Jornal manipula manchetes, mas desmascara Clube Militar

Análise

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Fazer jornalismo influente, no Brasil, tornou obrigatória a eficiência na composição de manchetes que – pela “eloquência” – induzam o leitor a, não raro, formar opinião sem ter lido nada além do título da matéria, seja opinativa ou noticiosa. Isso é contingência de uma era em que a quantidade de informação disponível excede a disponibilidade de tempo do leitor.

A despeito da necessidade de consumir informação com mais rapidez, a tendência cultural do brasileiro, por triste que seja admitir, é injustificadamente tendente ao mínimo de leitura e ao máximo de conclusões apressadas sobre ideias prontas.

Nesse aspecto, o conteúdo das matérias – sobretudo as da grande mídia, que atingem camadas menos intelectualizadas da sociedade – acaba servindo apenas para justificar manchetes que costumam dizer o que aquele conteúdo a que remetem não diz.

Manchetes que acusam encimam textos que revelam açodamento, manchetes que absolvem emolduram justificativas facciosas. Mas o pior é que a hierarquização das manchetes, fenômeno que ocorre em veículos que divulgam vasto conteúdo, decorre de manipulações desonestas que buscam evidenciar o que interessa e esconder o que não interessa.

Essa prática ocorre hoje em grande profusão nas mídias controladas por impérios de comunicação que, em nosso país, resumem-se a, no máximo, uma dúzia de grupos empresariais, mas que, no cerne, originam-se de quatro grandes grupos de mídia.

Organizações Globo, Grupo Folha, Grupo Estado e Editora Abril são responsáveis por uma parte descomunal e desproporcional do conteúdo jornalístico e de entretenimento. São aberrações geradas pela concentração arcaica da propriedade de meios que vitima o país.

Diante desse universo microscópico de fontes originais de conteúdo, constata-se uma tragédia: todos acalentam as mesmas posições políticas, ideológicas, comportamentais, econômicas etc., reduzindo o debate de ideias a um monólogo estúpido.

Em razão de tal quadro, não é preciso gastar tempo buscando diferenças entre os Quatro Cavaleiros do Apocalipse da comunicação. Viu um, viu todos. Este Blog, por exemplo, elegeu o Grupo Folha como amostra generalista, ainda que seja necessário ficar de olho nos outros braços desse oligopólio. Porém, o foco em um de seus braços economiza tempo.

Nesse aspecto, a última edição dominical da Folha de São Paulo nos oferece um belo exemplo de como a escolha de manchetes de primeira página – equivalente da “escalada” dos telejornais, por exemplo – é uma “ciência” que não obedece à mais tênue noção de lógica e interesse público.

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Na última sexta-feira, este Blog publicou matéria que afirmou que a lista de “vítimas de terroristas” divulgada pelo Clube Militar para se contrapor ao relatório final da Comissão da Verdade continha toda sorte de manipulações, inclusive a de citar vítimas falsas da guerrilha de esquerda do período ditatorial.  A edição em questão do jornal citado, avançou no tema.

Contudo, apesar de a Folha ter feito boas matérias sobre o assunto, escolheu para ir à primeira página a matéria menos importante. Para entender por que, lembremo-nos de uma frase que todo estudante de jornalismo acaba conhecendo. No século XIX, o jornalista norte americano John B. Bogart ensinou que “Se um cachorro morde um homem não é notícia, mas se um homem morde um cachorro, é”.

Passemos, então, às matérias da Folha sobre a tal “lista de vítimas” emitida na semana passada pelo Clube Militar. Apesar de o jornal ter publicado várias, escolheu uma para a primeira página e pôs as seis matérias (inclusive a de capa) nas longínquas páginas A10 e A11.

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Como se vê na matéria que foi para a primeira página, tanto a manchete como a legenda sob ela opõem as “vítimas da esquerda” aos trabalhos da Comissão da Verdade. Essa ideia pronta, porém, não oferece ao leitor a mínima noção de que a tal lista de “vítimas da esquerda” contém várias farsas, apesar de a matéria em evidência dizer isso.

A matéria em evidência na primeira página não explica que pessoas que figuram na lista de mortos do Clube Militar foram encontradas vivas, ou que muitas foram mortas pela própria repressão do regime militar.  As matérias lá das páginas A10 e A11 dizem tudo isso. Inclusive a matéria a que a manchete de capa remete.

Mas uma dessas matérias mostra um fato extremamente importante para que as pessoas entendam por que não faria sentido incluir as ações da guerrilha de esquerda nos trabalhos da Comissão da Verdade.

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Como se vê, pessoas que praticaram atos de violência no âmbito da resistência ao governo ilegal decorrente de um golpe de Estado foram presas e torturadas. Cumpriram pena, inclusive. Inclusive as que não cometeram atos de violência, como a própria presidente Dilma Rousseff, que jamais foi acusada desse tipo de ação, apesar de ter sido barbaramente torturada, tendo hoje problemas nos dentes da frente por conta dos socos que levou na boca, violência que sofreu estando indefesa e amarrada diante dos verdugos da ditadura.

A esquerda foi brutalmente penalizada por reagir ao estupro da democracia que a ditadura praticou. Só quem nunca pagou por seus crimes foram os autores de atos diabólicos de tortura que impressionam pela “criatividade” em infligir sofrimento àqueles que queriam que dessem informações.

Só para não estender muito um assunto doloroso e chocante, o relatório da Comissão da Verdade cita torturas como colocar pregos em pênis ou baratas em vaginas durante os “interrogatórios” da ditadura. Acadêmicos, religiosos, estudantes, pessoas que jamais pegaram em armas passaram por isso.

A esquerda não praticou nada igual.

Desse modo, a iniciativa do Clube Militar de publicar uma lista com mais de uma centena de nomes de pessoas supostamente assassinadas pela esquerda e da qual se sabe que incluiu pessoas que estão vivas, é uma afronta ao país e revela o total descompromisso dessa organização com a verdade.

A principal pergunta que se faz, é a seguinte: seria possível encontrar uma só falsidade como essas no relatório da Comissão da Verdade? Não seria porque tudo que revelou a CNA se fez acompanhar de provas, depoimentos, investigação exaustiva.

O trabalho da Comissão da Verdade destinou-se a purgar um tipo de ação do Estado que é incompatível com a democracia e com o Estado de Direito, ou seja, o Estado agir criminosamente, ilegalmente, desumanamente. Os excessos – sob certo ponto de vista – que a resistência à ditadura possa ter cometido foram punidos pela mesma ditadura.

Por fim, voltamos à escolha de manchetes, essa “ciência” sem lógica. Todos sabem que a direita aponta “vítimas da esquerda”. Essa “notícia” que foi à primeira página da Folha é o “cachorro mordendo o homem”. Já a lista do Clube Militar de “mortos pela esquerda” conter pessoas que estão vivas, é o homem mordendo o cachorro.  Qual deveria ir à primeira página?

82 comments

  • A Folha tenta justificar o injustificável porque deu suporte a tortura e sustentou ideologicamente a ditadura, simples assim. Defendendo os atos terroristas dos ditadores, a folha age em auto defesa, tenta defender seus atos criminosos.
    Conhecido como o jornal de maior tiragem por ter na suas redações numero maior de tiras (policiais militares) do que de jornalistas.
    http://www.adital.com.br/freitito/por/pedras.html
    As próprias pedras gritarão
    Frei Tito por ele mesmo

    Relato da tortura de Frei Tito

    Este é o depoimento de um preso político, frei Tito de Alencar Lima, 24 anos. Dominicano. (redigido por ele mesmo na prisão). Este depoimento escrito em fevereiro de 1970 saiu clandestinamente da prisão e foi publicado, entre outros, pelas revistas Look e Europeo.

    Fui levado do presídio Tiradentes para a “Operação Bandeirantes”, OB (Polícia do Exército), no dia 17 de fevereiro de 1970, 3ª feira, às 14 horas. O capitão Maurício veio buscar-me em companhia de dois policiais e disse: “Você agora vai conhecer a sucursal do inferno”. Algemaram minhas mãos, jogaram me no porta-malas da perua. No caminho as torturas tiveram início: cutiladas na cabeça e no pescoço, apontavam-me seus revólveres.

    Preso desde novembro de 1969, eu já havia sido torturado no DOPS. Em dezembro, tive minha prisão preventiva decretada pela 2ª auditoria de guerra da 2ª região militar. Fiquei sob responsabilidade do juiz auditor dr Nelson Guimarães. Soube posteriormente que este juiz autorizara minha ida para a OB sob “garantias de integridade física”.

    Ao chegar à OB fui conduzido à sala de interrogatórios. A equipe do capitão Maurício passou a acarear-me com duas pessoas. O assunto era o Congresso da UNE em Ibiúna, em outubro de 1968. Queriam que eu esclarecesse fatos ocorridos naquela época. Apesar de declarar nada saber, insistiam para que eu “confessasse”. Pouco depois levaram me para o “pau-de-arara”. Dependurado nu, com mãos e pés amarrados, recebi choques elétricos, de pilha seca, nos tendões dos pés e na cabeça. Eram seis os torturadores, comandados pelo capitão Maurício. Davam-me “telefones” (tapas nos ouvidos) e berravam impropérios. Isto durou cerca de uma hora. Descansei quinze minutos ao ser retirado do “pau-de-arara”. O interrogatório reiniciou. As mesmas perguntas, sob cutiladas e ameaças. Quanto mais eu negava mais fortes as pancadas. A tortura, alternada de perguntas, prosseguiu até às 20 horas. Ao sair da sala, tinha o corpo marcado de hematomas, o rosto inchado, a cabeça pesada e dolorida. Um soldado, carregou-me até a cela 3, onde fiquei sozinho. Era uma cela de 3 x 2,5 m, cheia de pulgas e baratas. Terrível mau cheiro, sem colchão e cobertor. Dormi de barriga vazia sobre o cimento frio e sujo.

    Na quarta-feira fui acordado às 8 h. Subi para a sala de interrogatórios onde a equipe do capitão Homero esperava-me. Repetiram as mesmas perguntas do dia anterior. A cada resposta negativa, eu recebia cutiladas na cabeça, nos braços e no peito. Nesse ritmo prosseguiram até o início da noite, quando serviram a primeira refeição naquelas 48 horas: arroz, feijão e um pedaço de carne. Um preso, na cela ao lado da minha, ofereceu-me copo, água e cobertor. Fui dormir com a advertência do capitão Homero de que no dia seguinte enfrentaria a “equipe da pesada”.

    Na quinta-feira três policiais acordaram-me à mesma hora do dia anterior. De estômago vazio, fui para a sala de interrogatórios. Um capitão cercado por sua equipe, voltou às mesmas perguntas. “Vai ter que falar senão só sai morto daqui”, gritou. Logo depois vi que isto não era apenas uma ameaça, era quase uma certeza. Sentaram-me na “cadeira do dragão” (com chapas metálicas e fios), descarregaram choques nas mãos, nos pés, nos ouvidos e na cabeça. Dois fios foram amarrados em minhas mãos e um na orelha esquerda. A cada descarga, eu estremecia todo, como se o organismo fosse se decompor. Da sessão de choques passaram-me ao “pau-de-arara”. Mais choques, pauladas no peito e nas pernas a cada vez que elas se curvavam para aliviar a dor. Uma hora depois, com o corpo todo ferido e sangrando, desmaiei. Fui desamarrado e reanimado. Conduziram-me a outra sala dizendo que passariam a carga elétrica para 230 volts a fim de que eu falasse “antes de morrer”. Não chegaram a fazê-lo. Voltaram às perguntas, batiam em minhas mãos com palmatória. As mãos ficaram roxas e inchadas, a ponto de não ser possível fechá-las. Novas pauladas. Era impossível saber qual parte do corpo doía mais; tudo parecia massacrado. Mesmo que quisesse, não poderia responder às perguntas: o raciocínio não se ordenava mais, restava apenas o desejo de perder novamente os sentidos. Isto durou até às 10 h quando chegou o capitão Albernaz.

    “Nosso assunto agora é especial”, disse o capitão Albernaz, ligou os fios em meus membros. “Quando venho para a OB – disse – deixo o coração em casa. Tenho verdadeiro pavor a padre e para matar terrorista nada me impede… Guerra é guerra, ou se mata ou se morre. Você deve conhecer fulano e sicrano (citou os nomes de dois presos políticos que foram barbaramente torturados por ele), darei a você o mesmo tratamento que dei a eles: choques o dia todo. Todo “não” que você disser, maior a descarga elétrica que vai receber”. Eram três militares na sala. Um deles gritou: “Quero nomes e aparelhos (endereços de pessoas)”. Quando respondi: “não sei” recebi uma descarga elétrica tão forte, diretamente ligada à tomada, que houve um descontrole em minhas funções fisiológicas. O capitão Albernaz queria que eu dissesse onde estava o Frei Ratton. Como não soubesse, levei choques durante quarenta minutos.

    Queria os nomes de outros padres de São Paulo, Rio e Belo Horizonte “metidos na subversão”. Partiu para a ofensa moral: “Quais os padres que têm amantes? Por que a Igreja não expulsou vocês? Quem são os outros padres terroristas?”. Declarou que o interrogatório dos dominicanos feito pele DEOPS tinha sido “a toque de caixa” e que todos os religiosos presos iriam à OB prestar novos depoimentos. Receberiam também o mesmo “tratamento”. Disse que a “Igreja é corrupta, pratica agiotagem, o Vaticano é dono das maiores empresas do mundo”. Diante de minhas negativas, aplicavam-me choques, davam-me socos, pontapés e pauladas nas costas. À certa altura, o capitão Albernaz mandou que eu abrisse a boca “para receber a hóstia sagrada”. Introduziu um fio elétrico. Fiquei com a boca toda inchada, sem poder falar direito. Gritaram difamações contra a Igreja, berraram que os padres são homossexuais porque não se casam. Às 14 horas encerraram a sessão. Carregado, voltei à cela onde fiquei estirado no chão.

    Às 18 horas serviram jantar, mas não consegui comer. Minha boca era uma ferida só. Pouco depois levaram-me para uma “explicação”. Encontrei a mesma equipe do capitão Albernaz. Voltaram às mesmas perguntas. Repetiram as difamações. Disse que, em vista de minha resistência à tortura, concluíram que eu era um guerrilheiro e devia estar escondendo minha participação em assaltos a bancos. O “interrogatório” reiniciou para que eu confessasse os assaltos: choques, pontapés nos órgãos genitais e no estomago palmatórias, pontas de cigarro no meu corpo. Durante cinco horas apanhei como um cachorro. No fim, fizeram-me passar pelo “corredor polonês”. Avisaram que aquilo era a estréia do que iria ocorrer com os outros dominicanos. Quiseram me deixar dependurado toda a noite no “pau-de-arara”. Mas o capitão Albernaz objetou: “não é preciso, vamos ficar com ele aqui mais dias. Se não falar, será quebrado por dentro, pois sabemos fazer as coisas sem deixar marcas visíveis”. “Se sobreviver, jamais esquecerá o preço de sua valentia”.

    Na cela eu não conseguia dormir. A dor crescia a cada momento. Sentia a cabeça dez vezes maior do que o corpo. Angustiava-me a possibilidade de os outros padres sofrerem o mesmo. Era preciso pôr um fim àquilo. Sentia que não iria aguentar mais o sofrimento prolongado. Só havia uma solução: matar-me.

    Na cela cheia de lixo, encontrei uma lata vazia. Comecei a amolar sua ponta no cimento. O preso ao lado pressentiu minha decisão e pediu que eu me acalmasse. Havia sofrido mais do que eu (teve os testículos esmagados) e não chegara ao desespero. Mas no meu caso, tratava-se de impedir que outros viessem a ser torturados e de denunciar à opinião pública e à Igreja o que se passa nos cárceres brasileiros. Só com o sacrifício de minha vida isto seria possível, pensei. Como havia um Novo Testamento na cela, li a Paixão segundo São Mateus. O Pai havia exigido o sacrifício do Filho como prova de amor aos homens. Desmaiei envolto em dor e febre.

    Na sexta-feira fui acordado por um policial. Havia ao meu lado um novo preso: um rapaz português que chorava pelas torturas sofridas durante a madrugada. O policial advertiu-me: “o senhor tem hoje e amanhã para decidir falar. Senão a turma da pesada repete o mesmo pau. Já perderam a paciência e estão dispostos a matá-lo aos pouquinhos”. Voltei aos meus pensamentos da noite anterior. Nos pulsos, eu havia marcado o lugar dos cortes. Continuei amolando a lata. Ao meio-dia tiraram-me para fazer a barba. Disseram que eu iria para a penitenciária. Raspei mal a barba, voltei à cela. Passou um soldado. Pedi que me emprestasse a “gillete” para terminar a barba. O português dormia. Tomei a gillete. Enfiei-a com força na dobra interna do cotovelo, no braço esquerdo. O corte fundo atingiu a artéria. O jato de sangue manchou o chão da cela. Aproximei-me da privada, apertei o braço para que o sangue jorrasse mais depressa. Mais tarde recobrei os sentidos num leito do pronto-socorro do Hospital das Clínicas. No mesmo dia transferiram-me para um leito do Hospital Militar. O Exército temia a repercussão, não avisaram a ninguém do que ocorrera comigo. No corredor do Hospital Militar, o capitão Maurício dizia desesperado aos médicos: “Doutor, ele não pode morrer de jeito nenhum. Temos que fazer tudo, senão estamos perdidos”. No meu quarto a OB deixou seis soldados de guarda.

    No sábado teve início a tortura psicológica. Diziam: “A situação agora vai piorar para você, que é um padre suicida e terrorista. A Igreja vai expulsá-lo”. Não deixavam que eu repousasse. Falavam o tempo todo, jogavam, contavam-me estranhas histórias. Percebi logo que, a fim de fugirem à responsabilidade de meu ato e o justificarem, queriam que eu enlouquecesse.

    Na segunda noite recebi a visita do juiz auditor acompanhado de um padre do Convento e um bispo auxiliar de São Paulo. Haviam sido avisados pelos presos políticos do presídio Tiradentes. Um médico do hospital examinou-me à frente deles mostrando os hematomas e cicatrizes, os pontos recebidos no hospital das Clínicas e as marcas de tortura. O juiz declarou que aquilo era “uma estupidez” e que iria apurar responsabilidades. Pedi a ele garantias de vida e que eu não voltaria à OB, o que prometeu.

    De fato fui bem tratado pelos militares do Hospital Militar, exceto os da OB que montavam guarda em meu quarto. As irmãs vicentinas deram-me toda a assistência necessária Mas não se cumpriu a promessa do juiz. Na sexta-feira, dia 27, fui levado de manhã para a OB. Fiquei numa cela até o fim da tarde sem comer. Sentia-me tonto e fraco, pois havia perdido muito sangue e os ferimentos começavam a cicatrizar-se. À noite entregaram-me de volta ao Presídio Tiradentes.

    É preciso dizer que o que ocorreu comigo não é exceção, é regra. Raros os presos políticos brasileiros que não sofreram torturas. Muitos, como Schael Schneiber e Virgílio Gomes da Silva, morreram na sala de torturas. Outros ficaram surdos, estéreis ou com outros defeitos físicos. A esperança desses presos coloca-se na Igreja, única instituição brasileira fora do controle estatal-militar. Sua missão é: defender e promover a dignidade humana. Onde houver um homem sofrendo, é o Mestre que sofre. É hora de nossos bispos dizerem um BASTA às torturas e injustiças promovidas pelo regime, antes que seja tarde.

    A Igreja não pode omitir-se. As provas das torturas trazemos no corpo. Se a Igreja não se manifestar contra essa situação, quem o fará? Ou seria necessário que eu morresse para que alguma atitude fosse tomada? Num momento como este o silêncio é omissão. Se falar é um risco, é muito mais um testemunho. A Igreja existe como sinal e sacramento da justiça de Deus no mundo

    “Não queremos, irmãos, que ignoreis a tribulação que nos sobreveio. Fomos maltratados desmedidamente, além das nossas forças, a ponto de termos perdido a esperança de sairmos com vida. Sentíamos dentro de nós mesmos a sentença de morte: deu-se isso para que saibamos pôr a nossa confiança, não em nós, mas em Deus, que ressuscita os mortos” (2Cor, 8-9).

    Faço esta denúncia e este apelo a fim de que se evite amanhã a triste notícia de mais um morto pelas torturas.

    Frei Tito de Alencar Lima, OP
    Fevereiro de 1970

    • Frei Tito foi libertado em dezembro de 1970, incluído entre os prisioneiros políticos trocados pelo embaixador suíço, seqüestrado pela VPR. Ao desembarcarem em Santiago do Chile, um companheiro comentou: “Tito, eis finalmente a liberdade!”. O frade dominicano murmurou: “Não, não é esta a liberdade”.

      Em Roma, as portas do Colégio Pio Brasileiro, seminário destinado a formar a elite do nosso clero, fecharam-se para o religioso com fama de “terrorista”. Em Paris, nossos confrades o acolheram no convento de Saint Jacques, em cuja entrada uma placa recorda a invasão da Gestapo, em 1943, e o assassinato de dois dominicanos.

      O capitão Albernaz tinha razão: sufocado por seus fantasmas interiores, Tito tornou-se ausente. Ouvia continuamente a voz rouca do delegado Fleury, que o prendera, e o vislumbrava em cafés e bulevares. Transferido para o convento de I’Arbresle, construído por Le Corbusier, nas proximidades de Lyon, as visões aterradoras continuaram a minar sua estrutura psíquica. Escrevia poemas:

      “Em luzes e trevas derrama o sangue de minha existência / Quem me dirá como é o existir / Experiência do visível ou do invisível”.

      Os médicos recomendaram-no suspender os estudos para dedicar-se a trabalhos manuais. Empregou-se como horticultor em Villefranche-sur-Saône e alugou um pequeno cômodo numa pensão de imigrantes, o Foyer Sonacotra, cujas despesas pagava com o próprio salário. O patrão o percebeu indolente, ora alegre, ora triste, sugado por um tormento interior. Em seu caderno de poemas, Tito registrou:

      “São noites de silêncio / Vozes que clamam num espaço infinito / Um silêncio do homem e um silêncio de Deus”.

      No sábado, 10 de agosto de 1974, frei Roland Ducret foi visitá-lo. Bateu à porta de seu quarto, na zona rural. Ninguém respondeu. Um estranho silêncio pairava sob o céu azul do verão francês e envolvia folhas, vento, flores e pássaros. Nada se movia. Sob a copa de um álamo, o corpo de Frei Tito dependurado por uma corda, balançava entre o céu e a terra. Ele tinha 28 anos.Quando secar o rio da minha infância

      Em março de 1983, seus restos mortais retornaram ao Brasil. Acolhidos em solene liturgia na Catedral da Sé, em São Paulo, encontram-se enterrados em Fortaleza, sua terra natal. O cardeal Aros frisou que Tito afinal encontrara, do outro lado da vida, a unidade perdida.

      Nos eventos que ocorreram em várias cidades do país, rezamos juntos o poema que Tito escreveu em Paris, a 12 de outubro de 1972:

      Quando secar o rio de minha infância,
      secará toda dor.
      Quando os regatos límpidos de meu ser secarem, minh’alma perderá sua força.
      Buscarei, então, pastagens distantes
      Irei onde o ódio não tem teto para repousar.
      Ali, erguerei uma tenda junto aos bosques.

      Todas as tardes me deitarei na relva,
      e nos dias silenciosos farei minha oração:
      Meu eterno canto de amor: expressão pura de minha mais profunda angústia

      Nos dias primaveris, colherei flores para
      meu jardim da saudade.

      Assim, exterminarei a lembrança de um passado sombrio.

      Tito de Alencar
      Paris, 12 de outubro de 1973

    • Depois de ler tudo isso, só me aumentou a certeza de que os defensores desses canalhas (que eu espero que estejam desfrutando bastante do inferno) possuem um monte de estrume no lugar do coração e um abismo no lugar da alma.

      E ainda é capaz de um desses reaças sem vergonha responderem a esse comentário tripudiando, pois são animais que não reconhecem em outros seres humanos, seus iguais.

      Tem que ser muito canalha, muito FDP pra defender essa gente e ainda tentar convencer alguém que as mortes (causadas pela situação armada por esses mesmos canalhas que eles apoiam até hoje) é equivalente a apenas UM caso de tortura, como o relatado.

  • Edu,
    você sabe quem são as pessoas na foto que você postou no blog do dia 12-12 ?
    o que tem a foto a ver com o post ?
    estou perguntando porque acho que conheço uma das pessoas da foto.
    abração e parabéns pelos “furos de reportagem” que você sempre faz
    Ricardo Grillo

  • O grande problema é que a direita, de tão investida na ideia de que vale tudo pra acabar com qualquer coisa que lembre a esquerda – e isso por MEDO de que o povo escolha uma caminho à esquerda, ao largo da acumalção de riqueza que gera a pobreza e ao poder dos oligarcas, que emperra o progresso -, acaba numa sinuca de bico e tendo que igualar a condenação da ditadura e seus criminosos à condenação da direita propriamente dita.

    Nada impediria um direitista minimamente honesto de rejeitar por completo os atos da ditadura e apoiar a investigação. São poucos os que fazem, e menos ainda os que o fazem publicamente.

    Afinal, eles vivem falando que a esquerda deveria “cortar na própria carne”, mas se recusam a fazer o mesmo. Como sempre, o “argumento” deles é puro cinismo, pura prestidigitação, pura desculpa esfarrapada pra condenar a esquerda de toda e qualquer forma possível, independentemente de “detalhes” como certo, errado, dignidade e honestidade.

    Enfim, é por confundir a ditadura com a direita e por se propor a atacar fanaticamente qualquer coisa que mesmo indiretamente fortaleça a esquerda ou demonstre algo de positivo nela, é que essa turma não poupa esforços pra, mesmo pagando mico, defender o indefensável.

    Micos como defender uma ditadura dizendo que ela defendia a democracia. Micos como defender torturadores de grávidas e estupradores de crianças e depois encher a boca pra falar em “penas mais rigorosas” e ” redução da maioridade penal”.

    Micos como dizer que é a esquerda, ao defender os direitos humanos – que são deles tbm! – que “adora defender criminosos”.

    Ora, que RAIO eles estão fazendo além de defender os MAIORES criminosos da nossa história????

    É muita cara de pau!

    Esse papo de tentar equiparar os dois lados é a defesa dos monstros, minimizando seus crimes.

    A esquerda que resistiu aos ditadores não cometeu nada que pudesse começar a ser comparado com o volume e a gravidade dos crimes dos ditadores e seus comparsas.

    Houve abusos do lado da esquerda, com toda a certeza. POUQUÍSSIMOS diante da montanha de crimes cometidos cotidianamente pelos ditadores. E de gravidade muito menor.

    Queria ver UM abuso da esquerda que pudesse ser comparada com a tortura e estupro de um ser humano por MESES! Ou ao estupro de uma grávida!

    Mas não tem nem mesmo um caso, nem mesmo um maluco alucinado na esquerda que tenha cometido um absurdo desses.

    E, se tivesse, TODA a esquerda reprovaria em uníssono e sem pestanejar. Quem tem compromisso com o erro são ELES, que precisam, desesperadamente, revalidar sua crença em seus dogmas através da defesa de monstros que compartilhavam a mesma crença.

    São eles que precisam demonizar os rebeldes chamando-os de “terroristas”, o que NINGUÉM em sã consciência leva a sério.

    Nós não precisamos disso, pq eles se demonizaram a si mesmos com seus crimes.

    O que os reacinhas que aqui aparecem pra reclamar, apenas o fazem por acharem que condenar a ditadura é dizer que a esquerda estava certa, e isso lhes é inadmissível.

    Qualquer coisa que sugira, mesmo que levemente, que a esquerda fez algo de bom e correto, algo que não possa ser atacado ou manchado, algo heróico e digno, é a mais pura heresia pra esses fanáticos. Por isso, não aceitam que a esquerda não seja condenada da mesma forma, mesmo por ter feito MUITO MENOS do que a direita.

    É apenas uma questão de dogmas e de falta de vergonha na cara.

  • A Folha tem suas razões para tentar minimizar o papel da direita golpista durante os anos de chumbo. Afinal, ela apoiou a ditadura, e os Frias colaboraram com convicção com as condenáveis práticas daquele período. Mas, o post de abertura diz tudo: o essencial é que a esquerda resistiu ao terrorismo da direita, que assumiu o estado de forma ilegal, o que por si já legitimava a resistência da esquerda. Além disso, como destacou Eduardo Guimarães em seu texto, os militantes da esquerda foram severamente punidos com prisões, tortura, demissões e perseguições de todo tipo. Os agentes do estado ilegal, que surgiu do golpe contra o governo constitucional de João Goulart, ao contrário, foram e continuam protegidos. Os que morreram em combate ou por outros motivos não pagaram pelos crimes cometidos. E os demais, pior ainda: continuam soltos, impunes e muitos recebendo dinheiro do estado. Quem praticou tortura de forma sistemática foi o governo implantando pelo golpe de 1964. A tortura é um crime inafiançável e imprescritível – e isto consta inclusive da nossa carta constitucional, além de todos os tratados internacionais. Tivéssemos uma população mais politizada e menos teleguiada pelas redes Globo da Vida, pelas Folhas de SP e rádios Itatiaia (MG), e seguramente a população exigiria punição dos envolvidos no golpe e nas práticas de terrorismo de estado, como aconteceu na Argentina. Mas, infelizmente, o baixo nível de organização e politização da sociedade permitiu que produzissem à revelia da população a anistia “ampla e irrestrita” que só beneficiou os agentes do estado terrorista criado em 1964. Entre estes agentes, os proprietários dos meios de comunicação, que fortaleceram seus monopólios e os mantêm intocados até os dias atuais. Portanto, a não punição dos torturadores e a sobrevivência do monopólio da mídia nas mãos dos mesmos que apoiaram o golpe têm tudo a ver.

  • Edu, caro amigo, vc acha q agora, com esse escândalo da Petrobras com o PT envolvido até o pescoço (de novo), Dilma será deposta e Lula será preso?

    Ou mais uma vez, nós vamos conseguir nos safar?

    Vamos fazer vaquinha pros companheiros Duque, Paulo Roberto e Yussef?

    Abraços

      • Pois é, amigo…

        Já estou guardando um dinheirinho…

        Entrei na vaquinha dos companheiros José Dirceu e Genoíno e vou ajudar os demais companheiros q forem injustiçados na Petrobras tb!

        Um absurdo só pegarem os escândalos de 2005 pra cá!

        Só mostram a roubalheira do PT?

        Mas aí vem a Dilma e diz q a Polícia Federal é maravilhosa, q o Ministério Público é competente e q ela dá liberdade total pras investigações…

        Então, cadê as roubalheiras do PSDB, amigo!?!?

        É perseguição pura…

        Só pra colocar no PT a fama de corrupto!

        Uma vergonha!

        Mas conte comigo pra vaquinha dos companheiros petistas q, por ventura, sejam condenados, já injustamente, em mais esse escândalo!

          • O nível dos lacaios tucanos é mesmo muito baixo!

            Os nossos lacaios tem até blog!!!

            Já os deles, são muito burros e pobres…

            Mas como eu disse, estou pronto pro combate!

            Não passarão!

          • Concordo!!

            Só mesmo pessoas com intelecto muito alto nos representam!!

            E isso me dá uma certa tranquilidade…

            Pode sair mais caro, mas melhora o nível!

          • Edu, cada resposta que vc dá é um super fora em cima do idiota. O patife não se cansa. Quer dar uma de inteligente com estas ironias baratas. Este é daqueles que não adianta mostrar a verdade, é um caso perdido. As melhores respostas que vc poderia dar a um elemento destes são estas que vc respondeu.

      • em tempo…

        o amigo, a quem tanto respeito, não respondeu às minhas perguntas!

        Dilma e Lula correm risco?

        Dizem q Dilma vai fazer um acordo de “delação premiada” pra reduzir a pena… Vc sabe de alguma coisa a respeito?

        Estou muito preocupado!

        Mas estou tb pronto pra ajudar nossos amigos q tanto fizeram pela nossa causa!!

        Pode contar comigo!

        • Babaca, voce se acha tão espertinho, com essa ironia “inteligente”. Ninguém vai cair nessa palhaçada. Vê lá se o Edu vai ter como amigo um mané desses?
          E se voce quer saber se o lado daqui, dos progressistas, acredita que voces conseguirão derrubar a Dilma, isso a gente responde nas ruas. Se voce botarem mais que meia-dúzia de gatos-pingados sob a liderança do Lobão. Enquanto isso a gente ignora

        • Ô Renato, e Vossa Excelência?
          O que acha?
          Devo juntar um dinheirinho também?
          Serra, Alckmin, FHC e comparsas se safam?
          Qual deles será o primeiro a fazer uma delação premiada?
          Você está preocupado com isso também?
          Ou é só chororô de perdedor, mesmo?
          Ah, só não conte com meu dinheirinho para ajudar esses seus amiguinhos, tá?
          Já roubaram demais, e tanto, que tem grana até para comprar o STF e coadjuvantes.
          Até 2030!!! Ou será 2034???!!! Ou 2038???!!!
          Oh, dúvida cruel!!!!!!!!
          Atenciosamente.

  • EDU, UM DIA EU AINDA ESCREVEREI TÃO BEM QUANTO VOCÊ

    Muito clara e muito objetiva, para falar apenas dos seus 3 primeiros parágrafos:

    “Fazer jornalismo influente, no Brasil, tornou obrigatória a eficiência na composição de manchetes que – pela “eloquência” – induzam o leitor a, não raro, formar opinião sem ter lido nada além do título da matéria, seja opinativa ou noticiosa. Isso é contingência de uma era em que a quantidade de informação disponível excede a disponibilidade de tempo do leitor.

    A despeito da necessidade de consumir informação com mais rapidez, a tendência cultural do brasileiro, por triste que seja admitir, é injustificadamente tendente ao mínimo de leitura e ao máximo de conclusões apressadas sobre ideias prontas.

    Nesse aspecto, o conteúdo das matérias – sobretudo as da grande mídia, que atingem camadas menos intelectualizadas da sociedade – acaba servindo apenas para justificar manchetes que costumam dizer o que aquele conteúdo a que remetem não diz”.

    E sabe qual é o resultado disso? Uma Torre de Babel. Ninguém se entende nas mesas dos bares, nem no ambiente de trabalho, nem mesmo no papo com os filhos. E eu pergunto para as pessoas: “mas vocês leram isto, vocês leram aquilo?” “Não, não li”. A resposta é quase sempre esta.

    E como geralmente não há tempo para citar todas as evidências que mostram que o PIG está sempre mentindo, manipulando, sacaneando, meu comportamento é o de sugerir no final do papo, para aqueles que se encontram na mesa, que recorram com mais frequência aos “blogs sujos”. As pessoas geralmente riem com esta expressão, mas eu ando na minha carteira com um bocado de tirinhas de papel sugerindo que esses meus colegas acessem o Blog da Cidadania, Blog do Nassif, o Conversa Afiada, Tijolaço, Vi o Mundo, e por aí vai.

    Uma outra maneira de fazer com que estas pessoas se habituem a procurar informações nos blogs sujos é você enviar para seus e-mails uma série de matérias que você considera avassaladoras para elas, por algum tempo. E onde é que eu encontro estas matérias? Nos “blogs sujos”, claro.

    Mas aí você pode argumentar que estas pessoas estão trocando a orientação nefasta do Jornal Nacional pela minha. Ou seja, estão trocando 6 por meia dúzia. Mas aí uma coisa maravilhosas quase sempre acontece: eu notei que depois de algum tempo “sob a minha orientação”, digamos assim, as pessoas não ficam mais esperando pelas minhas sugestões. Elas vão diretamente atrás das matérias que lhes interessam. E a partir daí elas começam a voar por conta própria. Sacaram?

    Mas um conselho: não abarrotem os e-mails dessas pessoas com centenas de matérias. Sejam econômicos e escolha aquelas que são realmente relevantes. Como esta do Edu que se encontra acima.

  • Nós temos que entender que existe uma praga perigosíssima rondando este país e que já conseguiu deixar enormes sequelas no Brasil, essa praga é a concentração dos meios de comunicação na mãos de uma oligarquia, a qual, muito mais do que impor uma única opinião, concentra nessa “opinião” vendida à população O QUE HÁ DE MAIS REACIONÁRIO, ATRASADO, BESTIAL, CANALHA E COVARDE EM MATÉRIA DE POSICIONAMENTO POLÍTICO E IDEOLÓGICO, TRABALHANDO DIUTURNAMENTE PARA CONSTRUIR UMA SOCIEDADE DE FASCISTAS DA PIOR LAIA, UM PAÍS DE CÍNICOS E PSICOPATAS, CAPAZES DE DEFENDEREM NA MAIOR CARA DE PAU AS MAIS ABSURDAS E DESUMANAS OPINIÕES, JACTANDO-SE DE ESTAREM PROFERINDO “EPÍTETOS” DE JUSTIÇA E HONESTIDADE. Para quem acha que estou exagerando, citarei três episódios que infelizmente vivi nesses três últimos dias; hoje, sábado e domingo; como ilustrações do que estamos nos tornando e viraremos em breve se nada for feito, ou seja um país abjeto de gente enojante(é verdade que o reacionarismo sempre esteve presente em nossa cultura; faz parte da ideologia construída pelos dominadores, que estão no poder e impõem sua visão de mundo. mas essa ideologia sempre conviveu com contestações, ou sempre foi de certa forma envergonhada. Atualmente as vozes dissonantes quase desapareceram ou estão mais caladas e o atavismo mais bárbaro saiu do armário, expõe-se sem vergonha e de forma escrachada). O primeiro episódio aconteceu na sexta, aguardava em uma sala de espera, onde o público era composto por pessoas de classe média, e uma senhora idosa começou a conversar comigo sobre amenidades, todavia a conversa acabou atingindo o Governo Dilma. Foi aí que percebi que aquela gentil e educada senhora transformava-se numa reacionária da pior espécie, capaz de acreditar que “o país estava um caos” que “no Governo FHC realizou-se a “extraordinária” ação de controlar a inflação” ou o que é pior, ” de que atualmente existe situação de desemprego semelhante a dos anos FHC”. É claro que não me furtei ao debate acalorado com tamanha fascista; nunca me furto a responder a um nazista que a mim se dirige tentando atacar os Governos do PT. Para coroar o festival de besteiras que vomitava, a tal idosa resolveu dizer que “via pessoas com bolsa de marca indo receber o bolsa família”(pausa para rir e para ficar chocado com tamanha capacidade de mentir). Ou seja, diria qualquer coisa que viesse à mente desde que conseguisse responder a quem primeiro atacava os dogmas midiáticos que ela seguia com fervor religioso e ainda por cima destruía-os facilmente com argumentos racionais e números. A “simpática” idosa usava a tática midiática de atacar propostas e projetos com sensacionalismo, na falta de argumentos para combatê-los. No sábado, passei por outro entrevero do tipo, dessa vez foi em um show da excelente Elba Ramalho, ao fim do espetáculo a cantora interpretava uma música de Luiz Gonzaga, que fala sobre o orgulho do homem pobre do Nordeste em conseguir seu sustento e não receber esmolas. Exatamente num dos versos que citava a velho ditado popular de “esmola vicia”, uma outra senhora idosa, que se encontrava na fila em frente à minha, esqueceu a idade e a compostura e berrou como um estudante alucinada, ao ouvir tais versos, comparando a postura de viciar-se em esmola com o Bolsa Família. Não conseguiu me conter e critiquei a tal postura, com um “agora f…”, o que fez a idosa voltar-se em minha direção, nada falar, mas sentir-se constrangida por sua postura, e assim evitar novos achaques reacionários. A última aconteceu hoje, passeava com minha esposa em nosso bairro, quando um sujeito de meia idade por quem já tínhamos passado, conversando com outro que dele se afastava, latiu para o conhecido que “por isso apoio Bolsonaro”. OU SEJA, UM ANIMAL QUE PODE TER FILHAS, MÃE E ESPOSA, RELINCHA NA RUA QUE “APOIA” UM ESTUPRADOR, DE FORMA TRANQUILA, ENQUANTO VARRIA A CALÇADA DE SUA CASA. VIREI-ME PARA O SUJEITO E ENCAREI-O DE FORMA AGRESSIVA, O QUE O FEZ FINGIR QUE NÃO PERCEBIA MEU OLHAR E CONTINUAR SUA TAREFA DOMÉSTICA DE FORMA BANAL, COMO SE TIVESSE PROFERIDO UMA OPINIÃO SOBRE O TEMPO. É nisso que estamos nos transformando(lembrando que moro em Recife, uma cidade progressista se comparada com o Sudeste reacionário, onde Dilma teve 70,2% dos votos nesse segundo turno. Mas vivo no meio da classe média, que é reacionária em qualquer parte do Brasil, embora em outros lugares ainda seja pior). Se não reagirmos a essa praga, reação que só pode vir de forma completa com a democratização dos meios de comunicação, mas deveria iniciar-se com grande manifestações progressistas destinadas a defender temas e conceitos de esquerda. Entre eles exigir a punição dos torturadores da ditadura, investigar a corrupção do PSDB, principalmente nas privatizações; exigir a democratização da mídia); se assim não agirmos, teremos em pouquíssimo tempo, no máximo nas eleições de 2018, uma Sociedade doente, só comparável às hordas humanas de extrema direita que circulavam na Alemanha nazista, onde qualquer visão que não corresponder à truculência e ao atavismo sequer poderá ser exposta, já que impingirá ao que a defender ameaça até mesmo à sua segurança física. Vamos agir antes, e não estou falando de retórica, mas de reação prática, já que esses irresponsáveis da Globo, Folha e queijandos não hesitarão em jogar este país numa espiral de loucura que levará pessoas a matarem outras que não sejam como completos fascistas, desde que assim fazendo consigam impor a ideologia e os objetivos políticos de seus patrões dos EUA.

  • Num livro que li sobre o período da ditadura militar, consta que transeuntes foram mortos por militares que perseguiam os ”terroristas”. Serão esses mortos contabilizados como vítimas da guerrilha? E os camponeses que mataram no Araguaia, também estão na lista das vítimas da esquerda? Não dá para comparar o horror que os militares fizeram.

  • ”Eu tinha comido um besouro. Ele zumbia dentro de mim furiosamente,
    pra lembrar que a imaginação incomoda muita gente. Parar de imaginar,
    parar de ser e de querer. Aceitar, resignar é bom, traz a brisa fresca,
    café com leite de manhã, muita fartura.”

    Do depoimento de uma exilada, que morreu em Berlim Ocidental, em 1976.
    Citado por Evaldo Vieira: A República Brasileira, 1964-1984, São Paulo, Ed. Moderna, 1985, pags. 36-37.
    [20 Anos de resistência, alternativas da cultura no regime militar, Ed. Espaço e Tempo, Rio de Janeiro, 1986].

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    ************* Abaixo o PIG brasileiro — Partido da Imprensa Golpista no Brasil, na feliz definição do deputado Fernando Ferro; pig que é a míRdia que se acredita dona de mandato divino para governar.

    Lei de Mídias Já ! ! ! ! **** … “Com o tempo, uma imprensa [mídia] cínica, mercenária, demagógica e corruta formará um público tão vil como ela mesma” *** * Joseph Pulitzer. **** … … “Se você não for cuidadoso(a), os jornais [mídias] farão você odiar as pessoas que estão sendo oprimidas, e amar as pessoas que estão oprimindo” *** * Malcolm X. … … … Ley de Medios Já ! ! ! . . . … … … …

  • Para se conhecer mais sobre o período golpista existem ótimos documentários de fácil acesso hoje na net como o essencial “O dia que durou 21 anos” entre outros, segue uma lista no site ‘Documentos Revelados”
    http://www.documentosrevelados.com.br/midias/documentarios-e-filmes-sobre-a-ditadura-e-a-resistencia/ é primordial que as novas gerações saibam o que de fato foi os anos de chumbo, e saber que um pequeno grupo de jovens idealistas jamais teriam condições de transformar o Brasil num país socialista. foram bode expiatório pra algo muito maior

  • A Folha pode praticar um mau jornalismo- coisa comum por aqui, mas não só no ramo jornalístico.
    Ora, não compre, não leia.

    Quero crer que não estamos aqui a propor a criação de “normas” governamentais para o jornalismo, como a colocação de manchetes e etc? Um “conselho de jornalismo”- velho anseio do Lulopetismo, cansado de ser esbofeteado ( na maioria das vezes com razão)?

    O Mercado brasileiro de jornalismo é nivelado por baixo mesmo. E qual mercado brasileiro não é?

    Já quanto à tortura (de novo) o relatorio é público e está disponível. Não é errado reitero, dizer que a verdade descrita no relatório é sim parcial. E alegar que os atos dos “resistentes” foram mais ou menos nobres, mais ou menos torpes por serem “justificados” é desonesto. O próprio evento no Aeroporto de Guararapes, foi um puro e simples ato terrorista, com bomba, e acabou por atingir inocentes.

    E julgar que os tais grupos foram todos punidos pelo regime, também é uma presunção…

    Não é defender os torturadores. É não defender ninguém.

    • O que se pretende agora numa regulação da mídia é o básico do básico, meu caro. No caso dos jornais que não são uma concessão pública é a regulamentação do direito de resposta, que seja justa para ambas as partes.
      Ou seja, a Folha pode botar a manchete que quiser, mas quem se sentir atingido pode buscar a reparação. No caso de assassinato de reputação, a unica forma de evitá-lo, é a justiça determinar o desmentido com o mesmo espaço e destaque e que seja rápido. Se demora mais do que um ano, já era, a reputação do sujeito foi para as cucuias.
      PS: Nassif está há 10 anos pleiteando esse direito contra a Veja, que está se arrastando na justiça
      PS2: No caso da Escola Base, os donos inocentes tiveram sua vida arrasada.

    • Brinco! Você voltou seu cão vadio!?

      Eu estava com saudades.

      Mas acho que você ficou fora tanto tempo que esqueceu que um dos objetivos do Blog da Cidadania é justamente evidenciar os desmandos dessa mídia sectária e golpista.

      “O Mercado brasileiro de jornalismo é nivelado por baixo mesmo” e daí? Daí que as pessoas não se informam corretamente e por isso são ludibriadas por gente torpe, assim como você.

      Bem vindo novamente, Brinco. Você faz falta, assim como o Bananélli ou Bolsonelli. São pessoas como vocês que nos dizem, com sua torpeza, que estamos do lado certo da contenda.

    • ” O próprio evento no Aeroporto de Guararapes, foi um puro e simples ato terrorista, com bomba, e acabou por atingir inocentes.”

      Estes foram julgados e torturados inclusive.

      “E julgar que os tais grupos foram todos punidos pelo regime, também é uma presunção…”

      Bem, se for por este lado, sabe-se que muitos foram torturados, então estes que foram torturados já foram condenados e já pagaram por seus crimes de forma desproporcional e injusta, punição esta aplicada por criminosos. Para os golpistas vcs não pedem punição. Vcs deviam se engajar para pedir punição dos que começaram a guerra, estuprando a democracia através do golpe.

    • Cara, é impressionante a sua insistência em não querer entender algo extremamente simples.

      Mas começemos pelas normas jornalísticas, que a maioria dos países avançados possuem. Quem sabe não é exatamente por isso que o mercado editorial deles não seja nivelado por baixo, né?

      Imprensa PRESA aos interesses de uma classe não é imprensa livre. E APENAS a imprensa livre é essencial pra democracia. A imprensa a serviço de interesses de classe, NÃO. Ao contrário, sua existência é um obstáculo à democracia.

      Sua tentativa de defender esse estado de coisas é 1) ingenuidade, se vc realmente acredita na bobagem que está escrevendo ou 2) torpe, se vc compreende a realidade e, mesmo assm, a prefere desse jeito por ser conveniente.

      E sua “solução” é “aceitar” o nivelamento por baixo? Não comprar o jornal – outra ingenuidade que é aceita como lugar comum por causa dos próprios jornais que insistem em propalar a falácia da autorregulação dos mercados?

      Obviamente, nenhuma das duas é solução alguma. É só uma rendição aos interesses da oligarquia que é dona da imprensa.

      Agora, quanto à tortura.

      Os atos da resistência foram justificados tanto moralmente quanto legalmente. Desonestidade é dizer o contrário, pois isso é sustentar que aqueles que tiveram seu poder soberano usurpado – o povo – deveria se sentar e esperar que os usurpadores o devolvessem por vontade própria.

      É dizer que os perseguidos e torturados e assassinados deveriam esperar sua vez pacificamente.

      O poder de reagir contra a tirania tem a mesma origem do direito de defesa. Se há uma agressão injusta, sua vítima pode lançar mão de qualquer meio à disposição pra afastá-la, desde que esse meio seja necessário e proporcional à agressão ou seja o único à disposição.

      Reagir com armas a uma agressão armada é PERFEITAMENTE legítimo, em todos os planos.

      Abusos foram cometidos? Um ou outro. Minguados casos isolados cometidos por indivíduos que NÃO representam toda a resistência.

      Enquanto um dos lados tomou o Estado e transformou a prática de crimes em uma política pública – e gerando a RESPONSABILIDADE do Estado (que é, inclusive, objetiva, diga-se) -, cometidos habitualmente, os crimes do outro lado foram abusos isolados de um direito que lhes cabia.

      Não há nem como começar a comparar as duas coisas. Um dos lados praticou crimes sem nenhuma justificativa, o outro apenas casos isolados de abuso de um direito. Um dos lados transformou a prática de crimes bárbaros em política pública, o outro apenas reagiu a uma agressão injusta. Um dos lados praticou abominações, como o estupro de grávidas diante dos maridos, enquanto o outro praticou apenas crimes comuns e um ou outro excesso militar.

      A Comissão investiga os atos do ente que possuía responsabilidade, o Estado. Não faz o MENOR sentido a criação de uma comissão pra investigar um ou outro abuso cometidos por uma resistência LEGÍTIMA e que foi perseguida e violada pelo agressor.

      A comissão investiga a responsabilidade do órgão oficial que representa a todo o povo brasileiro, que possuí responsabilidade jurídica e moral de não apenas esclarecer o que fez, como fez e pq fez, mas de reparar o dano cometido, MESMO sob o comando ilegítimo de canalhas e ESPECIALMENTE por isso.

      Os canalhas que cometeram esses crimes eram funcionários públicos e, como tal, possuem responsabilidade maior do que a de indivíduos comuns, em face do poder que lhes é dado – que corromperam e do qual abusaram. Não eram indivíduos agindo em nome próprio e co o poder próprio, mas agentes de um Estado, investidos de autoridade e poder.

      Os crimes de uns foram de natureza privada. O dos outros, de natureza pública.

      Não faz o MENOR sentido sequer começar a argumentar que esses dois lados devem ser tratados da mesma forma, e seus atos investigados por serem “equivalentes”. A distância entre eles, tanto de grau, número e natureza, faz deles coisas completamente distintas e incomparáveis.

      Agora, finalmente, vc não se cansa de defender a tortura de grávidas e o estupro de crianças, não?

    • Ah, e o evento que vc menciona, no aeroporto, não foi terrorista coisa nenhuma. Havia a intenção CLARA de atingir um alvo militar válido.

      Sua legalidade depende da importância militar do alvo e da vantagem provocada por sua destruição, segundo a lei internacional.

      Só seria um ato terrorista se os inocentes fossem o alvo, ou o alvo militar fosse tão desimportante que sua presença nada mais era do que uma desculpa pra matar inocentes.

      Ato terrorista é plantar uma bomba numa praça pra culpar o inimigo, isso sim. É torturar inocentes pra impor o terror na população. É colocar agentes de “segurança” em salas de aula pra ameaçar estudantes e professores. É estuprar a esposa pra torturar o marido.

      Tentar assassinar um dos líderes maiores do inimigo com uma bomba, mesmo atingido inocentes, é uma prática militar perfeitamente legítima, por mais que cause repulsa. A vantagem militar obtida com esse ato o justifica, na medida em que mais vidas serão salvas do que perdidas.

      E isso, novamente, segundo o direito internacional que regula a guerra.

  • Edu,

    Esse “jornalito” que emprestou suas peruas ao DOPS, não vai ser contra os torturadores. Aliás porque será que torturador e tucano estão todos soltos???

  • Sem retirar importância a todas as ações que devem ser feitas na democratização e controle da mídia, é necessário refletir sobre a praticidade, urgência, eficiência e economia de recursos e de aborrecimentos que o governo poderia ter se passasse a concorrer com a mídia. Na Inglaterra existem rádios e 4 canais de televisão da BBC e na França algumas Radios France e pelo menos 3 canais da TF, todos estatais. É de longe a principal referência informativa e cultural destes países cuja democracia e judiciário são modelos para o mundo. As informações dadas por estes veículos são usadas não apenas pelos outros veículos de informação na Inglaterra e na França como também por outros países e não há a menor suspeita de partidarismo ou ideologização. É a diferença q Mesmo as rádios e os canais de tv estatais que se dedicam à diversão, cultura, esportes ou entretenimento têm programação informativa, de debates, reportagens e editoriais. Por que no Brasil não se pode fazer o mesmo? Se redirecionasse a verba milionária dadas a estas empresas familiares de comunicação para empresas estatais brasileiras naquele modelo, não seria preciso sequer depender do congresso. Bastaria vontade política para ampliar e reorientar a TV Brasil, que já existe e teve seu funcionamento aprovado por lei.

    • Teclei errado e enviei sem ter terminado. Complemento: É a diferença que existe entre estado e governo, distinção pouco clara para os brasileiros e que os governos parecem também desconhecer e não fazem o menor esforço para deixar clara. Estas emissoras são estatais e não de governos.

    • O “outro lado” foi investigado durante a ditadura. Os acusados de “terrorismo” foram presos, alguns foram mortos e os que sobreviveram foram torturados, condenados e cumpriram pena. A extrema-direita quer punir duas vezes os que lutaram para libertar o paìs

      • Não se engane, Edu. A última coisa que eles querem é punir. O que querem com esse papo furado é justificar e impedir a punição, dizendo-a “injusta”. Querem a impunidade geral e irrestrita e, como sempre, eles não tem o menor problema em ser incoerentes ou em estarem do lado do estupro e da tortura.

        Eles falam em “justiça” apenas como uma desculpa esfarrapada pra atingir um objetivo. Se dizem “repugnados” por “monstros” que cometem crimes, mas defendem monstros piores. FAlam em “valores” e “moralidade”, mas não tem nem um, nem outra.

        TUDO o que dizem não passa de desculpa cínica e hipócrita pra atingir o objetivo que desejam. Apontar-lhes incoerência ou erro ou imoralidade ou em justiça é perder tempo, pois não se importam com nada disso, mas apenas as usam como meios pra chegar no que realmente querem.

        O idiota da Globo que disse que há “corrupção boa” e “má” deu toda a letra. Eles estão, com perdão da expressão, cagando e andando pra corrupção, pra monstros, pra valores, pra moralidade. São apenas meios pra um fim que, assim que servem seu objetivo, são descartados como lixo.

        Só a gente se importa com essas coisas, ponto.

  • A escolha de qual caso ir para a primeira página é a demonstração cabal de qual lado está a Folha, Edu. Até hoje, desde da época que emprestava suas peruas para os torturadores. Aquele momento da diretas já foi uma exceção em sua trajetória.

    • Bobagem e estupidez, repetida à exaustão e sem nenhum fundamento fático ou lógico.

      Antes dos militares, era apenas meia dúzia que queriam criar uma ditadura do proletariado.

      Durante a ditadura, ele se uniram a outras forças de esquerda que NÃO queriam implantar comunismo algum, pra combater os militares.

      E mesmo com todos eles somados, não seria possível sequer COMEÇAR a implantar um comunismo no Brasil. Tanto que SEQUER conseguiram evitar serem sequestrados, estuprados, torturados e mortos pelos militares.

      É uma estória da carochinha que só quem quer, acredita apenas por ser conveniente, e não se importa nem um pouco em fazer papel de idiota,

      Não havia o MENOR risco de punhados de pessoas aqui e ali dar um “golpe comunista”. E sequer COMEÇARAM a fazer qualquer coisa nesse sentido, que pudesse ser uma tênue justificativa pro golpe militar.

      Ou será que os generais canalhas e covardes temiam tanto um punhado de pessoas que se apavoraram? É o que resta dessa sua papagaiada.

  • O que mais precisa de reforma neste país, depois da mídia, é a “justiça”. É preciso reduzir o número de recursos, acelerar os processos judiciais, eliminar as manobras jurídicas, confinar os juízes a seus papéis, restringir sua ação aos autos. Juízes, promotores e procuradores devem ser punidos severamente se atuarem de forma seletiva, atrasarem ou impedirem investigações. Toda essa sensação de impunidade, discriminação e seletividade que emanam da “justiça” brasileira atinge em cheio a Classe C e mudar isso é um dos passos que mais vai garantir a reconquista dessa parcela da população pelo governo. É sobre isso a nossa reflexão desta semana no link abaixo.

    http://reino-de-clio.com.br/Pensando%20BR6.html

  • O tal Henning Boilesen Jr.reclama que o pai levou 25 tiros na cabeça, mas me parece que tal pai era o dono do grupo Ultra, que financiava a OBAN e ainda acompanhava as torturas, quando ele próprio não as cometia. Tinha um mórbido prazer nisso…

  • Em meados de janeiro de 1972, não sei precisar bem o dia, um fusca a 100 km/h cruzou o sinal vermelho da Rep do Líbano com Ibirapuera. Em uma viatura, policiais que presenciaram o delito puseram-se atras dos infratores e, ao interceptá-los, um deles desceu para pedir documentos aos ocupantes do fusca. Tombou morto, sob uma rajada de metralhadora. No tiroteio que se seguiu, os dois do fusca morreram e em sua companhia foi detectado um arsenal bélico.

    Um dos abatidos, meu ex-colega de faculdade, havia abandonado os estudos para fazer curso de guerrilha em Cuba. Sua família foi indenizada por ter sido ele vítima da ditadura. O policial, este foi vítima do acaso, e sua família continua desamparada.

    Ninguem contesta que, durante o regime de exceção, o estado agiu com truculência e à margem da legalidade. Não será com desprezo às mortes do “outro lado” que a verdade exposta pela CNV se tornará mais verdadeira. Tampouco faz-se necessário carregar nas tintas com respeito aos que lutaram para “libertar o país”, uma vez que um dos mais notáveis lideres comunistas da época, Jacob Gorender, já tratou de documentar que os revoltosos não buscavam nada alem de nos impor uma ditadura de esquerda.

    • A historinha que você contou é pouco diferente de a ditadura estuprar mulheres grávidas ou filhas diante de um homem para fazê-lo falar, ou pendurar uma idosa de cabeça para baixo num pau-de-araras e aplicar choques elétricos em seus genitais ou todas as atrocidades que constam dos trabalhos da Comissão da Verdade. Sugiro que leia.

  • Como sempre concordo a matéria. Você está dando aula de jornalismo.

    Não tenho habilidade para trabalhar com o computador, gostaria de divulgar o post de Rubem Gonzales no Viomundo

  • Oi Eduardo, quem escreve é o Nicolas Chernavsky, do culturapolitica.info, tudo bem? Queria te mandar o artigo que acabei de colocar no culturapolitica.info, e mandá-lo através de um comentário me pareceu a forma mais apropriada em seu blog. Posso mandar os artigos que eu publicar pra você? Posso mandar por e-mail também, mas não tenho seu e-mail. Em geral escrevo uma vez por semana. Se quiser, pode publicar, só peço pra citar meu nome e o culturapolitica.info. Aqui está o artigo. Um abraço!

    http://culturapolitica.info/?p=262

    Por mandatos de 4 anos pra juízes escolhidos por políticos

    O argumento usual, da necessidade de que o poder dos juízes dos tribunais superiores não derive das atuais pessoas eleitas e sim de pessoas eleitas num passado mais distante, não é democrático pois significa não só que o poder desses juízes não deriva do atual eleitorado, e sim do eleitorado do passado, mas que esses juízes praticamente não precisam prestar contas ao povo

    A república, forma de governo que substituiu a monarquia em alguns países europeus, em quase toda a América, e em muitos outros países do mundo, tem como base a divisão do poder entre o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. Entretanto, dependendo da configuração da república, os ocupantes de um poder podem ser escolhidos por outro poder, ou diretamente pelo povo. Assim, no presidencialismo, o Executivo e o Legislativo são escolhidos diretamente pelo povo, enquanto que o Judiciário (seus altos cargos), são escolhidos pelo Executivo e pelo Legislativo. Já no parlamentarismo, o povo só escolhe o Legislativo, e este indica os integrantes do Executivo e do Judiciário. Ou seja, independentemente de se o sistema é presidencialista ou parlamentarista, a regra praticamente mundial (com notáveis exceções, como a Bolívia, com um sistema misto) é que o Judiciário não é escolhido pelo povo.

    Os argumentos em prol de que o povo não deve escolher os líderes do Judiciário diretamente geralmente afirmam a necessidade do Judiciário não ser politizado, o que é um argumento insustentável à luz da realidade, uma vez que, quando não é o povo, são políticos eleitos que indicam estes juízes. Assim, é da fraqueza desse argumento sobre a “politização” que se origina a prática de aumentar o tempo de mandato dos juízes dos tribunais superiores, a fim de tentar fugir, sem sucesso, da “politização” do Judiciário. Sem sucesso porque ao retirar ou reduzir a influência dos atuais políticos eleitos no Judiciário, só se consegue aumentar a influência dos políticos eleitos no passado, ou seja, continua a influência política, e pior, uma influência política menos democrática, pois vem da política do passado, que o eleitorado não pode mudar, e não da do presente, que o eleitorado pode mudar.

    Uma vez que essa tentativa de fugir da politização do Judiciário aumentando o tempo dos mandatos dos juízes dos tribunais superiores não só não consegue o seu intento como ainda piora a qualidade dessa influência política no Judiciário, seria importante do ponto de vista do aperfeiçoamento da democracia que os mandatos dos juízes indicados por políticos (os dos tribunais superiores) tivessem a mesma ordem de grandeza que os mandatos dos políticos eleitos para o Executivo e o Legislativo. Assim, o povo teria influência, de 4 em 4 anos (no Brasil, por exemplo) quanto à permanência ou não desses juízes no cargo, mesmo que o Executivo e o Legislativo continuassem a escolhê-los, pois o povo poderia pressionar pela não renovação do mandato, e na democracia, não existe autoridade superior ao voto organizado e periódico do povo.

    Quanto à possibilidade de eleição direta para os juízes dos tribunais superiores, ela não aumentaria a influência política no Judiciário, apenas faria com que essa influência fosse diretamente exercida pelo povo, e não indiretamente exercida por seus representantes eleitos no Executivo e no Legislativo. Se é conveniente uma influência do povo direta ou indireta, através do Executivo e do Legislativo, é algo que a evolução futura da democracia vai responder. Quanto à redução do tempo dos mandatos dos juízes dos tribunais superiores à ordem de grandeza do Executivo e do Legislativo eleitos, é uma questão de estender o sistema democrático aos três poderes da república. No Brasil, os mandatos são de 4 anos, com exceção dos senadores, que têm 8 anos. Assim, sugiro um mandato de 4 anos para os juízes dos tribunais superiores. Quanto aos 8 anos dos senadores, é tema para outro artigo.

  • E os outros que estão mortos? Não contam? Não valem nada? A Human Watch Rights disse hoje que TODOS os crimes da ditadura tem que ser investigados. Se um parente seu tivesse morrido num assalto a banco da guerrilha, vc aceitaria numa boa em nome da causa? Punição a todos os criminosos, com ou sem farda

      • Com os países que fazem parte do seu Conselho de Direitos Humanos ( só republiquetas e ditaduras), não surpreende nada. Mas repito: qual a sua postura se um filho seu fosse morto por um ”libertador” numa ação armada, o que vc iria querer?

    • Esses sem vergonha fazem de conta que não leem as diversas explicações de demonstram, claramente, que a diferença é gritante, e que a culpa pela morte de inocentes, mesmo em assaltos a banco efetuados pra lutar contra a ditadura foi dos próprios militares, que PROVOCARAM A SITUAÇÃO INJUSTA em primeiro lugar.

      E depois voltam aqui a repetir sempre a mesma asneira, e sem a menor vergonha de estar defendendo o estupro de grávidas e a tortura de crianças.

      Como escrevi antes, eles não estão nem aí com “justiça” ou “moral” ou “valores”. São apenas ferramentas descartáveis que usam pra dar a aparência de algum conteúdo a suas taras e mais nada. Assim cessa a serventia, são atiradas no lixo.

      São monstros amorais defendendo outros.

      Repugnante.

    • Quantos alemães morreram em atentados realizados pelos judeus na segunda guerra? Então vamos punir os judeus e desmentir o holocausto? É isso mesmo que voce diz? Falta capacidade de raciocínio em algumas pessoas.

  • Pra ver… Dilma levou um cruzado(…) , e ficou mais feia do que já é! mas o que me deixa curioso é o por que ela ( Dilma) não fez uma cirurgia pra resolver o problema, pois grana não falta a ela e se faltar a PETROBRAS “ajuda”, ademais fazendo este procedimento ( o cirurgico ) ela faria um favor a nação pois ficaria um mês sem falar poupando o povo e seus próximos de ouvir asneiras.

  • Proverbio chinês: “É melhor ficar de boca fechada e deixar que duvidem de nossa inteligênica do que abrir a boca e dissipar as dúvidas. Eu prefiro não mais ler as baboseiras do Fábio SP, Nigro, Bolsonelli, etc… e duvidar da inteligência deles, pois se leio dissipam-se as dúvidas. E o Bolsonelli nem faz questão que o leiamos, pois debate com ele mesmo. Tô mentindo, Bolsonelli ?

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    ************* Abaixo o PIG brasileiro — Partido da Imprensa Golpista no Brasil, na feliz definição do deputado Fernando Ferro; que é a míRdia que se acredita dona de mandato divino para governar.

    Lei de Mídias Já!!!! **** … “Com o tempo, uma imprensa [mídia] cínica, mercenária, demagógica e corruta formará um público tão vil como ela mesma” *** * Joseph Pulitzer. **** … … “Se você não for cuidadoso(a), os jornais [mídias] farão você odiar as pessoas que estão sendo oprimidas, e amar as pessoas que estão oprimindo” *** * Malcolm X. … … … Ley de Medios Já ! ! ! . . . … … … …

  • Uma coisa que eu acho muito engraçada é que, no jornal, especialmente esse, que adora um coturno pra lamber, publica-se a torto e a direito alguém chamando a resistência à ditadura de “terroristas”. Mas não publicam nem uma vez alguém chamando os militares da mesma coisa. Ou de estupradores de grávidas ou torturadores de crianças – são sempre indivíduos que são assim chamados, mas não “os militares”. Eles publicam “o estuprador”, “o torturador”, mas é sempre, por outro lado, “os terroristas”.

    Propaganda subliminar pra pautar o discurso e enganar os trouxas.

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