Brasileiros rejeitaram 4 vezes as “reformas” de Temer

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Já entrou para a crônica política do Brasil e do mundo a famigerada doutrina Nizan Guanaes, despejada sobre o país logo após o golpe parlamentar de 2016.

Cerca de três meses após o golpe que depôs Dilma Rousseff, em novembro de 2016, no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República, agora dominado por Michel Temer, o publicitário Nizan Guanaes recomendou ao “sucessor” da presidente legítima do país, deposta por uma trampa, que tomasse medidas amargas e impopulares para tirar o Brasil da estagnação econômica.

De acordo com o marqueteiro tucano da era FHC, Temer deveria “aproveitar sua baixa popularidade para avançar com as reformas”. Sem citar diretamente a reforma trabalhista, Guanaes afirmou a Temer que o empresariado nacional não poderia mais “competir no mundo com leis da época de Getúlio Vargas”.

Guanaes se referiu aos direitos trabalhistas que seriam exterminados pela “reforma” trabalhista que Temer faria no ano seguinte e que, na prática, enterrou as ditas “leis da época de Getúlio Vargas”.

Guanaes, no “Conselhão”, deu o caminho a Temer:

Ninguém faz coisas contundentes com alta popularidade. Presidente, popularidade é uma prisão! Aproveite que é impopular e faça as reformas certas

Guanaes tinha razão: para piorar as condições de vida da esmagadora maioria dos brasileiros, que está submetida às leis trabalhistas na condição de empregada da minoria microscópica que emprega pessoas, acabar com a proteção legal aos trabalhadores que Getúlio Vargas inscreveu na Consolidação das Leis do Trabalho é muito “contundente”.

Hitler fez muita coisa contundente. Mussolini, o regime militar brasileiro ou o maníaco do parque, também. E, como diz Guanaes, não dá para fazer essas “contundências” mantendo a popularidade. Ele acerta, pois, ao dizer que a popularidade é uma prisão. Ela obriga o governante a respeitar a vontade do povo para governar.

A popularidade a que Guanaes se refere como tão perniciosa é a base da democracia. Ninguém se elege presidente se não tiver popularidade. E para ser popular e se eleger presidente é preciso respeitar a vontade do povo.

Temer, então, está consolidando as reformas que o grande empresariado, os bancos e a mídia querem porque está indo contra a vontade do povo.

Os brasileiros rejeitaram 4 vezes as reformas de Temer, desde 2002. Naquele ano, elegeram Lula contra José Serra, que cujo programa de governo era continuar as “reformas” que Collor iniciou em 1990 e que Fernando Enrique Cardos deu continuidade a partir de 1995.

Essa foi a primeira rejeição popular às “reformas” que Temer está levando a cabo devido a não ser popular, segundo Nizan Guanaes.

Em 2006, Geraldo Alckmin apresentou-se ao eleitorado propondo privatizações e “reformas” trabalhista, da Previdência e terceirização, entre outras. Foi derrotado por Lula, em uma segunda rejeição popular a reformas idênticas àquelas que Temer está impondo por força de o povo não gostar dele.

Em 2010, Serra se apresentou de novo como candidato a presidente fazendo campanha entre grandes empresários, banqueiros e barões da mídia, prometendo-lhes “reformas” como as de Temer. Como os votos dos grandes empresários, banqueiros e barões da mídia não conseguem encher nenhuma das milhões de urnas eletrônicas usadas em eleições brasileiras, as reformas temerárias foram rejeitadas pela terceira vez.

Em 2014, Aécio Neves e Marina Silva apresentaram-se ao eleitorado como defensores das “reformas” que estão em curso no Brasil indevidamente, já que os brasileiros negaram mandato a esses dois candidatos, e aquelas “reformas” foram rejeitadas pela QUARTA vez consecutiva.

Político que se gaba de ser impopular, como Michel Temer, contraria o princípio da democracia, que exige que o povo aprove o que um político fez e o que ele diz que fará se for eleito. Temer e o PSDB dizem que “popularidade é uma prisão”. Não sabem o que é democracia. Só político popular recebe mandato popular. Por isso a direita vai perder a eleição de 2018

Quem deu autorização a Temer e ao PSDB para acabarem com as leis trabalhistas? Ninguém. Essa autorização só poderia ter sido dada pelo povo, mas o povo rejeitou programas de governo que continham “reformas” como a Trabalhista ou a da Previdência, entre outras.

Na prática, o Brasil vive uma ditadura. Medidas como a extinção tácita de uma parte imensa dos direitos trabalhistas dos brasileiros foram tomadas contra a vontade desse povo, como mostram pesquisas recentes e os votos depositados na urna em 2014. E qualquer candidato que defenda a continuidade dessas reformas a partir de 2019, não vai se eleger.

O fato é um só: a retirada de direitos dos brasileiros que já ocorreu e a que ainda irá ocorrer só terão continuidade a partir do ano que vem se não houver eleições no país. Se houver, só terá chance de vitória um candidato que se comprometa a anular a reforma trabalhista, o teto de gastos públicos, a terceirização, a reforma da Previdência (se for aprovada, como Temer garante que será) e as privatizações.

A principal candidatura de esquerda, provavelmente a de Lula, irá exigir dos candidatos de direita que se posicionem pública e taxativamente sobre todas essas questões. E irá denunciar aquele que tentar enganar o povo tergiversando sobre todas elas. Uma por uma. Se não mentirem sobre as “reformas”, vão perder. Terão que mentir ao povo. E, depois, segurar o rojão quando o povo descobrir que foi enganado.

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