular o excedente econômico, a renda. Então você não pode ter alguém no mercado que não opere de maneira coordenada. E a lógica dos contratos de concessão — já entregaram 28% do Pré-Sal e dos de partilha que querem fazer — é de que de você assina o contrato, tem um prazo para começar a explorar, concluir a exploração, depois tem uns 20 anos para retirar o mais rapidamente o petróleo.

    No caso, a urgência urgentíssima do Congresso Nacional era de que tinha urgência para fazer fundos sociais. Essa é a maior falácia que eu já vi na minha vida. A Petrobras tem dois, três anos para fazer a exploração; depois dois, três anos para começar a botar as plataformas, é 2016-17. Daí a três anos vai começar a produzir o óleo-custo, estamos em 2020. Aí ela pagou todos os custos, a partir daí o óleo-lucro é dividido entre o governo e a empresa. Aí vai para o fundo no exterior. Em 2022, talvez, vai começar a mandar dividendos para cá. E tinha urgência urgentíssima para mandar dividendos do fundo social, que vai investir preferencialmente em ativos no exterior. Está na lei.

    Não há nenhum ativo no mundo que vai ter mais rentabilidade do que o petróleo certificado debaixo da terra. Qual moeda? O derretido dólar? O derretido euro? O yuan? O yen? Eu faço essa pergunta desde 2007. Entro no Congresso Nacional, “Vocês querem investir em quê?” Em petróleo na Arábia Saudita, talvez fosse melhor, se eles deixarem.

    Só q

  • Acho que a sua pergunta deveria ter sido outra : Quem está “protestando” e por qual motivo? Assim, vamos analisar as causas dessas “manifestações”, sua composição e o que de fato pretendem. Para começar essa análise devemos nos perguntar qual a lógica de existirem “protestos” numa Sociedade que, longe de ser a ideal, vem atravessando um processo acelerado de melhora, com distribuição de renda, acesso ao consumo e à educação, na qual, as camadas oprimidas saem progressivamente da pobreza e da miséria e apresentam graus de satisfação e otimismo em relação ao futuro comprovados tanto em todas as pesquisas qualitativas, como no apoio ao Governo e sua líder, revelado nos índices de aprovação gigantescos que ambos sempre tiveram e que, se foram abalados momentaneamente devido à baderna ocorrida no mês de junho, quando as “manifestações” atingiram seu pique; iniciaram rapidamente uma processo de recuperação que continua a ocorrer e já recolocou a Presidenta como favorita para reeleger-se(o que evidenciou que a perda momentânea e abrupta de popularidade não deveu-se a nenhuma reprovação da população quanto às políticas públicas do Governo Dilma, mas somente a um abalo de cunho emocional gerado pelo clima de pré-guerra civil advindo das “passeatas” de junho. Ora, para um observador estrangeiro, que não conhecesse nossa realidade e se guiasse somente pela superficialidade dos acontecimentos, estaríamos vivendo num clima de esquisofrenia coletiva, que contaminara toda uma Nação de 190 milhões de habitantes, afinal, poderia perguntar-se nosso amigo do exterior “que Nação é essa que ao mesmo tempo em que apoia majoritariamente um Governo, sai às ruas para “protestar” contra ele(se não tinha coragem de “sair do armário” e assumir que era contra esse Governo, o fazia de forma pouco velada : afinal quem é em último grau o responsável pelo país, e pela sensação de bem ou mal estar, aprovação ou reprovação, apoio ou protesto, que se retira dele. Ou de forma mais rasteira, quem é também em grau extremo, e bastante identificável pela “cultura política” brasileira, o responsável pelos “serviços públicos”, tão falados nos “protestos”, e o destinatário final das críticas por sua “ineficiência”)!!!!!!??????????. Provavelmente nosso perspicaz observador externo, reforçaria seus questionamentos sobre a aparente dicotomia de nosso povo, recordando que não era em contradição a “qualquer” apoio que ocorriam os “protestos”, já que no início daquele mês, a população concedia mais de 63% de aprovação ao governo contra o qual supostamente sentia-se tão “insatisfeita” que “estravasava” sua frustração quebrando o pau nas ruas. APARENTE CONTRADIÇÃO!!!!!!!!!! LOUCURA!!!!!!!!!!! DIRIA NOSSO INVESTIGADOR ALIENÍGENA, OBSERVANDO TAMANHOS ABSURDOS, AO MENOS NA APARÊNCIA, E OS DESDOBRAMENTOS DELES ADVINDOS, OU ESTARIA EXATAMENTE NESSA “CONTRADIÇÃO”(QUE NA VERDADE NÃO EXISTE)A EXPLICAÇÃO SOBRE A VERDADEIRA NATUREZA DOS “PROTESTOS”, SEUS OBJETIVOS E O PERFIL SOCIAL, E IDEOLÓGICO DE QUEM OS PROMOVE? A explicação mais óbvio seria de que os tais “protestos” nasceram “naturalmente” da “minoria” insatisfeita. Os 10 ou 12% da população que odeiam o Governo Dilma, como odiavam o de Lula, e também o PT, e têm todo o direito de protestar, desde que não descambem para a violência e sejam honestos, ou seja, exponham suas opiniões de forma clara, afinal estamos numa Democracia e ninguém irá prendê-los por serem de direita. Todavia, a “dimensão” que os protestos atingiram não podia ser explicada por essa resposta simples. Quando falo dimensão, não digo, ao contrário do que virou “moda” entre os analistas “seguidores de onda”(que não pensam e adoram apoiar a “opinião da manada”)que os “protestos”, de junho ou de agora(em estado comatoso), tenham atingindo uma grande dimensão populacional, ou seja, que a maioria da população participou dele. AO CONTRÁRIO, UMA ANÁLISE MATEMÁTICA ELEMENTAR, SEGUINDO OS NÚMEROS FORNECIDOS PELA MÍDIA CONSERVADORA(QUE OBVIAMENTE ESTÃO INFLADOS), MOSTRA QUE AS PASSEATAS MOBILIZARAM AO MENOS 1 MILHÃO DE PESSOAS EM TODO O BRASIL. SE VIVEMOS NUM PAÍS DE CERCA DE 190 MILHÕES DE HABITANTES, ISSO SIGNIFICA QUE 189 MILHÕES NÃO PROTESTARAM. EM SÃO PAULO, ONDE HOUVE AS MAIORES “MANIFESTAÇÕES”, ESTIMA-SE EM 100 MIL O NÚMERO DE PARTICIPANTES, NUMA CIDADE QUE TEM CERCA DE 11 MILHÕES DE HABITANTES, 10 MILHÕES E 900 MIL NÃO PROTESTARAM. Assim, a “participação” da população, mesmo a dos “jovens”, tão alardeada em verso e prosa(e bota prosa nisso!)pelos barões da comunicação e seus “jornalistas” amestrados pode ser desmentida por simples operações de aritmética, daquelas que aprendemos na infância. Então,a qual “dimensão” me referi? À dimensão de métodos e também de objetivos(ao meu ver clara, perceptível dentro de uma suposta “falta de objetivos”)existente em tais protestos. Uma coisa são os 10% que odeiam Dilma saírem às ruas afirmando suas opiniões e tentando convencer as pessoas a não votarem nela, nada mais legítimo, OUTRA COISA É UMA AÇÃO ARTICULADA, COM CLARAS NUANCES DE TERRORISMO URBANO, GESTADA INICIALMENTE NAS REDES SOCIAIS(QUE TODOS SABEM SÃO A NOVA FORMA DE CONTROLE MENTAL DA ORDEM DOMINANTE, A CADA DIA ABOCANHANDO UM PAPEL OUTRORA RESERVADO À TELEVISÃO), MAS RAPIDAMENTE APOIADA PELA MÍDIA CONSERVADORA, COM A ÓBVIA INTENÇÃO DE PROMOVER O CAOS E A DESORDEM, ATINGINDO ASSIM PELO MEDO A POPULARIDADE E O APOIO POPULAR DE UM GOVERNO QUE DE OUTRA MANEIRA, ATRAVÉS DO QUESTIONAMENTO DEMOCRÁTICO DE IDEIAS, NÃO PODERIA SER VENCIDO. Ou seja, quem protestou foram os 10 ou 12 % da classe alta que odeiam Dilma sim, mas ao invés de exporem publicamente sua “insatisfação”, por perceberem que desse modo não arregimentariam ninguém em seu favor, e que seu número é reduzido até para eleger um vereador(mesmo que o “ampliem” com o apoio de parcelas da classe média), resolveram “exponenciar” pela força seu poder de influência eleitoral(já que pela mídia, e até pelo poder econômico, não estavam mais conseguindo)e assim fazer uma espécie de “golpe light”, ou seja, não um golpe de estado verdadeiro, mas ações golpistas destinadas a instalar o caos, a violência e a sensação de desgoverno, capazes de criar no homem comum o pavor e a perda de referências propícios para a construção de uma avaliação negativa do Governo que outrora apoiava, avaliação que não necessita, devido a seu caráter meramente emocional, da existência de nenhuma falha ou mudança concreta na administração das questões que de fato definem um país; como Economia, Educação, Distribuição de Renda, Câmbio, Emprego; pois como já dito, origina-se a partir da implantação de uma quase histeria coletiva entre os cidadãos. Assim, os “protestos” de junho, ao contrário do que virou “bonitinho” falar entre os seguidores da manada, não representaram nenhum avanço, foram isto sim REACIONÁRIOS ATÉ A ÚLTIMA GOTA, NASCIDOS E CONDUZIDOS PELO QUE HÁ DE MAIS ATRASADO NO PAÍS, AS “ELITES” PRIVILEGIADAS(COM O APOIO DE BOA PARTE DE CLASSE MÉDIA DEBILOIDE, SEMPRE DISPOSTA A UNIR-SE COM QUEM ACREDITA TER “IDENTIDADE”, MESMO QUE SEJA SOMENTE UMA ILUSÃO), CONDUÇÃO QUE NASCEU DE UM PLANO MUITO BEM ORGANIZADO, QUE CONTINUA EM EXECUÇÃO, NO QUAL OS “BALCK BOSTAS”, MPL E TODAS AS OUTRAS PALHAÇADAS DE FRALDA QUE VIMOS EM “AÇÃO” NESSE CIRCO SÃO SOMENTE A PARTE EXECUTÓRIA, MAS HÁ UMA PARCELA MUITO MAIS PODEROSA, A “PENSANTE”, QUE NÓS NÃO VEMOS, MAS CONTINUA EM AÇÃO NESSA QUE É A “BALA DE PRATA” DA DIREITA PARA 2014, LANÇADA MUITO ANTES DEVIDO AO DESESPERO CONSERVADOR DIANTE DA PERSPECTIVA DA REELEIÇÃO DE DILMA. Se ainda duvidamos dessa interpretação, comecemos pelos números dos próprios conservadores que a confirmam : segundo o “insuspeito”(quando se trata de corroborar qualquer postura progressista)Datafolha, o “perfil educacional” dos “manifestantes” de junho, obtido nas maiores manifestações do país, ocorridas em São Paulo, mostrou que 75% deles tinham nível superior, quando esse percentual entre os brasileiros é de 15%. Ou seja, são os ricos e classe média, que tiveram acesso à educação e à Universidade(os pobres começaram aos poucos a ingressar nela, há muito pouco tempo, devido ao esforços de Lula e Dilma)que compuseram as tais “manifestações”, claro que uma parte conduzida pela mídia, que anabolizou a ação das redes sociais, mas cuja identificação com o “perfil” e as “intenções” das “manifestações” foi óbvia, e a homegeneidade da composição delas prova isso, ainda que as ações terroristas e a definição “ideológica” clara das tais “passeatas”(ao posicionarem-se contra qualquer “manifestação política, como bandeiras de agremiações, forçando um caráter “apolítico” que se presta perfeitamente bem a quem deseja o autoritarismo para impor seus objetivos, já que na democracia e na política será derrotado)deixem claro a existência de um planejamento prévio, guiado pelos objetivos e pela visão de Brasil específicos de uma classe social e do perfil ideológico que a caracteriza. OS POBRES NÃO PARTICIPARAM DOS PROTESTOS SIMPLESMENTE PORQUE NÃO TINHAM MOTIVOS PARA PROTESTAR, ESTÃO MUITO OCUPADOS SAINDO DA MISÉRIA E TENDO ACESSO À UMA VIDA DIGNA, COISA QUE NUNCA ANTES TIVERAM, COM PERSPECTIVAS E REALIZAÇÕES CONCRETAS NAS ÁREAS DO EMPREGO, CONSUMO E EDUCAÇÃO; PARA PENSAREM EM ATACAR O GOVERNO QUE LHES DEU TAIS BENS ANTES INIMAGINÁVEIS. Alegar que “o povo obteve conquistas e quer mais”, como faz o próprio PT “burramente”(ou talvez inteligentemente do ponto de vista eleitoral)pode servir para explicações superficiais e tolas que ganham votos, mas não satisfaz a quem de fato quer entender os “protestos” mauricinhos. O povo ainda está conquistando, ainda que de maneira acelerada, novas bens e oportunidades que jamais imaginou que poderia ter(ainda temos pessoas vivendo na miséria e somos uma das sociedades mais injustas do planeta, embora tenhamos evoluído como nunca na distribuição de renda), imaginar que esse processo “se completou”, a ponto de quem ainda sequer recebeu completamente tudo o que estão começando a entregar-lhe agora, já teria “desejo por mais”, é de uma tolice abissal e de um desconhecimento da realidade nacional só “justificável” pelo maldito “espírito de manada” que contamina aos mais fracos. Perguntem a um morador da favela, que começou a ter bens de comum antes inacessíveis, tem a perspectiva do primeiro emprego com carteira assinada e salário digno e ver seus filhos entrando na Universidade(cousa que ninguém da família jamais o fez, sequer sonhou)se o transporte público, que de fato é péssimo, é capaz de deixá-lo tão insatisfeito com o país e com o Governo que lhe dão agora o que nunca pensou que podia ter, para sair nas ruas e quebrar tudo em nome de uma suposta “revolta” causada pela “ineficiência” desse transporte público, que sempre foi péssimo, mas antes era “péssimo” e ele vivia na miséria e agora o encontra começando a viver com dignidade. Os “manifestantes” de junho, e de agora, não andam de ônibus, seu perfil educacional, étnico e econômico prova isso. Basta andar-se de ônibus pela manhã, e ao final da tarde comparecer a algum “protesto” de mauricinhos, para perceber-se isso, a menos que sejamos tapados ou fanáticos de direita. Se MPL, “black bostas” ou reacionários associados fossem algo além disso(e com a experiência de, no caso do MPL, supostamente existirem há alguns anos)protestariam em frente das concessionárias de veículos, verdadeiros responsáveis pelo péssimo transporte público em uma Sociedade voltada para o carro, ou tentariam abalar de verdade o Sistema Financeiro exigindo que o BC reduzisse os juros, o que causa bilhões em prejuízos aos Bancos que diminuem um pouco o roubo às nossas riquezas através dos juros da dívida pública, ao invés de “quebrarem” agências, o que não gera um tostão de despesas para os bancos(ou os menininhos nunca ouviram falar de seguro), além de criar na população uma antipatia contra qualquer forma de mobilização e um pendor para o autoritarismo, o que pode trazer imensos prejuízos futuros para a Democracia no Brasil. Esses fascistas são a ponta de lança de uma ação conservadora clara(percebam que os mais recentes “protestos” aconteceram , usando a desculpa do transporte público, logo após duas pesquisas de opinião, uma delas feita por um instituto conservador, que apontam Dilma reeleita no primeiro turno em 2014; e tiveram como “sede” para suas realizações os dois maiores colégios eleitorais do país, São Paulo e Belo Horizonte, que ainda são as terras de dois do mais importantes líderes do PSDB. QUE COINCIDÊNCIA! E num momento em que a Prefeitura de uma dessas cidades, São Paulo, anunciou um plano para diminuir o preço da tarifa através do aumento do IPTU só para os ricos, o que não mereceu nenhum comentário de apoio dos supostos “defensores” do transporte público gratuito). Contudo, o pior ainda está por vir, com o crescimento de Dilma, que em breve recuperará a popularidade perdida(por ser essa “perda” fruto de um abalo emocional gerado pelos “protestos” de junho, portanto sem motivo real e também devido à queda brusca no número de protestos), a direita entrará em desespero e centrará o fogo de sua nova tática na Copa do mundo; que acontece bem próximo das eleições e mobiliza o Brasil e o mundo; tentando transformar o evento num fracasso graças aos “protestos” que surgirão, encabeçados por supostos “indignados” com do dinheiro público gasto na Copa, mas que calam-se diante de quantias dez vezes maiores entregues diariamente aos Bancos que especulam com nossa taxa de juros absurda e nosso câmbio flutuante. Vejo nesses “protestos” que poderão ocorrer na Copa a única ameaça à reeleição de Dilma; que transforma Marina Silva e os golpes da Globo em fichinha; e cabe ao Governo Dilma neutralizá-los. Para isso, precisa ter um Ministério da justiça operante, com um Ministro que não seja omisso como o atual, e uma Polícia Federal que de fato sirva ao governo a quem é subordinada, investigando e prendendo esses merdas, e seus comandantes. SE DILMA NÃO AGIR ASSIM, APROVEITANDO-SE DE QUE OS TAIS “PROTESTOS” COMEÇAM A RECEBER O REPÚDIO DA POPULAÇÃO(QUE PASSOU DO MEDO DO VANDALISMO E DO APOIO VAGO A “QUEM RECLAMA DE ALGO”, JUSTIFICÁVEL NUM POVO NÃO ATENDIDO EM SUAS DEMANDAS DURANTE DÉCADAS, À REVOLTA CAUSADA PELA CAOS ADVINDO DAS “PASSEATAS”), PRENDENDO ESSES MERDAS, SEJAM “BLACK BOSTAS”, MPL OU QUALQUER FASCISTINHA DE FRALDA QUE APARECER, E PRINCIPALMENTE AQUELES QUE OS FINANCIAM E COMANDAM, INCLUINDO-SE AS “CONEXÕES” ESTRANGEIRAS, QUE PRECISAM SER REVELADAS AO PAÍS, OU SERÁ ESSE O TÃO SONHADO “GOLPE DE ESTADO”, EM SUA VERSÃO “FACE”(MAS IGUALMENTE CONSERVADORA E VELHA)QUE PODERÁ IMPEDIR A CONTINUIDADE DE UM GOVERNO QUE VEM MUDANDO ESTE PAÍS HÁ DEZ ANOS. MOBILIZEMOS A SOCIEDADE CIVIL PARA ENFRENTAR ESSA AMEAÇA NAS RUAS, NA WEB E FAZENDO A PRESIDENTA, O PT E LULA ACORDAREM.

  • Para toda ação há sempre uma reação oposta e de igual intensidade: ou as ações mútuas de dois corpos um sobre o outro são sempre iguais e dirigidas em sentidos opostos(3º lei Newton), ou seja, efetivamente podemos concluir que as ações, hoje, orquestradas pelos movimentos sociais são reflexos reais aos objetos por eles refletidos (aí vai um pouco de óptica), o problema é que este reflexo deixou de ser uma imagem abstrata faz tempo. Contudo acho muito interessante tentarmos decifrar quem nos manipula, ou seja, quem são as pessoas que nos colocam de encontro à policia e vice-versa, ou melhor, será que há alguém por detrás disto tudo ou quem sabe governos quiçá estrangeiros.
    Enfim para alguém interessa a teoria do caos no Brasil. (Viva o grande procurador (de coisa nenhuma) de Grandis, viva Padim MotoSerra, viva Privataria Tupiniquim)

  • ♫ Sinto muito, mas eu apoio 100% a PM. Os bandidos que atacam os PMs devem ser os mesmos que formam as torcidas organizadas violentas: pau neles! Quero ver os defensores dos “direitos humanos” botarem a cara para tomar porrada, pelo salário de um policial. E olhem que lutei muito durante a ditadura e nem sei como escapei sem tomar muita porrada, ser preso ou – coisa pior – virar estatística.

  • Creio que o “Bloco Negro” representa o verdadeiro espírito da esquerda combativa, que tem a exata
    noção marxista: uma revolução só se faz de forma violenta, pois os opressores (a classe dominante)
    não abrirá mão dos seus privilégios de mão beijada….

    Já a dita “esquerda” que prega moderação alimenta um desejo fabiano de conciliação de classes, de
    reformas por vias tradicionais, que só fazem mitigar minimamente as desigualdades e não colaboram
    muito para a mudança efetiva do status quo.

    Além do mais, a maioria dos ditos esquerdistas no governo se acostumaram com o bem-bom, se
    lambuzam com o poder, se tornaram a nova elite e pouco se importam com o resto do povo.

    • Só que Karl Marx não tinha uma visão tão simplista como você, via o movimento do capitalismo como um todo, no mundo todo, e não só do ponto de vista econômico como do político e social. Lembre-se de que estamos dentro da maior crise do capitalismo, maior que a de 1929, não podemos, pura e simplesmente, ignorar todo esse quadro histórico e pretender focar apenas a luta clássica de fundo burguesia X proletariado. Há muitos outros agentes históricos nessa luta, que é a da manutenção desesperada do capitalismo em sua debacle. E aquela “classe social” dos que mandam acima dos estados nacionais está presente neste conflito, pleiteando poder sobre o poder político institucional, a midia os representa.

      • Nina, Nesse ponto o velho Karl Marx é bem explícito: somente através da violência, os oprimidos conseguiram
        desencadear o processo revolucionário que irá tirar a burguesia do poder. E esse processo tem que ser
        liderado por um partido comandado por uma vanguarda revolucionária.

        Ou seja, tudo que o PT não é. Ou alguém acha que políticos como Gleisi Hoffmann, Paulo Bernardo,
        Alexandre Padilha, Fernando Haddad, etc (todos partes da cúpula do PT) estão preocupados em
        mudar o status quo??!! Eu creio que não.

        Enquanto isso, o “Bloco Negro” sim é que é revolucionário: atacando símbolos e governos aliados
        do grande capital.

  • Eduardo, só reparo é que não há vinculação direta entre o caso Amarildo e as recentes ondas de protestos, exceto o fato de haver policiais militares envolvidos e o fato ter sido usado como pretexto por grupos de militantes para radicalizar protestos. Trata-se de situações bem diversas: uma delas refere-se a movimentos organizados e induzidos por grupos políticos bem determináveis (direita reacionária que quer voltar ao poder e esquerda emergente que quer aceder ao poder a todo custo) e um tipo de violência que sempre existiu em áreas de conflito e maior vulnerabilidade social. A violência nos protestos tem sido iniciada por militantes que apostam nesse caminho e, muitas vezes, o declaram, para depois se dizerem ‘vitimizados’ quando presos. A polícia, qualquer uma, não tem como dispersar uma horda de manifestantes insuflados por pessoas que só querem desestabilizar o sistema, sem alguma dose de rigor ou violência. Não usa armas letais: usa gás lacrimogêneo, spray de pimenta, cassetetes e tasers. Os ativistas que vão lá para ‘derrubar o governador’ ou o sistema, segundo crêem e declaram, usam pedras, paus e coquetéis molotov. Ferem policiais e até outros manifestantes ou pessoas que passam pelo local também, além de destruírem patrimônio público e privado. Na concepção deles, os vitrais de um prédio histórico são apenas vidro. Em vários atos que tenho seguido de perto, quem inicia de fato a violência são os manifestantes, seja com tentativas de ocupação forçada de espaços públicos restritos, seja com pichações a monumentos e prédios, seja com pedradas e incêndios. A polícia tenta impedir e conter, e acaba apelando para a força, na impossibilidade de fazê-lo pelo convencimento apenas. Noto que, nesse aspecto, nossa polícia não é nem pior e nem melhor que a de outros países. Um ou outro excesso de um policial (mostrar o cassetete quebrado no Facebook) pode e deve ser punido. Quem praticou o assassinato do pedreiro, que agora foi alçado à condição de santo, embora se saiba agora que teria ligações com o tráfico local, pode e deve ser punido exemplarmente. Nesse aspecto, a lei penal teria que ser mais rigorosa, não só para esse caso, mas para todos os que envolvem homicídios. No dia a dia da ação policial contra o crime, concordo, ela é violenta e em muitos casos arbitrária, com o devido desconto de que muitos criminosos agem de maneira extrema sabendo que as leis aqui são frouxas. Quem aposta na violência perde sempre, observo, já que violência é sempre pretexto e arbítrio.

  • ♫ Você viram esta? Saiu no Conversa Afiada: “Apontado como o mais influente conselheiro econômico de Marina Silva, autorizado inclusive a dar entrevistas nessa condição, Eduardo Gianetti da Fonseca elaborou uma formula muito peculiar para executar o programa de desenvolvimento com sustentabilidade, talvez a meta mais associada a líder da Rede. Lembrando que o gado brasileiro responde por emissão de gases (puns!) que geram grande quantidade de C02, Gianetti afirma que, para evitar novos desastres ambientais, preocupação central de Marina Silva, ‘o preço da carne vai ter de ser muito caro, o leite terá de ficar mais caro.’” É a ameaça ecológica do pum da vaca!

  • Acho que já está na hora da Sociedade brasileira discutir esses ¨protestos¨principalmente devido a forma que eles estão ocorrendo. Com uma excessiva violência. A pergunta que não quer calar: Quem está financiando esses grupos de marginais?

    • Mônica, não tem ninguém financiando o grupo revolucionário “Bloco Negro”; eles agem impulsionado pelo
      seu próprio fervor revolucionário e vontade legítima de mudar o status quo e o
      modelo de exploração capitalista.

      Em contrapartida, deveria haver partidos de vanguarda os apoiando na construção dessa sociedade
      igualitária. Infelizmente, só há tímidos apoios do PSTU e PSOL.

      Quanto ao PT, só quer saber de criminalizar o movimento, tal qual a direita….

  • independentemente da filosofia blackbloquiana (a luta contra o capitalismo), o fato é que a elite econômica e política está usando os blacks para denegrir o governo federal e tentar fazer a presidenta perder votos. o feitiço vai virar contra o feiticeiro. na verdade, a oposição paga, usa dinheiro vivo, para dar aos blacks, que estão desempregados, ou são imbecis mesmo à disposição nas praças. por outro lado, a pm é uma instituição velha, burra e incompetente. tem que ser extinta e já.

  • O que esta acontecendo em São Paulo e no Rio e um sistema de alimentação de um câncer que se se mata com inanição completa, caso isto não for feito e ele quem os mata, e o que esta acontecendo em SP e Rio, o governo do PSDB em SP tem orientação clara para deixar o circo pegar fogo, que e a única maneira que a direita tem de voltar ao poder, isto ficou claro quando os black blocks queimara varias carretas em uma rodovia federal e a PM viu ,olhou e nada fez, o governo sacana do PSDB gostou e muito de receber uma bolada do governo federal ,dinheiro este que vai para os bolsos, digo para o transporte, e para ajudar a incompetência da PF e da ABIM ,que de inteligência não tem nada, e com tudo isto
    o câncer esta crescendo dia a dia, a democracia corre sérios riscos.

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